Canaã dos Carajás

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Município de Canaã dos Carajás
"Cedere"
Bandeira de Canaã dos Carajás
Brasão de Canaã dos Carajás
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 5 de outubro
Fundação 1982 (32 anos)
Emancipação 5 de outubro de 1994 (19 anos)
Gentílico canaense
Lema União de Todos
Prefeito(a) Jeová Gonçalves de Andrade[1] (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Canaã dos Carajás
Localização de Canaã dos Carajás no Pará
Canaã dos Carajás está localizado em: Brasil
Canaã dos Carajás
Localização de Canaã dos Carajás no Brasil
06° 29' 49" S 49° 52' 40" O06° 29' 49" S 49° 52' 40" O
Unidade federativa  Pará
Mesorregião Sudeste Paraense IBGE/2008[2]
Microrregião Parauapebas IBGE/2008[2]
Distância até a capital 760 km
Características geográficas
Área 3 146,608 km² [3]
População 29 101 hab. IBGE/2012[4]
Densidade 9,25 hab./km²
Altitude 210 m
Clima Tropical semiúmido (As)
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,673 (PA: 6º) – médio PNUD/2010[5]
PIB R$ 1 559 968,000 mil IDESP/2010[6]
PIB per capita R$ 58 366,75 IDESP/2010[6]
Página oficial

Canaã dos Carajás é um município brasileiro do interior do estado do Pará. Localiza-se a uma latitude 06º29'49" sul e a uma longitude 49º52'42" oeste, estando a uma altitude de 210 metros. Sua população estimada em 2012 era de 29.101 habitantes.[4]

Etmologia[editar | editar código-fonte]

O nome do município tem origem bíblica e significa "Terra Prometida". A escolha do nome "Canaã", aconteceu, devido ao fato de que a população que morava na antiga vila CEDERE II era formada majoritariamente por cristãos protestantes. Estes cristãos, queriam de uma forma singular, agradecer a Deus pela "boa terra que lhes tinha dado naquele local". Desta forma, eles renomearam a vila CEDERE II como Canaã dos Carajás, em alusão á Canaã Palestina, prometida aos Hebreus por Deus.

O último nome, "Carajás", relaciona-se com o principal acidente geográfico e geológico do município (e da região sudeste do Pará), a Serra dos Carajás.

História[editar | editar código-fonte]

A história de Canaã está desde sua origem intimamente ligada aos grandes projetos em curso na Amazônia legal durante a ditadura militar no Brasil. Canaã esteve desde então à sombra do Projeto Grande Carajás, onde mesmo extinto, reflete constantemente na organização territorial em que a localidade se encontra.

Colonização[editar | editar código-fonte]

O município de Canaã dos Carajás nasceu a partir de um assentamento agrícola. O Projeto de Assentamento Carajás, localizado na região sudeste do Pará, foi implantado a partir de 1982 pelo Grupo Executivo das Terras do Araguaia e Tocantins (GETAT), do Governo Federal[7] .

O projeto vinha a calhar com os objetivos do Polamazônia, inserido no Projeto Grande Carajás. Dois objetivos principais deveriam ser cumpridos, sendo que o primeiro era atenuar os conflitos pela posse da terra na região, principalmente na área conhecida como Bico do Papagaio; o segundo objetivo era o fornecimento de produtos hortifrutigranjeiros ao sudeste do Pará[8] .

Ao longo de três anos, 1.551 famílias foram assentadas na área que ficou conhecida como Centro de Desenvolvimento Regional, CEDERE II. Até 1985, 816 famílias haviam recebido o título definitivo de terra. Porém, naquele mesmo ano, as atividades de assentamento dos sem-terra terminam e o GETAT é extinto.

Década de 1990 e emancipação[editar | editar código-fonte]

Embora o projeto tenha sido abandonado sem sua conclusão, a localidade experimentou um relativo crescimento, pois contou com a forte demanda por alimentos vinda de localidades como Parauapebas e Marabá. Tal prosperidade vinda da agricultura atraiu novos colonos para a comunidade do CEDERE.

O crescimento econômico e a demanda por mais serviços, reflexo do influxo populacional, sem contrapartida do governo de Parauapebas para prover as necessidades básicas, fez surgir um movimento organizado clamando por autonomia política para a localidade. Em pouco tempo a região do entorno do CEDERE II estava mobilizada pelo projeto de emancipação.

Em 5 outubro de 1994, através da lei estadual 5.860, a área que compreendia o projeto CEDERE II é desmembrada de Parauapebas, e passa a ser o município de Canaã dos Carajás. Entretanto o município só foi formalmente instalado com a posse de seus primeiros representantes, em 1º de janeiro de 1997.

O Projeto Sossego[editar | editar código-fonte]

Pouco tempo depois de sua emancipação, prospecções no subsolo de Canaã provaram que o município possuía grandes reservas de cobre, níquel, minério de ferro, ouro, etc.

A mineradora Vale S.A. (ainda CVRD) iniciou a montagem da estrutura para extração do cobre ainda em 1999. Como consequência da grande estrutura exigida em tal processo, houve um fluxo muito grande de pessoas e capitais para a localidade. Sua população multiplicou-se por quatro em pouco mais de quatro anos, coincidindo justamente com o início da operacionalização da mina, em 2003/2004.[9]

A mineração do cobre alçou Canaã ao posto de 2º maior exportador do estado do Pará entre 2009 e 2011.

Fatos recentes[editar | editar código-fonte]

No dia 29 de janeiro de 2010, o Secretário de Administração de Canaã dos Carajás, Lourivaldo Alves Batista (PDT), renuncia ao cargo, depois que o nome dele ter sido envolvido no caso em que uma senhora do estado do Rio de Janeiro acusou a administração de Canaã dos Carajás de estar usando o seu nome e CPF para receber dividendos do município sem que a mesma exerça qualquer atividade e em outras denúncias de favorecimentos, nepotismo e má gestão de recursos.[10]

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia de Canaã é basicamente voltada para a extração mineral, tendo a mineradora Vale, através da Mineração Serra do Sossego (subsidiária) para extração de cobre, como principal promotora do desenvolvimento econômico municipal.

A exemplo do que ocorreu com a exploração do ferro, do manganês e do ouro em Parauapebas (Serra dos Carajás), o início dos trabalhos da para a exploração do cobre do projeto Sossego em 2002, mobilizou a população de Canaã e de várias partes do território paraense e até de outros estados, em busca de trabalho. Por conta disso Canaã sofreu uma explosão populacional, saltando de pouco mais de 6.000 habitantes em 2000, para aproximadamente 25.000 habitantes em 2003.

O início da exploração comercial de Calcopirita (minério de cobre), em suas formas oxidada e sulfetada, pela Mineração Serra do Sossego, se deu em Julho de 2003. No solo do município é possível encontrar também diamantes, bauxita, níquel vermelho e ouro.

A agricultura é bastante significativa em Canaã, fato que se justifica pois a cidade surgiu de um projeto agrícola. É comum ver no núcleo urbano do município a presença de pequenas hortas destinadas tanto ao consumo local, como dos municípios vizinhos. A agropecuária e o agrobusiness, crescem de forma vertiginosa no município O rebanho local é de aproximadamente 25 mil cabeças, sendo que este vai quase todo para o corte e, em menor volume, para a produção de leite. A indústria madeireira também tinha uma parcela expressiva na contribuição para a economia local, contudo esta está em claro declínio tende a se extinguir.

O comércio de Canaã não tem grande representavidade regional, mas localmente esta é uma atividade que traz grandes benefícios ao município.

Referências

  1. Eleições 2012: confira quais foram os prefeitos eleitos na região do Carajás. Jornal do Zedudu.
  2. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  4. a b Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data de Referência em 1º de julho de 2012. Estimativa Populacional para 2012. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1º de julho de 2012). Página visitada em 16 de janeiro de 2013.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios do estado do Pará - 2010. Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará. Página visitada em 13 de março de 2012.
  7. Histórico de Canaã dos Carajás - IBGE
  8. MARQUES, Gilberto de Souza. Estado e Desenvolvimento na Amazônia: A Inclusão Amazônica na Reprodução Capitalista Brasileira (Tese de Doutorado). Rio de Janeiro: UFRRJ, 2007
  9. Impactos da mineração: Canaã dos Carajás sobreviverá? - Justiça nos Trilhos
  10. Zé Dudu (30 de janeiro de 2010). Denúncia feita por senhora do RJ derruba Secretário de Administração de Canaã dos Carajás (em português). Zé Dudu. Página visitada em 24-02-2010.
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