Louisa May Alcott

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Louisa May Alcott
Louisa May Alcott aos 25 anos
Pseudônimo(s) A. M. Barnard
Nascimento 29 de novembro de 1832
Filadélfia, Pensilvânia, EUA
Morte 6 de março de 1888 (55 anos)
Boston, Massachusetts, EUA
Residência Orchad House, Concord, Massachusetts
Nacionalidade  Estados Unidos
Ocupação Escritora
Influências
Influenciados
Gênero literário Literatura juvenil
Magnum opus Mulherzinhas

Louisa May Alcott (Filadélfia, 29 de novembro de 1832Boston, 6 de março de 1888) foi uma escritora norte americana, que se dedicou principalmente à literatura juvenil.

Foi educada pelo pai, o filósofo e educador Amos Bronson Alcott, tendo a oportunidade de conviver com intelectuais como Henry David Thoreau e Ralph Waldo Emerson.

Louise sonhava ser atriz, mas tornou-se escritora. Inspirou-se nas próprias experiências para escrever suas histórias. Mulherzinhas (1868), seu romance mais famoso, apresenta o retrato de uma família de classe média americana do seu tempo, salientado os seus valores morais: civismo e amor à pátria (que chega ao sacrifício de seus filhos) e dedicação extrema ao lar e ao próximo. Este romance foi transformado em filmes para cinema, TV e séries muitas vezes, desde a primeira versão registada no IMDB [1] em 1917

Biografia[editar | editar código-fonte]

Louisa May Alcott nasceu no dia 29 de novembro de 1832 em Germantown, que agora faz parte de Filadélfia, no 33.º aniversário do seu pai.[2] Ela era filha do transcendentalista e educador Amos Bronson Alcott e da assistente social Abby May. Ela era a segunda de quatro filhas, as suas irmãs chamavam-se Anna Bronson Alcott, Elizabeth Sewall Alcott e Abigail May Alcott e a sua relação com elas foi a inspiração do romance Mulherzinhas.

A família mudou-se para Boston em 1834, local onde o seu pai criou uma escola experimental e se juntou ao "Clube dos Transcendalistas" com Ralph Waldo Emerson e Henry David Thoreau. A exigência de Bronson Alcott na educação das filhas moldou a mente de Louisa com um desejo de atingir a perfeição, um objetivo comum dos transcendalistas. As atitudes de Bronson para com o comportamento indisciplinado e independente de Louisa e a sua incapacidade de sustentar a sua família, fizeram com que tivesse uma relação conflituosa com a sua mulher e filhas.[3]

Em 1840, depois de a escola que Bronson Alcott criou ter passado por bastantes dificuldades, a família mudou-se para uma casa de campo (a Hosmer Cottage) nas margens do rio Sudbury em Concord, Massachusetts. A família descreveu os três anos que passaram na Hosmer Cottage como idílicos.[4] Em 1843, eles mudaram-se para Fruitlands, uma comunidade utópica agrária concebida pelo pai de Louise baseada numa quinta em Harvard, Massachusetts. A vida na comunidade baseava-se nos princípios do transcendentalismo: os seus habitantes viviam da agricultura, não consumiam substâncias vindas de animais, bebiam apenas água, tomavam banho de água fria e não utilizavam iluminação artificial. A experiência foi um falhanço e durou apenas sete meses.[5] Após o fim da Fruitlands, a família mudou-se para quartos arrendados e, por fim, com o dinheiro que Abigail May Alcott recebeu de uma herança e um empréstimo de Ralph Waldo Emerson, compraram uma casa em Concord. A família mudou-se para lá a 1 de abril de 1845 e chamou a casa "Hillside".[6]

Louisa May Alcott

Louisa iniciou a sua educação em casa e as suas lições eram dadas principalmente pelo seu pai, mas ela também teve lições com o naturalista Henry David Thoreau e com os escritores Ralph Waldo Emerson e Nathaniel Hawthorne e com a jornalista Margaret Fuller,todos amigos da família. Mais tarde, Louisa escreveu sobre a sua educação num artigo de jornal intitulado "Transcendental Wild Oats". O artigo foi incluído no livro Silver Pitchers (1876), que descreve a experiência da família de uma "vida simples e altamente intelectual" na comunidade Fruitlands.[3]

A pobreza em que vivia a família obrigou Louisa a começar a trabalhar bastante jovem como professora, costureira, governanta, empregada doméstica e escritora. As suas irmãs também se empregaram como costureiras e contribuiam para o orçamento familiar, enquanto a sua mãe trabalhava como assistente social, sendo a sua principal função o auxílio aos imigrantes irlandeses. Apenas a irmã mais nova, May, pôde frequentar a escola pública. Devido a todas estas pressões, a escrita tornou-se numa atividade de fuga criativa e emocional para Louisa. Ela publicou o seu primeiro livro, Flower Fables, um conjunto de contos que escreveu para Ellen Emerson (filha de Ralph Waldo Emerson), em 1849.[3]

Em 1847, Louisa e a sua família acolheram um escravo em fuga na sua casa durante uma semana. Louisa leu e era uma admiradora da "Declaração de Sentimentos", um documento relativo aos direitos das mulheres que defendia o sufrágio feminino e tornou-se na primeira mulher a registar-se para votar em Concord. A década de 1850 foi difícil para a família Alcott. Em 1857, por não conseguir encontrar trabalho e em desespero, Louisa contemplou o suicídio. Nesse ano, ela leu a biografia de Charlotte Brontë de Elizabeth Gaskell e encontrou vários paralelos entre a sua vida e a da famosa escritora britânica. Em 1858, Elizabeth, a sua irmã mais nova, faleceu e a sua irmã mais velha, Anna, casou-se. Louisa considerava que estes acontecimentos tinham desfeito os laços de irmandade que mantinha com as irmãs.

Sucesso literário[editar | editar código-fonte]

Louisa May Alcott

Na idade adulta, Louisa foi abolicionista e feminista. Em 1860, começou a escrever para o periódico Atlantic Monthly. Durante a Guerra Civil Americana, ela trabalhou como enfermeira no Union Hospital em Washington D.C. durante seis semanas entre 1862 e 1863. A sua intenção era chegar aos três meses de serviço, mas contraiu febre tifoide, doença que foi quase fatal, mas ela acabou por recuperar. As cartas que escreveu para casa neste período foram revistas e publicadas no Commonwealth, um jornal antiescravista de Boston, e, mais tarde, reunidas no livro Hospital Sketches (1863). Este trabalho foi o seu primeiro sucesso entre a crítica que elogiou as suas observações e humor. Ela escreveu sobre a má gestão dos hospitais e a indiferença e insensibilidade de alguns cirurgiões que encontrou.[7]

Em meados da década de 1860, Louise escreveu romances fogosos e histórias sensacionalistas sob o pseudónimo A. M. Barnard, entre eles A Long Fatal Love Chase e Pauline's Passion and Punishment. As protagonistas destas histórias mostram-se determinadas e implacáveis na perseguição dos seus objetivos que muitas vezes incluem a vingança contra quem as humilhou ou contrariou. Ela também escreveu histórias infantis que foram bem recebidas e que a fizeram escrever menos para adultos. Algumas exceções à regra incluem a noveleta A Modern Mephistopheles (1875) e o conto autobiográfico Work (1873).

Louisa tornou-se ainda mais famosa com a primeira parte do romance Little Women: or Meg, Jo, Beth and Amy (1868), um romance semi-autobiográfico sobre quatro irmãs que crescem durante a Guerra Civil Americana. O romance foi um sucesso imediato e Louisa não demorou muito a terminar a segunda parte intitulada Good Wives (1869), que segue as irmãs enquanto entram na idade adulta e se casam. Nos anos seguintes, a autora escreveu duas continuações de Little Women: Little Men (1871), que segue a vida de Jo na escola que ela fundou com o marido (Plumfield School); e Jo's Boys (1886) sobre os rapazes que são apresentados em Little Men.

Louisa May Alcott em 1862.

Em Little Women, Louise baseou a sua heroína "Jo" em si própria. No entanto, ao contrário da sua personagem, Louisa permaneceu solteira a vida inteira. Numa entrevista com Louise Chandler Moulton, Louisa falou sobre permanecer solteira: "Estou bastante convencida de que sou uma alma masculina que, por algum acidente bizarro da natureza, foi colocada no corpo de uma mulher... porque já me apaixonei por tantas mulheres bonitas e nunca me apaixonei nem um bocadinho por um homem". Apesar destas declarações, Louisa teve um romance com um jovem polaco chamado Ladislas "Laddie" Wisniewski que descreveu com detalhe nos seus diários, porém, apagou o que escreveu sobre ele pouco antes da sua morte. Louisa disse que Laddie tinha sido a inspiração para a personagem de Laurie em Little Women e existem provas sólidas de que esta foi a única relação amorosa significativa que teve na sua vida. De resto, todas as personagens principais de Little Women parecem ser um reflexo, até certo ponto, das irmãs de Louisa. A personagem Beth morre, à semelhança do que aconteceu com Lizzie e a rivalidade entre Jo e Amy foi inspirada pela rivalidade entre Louise e Abigail.[8]

Apesar de nunca ter casado, Louise cuidou da filha da sua irmã mais nova (que também se chamava Louisa) após a sua morte em 1879.[9]

Campa de Louisa May Alcott.

Little Women foi bem recebido pela crítica e pelo público e é recomendado a vários grupos etários. Uma crítica da Eclectic Magazine disse que este era "o melhor livro para chegar aos corações jovens de qualquer idade, dos seis aos sessenta anos". Louisa fez parte de um grupo de autoras da "Gilded Age" que abordou as questões femininas de uma forma moderna e aberta.

Problemas de saúde e Morte[editar | editar código-fonte]

Alcott sofreu problemas crônicos de saúde em seus últimos anos, incluindo vertigem.[10] Ela e seus primeiros biógrafos atribuíram sua doença e morte ao envenenamento por mercúrio. Durante o seu serviço de Guerra Civil Americana, Alcott contraiu febre tifóide foi tratada com um composto contendo mercúrio.[11] Uma análise recente da doença de Alcott, no entanto, sugere que seus problemas crônicos de saúde podem ter sido associados a uma doença auto-imune, e não a exposição ao mercúrio. Além disso, um retrato tardio de Alcott mostra uma erupção nas bochechas, que é uma característica do lúpus.[12]

Louisa Alcott morreu de um acidente vascular cerebral aos 55 anos em Boston, em 6 de março de 1888, dois dias após a morte de seu pai.[13] As suas últimas palavras foram: "Não é meningite?". Foi enterrada no cemitério Sleepy Hollow em Concord, perto de Emerson, de Hawthorne, e de Thoreau, numa encosta conhecida agora como a Encosta dos Autores.[14]

Principais obras[editar | editar código-fonte]

  • 1855 - Flower Fables
  • 1863 - Hospital Sketches
  • 1864 - The Rose Family
  • 1865 - Moods
  • 1867 - Morning-Glories and Other Stories
  • 1867 - The Mysterious Key and What It Opened
  • 1868 - Little Women (br: Mulherzinhas; pt: As Mulherzinhas)
  • 1869 - Good Wives (br: Mulherzinhas crescem; pt: Boas Esposas)
  • 1870 - An Old Fashioned Girl (pt: Uma Rapariga à Moda Antiga)
  • 1871 - Little Men (Life at Plumfield with Jo's Boys) (br: Um colégio diferente; pt: Homenzinhos)
  • 1872-1882 - Aunt Jo's Scrap-Bag
  • 1873 - Work: A Story of Experience
  • 1875 - Beginning Again
  • 1875 - Eight Cousins (Oito primos)
  • 1876 - Rose in Bloom (br: Rosa em flor)
  • 1877 - A Modern Mephistopheles
  • 1877 - Under the Lilacs
  • 1880 - Jack and Jill
  • 1886 - Jo's Boys (br: "A rapaziada de Jo") (and How They Turned Out)
  • 1886-1889 - Lulu's Library
  • 1888 - A Garland for Girls
  • 1893 - Comic Tragedies Written by Jo and Meg

Influência literária na literatura infanto-juvenil portuguesa[editar | editar código-fonte]

As obras de Louisa May Alcott foram alvo de uma das mais bem sucedidas adaptações para português por Maria Paula de Azevedo, nome literário de D. Joana Távora Folque de Souto, que publicou

  • Quatro raparigas
  • Alguns anos depois
  • O colégio da Ameixoeira
  • Os rapazes de Maria João

que tiveram muito sucesso em Portugal.

A adaptação transportou a Guerra da Secessão para a Primeira Guerra Mundial, a criada negra para uma criada típica, a patinagem no gelo para a patinagem em patins de rodas, e a tia para a tia viscondessa, mudando também as localizações e as festas. Ao contrário do texto original, o avô não era violento, apenas severo, e em vez de

As protagonistas foram chamadas: Margarida (Guida), Maria João (João), Isabel (Bel) e Amélia. O protagonista masculino foi batizado Vasco José Vasques.

Esta e várias outras adaptações ou traduções foram estudadas por Celeste Simões na sua tese de doutoramento.

Referências

  1. http://www.imdb.com/find?s=all&q=Little+Women
  2. Cullen-DuPont, Kathryn (14 de maio de 2014). Encyclopedia of Women's History in America (em inglês). [S.l.]: Infobase Publishing. ISBN 9781438110332 
  3. a b c Alcott, Louisa May; Showalter, Elaine (1 de janeiro de 1988). Alternative Alcott (em inglês). [S.l.]: Rutgers University Press. ISBN 9780813512723 
  4. Cheever, Susan (8 de novembro de 2011). Louisa May Alcott: A Personal Biography (em inglês). [S.l.]: Simon and Schuster. ISBN 9781416569923 
  5. McFarland, Philip. Hawthorne in Concord. New York: Grove Press, 2004. p. 81. ISBN 0-8021-1776-7
  6. Matteson, John (2007). Eden's Outcasts: The Story of Louisa May Alcott and Her Father. New York: W. W. Norton & Company. p. 174. ISBN 978-0-393-33359-6.
  7. Garrett,, Peck,. Walt Whitman in Washington, D.C. : the Civil War and America's great poet. [S.l.: s.n.] ISBN 9781626199736. OCLC 899229789 
  8. Harriet., Reisen, (1 de janeiro de 2009). Louisa May Alcott : the woman behind Little women. [S.l.]: Henry Holt. ISBN 0805082999. OCLC 316514238 
  9. Stern, Madeleine B. (1 de janeiro de 1999). Louisa May Alcott: A Biography : with an Introduction to the New Edition (em inglês). [S.l.]: UPNE. ISBN 9781555534172 
  10. «A diagnosis, 119 years after death». 17 de maio de 2008. Consultado em 16 de janeiro de 2017 
  11. Hill, Rosemary (29 de fevereiro de 2008). «From little acorns, nuts». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077 
  12. Hirschhorn, Norbert; Greaves, Ian (Spring 2007). "Louisa May Alcott: Her Mysterious Illness". Perspectives in Biology and Medicine50 (2): 243–259. 
  13. Donaldson, Norman and Betty (1980). How Did They Die?. Greenwich House. ISBN 0-517-40302-1.
  14. Isenberg, Nancy; Andrew Burstein, eds. (2003). Mortal Remains: Death in Early America. University of Pennsylvania Press. p. 244 n42.

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