Rivane Neuenschwander

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Rivane Neuenschwander (Belo Horizonte - 1967) é uma artista plástica brasileira.

Desde 1990, mantém regularidade em eventos de grande repercussão[1][2], o que lhe garante consolidado reconhecimento internacional.[3]

Participou de várias exposições, como na Bienal de São Paulo, e realizou exposições como a que ocupou três andares no New Museum, dedicado à arte contemporânea, em Nova York, a mais importante casa dedicada ao gênero na cidade norte-americana; e em vários outros importantes museus e galerias nacionais e internacionais.[4][5]

Em 21 de junho de 2010, o jornal The New York Times associou os trabalhos de Rivane Neuenschwander, uma das mais celebradas artistas plásticas brasileiras[6], aos de Lygia Clark e Hélio Oiticica, além de ter mencionado que a artista veio para ficar.[7]

Vida[editar | editar código-fonte]

Rivane Neuenschwander, descendente de suíços, portugueses e indígenas[7], graduou-se em Desenho, em 1994, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.[8]

Foi artista residente no Royal College of Art, em Londres, de 1996 a 1998, onde obteve o título de mestre[4]; e no Centro Iaspis, em Estocolmo, Suécia, em 1999.[8]

Neuenschwander é casada com Jochem Volz, um dos curadores do Centro de Arte Contemporânea Inhotim.[1]

Realizações[editar | editar código-fonte]

Esteve em várias mostras individuais e coletivas das quais destacam-se:

Exposição no New Museum[editar | editar código-fonte]

Em 21 de junho de 2010, o jornalista Larry Rohter do jornal The New York Times, em ocasião da exposição da artista no New Museum em Nova York, mencionou as influências folclóricas na produção da artista, como as fitas devocionais da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, da Bahia, utilizadas em Eu desejo o seu desejo (2003), um de seus trabalhos, que também traz textos com as aspirações das pessoas.[6][7]

O curador Sergio Bessa de Museu de Artes do Bronx mencionou ao jornal que a artista veio para ficar pelas ideias interessantes, concepções e a forma como usa materiais.[7]

Objetos corriqueiros ocuparam uma ala do quarto andar e foram formados por canudos, rótulos de produtos, tampinhas de garrafa e baldes de metal.[10]

Na exposição, outra esquete foi a presença de profissionais ligados à polícia e especializados em produzir retratos falados. O primeiro amor dos visitantes foram desenhados a partir de cada relato.[6]

O curador do New Museum, Richard Flood, avalia que a brasileira levou à Nova York um conjunto de obras que "significa extravagante desrespeito às regras artísticas – por isso mesmo, perfeitamente temperado por nosso tempo". Ainda segundo Flood, o sucesso da exposição não foi circunstancial, pois ele acompanha o trabalho dela há anos e esperava uma oportunidade adequada para a promoção de uma individual da artista.[6][10] e morreu em 15 de dezenbro de 2012

Estilo e recepção crítica[editar | editar código-fonte]

As obras criadas por Rivane Neuenschwander utilizam materiais efêmeros[11] e reaproveitáveis como flores secas, papel arroz, insetos, poeira, sujeira, baba de lesma, sal, pimenta, legumes e objetos industriais transformados. A intenção da artista é criar experiências sensoriais e uma espécie de memória da vida cotidiana bem como sua relação com o corriqueiro.[1][4][12][13][14]

Suas obras também abrem possibilidades para a interatividade.[1]

Ainda há espaço para a comicidade e as intersecções de diferentes culturas.[15]

Em 2000, em exposição na Galeria Camargo Vilaça, em São Paulo, estabeleceu uma parceria com Cao Guimarães para realizar o filme exibido no mezanino da galeria.[14]

Em 2005, na Bienal de Veneza, a artista apresentou um trabalho composto por máquinas de escrever substituídas por teclas de pontos finais. Foram mantidos os números, outros sinais gráficos como os pontos de exclamação e interrogação, cujos recursos lenaçaram um convite para o público registrar cartas com elas e afixá-las na parede do espaço expositivo.[4]

Esta proposição mostrou a dificuldade na comunicação que esse trabalho coloca acerca da própria natureza da arte, "a princípio inexprimível por palavras, ao mesmo tempo em que enfatiza essa possibilidade".[4]

O Centro de Arte Contemporânea Inhotim analisa a produção da artista como formada por "uma linguagem formal a regimes ligados à organicidade, à entropia e à participação do público". O resultado é estabelecimento de um diálogo com a tradição brasileira que estabelece o encontro entre geometria e corpo desde o neoconcretismo.[2]

O curador e editor Ricardo Sardenberg, autor de um livro sobre o trabalho da mineira e lançado no New Museum, avalia que a produção artística de Rivane envolve a discussão de temas universais por meio de coisas simples da vida.[6]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Em 1993, recebeu o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia pelo Projeto Ex-Votos, Objetos Fotográficos, realizado na Funarte, Rio de Janeiro.[16]

Em 2002, recebeu uma honraria da Universidade Federal de Minas Gerais, onde graduou-se em Desenho.[8]

Em 2004, foi a vencedora do prêmio Hugo Boss, outorgado pela Fundação Guggenheim de Nova York[12][17]

Referências

  1. a b c d Sebastião, Walter. Mineira Rivane Neuenschwander prepara megaexposição em Nova York . Estado de Minas, acesso em 22 de junho de 2010
  2. a b Centro de Arte Contemporânea Inhotim. (2008). Nove novos destinos, acesso em 22 de junho de 2010
  3. Alzugaray, Paula. (18 de junho de 2010). Arroz, feijão e açafrão. IstoÉ, acesso em 22 de junho de 2010
  4. a b c d e 27ª Bienal de São Paulo. Rivane Neuenschwander, acesso em 22 de junho de 2010
  5. Folha de S.Paulo. (22 de junho de 2010). "New York Times" diz que artista mineira "veio para ficar", acesso em 22 de junho de 2010
  6. a b c d e Sebastião, Walter. (27 de junho de 2010). Diálogo universal. Estado de Minas
  7. a b c d Rohter, Larry. A Brazilian Makes Playful but Serious Art. The New York Times, acesso em 22 de junho de 2010
  8. a b c d e f g h i j k l Universidade Federal de Minas Gerais. (2002). Medalha de Honra 2002 - Artista Plástica, acesso em 22 de junho de 2010
  9. a b c d e 28ª Bienal de São Paulo. Participantes - Rivane Neuenschwander, acesso em 22 de junho de 2010
  10. a b Valla, Franz. (27 de junho de 2010). A arte do cotidiano, acesso em 27 de junho de 2010
  11. Mann, Ted. Rivane Neuenschwander and Cao Guimarães. Museu Guggenheim Nova York, acesso em 22 de junho de 2010
  12. a b Cleusa Maria. (17 de fevereiro de 2004). Coisa muito fina, acesso em 22 de junho de 2010
  13. Anauate, Gisela. (30 de julho de 2008). Mente Aberta. Revista Época, acesso em 22 de junho de 2010
  14. a b O Estado de S.Paulo. (6 de Novembro de 2000). Rivane Neueschwander expõe sua arte econômic, acesso em 23 de junho de 2010
  15. Kunstaspekte. (10 de dezembro de 2004) San Louis Art Museum - Rivane Neuenschwander, acesso em 22 de junho de 2010
  16. Comarte Virtual. Rivane Neuenschwander, acesso em 22 de junho de 2010
  17. UOL. (2009). 28ª Bienal de São Paulo - Rivane Neuenschwander, acesso em 22 de junho de 2010