Hodierna de Trípoli

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou se(c)ção não cita fontes fiáveis e independentes (desde Setembro de 2013). Por favor, adicione referências e insira-as no texto ou no rodapé, conforme o livro de estilo. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Hodierna de Trípoli, esposa de Raimundo II e mãe de Raimundo III de Trípoli

Hodierna de Trípoli ou de Jerusalém (c. 1110 - c. 1164) foi condessa de Trípoli através do seu casamento em c.1135 com o conde Raimundo II. Era a terceira filha do rei Balduíno II de Jerusalém com Morfia de Melitene. As suas irmãs foram a rainha Melisende de Jerusalém, a princesa Alice de Antioquia e a abadessa Ioveta da Betânia.

As quatro irmãs terão tido uma relação estreita, e é possível que Hodierna tivesse pedido a Melisende que organizasse o assassinato em 1148 de Afonso-Jordão de Toulouse, filho de Raimundo IV de Toulouse, quando este reclamou a posse do Condado de Trípoli. Hodierna apoiou a irmã no conflito contra o seu filho Balduíno III de Jerusalém e, quando Melisende acabou por ser derrotada em 1152 e lhe foi concedido um pequeno feudo em Nablus, as duas irmãs influenciaram a eleição do Patriarca Latino de Jerusalém.

Durante essa época, Hodierna encontrava-se em conflito com Raimundo II de Trípoli, que se ressentia do seu carácter independente e pretendia que a esposa se mantivesse em reclusão. Havia inclusivamente rumores de que a sua filha Melisende de Trípoli (baptizada com o prenome da rainha de Jerusalém) era filha de uma sua relação adúltera. Melisende de Jerusalém e Balduíno III tiveram de intervir politicamente em Trípoli em 1152. Hodierna e Raimundo concordaram em reconciliar-se, mas foi decidido que a condessa deveria voltar a Jerusalém com a irmã por um curto período de tempo. Mas pouco depois de saírem de Trípoli, Raimundo foi morto pela Ordem dos Assassinos.

Hodierna voltou imediatamente aos seus domínios para assumir a regência do condado em nome do seu filho Raimundo III, ainda uma criança. Balduíno III garantiu o apoio dos nobres do condado e Hodierna concordou em ceder o castelo de Tartous aos Cavaleiros Templários, para se defenderem dos ataques de Nur ad-Din, que invadira estas terras ao tomar conhecimento da morte de Raimundo II.

A condessa de Trípoli permaneceu ao lado da rainha Melisende quando esta morreu em 1161. Balduíno III de Jerusalém, agora sem a influência da sua mãe, tomou o controlo pessoal de Nablus, trocado pelo Senhorio de Oultrejordain com Filipe de Milly. Hodierna concordou com esta transacção em nome da sua filha Melisende, que deveria se casar com o imperador bizantino Manuel I Comneno. O acordo matrimonial parecia confirmado e a jovem Melisende foi até referida como a futura imperatriz. No entanto, quando Manuel soube da sua suposta ilegitimidade, casou-se com Maria de Antioquia.

Hodierna morreu em data desconhecida, provavelmente na década de 1160.

Lenda[editar | editar código-fonte]

Segundo a Vida do trovador Jaufré Rudel de Blaye, a lenda da beleza de Hodierna trazida à França por peregrinos, inspirou-lhe canções de amor de lonh (amor distante). Segundo a história, o trovador participou da Segunda Cruzada para a poder ver, mas adoeceu e foi levado moribundo para terra. Conta-se que, ao saber disto, Hodierna saíu do seu castelo e Rudel morreu nos seus braços.

Esta história romântica mas improvável parece derivar da natureza enigmática dos versos de Rudel e da sua suposta morte na cruzada. Edmond Rostand usou esta lenda como base para o seu drama em verso La Princesse Lointaine (1895), mas trocou a personagem feminina Hodierna pela sua filha Melisende de Trípoli.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • The Crusades, Hans E. Mayer, Oxford, 1965
  • A History of Deeds Done Beyond the Sea, Guilherme de Tiro, tradução para o inglês de E.A. Babcock e A.C. Krey, Columbia University Press, 1943
  • A History of the Crusades, Volume II: The Kingdom of Jerusalem and the Frankish East, 1100-1187, Steven Runciman, Cambridge University Press, 1952