Piotr Ilitch Tchaikovsky

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Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Retrato de Tchaikovsky pintado em 1893
Nome completo Pyotr Ilyich Tchaikovsky
Nascimento 7 de maio de 1840
Kamsko-Wotkinski Sawod, Udmurtia
Dinastia Romanov

Império Russo

Morte 6 de novembro de 1893 (53 anos)
São Petersburgo, Distrito Federal do Noroeste
Império Russo

Império Russo

Ocupação Compositor
Carreira musical
Período musical Romantismo
Assinatura
Tchaikovsky Signature.svg

Piotr Ilitch Tchaikovsky (em russo: Loudspeaker.svg? Пётр Ильи́ч Чайко́вский, por vezes, traduzido Pyotr Ilyich Tchaikowsky); (Kamsko-Wotkinski Sawod, actual Tchaikovsky, (7 de maio de 1840) — São Petersburgo, 6 de novembro de 1893) foi um compositor romântico russo que compôs géneros como sinfonias, concertos, óperas, ballets, para música de câmara e obras para coro para liturgias da Igreja Ortodoxa Russa. Algumas das suas obras encontram-se entre as mais populares do repertório erudito. Este foi o primeiro compositor russo a conquistar fama internacional, tendo sido maestro convidado no final da sua carreira pelos Estados Unidos e Europa. Como exemplo pode considerar-se o concerto inaugural do Carnegie Hall de Nova Iorque, em 1891. Tchaikovsky foi honrado em 1884 com uma pensão vitalícia pelo Imperador Alexandre III.

Tchaikovsky foi educado para ter uma carreira como funcionário público. Na sua época as oportunidades para se ter uma carreira musical (na Rússia) eram escassas e não existia um sistema público de educação musical. Quando surgiu a oportunidade, ingressou no Conservatório de São Petersburgo, onde se graduou em 1865.

A sua vida foi preenchida por crises pessoais e depressões. Estas crises advém do facto de a sua mãe ter falecido prematuramente e do colapso da sua relação com a viúva Nadezhda von Meck. A sua homossexualidade foi sempre mantida em segredo. A sua morte prematura aos 53 anos de idade é atribuída à Cólera, mas especula-se um possível suicídio.

Embora não faça parte do chamado Grupo dos Cinco (Mussorgsky, César Cui, Rimsky-Korsakov, Balakirev e Borodin) composto por compositores nacionalistas russos, a sua música tornou-se conhecida e admirada pelo seu carácter distintamente russo, bem como pelas suas ricas harmonias e vivas melodias. As suas obras, no entanto, foram muito mais ocidentalizadas que as de seus compatriotas, uma vez que utilizava elementos internacionais em simultâneo com melodias populares nacionalistas russas. Tchaikovsky, assim como Mozart, é um dos poucos compositores aclamados que se sentia igualmente confortável escrevendo óperas, sinfonias, concertos e obras para piano.

Biografia[editar | editar código-fonte]

A família Tchaikovsy em 1848.

Pyotr Ilyich Tchaikovsky nasceu em 07 de maio de 1840 na cidade de Votkinsk, localizada na província de Vyatka. Sua família teve um longo histórico de serviço militar. Seu pai, Ilya Petrovich Tchaikovsky, foi um engenheiro que serviu como tenente-coronel do Departamento de Minas. Sua mãe, Alexandra Andreyevna (nome de solteira - d'Assier), foi a segunda das três mulheres de Ilya. Ambos os pais de Tchaikovsky tiveram educação nas artes e incentivaram o interesse dos filhos na música.

Tchaikovsky teve quatro irmãos(Nikolay, Ippolit, e os gêmeos Anatoly e Modest), uma irmã, Aleksandra e uma meia-irmã Zinayda proveniente do primeiro casamento de seu pai. O compositor era particularmente próximo de Aleksandra e dos gêmeos. Com o correr do tempo Anatoly obteve uma carreira proeminente, enquanto Modest se tornou dramaturgo, libretista e tradutor. Aleksandra se casou com Lev Davydov e teve sete filhos.

Em 1843 a família contratou Fanny Dürbach, uma governanta francesa de 22 anos, para cuidar das crianças e ensinar francês a Nikolai. Tchaikovsky era inicialmente considerado muito novo para começar os estudos, mas sua insistência convenceu a governanta. Dürbach se provou uma excelente professora, com seis anos o compositor já havia se tornado fluente em francês e alemão. Tchaikovsky se tornou muito apegado à Fanny, a afeição que ele recebia da jovem moça serviu como compensação pela indiferença de sua mãe a qual teria sido descrita como fria, infeliz e distante. Outros afirmam que a mãe tinha um carinho muito grande pelo filho. A governanta guardou muitos dos trabalhos de Tchaikovsky da época, o que inclui suas primeiras composições.

Tchaikovsky começou a ter aulas de piano com cinco anos. Um precoce talento, se tornou capaz de ler partituras tão habilmente como seu professor em três anos. Seus pais o apoiaram inicialmente, contratando um tutor, comprando uma orchestrina, e encorajando seus estudos no piano. No entanto, a família decidiu em 1850 enviar Tchaikovsky para a Escola Imperial de Jurisprudência em São Petersburgo. Essa decisão pode ter tido razões práticas. Seus pais se tornaram insensíveis em relação ao seu dom musical, pois os únicos caminhos para uma carreira nesse ramo na época eram como professor ou como instrumentista em um dos teatros imperiais. Ambos eram considerados parte do mais baixo nível social, sem mais direitos do que camponeses.

Em 1848 a família fixa-se em São Petersburgo, onde o compositor toma as primeiras aulas teóricas musicais com diversos professores particulares, entre eles o maestro Filipov.

Em 1850 os desejos da família eram que fosse advogado. Foi para a Escola de Direito de São Petersburgo onde cursou até 1859, mostrando-se um estudante muito aplicado, e antes mesmo de se formar foi empregado como funcionário do Ministério da Justiça.

O sofrimento de Tchaikovsky ao abandonar a mãe para frequentar o internato causou um trauma emocional que o atormentou por toda a sua vida. A morte de Alexandra Andreyevna por cólera em 1854, o devastou, afetando-o de tal forma que ele não poderia se comunicar com Fanny Dürbach durante dois anos. A perda o levou a fazer sua primeira composição séria, uma valsa em sua memória.

Tchaikovsky em sua adolescência. (1863)

O pai de Tchaikovsky, que também havia contraído cólera, assim que recuperado, o mandou de volta para a escola, esperando que os estudos ocupassem a mente do garoto. Em compensação por suas perdas e isolação, Tchaikovsky fez amizades duradouras com seus colegas de classe incluindo Aleksey Apukhtin e Vladimir Gerard. A música se tornou um unificador. Enquanto não era uma prioridade oficial na Escola de Jurisprudência, Tchaikovsky a manteve como uma atividade de lazer, frequentando, com regularidade, a ópera com outros alunos. Pyotr também continuou seus estudos no piano com Franz Becker, um fabricante de instrumentos que visitava ocasionalmente a escola, entretanto, de acordo com o musicologista David Brown, os resultados foram desprezíveis.

Em 1855, Ilya começou a pagar aulas particulares de piano para Tchaikovsky com o professor Rudolph Kündinger. Quando o professor foi questionado a respeito da carreira musical do garoto, respondeu que nada sugeria um futuro como compositor ou intérprete. Kündinger posteriormente admitiu que seu julgamento foi baseado em sua própria experiência negativa como músico na Rússia.

Disseram a Tchaikovsky para terminar seu curso e depois tentar um posto no Ministério da Justiça. Mesmo tendo colocado este conselho em prática, seu pai continuou receptivo quanto à carreira musical de Pyotr. Ele simplesmente não conhecia o potencial de seu filho e estava inseguro com relação ao seu futuro.

Em 1863 Tchaikovsky decide dedicar-se inteiramente à carreira musical. Opondo-se totalmente às expectativas da família, abdica da carreira jurídica e se matricula no Conservatório de São Petersburgo, onde permanece três anos. É no Conservatório que Tchaikovsky tem contato com as obras dos grandes mestres alemães, bem como com composições de Glinka, Meyerbeer, Schumann e Liszt. Foi aluno de Anton Rubinstein em orquestração, e de Nikolai Zaremba.

Depois de se formar no Conservatório, Tchaikovsky considerou voltar aos serviços públicos devido às suas necessidades financeiras, entretanto, foi-lhe oferecido, em 1866, um cargo de professor de teoria musical no Conservatório de Moscou que foi mantido até 1878. Embora a oferta incluísse um salário de apenas 50 rublos por mês, aceitou-a. Foi nesta época que recebeu a notícia da primeira apresentação pública de um de seus trabalhos, “Danças Características”, conduzida por Johann Strauss II em um concerto no Parque de Pavlovsk em 11 de setembro 1865. Em 1867 foi um dos designados pelo Conservatório de Moscou a receber oficialmente Hector Berlioz em sua viagem à Rússia.

Em 1868 trava contato com o Grupo dos Cinco, movimento nacionalista russo que compartilhava do ideal de criar uma música fundada sobre o folclore nacional, contra a tutela e influência das escolas francesa e italiana. O grupo era formado pelos compositores Mily Balakirev, César Cui, Modest Mussorgski, Aleksandr Borodin e Nikolai Rimsky-Korsakov.

Sua primeira ópera, Voyevoda, baseada em uma peça de Alexander Ostrovsky, foi estreada em 1869. O compositor ficou insatisfeito com a obra e, tendo usado partes dela em trabalhos posteriores, destruiu o manuscrito.

Anton (direita) e Nikolay Rubinstein (1910).

Em 1870 compôs Undina. Apenas alguns trechos da ópera foram apresentados, tendo ela posteriormente sido destruída. Entre esses projetos, Tchaikovsky começou a compor uma ópera chama Mandragora, para um libreto de Sergei Rachinskii; a única música que completou foi um pequeno coro de Flores e Insetos.

A primeira ópera de Tchaikovsky a sobreviver intacta, foi "O Oprichnik", estreada em 1874. O autor da peça propriamente dita, Ivan Lazhechnikov havia morrido em 1869, Pyotr então, decidiu escrever o libreto ele mesmo, modelando sua técnica dramática na de Eugène Scribe.

A última das primeiras óperas, "Vakula, o ferreiro", foi composta na segunda metade de 1874. O libreto baseado em "Véspera de Natal" de Gógol deveria ter sido musicalizado por Alexander Serov, mas com a morte do mesmo, Tchaikovsky assumiu o cargo.

Em 1875 viaja pela Europa e conhece em Paris Saint-Saëns, Franz Liszt, Georges Bizet e Jules Massenet.

Em 1876 Nikolai Rubinstein apresenta o compositor à baronesa Nadyezhda von Meck, que se sente profundamente atraída pela obra de Tchaikovsky. Inicialmente a baronesa o incumbe em algumas transcrições para violino e piano, mas em seguida se converte em mecenas de Tchaikovsky, sob a única condição de comunicarem-se somente por carta. Essa correspondência durou quatorze anos, sem nunca terem se visto. O mecenato resguardou Tchaikovsky de dificuldades financeiras durante esse tempo. (A Sinfonia nº 4 em fá menor, opus 36, é dedicada à baronesa) Nesse mesmo ano de 1876, recebe o encargo de coreógrafo do Teatro Bolshoi de Moscou, onde nasce o ballet O Lago dos Cisnes. O mecenato da baronesa von Meck possibilitava Tchaikovsky dedicar-se exclusivamente a composição, então em 1878 deixa sua cátedra no Conservatório de Moscou.

Em 1880 Nikolai Rubinstein o incumbe de compor uma abertura sinfônica-coral de tema patriótico, prevista para a inauguração da uma exposição em Moscou: nasce a Abertura 1812.

Em 1892 já não conta mais com a ajuda da baronesa von Meck. Sua irmã Alexandra morre. E aos cinquenta anos tem a aparência de um homem muito mais velho.

Em junho de 1893 Tchaikovsky recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Cambridge. Em outubro do mesmo ano sua saúde se agrava profundamente. Em 6 de novembro de 1893 Tchaikovsky morre aos 53 anos, em São Petersburgo.

Sexualidade[editar | editar código-fonte]

Ilyich Tchaikovsky, irmão do compositor.

Tchaikovsky possuiu claras tendências homossexuais; Alguns dos relacionamentos mais íntimos do compositor foram com homens. Procurou a companhia de outros atraídos pelo mesmo sexo em seu círculo por longos períodos, associando-se abertamente e estabelecendo conexões profissionais com eles.

Tchaikovsky sabia das consequências negativas que o conhecimento público de sua orientação podia trazer, especialmente em sua família. Seu pai ainda esperava que o compositor se casasse (e talvez não soubesse da orientação do filho). Tchaikovsky sempre pareceu incomodado com a própria orientação. Às vezes escrevia com pesar em seu diário: “O que posso fazer para ser normal?”. Era um comportamento que se contrapunha ao do próprio irmão, Modest, que também era gay e viveu de maneira relativamente equilibrada, tendo inclusive um relacionamento de 17 anos com Nikolai Konradi (ou 'Kolia'), um menino surdo e mudo a quem tutelava. Graças à presença deste irmão também homossexual, Tchaikovsky conseguia ao menos ter um confidente.

Mesmo levando-se em conta sua situação, Tchaikovsky não negligenciou as convenções sociais e permaneceu conservador por natureza. Sua vida amorosa continuou complicada. Uma combinação de educação, timidez e profundo compromisso com os parentes o impediu de viver abertamente com um amante masculino. Regularmente procurou encontros anônimos, muitos dos quais relatou a Modest, às vezes, demonstrando remorso. Também tentou ser discreto e ajustar seus gostos às convenções da sociedade russa. No entanto, muitos de seus colegas, especialmente aqueles mais próximos a ele, podem ter conhecido ou adivinhado a sua verdadeira natureza sexual. A decisão de Tchaikovsky em entrar em uma união heterossexual e tentar levar uma vida dupla foi motivada por vários fatores, a possibilidade de exposição, a disposição para agradar seu pai, seu próprio desejo de um lar permanente e seu amor pelas crianças e familiares. Não há razão, no entanto, para supor que essas angústias pessoais impactaram negativamente sobre sua qualidade musical.

Casamento mal sucedido[editar | editar código-fonte]

Foi durante uma crise de meia-idade, aos 36 anos, que o compositor revelou por carta a Modest, seu irmão e confidente, uma decisão contrária ao seu próprio desejo:

Cquote1.svg Agora estou passando por um período muito crítico em minha vida. Eu vou entrar em mais detalhes mais tarde, mas por agora vou simplesmente dizer-lhe: eu decidi me casar. É inevitável. Eu tenho que fazer isso não apenas para mim, mas por você, Modest, e por todos aqueles que amo. (...) Como é terrível pensar que aqueles que me amam possam, por vezes, sentir vergonha de mim. Em suma, eu procuro casamento ou algum tipo de envolvimento público com uma mulher, para calar a boca de várias criaturas desprezíveis cujas opiniões não significam nada para mim, mas que estão em posição de causar sofrimento aos que estão perto de mim. Cquote2.svg
Foto de Antonina e Tchaikovsky durante a sua lua de mel, em 1877.

A união de fachada aconteceu na Igreja de São Jorge, em Moscovo, no mês de julho de 1877. Tchaikovsky casou-se com Antonina Milyukova, uma mulher de 28 anos, sua ex-aluna no Conservatório de Música de Moscou. Na verdade, ela o havia conhecido muito antes, quando tinha apenas 16 anos, na casa de amigos. Foi lá que se apaixonou platonicamente por ele, decidindo largar tudo pra estudar música ao seu lado. Anos depois de abandonar a escola por dificuldades financeiras, ela escreveu para o compositor, declarando seu envolvimento. Foi nesta ocasião que Tchaikovsky pensou numa possível companheira por conveniência.

Questões de dinheiro e uma incapacidade para compor agravaram a situação e levou Tchaikovsky a níveis profundos de desespero. O casal viveu junto por apenas dois meses antes da crise emocional que o obrigou a deixar a cidade. Pyotr viajou para Clarens, na Suíça para descanso e recuperação. Ele e Antonina permaneceram casados legalmente, mas nunca viveram juntos novamente e nem tiveram filhos, embora Antonina mais tarde tivesse dado à luz a três filhos por outro homem.

"Somente agora, após meu casamento, começo a entender que nada é mais inútil do que não querer assumir como somos", escreveu.

Crescimento público[editar | editar código-fonte]

Apesar de seu desprezo por sua vida pública, Tchaikovsky agora a aceitava tanto como consequência de sua crescente fama, quanto pela obrigação pessoal que sentia em promover a música russa. O compositor também atuou como diretor da filial de Moscovo da Sociedade de Música Russa entre 1889 e 1900. Neste posto, o compositor convidou muitas celebridades internacionais para conduzir a orquestra, inclusive Johannes Brahms, Antonín Dvořák e Jules Massenet, embora nem todas tivessem aceitado.

Tchaikovsky também promoveu a música russa como condutor, procurando estabelecer-se no mundo musical por pelo menos mais uma década. Pyotr estava em demanda considerável por toda a Europa e Rússia, o que o ajudou a superar o medo do palco e aumentou sua autoconfiança. Sua condução o trouxe para a América em 1891, onde liderou a Sociedade de música de Nova Iorque em março, no concerto inaugural do Carnegie Hall.

Morte[editar | editar código-fonte]

A última casa onde Tchaikovsky morou, em Klin.

Em 28 de outubro de 1893 Tchaikovsky realizou a estreia de sua Sexta Sinfonia, a Patética em São Petersburgo. Nove dias depois, o compositor morreu aos 53 anos. Foi enterrado no Cemitério Tikhvin no Mosteiro Alexander Nevsky, perto dos túmulos dos companheiros compositores Alexander Borodin, Mikhail Glinka, e Modest Mussorgsky, mais tarde, Rimsky-Korsakov, Balakirev também foram enterrados nas proximidades.

Até hoje, a cada biografia sobre a vida do compositor, surge uma nova teoria ou detalhe sobre a causa de seu falecimento. Embora a morte de Tchaikovsky, tradicionalmente, tenha sido atribuída à cólera, provavelmente contraída através da água potável contaminada, se apresentam teorias diferentes. Já foram descritos casos de supostos assassinatos ou suicídios.

Nesta última linha, uma surpreendente hipótese foi revelada pela musicóloga soviética Alexandra Orlova em 1978. Segundo sua apuração, um membro da aristocracia russa havia escrito uma carta direcionada ao czar Alexandre III acusando Tchaikovsky de seduzir e manter um relacionamento sexual com seu sobrinho de 17 anos. A carta, porém, não foi entregue diretamente ao czar, mas aos cuidados de um funcionário, Nikolay Jacobi, que coincidentemente estudou com Tchaikovsky na Escola de Direito de São Petersburgo.

Escandalizado com o conteúdo da correspondência e temendo que a história manchasse a reputação da Escola, Jacobi não entregou a carta. Preferiu instituir uma corte de honra incluindo outros seis companheiros da Instituição para discutir o assunto e tomar uma decisão. Foi assim que convocaram Tchaikovsky para uma reunião que durou cerca de cinco horas. Nela, induziram o compositor a dar fim à própria vida antes que o pior acontecesse. Caso a denúncia se tornasse pública, Tchaikovsky poderia ser exilado, perderia seus direitos civis e teria sua imagem manchada para o resto da vida, prejudicando familiares, ex-alunos, amigos e companheiros. Ao sair da reunião cambaleante e pálido, o compositor teria decidido ingerir arsênico, morrendo no dia 06 de novembro de 1893. Por ser considerada uma versão aparentemente sensacionalista, muitos historiadores questionam essa hipótese, mesmo que ela tenha sido confirmada por alguns conhecidos de Tchaikovsky.

Obra[editar | editar código-fonte]

Valsa em fá sustenido menor
Valsa em fá sustenido menor, de Doze peças para piano, Op. 40, No. 9, gravado em meio digital por Kevin MacLeod

Abertura de Romeu e Julieta
Abertura de Romeu e Julieta; executado pela Skidmore College Orchestra

Abertura 1812
Abertura 1812; executado pela Skidmore College Orchestra

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Balés[editar | editar código-fonte]

Tchaikovsky talvez seja mais conhecidos por seus bailados, no entanto foi apenas no fim de sua carreira, com seus dois últimos balés, que seus contemporâneos passaram a apreciar suas qualidades como autor desse género.

  • (1875–1876): O Lago dos Cisnes, Op. 20. O primeiro balé de Tchaikovsky foi encenado pela primeira vez (com algumas omissões) no Teatro Bolshoi em Moscou em 1877.
  • (1888–1889): A Bela Adormecida, Op. 66. Considerado um dos melhores trabalhos de Tchaikovsky. Encenado pela primeira vez em 1890 no Teatro Mariinsky em São Petersburgo.
  • (1891–1892): O Quebra Nozes, Op. 71. Tchaikovsky não ficou muito satisfeito com esta obra, seu último balé.

Óperas[editar | editar código-fonte]

Tchaikovsky escreveu onze óperas:

Sinfonias[editar | editar código-fonte]

As sinfonias mais antigas de Tchaikovsky são normalmente trabalhos alegres de caráter nacionalista, enquanto as últimas tratam do destino, perturbação e, em especial a Patética, desespero. As três últimas de suas sinfonias numeradas (quarta, quinta e sexta) são consideradas obras-primas e são freqüentemente executadas. Existe ainda uma "Sétima Sinfonia" que é uma compilação de temas musicais descartados pelo compositor e reunidos após a sua morte pelo compositor soviético Semyon Bogatyrev e lançada como "Sinfonia Nº 7 em Mi Bemol Maior". 1235

Tchaikovsky também escreveu quatro suítes para orquestra entre a Quarta e a Quinta Sinfonias. Ele pretendia chamar uma ou mais delas de "sinfonias", mas foi convencido a mudar os títulos.

Concertos[editar | editar código-fonte]

  • (1874–1875): Dos seus três concertos para piano, é o No.1 em Si Bemol Menor, Op. 23, que é o mais conhecido e admirado. Ele foi inicialmente rejeitado pelo pianista Nikolai Grigorievitch Rubinstein, como mal-escrito e impossível de ser tocado, e depois estreado por Hans von Bülow (que ficou encantado em tocar uma peça dessa qualidade) em Boston, 1875. Van Cliburn, um norte-americano, conquistou a primeira Competição Internacional Tchaikovsky com esta obra deixando os cidadãos russos atordoados, pois esse prêmio havia sido criado para celebrar a Rússia e os russos.'
  • (1878): Seu Concerto para violino e orquestra (Tchaikovsky) em Ré Maior, Op. 35, foi composto em menos de um mês, entre Abril e Maio de 1878, mas sua primeira execução ocorreu apenas em 1881 porque Leopold Auer, o violinista para quem Tchaikovsky pretendia dedicar a obra, se recusou a tocá-la. Este concerto é considerado um dos melhores já feitos para o instrumento e é muitas vezes executado hoje em dia.
  • (1889): O chamado "Terceiro Concerto para Piano em mi bemol maior", Op. 75, tem uma história curiosa. Ele foi iniciado após a Quinta, e deveria ser a próxima sinfonia, ou seja, a Sexta. No entanto Tchaikovsky abandonou essa obra e concentrou seus esforços naquela que hoje nós conhecemos como a Sexta Sinfonia, um trabalho totalmente diferente (a Patética). Após a morte de Tchaikovsky o compositor Sergei Taneyev trabalhou a sinfonia abandonada, adicionou uma parte em piano, e a lançou como o "Terceiro Concerto para Piano de Tchaikovsky".

Outros trabalhos[editar | editar código-fonte]

Para orquestra[editar | editar código-fonte]

Abertura 1812, completa (com canhões), foi executada em 2005 no Clássicos Espetaculares
  • (1869, rev, 1870, 1880): Abertura-Fantasia Romeu e Julieta Esta peça contém uma das melodias mais famosas do mundo. O tema romântico do meio desta obra foi utilizado milhares de vezes em comerciais e filmes.
  • (1876): Marcha Eslava, Op. 31. Esta é outra peça muito conhecida e normalmente executada em conjunto com a Abertura 1812. Tchaikovsky usa o Hino Nacional Tsarista assim como na Abertura 1812, mas o que a torna peculiar é que o tema é russo, e não eslavo.
  • (1876): Francesca da Rimini, Op. 32
  • (1880): Abertura 1812, Op. 49. Tchaikovsky escreveu esta peça para comemorar a vitória russa sobre Napoleão nas Guerras Napoleônicas. Ela é conhecida pelos temas de música russa tradicional (como o velho Hino Nacional Tsarista) assim como pelo triunfante e bombástico final, com dezesseis tiros de canhão e o coro de sinos.

Para coral, cantos, música de câmara, e piano solo[editar | editar código-fonte]

  • (1871) Quarteto de cordas No. 1 em ré maior, Op. 11
  • (1876) Variações sobre um Tema Rococó, para violoncelo e orquestra, Op. 33.
  • (1876) Suíte para piano "As Estações" Op. 37a
  • (1882) Trio para piano, violino e violoncelo em lá menor, op. 50
  • (1886) Dumka, Cena Rústica Russa em dó menor, para piano
  • (1890) Sexteto para cordas "Souvenir de Florence", Op. 70

Para uma lista completa dos trabalhos de Tchaikovsky (em inglês) veja [1]. Para detalhes das datas das composições visite [2].

Referências

Outras referências[editar | editar código-fonte]

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