Relações entre Afeganistão e Irã

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Relações entre Afeganistão e Irã
Bandeira do Afeganistão   Bandeira do Irã
Mapa indicando localização do Afeganistão e do Irã.
  Irã

As relações entre o Afeganistão e o Irão (português europeu) ou Irã (português brasileiro) foram estabelecidas em 1935, durante o reinado do rei Zahir Shah e a dinastia Pahlavi da Pérsia. O Afeganistão e o Irã compartilham língua, cultura e história similares.[1] No entanto, as relações entre os dois países foram afetadas negativamente por questões relacionadas com a guerra de 1978 até a presente data (ou seja, os Mujahideen, os refugiados afegãos, o Talibã e as ocasionais escaramuças de fronteira), incluindo água, a crescente influência dos Estados Unidos no Afeganistão, contrabando e a execução de milhares de prisioneiros afegãos no Irã [2].

Relações diplomáticas[editar | editar código-fonte]

O Afeganistão assinou um tratado de amizade com o Irã em 1921[1], quando o país era governado pelo rei Amanullah Khan e o Irã ainda estava sob a dinastia Qajar. Antes de 1979, o ano em que o Irã sofreu a Revolução Iraniana e o Afeganistão foi invadido pela União Soviética, a questão dos direitos das águas do rio Helmand foram um assunto de grande importância entre as duas nações. As disputas pela água de Helmand são observadas em 1870, novamente após o rio mudar de curso em 1896. Em 1939, os reis dos dois países assinaram um acordo para compartilhar os direitos de água, que foi assinado, mas nunca ratificado; isso se repetiu em 1973 com um tratado entre os primeiros-ministros dos dois países, e novamente não ratificaram[3]

Pós-1979[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 1979, a União Soviética enviou cerca de 100.000 tropas para a República Democrática do Afeganistão para derrubar Hafizullah Amin, entrando em conflito com a insurgência mujahideen em todo o país. Os mujahideen eram formados por vários grupos que foram treinados pelo Paquistão e Irã. As relações entre o Afeganistão e o Irã rapidamente se deterioraram. Durante o mesmo ano, o presidente Zulfiqar Ali Bhutto foi executado no vizinho Paquistão e Mohammad Reza Pahlavi foi derrubado pela Revolução Iraniana. O consulado iraniano em Herat foi fechado, assim como o consulado afegão em Mashhad. Em 1985, o Irã pediu que grupos xiitas afegãos se unirem e se rebelassem ao Governo do Afeganistão. O Irã apoiou a causa dos rebeldes mujahideen e forneceu diversos tipos de assistências para aqueles que prometessem lealdade à Revolução Iraniana.

Nesse meio tempo, mais de um milhão de refugiados afegãos foram autorizados a entrar no Irã. [4] Alguns destes afegãos vivendo no Irã começaram a ser discriminados, perseguidos, torturados e executados por enforcamento.[5] Após o surgimento do governo Talibã e seu tratamento cruel às minorias do Afeganistão, o Irã intensificou a assistência à Aliança do Norte. As relações com o Talibã se deterioraram ainda mais em 1998, após as forças do Talibã tomarem o consulado iraniano no norte da cidade afegã de Mazar-e Sharif e executando diplomatas iranianos. O Irã quase entrou em guerra com o Talibã, mas a intervenção do Conselho de Segurança das Nações Unidas e dos Estados Unidos impediu.[6]

Em 2001, após a invasão do Afeganistão pelo Ocidente e a queda do governo Talibã, as relações bilaterais melhoraram. Desde o final de 2001, o novo governo afegão sob Hamid Karzai se empenhou em relações cordiais com o Irã e os Estados Unidos, como as relações tensas entre os Estados Unidos e o Irã cresceram devido às objeções estadunidenses ao programa nuclear iraniano. O Irã foi um fator fundamental para a derrubada do Talibã e, desde então, ajudou a recuperar a economia e infra-estrutura do Afeganistão.[7] Foi reaberta a embaixada iraniana em Cabul e seus consulados associados em outras cidades afegãs. Enquanto isso, o Irã entrou para a reconstrução do Afeganistão. A maioria de suas contribuições visam o desenvolvimento das comunidades xiitas afegãs, especialmente os hazaras e Qizilbash. [8]

Além dos legisladores afegãos, os líderes dos Estados Unidos e muitos oficiais da Otan também acreditam que o Irã esteja se intrometendo no Afeganistão por um jogo duplo.[9] O Irã geralmente nega essas acusações.[10][11] Por vários anos, muitos altos oficiais da ISAF e outros acusaram o Irã de abastecer e treinar os insurgentes talibãs.[12][13][14][15][16][17][18][19]

Comércio bilateral[editar | editar código-fonte]

Estrada Delaram-Zaranj em Zaranj, na província de Nimruz do Afeganistão, perto da fronteira com o Irã.

O comércio entre os dois países aumentou dramaticamente desde a derrubada do governo Taliban no final de 2001. Irã e Afeganistão planejam a construção de uma nova linha ferroviária que ligará Mashhad a Herat. Em 2009, o Irã foi um dos maiores investidores no Afeganistão, principalmente na construção de estradas e pontes, bem como agricultura e cuidados de saúde.

De acordo com o presidente da Câmara de Comércio e Indústrias do Afeganistão, as exportações iranianas para o Afeganistão em 2008, ficou em US $ 800 milhões. IRNA citou Mohammad Qorban Haqju como dizendo que o Irã importou US $ 4 milhões de produtos como frutas frescas e secas, minerais, pedras preciosas, especiarias provenientes do país vizinho. Ele disse que o Irã exportou produtos de petróleo, cimento, material de construção, tapetes, eletrodomésticos, e detergentes. O Irã importou nozes, tapetes, produtos agrícolas, bem como o artesanato do Afeganistão. O Afeganistão importa 90 por cento das suas necessidades, exceto produtos agrícolas.

O Afeganistão é um dos principais produtores de ópio. O Afeganistão produz 90% da heroína do mundo. Alguns destes medicamentos são contrabandeados para o Irã e de lá para países europeus. [20]


Referências

  1. a b Clements, Frank (2003). Conflict in Afghanistan: a historical encyclopedia ABC-CLIO [S.l.] p. 8. ISBN 1-85109-402-4. 
  2. What Iran and Pakistan Want from the Afghans: Water - Time
  3. Samii, Bill (7 de setembro de 2005). «Iran/Afghanistan: Still No Resolution For Century-Old Water Dispute» Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL) [S.l.] 
  4. «UNHCR country operations profile - Islamic Republic of Iran». Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR). 2012. 
  5. «AFGHANISTAN-IRAN: Mehdi». Revolutionary Association of the Women of Afghanistan. 12 de fevereiro de 2012. 
  6. «Taliban, Iran hold talks» CNN [S.l.] 1999-02-03. 
  7. Iran 'ready' to aid Afghanistan' by Kaveh L Afrasiabi. March 13, 2009.
  8. Esfandiari, Golnaz (26 de janeiro de 2005). «Afghanistan/Iran: Relations Between Tehran, Kabul Growing Stronger». RFE/RL. Pars Times. 
  9. Sappenfield, Mark (8 de agosto de 2007). «Is Iran meddling in Afghanistan?». The Christian Science Monitor. 
  10. Afghan President Karzai Declares Iran a Helper
  11. «Iranian Weapons Found in Afghanistan» Military.com [S.l.] 5 de junho de 2007. 
  12. O'Rourke, Breffni (April 18, 2007). «Afghanistan: U.S. Says Iranian-Made Weapons Found» Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL) [S.l.] Consultado em January 12, 2012. 
  13. «Iranian weapons found in Afghanistan». Associated Press CTV [S.l.] June 4, 2007. Consultado em January 12, 2012. 
  14. Iranian weapons cache found in Afghanistan: US. September 10, 2009.
  15. «Afghans find tons of explosive devices transferred from Iran» CNN [S.l.] October 6, 2010. Consultado em January 12, 2012. 
  16. Isaf Seizes Iranian Weapons in Nimroz
  17. Is Iran Supporting the Insurgency in Afghanistan?
  18. Iran still supporting Afghan insurgency-U.S.
  19. Iran accused of supporting Afghan insurgents
  20. ENTREVISTA-Irã empenhada em luta antidrogas no Afeganistão, diz ONU Daniel Flynn. 27 de junho de 2009

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Predefinição:Relações exteriores do Afeganistão