Clemens August von Galen

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Beato Clemens August von Galen
O Beato Cardeal Clemens August, Conde von Galen.
Leão de Münster
Arcebispo de Münster; Cardeal de São Bernardo nas Termas Dioclecianas
Nascimento 16 de Março de 1878 em Castelo de Dinklage, Oldemburgo, no Império Alemão
Morte 22 de março de 1946 (68 anos) em Münster, Alemanha Ocidental
Veneração por Igreja Católica
Beatificação 9 de outubro de 2005 por Papa Bento XVI
Festa litúrgica 22 de março
Gloriole.svg Portal dos Santos

Clemens Augustinus Joseph Emmanuel Pius Antonius Hubertus Marie Graf von Galen ou Clemens August Kardinal Graf von Galen ou ainda Clemens August Graf von Galen foi um arcebispo alemão, criado cardeal pelo Papa Pio XII em 1946, e beatificado em 9 de outubro de 2005 pelo Papa Bento XVI.

Índice

Juventude [editar]

O Conde (Graf) von Galen era o décimo-primeiro filho do casal formado pelo conde Ferdinand Heribert von Galen e sua mulher Elisabeth, nascida von Spree, que teve treze filhos. Foi enviado ao liceu dos jesuítas em Feldkirch. Em seguida, estudou em Fribourg, Innsbrück e Münster.

Foi ordenado presbítero em Münster em 28 de maio de 1904. Após breve período como vigário capitular em Münster, com seu tio Maximilian Gereon Graf von Galen, bispo auxiliar de Münster, foi nomeado em 1906 capelão da Igreja de São Matias, em Berlim.

Mais tarde, exerceu suas atividades pastorais na capital do Império Prussiano durante a Primeira Guerra Mundial e a República de Weimar. Retornou a Münster em 1929 como pároco da paróquia de São Lamberto.

Foi um crítico da sociedade moderna.

Episcopado [editar]

Foi sagrado Bispo de Münster em 1933. No período Nacional-Socialista, von Galen distinguiu-se por sua firme oposição ao regime e à ideologia racista. Participou da redação da encíclica Mit brennender Sorge ("Com Ardente Preocupação"), do Papa Pio XI, que condena os erros do nazismo. Em 3 de agosto de 1941, denunciou violentamente em um sermão, o primeiro de uma série de três, o programa de eutanásia nazista, visto como negação do mandamento divino “não matarás”.

Sua crítica levou Hitler a suspender oficialmente o programa de extermínio Aktion T4, que visava eliminar deficientes físicos e mentais, considerados inúteis pelo regime. Oficiosamente os assassinatos prosseguiram até à queda do Terceiro Reich.

Em retaliação à sua atitude, e principalmente a seus sermões, 24 sacerdotes e 18 religiosos da sua diocese foram presos e levados a campos de concentração, de onde dez deles jamais voltaram.

Em contrapartida, o estudante universitário Hans Scholl leu uma cópia de um de seus sermões. Horrorizada, sua irmã, Sophie Scholl, reimprimiu o texto e o distribuiu na Universidade de Munique. Este foi o ponto de partida para o surgimento do lendário grupo de resistência ao nazismo denominado “A Rosa Branca”.

Após a Guerra, von Galen criticou crimes e excessos das tropas aliadas de ocupação na Alemanha e recusou com veemência a ideia de que todo o povo alemão era responsável por crimes de guerra. Reagiu também contra os maus-tratos a que foram submetidos os alemães do leste e à sua expulsão quando da anexação de territórios orientais da Alemanha pela Polônia e União Soviética. Por sua intrepidez e audácia, von Galen foi apelidado pelo povo de “O Leão de Münster”.

Cardinalato [editar]

Em 18 de fevereiro de 1946, o Papa Pio XII o fez cardeal com o título de São Bernardo nas Termas Dioclecianas, por sua conduta intrépida no período do nazismo. Os fiéis, que lotaram a Basílica de São Pedro, aclamaram “O Leão de Münster”. Em 16 de março de 1946, o cardeal von Galen retornou a Münster e foi acolhido entusiasticamente pela multidão. Diante das ruínas da catedral, pronunciou seu último discurso. Adoeceu no dia seguinte, vindo a falecer em 22 de março de 1946. Foi enterrado na Ludgeruskapelle (Capela de Ludger) da catedral em ruínas. Destacou-se pela piedade profunda e pela virtude da fortaleza, que exercitou em grau heróico.

Citações [editar]

Teve lugar esta manhã, na Basílica de São Pedro, a beatificação de Clemens August von Galen, Bispo de Monastério, Cardeal, intrépido opositor ao regime nazista. Ordenado sacerdote em 1904, desempenhou por muito tempo o ministério numa paróquia de Berlim e em 1933 foi nomeado Bispo de Monastério. Em nome de Deus, denunciou a ideologia neopagã do nacional-socialismo, defendendo a liberdade da Igreja e os direitos humanos gravemente violados, protegendo os judeus e as pessoas mais frágeis, que o regime considerava refugo a ser eliminado.
 
São conhecidas as três célebres pregações que aquele intrépido Pastor pronunciou em 1941. O Papa Pio XII criou-o cardeal em Fevereiro de 1946 e, apenas um mês mais tarde, faleceu, circundado pela veneração dos fiéis, que reconheceram nele um modelo de coragem cristã. É precisamente esta a mensagem sempre actual do beato von Galen: a fé não se limita a sentimento privado, que possivelmente se esconde quando é incómoda, mas exige a coerência e o testemunho também em âmbito público em favor do homem, da justiça, da verdade.
 

Ver também [editar]

Ligações externas [editar]