Aleixo II de Moscou

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Aleixo II
Alyeksyéï Mikháilovitch Rídiguer
Nascimento 23 de fevereiro de 1926
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Tallinn, União Soviética
Morte 5 de dezembro de 2008 (82 anos)
Rússia Peredelkino, Rússia
Nacionalidade Rússia Russo
Ocupação Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa

Aleixo II (em russo: Алексий II, transl. Alyeksii II; nascido Алексе́й Миха́йлович Ри́дигер, transl. Alyeksyéï Mikháilovitch Rídiguer; Tallinn, 23 de Fevereiro de 1929Peredelkino, 5 de Dezembro de 2008) foi o 15º patriarca de Moscou da Igreja Ortodoxa Russa com o título de Patriarca de Moscou e de todas as Rússias desde 1990.

O sobrenome von Ridiger é originário de uma antiga família da nobreza germano-báltica que adotou a ortodoxia no século XVIII.

Visita à Europa Ocidental[editar | editar código-fonte]

Em 2 de Outubro de 2007, compareceu na Assembleia parlamentar do Conselho da Europa, em Estrasburgo, teve um encontro com os bispos franceses e com o presidente Nicolas Sarkozy, da França. Na Assembleia em Estrasburgo afirmou que "foi o cristianismo que moldou a visão da alta dignidade da pessoa humana e as condições necessárias para a sua realização."

Naquela ocasião afirmou ainda que "hoje se produz uma ruptura entre direitos humanos e moralidade, e esta ruptura ameaça a civilização europeia. O que comprovamos numa nova geração de direitos que contradiz a moralidade, e no modo em que os direitos humanos são utilizados para justificar uma conduta imoral." [1] Participou depois, de uma cerimônia religiosa com o presidente da conferência episcopal francesa, cardeal Jean-Pierre Ricard e dezenas de bispos na catedral de Notre-Dame de Paris. Anteriormente Aleixo II e Bento XVI haviam trocado correspondências. [2]

Colaboração com o KGB[editar | editar código-fonte]

Alegadamente, Alexis ter-se-ia tornado informador do KGB no dia 28 de Fevereiro de 1958, sob o pseudónimo de “Drozdov”.

Na década de 1990, nos arquivos de Tallinn foi encontrado um documento endereçado ao Conselho dos Ministros da Estónia Soviética: “Relatório da actividade operativa e dos agentes do ano de 1958 do 4° Departamento do KGB sob jurisdição do Conselho dos Ministros da Estónia Soviética”. Tinha o título: “Estado da actividade operativa e dos agentes na coibição das actividades hostis dos religiosos e seitas”. (Pasta “Absolutamente Secreto”. Cópia 2. Série “K”).

O relatório continha os dados de várias dezenas dos agentes. Entre eles agente “Drozdov”, nascido em 1929, padre ortodoxo, formação superior teológica, Doutor da Teologia. “Alistado no KGB aos 28 de Fevereiro de 1958 por razoes patrióticas, para revelação e acompanhamento dos elementos anti–soviéticos do clero ortodoxo. [...] Durante o aliciamento foi tida em conta a sua futura promoção (após o assentamento no trabalho prático), através das possibilidades existentes ao posto de Bispo de Tallinn e da Estónia. Durante a colaboração com órgãos do KGB, “Drozdov” mostrou as suas capacidades positivas, é cuidadoso com encontros, enérgico, sociável. [...] Tem vontade de cumprir as nossas tarefas e já apresentou vários materiais válidos, usados para documentar as actividades criminosas do membro da direcção da igreja ortodoxa de Jõhvi. [...] Após o assentamento do agente no trabalho prático [...] planeamos também o seu uso em nossos interesses através das viagens aos países capitalistas em delegações religiosas”.[3]

De acordo com Oleg Gordievsky, Ridiger – “Drozdov” respondia directamente ao Nikolai Patrushev, actualmente Secretário do Conselho da Segurança da Rússia.

Patriarcado[editar | editar código-fonte]

O patriarca Alexis, era considerado próximo de Vladimir Putin. Contribuiu para a reunificação da sua Igreja com os elementos ortodoxos russos no estrangeiro e em Maio de 2007 fez terminar um cisma que datava desde a revolução bolchevique de 1917.

Durante o tempo do seu patriarcado, Alexis II manteve uma grande influência na sociedade russa, apesar de a Constituição estipular que a Federação Russa é um Estado composto por várias confissões religiosas.

Reabilitou várias figuras perseguidas pelos comunistas, elevando-os a santos e mártires. Em 2000 acabou por reabilitar religiosamente a figura do czar Nicolau II e da sua família, assassinados em 1918 pelos bolcheviques e tidos por santos pela Igreja Ortodoxa Russa.

Durante o fim do seu patriarcado deu-se uma aproximação à Igreja Católica, apesar de Alexis II ter durante muito tempo acusado os católicos de proselitismo e de se ter oposto à entrada do Papa João Paulo II na Rússia, argumentando que o Vaticano estaria a tentar promover a fé católica no país.

No campo da ortodoxia, Aleixo disputou ao patriarca de Constantinopla a primazia de honra, já que a sua Igreja Ortodoxa Russa é a maior em número de fiéis de todas as várias Igrejas Ortodoxas. As Igrejas Ortodoxas não têm um líder único semelhante ao Papa da Igreja Católica mas o patriarca de Constantinopla sempre foi visto como um primus inter pares (foi em Constantinopla que se deu o grande cisma de 1054, entre cristãos do Ocidente e do Oriente).

Morte e sucessão[editar | editar código-fonte]

Funeral de Aleixo II

Aos cinco de Dezembro de 2008 (calendário gregoriano), Aleixo II morreu vitimado por uma parada cardíaca em sua residência em Peredelkino. Mikhail Gorbachov, o último presidente soviético, disse estar "emocionado", pois "tinha um imenso respeito por ele". No dia que se seguiu, seis de Dezembro de 2008, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu I afirmou que Aleixo II trabalhara pela paz na Igreja Ortodoxa e disse, ainda, que ele "sentia que sua morte era iminente e decidiu trabalhar a fim de restabelecer a paz dentro da Igreja".[4] Foi homenageado pelo Cardeal Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pelo ex-presidente e então primeiro-ministro russo Vladimir Putin, entre outros.

A Igreja Ortodoxa Russa anunciou no sábado, dia que se seguiu à morte do patriarca, ter escolhido o metropolita Cirilo, de 62 anos, como seu sucessor interino. "Em votação secreta, o Metropolita de Smolensk e Kaliningrado Cirilo, foi escolhido guardião patriarcal", informou a Igreja em um comunicado.

O patriarca foi sepultado na terça-feira seguinte, nove de Dezembro de 2008, na catedral de Bogoiavlenski, em Moscou. Conforme informado pela Igreja, aos seis do mesmo mês, "o funeral de Sua Santidade, o patriarca Aleixo II, acontecer[ia] na catedral do Cristo Salvador, e o enterro, de acordo com sua vontade, ser[ia] realizado na catedral de Bogoiavlenski".

Conforme antigo ritual, aos vinte e seis de Janeiro de 2009, foram designados pelo Concílio Ortodoxo três candidatos ao Trono Patriarcal Russo: os metropolitas Cirilo, Clemente e Filareto. No dia que se seguiu, o Santo Sínodo Local da Igreja Ortodoxa Russa elegeu como décimo sexto Patriarca de Moscovo e de Todas as Rússias Cirilo I que foi entronizado em primeiro de fevereiro de 2009 na catedral de Cristo Salvador.

Referências

Precedido por
Pimen I
Patriarca ortodoxo de Moscou
1990 - 2008
Sucedido por
Cirilo I de Moscou

Ver também[editar | editar código-fonte]