Alice de Antioquia

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Alice de Antioquia
Princesa da Antioquia
Reinado 1126 – 1130
Cônjuge Boemundo II de Antioquia
Descendência
Constança de Antioquia
Casa Casa de Rethel
Casa de Altavila
Pai Balduíno II de Jerusalém
Mãe Morfia de Melitene
Nascimento c. 1110
Edessa (atual Şanlıurfa), Mesopotâmia (atual Turquia)
Morte depois de 1136
Lataquia, Síria
Religião Cristianismo

Alice de Antioquia ou de Jerusalém (ou Haalis, Halis, Adelicia) (Edessa, c.1110 - Lataquia, depois de 1136) foi princesa de Antioquia através do seu casamento com o príncipe Boemundo II. Era a segunda filha do rei Balduíno II de Jerusalém com Morfia de Melitene. As suas irmãs foram a rainha Melisende de Jerusalém, a condessa Hodierna de Trípoli e a abadessa Ioveta da Betânia.

Balduíno II tornara-se regente de Antioquia após a derrota do principado na batalha de Ager Sanguinis em 1119. Em 1126, o jovem Boemundo II, filho de Boemundo I, o primeiro príncipe de Antioquia, chegou para reclarmar a sua herança. Imediatamente depois de receber os seus domínios, este casou-se com Alice, provavelmente como resultado de negociações anteriores à sua chegada ao Levante.

Em 1130 Boemundo morreu em batalha com os turcos danismendidas, e Balduíno voltou a Antioquia para assumir a regência, mas Alice desejava assumir o controlo do estado. Tentou aliar-se a Zengi, o atabei seljúcida de Mossul e Alepo, oferecendo a sua filha Constança em casamento a um príncipe muçulmano. Mas a caminho, o mensageiro que enviou foi aprisionado, torturado e executado. Alice recusou-se a deixar o pai entrar em Antioquia, mas alguns dos nobres do principado abriram os portões aos representantes de Jerusalém, Fulque V de Anjou (seu cunhado) e Joscelino I de Edessa.

Inicialmente Alice fugiu para a cidadela, mas acabou por rogar clemência ao seu pai e a reconciliar-se com este. Foi exilada de Antioquia, mas foram-lhe concedidas Lataquia e Jabala, as cidades que lhe tinham sido dadas em dote pelo seu casamento com Boemundo.

Balduíno assumiu a regência de Antioquia em nome de Constança mas morreu em 1131, sendo sucedido em Jerusalém pela sua primogénita Melisende e por Fulque, o esposo desta. Com a morte do fiel Joscelino pouco depois, Alice mais uma vez tentou tomar o controlo de Antioquia. Quando os nobres deste principado pediram a ajuda de Fulque, Alice aliou-se aos governantes dos outros dois estados cruzados a norte, Pôncio de Trípoli e Joscelino II de Edessa. Apesar de ter sido especulado que Alice os subornara, o apoio destes soberanos provavelmente foi o resultado do temerem que o novo rei pretendesse impôr a suserania de Jerusalém sobre os seus domínios.

Pôncio não permitiu a passagem de Fulque pelo Condado de Trípoli, pelo que este foi forçado a viajar por mar. Os dois príncipes cristãos travaram então uma batalha em Rugia mas, quando eventualmente acordaram uma paz, Fulque reassumiu a regência de Antioquia, colocando o principado sob o controlo de Reinaldo Masoier.

A cerca de 1135, Alice tentou mais uma vez tomar o controlo de Antioquia, negociando com o Império Bizantino o casamento da sua filha Constança com Manuel Comneno. Mas alguns dos nobres do principado, que não desejavam esta aliança, convocaram secretamente Raimundo de Poitiers para se casar com a herdeira. O patriarca Rudolfo de Domfort convenceu Alice que Raimundo pretendia casar-se consigo, mas acabaria por celebrar o casamento deste nobre com Constança, ainda menor de idade. Humilhada, Alice saiu definitivamente de Antioquia. Morreu em Lataquia em data incerta, depois de 1136.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • A History of Deeds Done Beyond the Sea, Guilherme de Tiro, tradução para o inglês de E.A. Babcock e A.C. Krey, Columbia University Press, 1943
  • A History of the Crusades, Volume II: The Kingdom of Jerusalem and the Frankish East, 1100-1187, Steven Runciman, Cambridge University Press, 1952