Dies Irae

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Painel central do Tríptico de Hans Memling Juízo final (c. 1467–71)

Dies Irae ("Dia da Ira") é um famoso hino, em latim, do século XIII. Pensa-se que foi escrito por Tomás de Celano. Sua inspiração parece vir da Bíblia, Sofonias 1,15–16, da tradução para o latim da Vulgata. A métrica é troqueu. O uso principal é dentro da liturgia do réquiem, a tradicional missa católica para os mortos, mas também algumas outras igrejas como a anglicana usam o hino.

É também um dos hinos, e geralmente a apoteose, do Requiem de Mozart, Verdi e dos contemporâneos Penderecki e Karl Jenkins, entre outros compositores.


Uso na liturgia católica[editar | editar código-fonte]

O Dies Irae foi usado por séculos na Missa Requiem, oficializado pelo Concílio de Trento no século XVI. A últimas vez se encontrou no Missal Romano em 1962, antes das reformas do Concílio Vaticano II. Em lugares, onde a Missa tridentina está ainda em uso, pode ser ouvido até hoje. Também faz parte da liturgia do dia de Todos-os-Santos. Por esse uso oficial ele faz parte de muitas composições do réquiem, entre eles de Mozart e Verdi.


Poema[editar | editar código-fonte]

1
Dies iræ! dies illa
Solvet sæclum in favilla
Teste David cum Sibylla!

2
Quantus tremor est futurus,
quando judex est venturus,
cuncta stricte discussurus!

3
Tuba mirum spargens sonum
per sepulchra regionum,
coget omnes ante thronum.

4
Mors stupebit et natura,
cum resurget creatura,
judicanti responsura.

5
Liber scriptus proferetur,
in quo totum continetur,
unde mundus judicetur.

6
Judex ergo cum sedebit,
quidquid latet apparebit:
nil inultum remanebit.

7
Quid sum miser tunc dicturus?
Quem patronum rogaturus,
cum vix justus sit securus?

8
Rex tremendæ majestatis,
qui salvandos salvas gratis,
salva me, fons pietatis.

9
Recordare, Jesu pie,
quod sum causa tuæ viæ:
ne me perdas illa die.

10
Quærens me, sedisti lassus:
redemisti Crucem passus:
tantus labor non sit cassus.

11
Juste judex ultionis,
donum fac remissionis
ante diem rationis.

12
Ingemisco, tamquam reus:
culpa rubet vultus meus:
supplicanti parce, Deus.

13
Qui Mariam absolvisti,
et latronem exaudisti,
mihi quoque spem dedisti.

14
Preces meæ non sunt dignæ:
sed tu bonus fac benigne,
ne perenni cremer igne.

15
Inter oves locum præsta,
et ab hædis me sequestra,
statuens in parte dextra.

16
Confutatis maledictis,
flammis acribus addictis:
voca me cum benedictis.

17
Oro supplex et acclinis,
cor contritum quasi cinis:
gere curam mei finis.

1
Dia da Ira, aquele dia
Em que os séculos dissolver-se-ão em cinza,
(será) David com a Sibila por testemunha!

2
Quanto terror está prestes a ser,
Quando o Juiz estiver para vir,
Em vias de julgar tudo severamente!

3
A trombeta espargindo um som miraculoso
Pelos sepulcros da região,
Conduzirá todos diante do trono.

4
A morte ficará paralisada, também a natureza,
Quando ressurgir a criatura
Prestes a responder ao que está julgando.

5
o Livro escrito será proferido,
Em que tudo está contido,
De onde o mundo será julgado.

6
Quando, pois, o juiz se assentar
Tudo oculto revelar-se-á,
Nada permanecerá sem castigo!

7
O que, então, estou em vias de dizer, eu infeliz?
A que paráclito/patrono estou prestes a rogar,
Quando apenas o justo esteja seguro?

8
Rei de tremenda majestade,
Que salvas os que devem ser salvos gratuitamente,
Salva-me, ó fonte de piedade.

9
Recorda, piedoso Jesus,
Que sou a causa de tua Via:
Não me percas nesse dia.

10
Buscando-me, sentaste exausto,
Sofrendo na Cruz, redimiste(-me):
Que Tamanho trabalho não seja em vão.

11
Juiz justo da vingança,
Dai-me do dom da remissão (dos pecados),
Antes do dia do julgamento.

12
Gemo, tal qual um réu:
Minha culpa enrubesce-me o semblante,
Poupa a quem está suplicando, ó Deus!

13
(Tu) que perdoaste a Maria (Madalena),
E ouviste atento ao ladrão,
Também a mim deste esperança.

14
Minhas preces não são dignas,
Mas, tu (és) bom, age com bondade,
Para que eu não seja queimado pelo fogo eterno.

15
Entre as ovelhas dispõe um abrigo,
Retira-me para longe dos bodes,
Coloca-me de pé à Vossa direita;

16
Condenados os malditos,
(e) lançados nas flamas ardentes,
Chamai-me com os benditos.

17
Oro-Vos, rogo-Vos de joelhos,
com o coração contrito em cinzas,
cuidai do meu fim.

O poema poderia ser completo a esse ponto. Os seguintes versos poderiam ser um adicional mais tarde para adaptar a poesia à liturgia, porque abandona o esquema trinária. Mas poderia-se tratar também de um aumento final, que traz em vez de três versos simples três versos duplos:

18
Lacrimosa dies illa,
qua resurget ex favilla
judicandus homo reus.
Huic ergo parce, Deus:

19
Pie Jesu Domine,
dona eis requiem. Amen.

18
Lacrimoso aquele dia
no qual, das cinzas, ressurgirá,
para ser julgado, o homem réu.
Perdoai-os, Senhor Deus

19
Piedoso Senhor Jesus,
Dai-lhes descanso eterno, Amém!

O hino[editar | editar código-fonte]

O Dies irae tem rima no final dos versos e usa acentos rítmicos e não a métrica antiga baseada em sílabas longas e curtas, o que era nessa época uma moda nova.

O Dies irae aparece pela primeira vez no século XIII como forma do canto gregoriano. Erste Strophe des Dies irae

Em composições posteriores do requiem o Dies irae é muitas vezes separado nas partes Dies irae, Tuba mirum, Liber scriptus, Rex tremendae, Recordare, Ingemisco, Confutatis e Lacrimosa.

Lista de composições que contêm o Dies irae[editar | editar código-fonte]

Citações do hino gregoriano na música erudita[editar | editar código-fonte]

Original do Dies Irae do Requiem de Mozart

Movimentos Dies-irae famosos em requiens[editar | editar código-fonte]

Citações em músicas de Filmes[editar | editar código-fonte]

Citações na música contemporânea e popular[editar | editar código-fonte]

  • Abigor: Kingdom of Darkness (Album: Verwüstung / Invoke the Dark Age, Black Metal)
  • Anhedonia: Dies irae (Album: Der Schrei der Natur 2008)
  • ASP: Requiem (Album: Requiembryo 2007)
  • Clint Bajakian, Peter McConnel, Michael Z. Land: Indiana Jones and the Fate of Atlantis (Spielemusik)
  • Bathory: Dies Irae (Album: Blood Fire Death, Black Metal)
  • Believer: Dies irae (Album: Sanity Obscure, 1990 Roadrunner Records, Thrash Metal)
  • Chen, Leo: Walpurgisnacht Quarteto de cordas duplo, 2004
  • Dark Moor (Album: The Gates of Oblivion, 2002, Power Metal)
  • Dectera Lugh: Dies Irae (Album: Lumina, 2007, Música medieval)
  • Dissection: Starless Aeon (Album: Reinkaos, 2006, Melodic Death Metal)
  • Hans-Ola Ericsson: Dies irae para Soli e coro, 1975
  • Epica: Dies Irae (Album: The Classical Conspiracy, 2009, Symphonic Metal)
  • Evanescence: Lacrymosa (Album: The Open Door, 2006)
  • Juno Reactor: Conquistador I (Album: Labyrinth, 2004, Goa-Trance)
  • Helga Pogatschar: Sequentia (Album: Mars Requiem, 1995, Post-Industrial)
  • Helloween: The time of the oath (Album: The time of the oath, Heavy Metal com coro que canta o Dies irae em arranjo de Axel Bergstedt) 1996)
  • Helium Vola: Dies Ire (EP: In lichter Farbe steht der Wald, 2004)
  • In Strict Confidence: In Favilla (Album: Exile Paradise, 2006)
  • Lacrimosa: Die Schreie sind verstummt (Album: Echos, 2003)
  • Libera: Dies Irae (Album: Libera, 1999)
  • Luca Turilli's Dreamquest: Gothic Vision (Album: Lost Horizons, Power Metal)
  • Mantus: Dies Irae (Album: Fremde Welten)
  • Guntram Pauli: Rock Requiem (1978)
  • Rage: Dies Irae (Album: Unity, Heavy Metal)
  • Schwarzer Engel: Der Zorn Gottes (Album: Apokalypse)
  • Sigh: Salvation in Flame/Confutatis (Album: Hangman’s Hymn: Musikalische Exequien, Extreme Metal)
  • Jim Steinman: Dance of the Vampires, musical
  • Subway To Sally: Tag Der Rache (Album: Hochzeit, Folk Rock 1999)
  • Symphony X: A Fool’s Paradise (Album: V – The New Mythology Suite, Progressive Metal; o album contem também uma variação do Dies Irae do requiem de Verdi)
  • Thyrfing: Far Åt Helvete (Album: Farsotstider, 2005, Pagan Metal)
  • Wolfenmond: Dies irae, Dies illa (Album: Flammenspiel und Schattenklang, 2004, Música da cena medieval)
  • T.A.C.-Tomografia Assiale Computerízzata: Requiem da luz preta (Album: La Nouvelle Art Du Deuil)
  • „Tag des Zornes“ Roman Streisand, SPILWUT CD 3 „Ouroborus“ , Música da cena medieval 2005

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Simmons, Walter (2004), Voices in the Wilderness: Six American Neo-romantic Composers, Scarecrow, ISBN 0-8108-4884-8 
  2. About this Recording – 8.559635 – Daugherty, M.: Metropolis Symphony / Deus ex Machina (T. Wilson, Nashville Symphony, Guerrero), Naxos, http://www.naxos.com/mainsite/blurbs_reviews.asp?item_code=8.559635&catNum=559635&filetype=About%20this%20Recording&language=English# 
  3. Dead Elvis, http://www.michaeldaugherty.net/includes/pieceinfo.cfm?id=61 
  4. Elfman, Danny. The Nightmare Before Christmas: Piano/Vocal. [S.l.]: Hal Leonard Corporation, 1993. ISBN 0-7935-2827-5.
  5. Grantham, Donald (2004), "Donald Grantham", in Camphouse, Mark, Composers on Composing for Band, 2, Chicago: GIA, pp. 100–01, ISBN 1-57999-385-0 
  6. Greenberg, Robert (2011), The Great Courses: The 30 Greatest Orchestral Works, The Teaching Co 
  7. Spratt, Geoffrey K. The Music of Arthur Honegger. Cork University Press, 1985.
  8. Zadan, Craig. Sondheim & Co. 2nd. ed. [S.l.]: Perennial Library, 1989. p. 248. ISBN 0-06-091400-9.
  9. Roberge, Marc-André, "Citations of the Dies irae", Sorabji Resource Site, CA: U Laval, http://www.mus.ulaval.ca/roberge/srs/05-diesi.htm 
  10. Lintgen, Arthur, "Tchaikovsky: Manfred Symphony", Fanfare, http://www.arkivmusic.com/classical/album.jsp?album_id=138023 
  11. Leonard, James. Tchaikovsky: Suite No. 3; Stravinsky: Divertimento (em inglês) no Allmusic. Acessado em 15 October 2011.