Remedios Varo

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Remedios Varo
Nome completo María de los Remedios Alicia Rodriga Varo y Uranga
Nascimento 19 de janeiro de 1865
Anglés, Espanha
Morte 5 de dezembro de 1911 (46 anos)
Cidade do México, México
Nacionalidade Espanha espanhola
Área Pintura
Movimento(s) Surrealismo

María de los Remedios Alicia Rodriga Varo y Uranga (Anglés, 16 de Dezembro de 1908 - Cidade do México, 8 de Outubro de 1963) foi uma pintora surrealista e anarquista.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Nascia em Anglés, na província de Girona, na Espanha, em 1908, era filha de Rodrigo Varo y Zajalvo.[1] Seus pais já tinham perdido uma filha no parto, o que seria o motivo para seu nome ser tão longo e por "remediar" a dor do casal.[2] Sua mãe, Ignacia Uranga Bergareche, era católica praticante e dedicou o nome da filha à santa de Anglès, Virgem dos Remédios.[1]

Seu pai era intelectual e amante das artes, o que teria grande influência em seu desenvolvimento como artista.[3] Remedios copiava as plantas trazidas por seu pai do canteiro de obras, onde era engenheiro hidráulico, o que a ajudou a aprimorar técnicas de desenho. Foi encorajada desde tenra idade a ter pensamento independente e teve acesso a livros de ciência e aventura, como os livros de Alexandre Dumas, Jules Verne e Edgar Allan Poe.[1] Na adolescência, teve contato com livros de misticismo e filosofia.[1]

A família viajava muito por causa do trabalho de Rodrigo e para manter a filha ocupada, ele lhe pedia que reproduzisse plantas e gráficos. Ele discordava da educação religiosa que a filha recebia no colégio católico, acreditando que ela devia receber instrução liberal e universal, ideias que ele mesmo passava para Remedios.[1][4]

Formação[editar | editar código-fonte]

Seus primeiros trabalhos eram retratos da família e auto-retratos, datados de 1923, enquanto estudava. Aos 15 anos, em 1924, ela ingressou na Real Academia de Belas-Artes de São Fernando, em Madri, onde também estudou Salvador Dalí e vários outros artistas renomados,[5] obtendo seu diploma em 1930.[1] Foi em Madri que ela teve contato com o Surrealismo através de palestras, exposições, filmes e peças de teatro. Era uma visitante regular do Museu do Prado, tendo um interesse particular nas pinturas de Hieronymus Bosch.[1][4]

No mesmo ano em que se formou, casou-se com o jovem pintor Gerardo Lizárraga. Ambos se mudaram para Paris de forma a escapar das crescentes tensões políticas na Espanha, bem como para ficar no centro artístico da Europa.[1][2] Convicta de que seu destino era ser artista, depois de passar um ano em Paris, ela mudou-se para Barcelona, onde formou um círculo artístico próximo, com Josep-Lluis Florit, Óscar Domínguez e Esteban Francés.[2] Logo ela se separou do marido e passou a dividir o estúdio com Francés em uma vizinhança repleta de artistas avant-garde.[1]

Quando a Guerra Civil Espanhola começou, o poeta surrealista francês, Benjamin Peret, mudou-se para Barcelona para militar na causa anti-Franco, onde conheceu Remedios Varo, logo iniciando com ela um intenso romance, do qual existem registros em caras de amor e publicações dedicadas à ela. Em 1837, Peret voltaria para a França, junto de Remedios.[6] Ela nunca se divorciaria de seu primeiro marido e também não mais retornaria à Espanha controlada por Franco.[5]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Europa[editar | editar código-fonte]

Roulotte, 1956

Remedios divida um estúdio em Paris com Peret e Francés. Foi através de Peret que ela conheceu André Breton e o círculo surrealista da cidade, que contava com artistas como Leonora Carrington, Dora Maar, Roberto Matta, Wolfgang Paalen e Max Ernst. Ela logo participou da Exposição Internacional de Surrealismo que aconteceu na cidade em 1934, participando da edição seguinte, em Amsterdã, em 1938.[1][4]

Apesar do agitado circuito de arte da cidade, Remedios e Peret viviam na pobreza, assim como vários artistas. No começo da Segunda Guerra Mundial Peret foi preso por suas convicções políticas e Remedios foi confundida como sua esposa, também sendo presa. Alguns dias depois, ela foi libertada, quando os alemães invadiram Paris e ela foi forçada a se juntar a vários refugiados. Peret foi solto mais tarde e juntos obtiveram os documentos que lhes permitiram fugir para o México. Em 20 de novembro de 1941, Remedios, Peret e Rubinstein embarcaram no navio Serpa Pinto, em Marselha.[1][2]

Comparado sua produção no México, Remedios produziu pouco enquanto estava em Paris. Além da agitação política gerado pela Segunda Guerra, havia também o fato de que mulheres nunca eram levadas à sério nos meios artísticos, em especial no surrealismo.[1][5][7]

Morte[editar | editar código-fonte]

Remedios Varo morreu devido a um ataque cardíaco, em 8 de Outubro de 1963, na Cidade do México, aos 46 anos de idade.[1]

Obras[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m Arias-Jirasek, Rita, ed. (2008). Women Artists of Modern Mexico: Mujeres artistas en el México de la modernidad/Frida’s Contemporaries:Las contemporáneas de Frida (em English e Spanish). Chicago/Mexico City: Frida National Museum of Mexican Art/museo Mural Diego Rivera. 165 páginas. ISBN 9781889410050 
  2. a b c d Lupina Lara Elizondo. Visión de México y sus Artistas Siglo XX 1901-1950. Mexico City: Qualitas. pp. 216–219. ISBN 9685005583 
  3. Hierophant (ed.). «A pintura surrealista de Remedios Varo». Hierophant. Consultado em 12 de abril de 2017 
  4. a b c Deborah J Hayne (ed.). «he Art of Remedios Varo: Issues of Gender Ambiguity and Religious Meaning». Woman's Art Journal. Consultado em 9 de dezembro de 2014 
  5. a b c Kaplan, Janet A. (1980). «Remedios Varo: Voyages and Visions». Woman's Art Journal. 1 (2): 13. JSTOR 1358078. doi:10.2307/1358078 
  6. Zamora, Louis Parkinson (primavera de 1992). «The Magical Tables of Isabel Allende and Remedios Varo». Comparative Literature. 44 (2): 114–116. JSTOR 1770341. doi:10.2307/1770341 
  7. Kaplan, Janet (1 de janeiro de 1980). «Remedios Varo: Voyages and Visions». Woman's Art Journal. 1 (2): 13–18. doi:10.2307/1358078 
  8. «LOT 27». Consultado em 12 de abril de 2017 
  9. Tonica Chagas (ed.). «Tela de Remedios Varo é recorde da temporada». O Estado de São Paulo. Consultado em 12 de abril de 2017 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]