Leslie Van Houten

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Leslie Van Houten
Leslie Van Houten em foto de identificação da prisão de Corona, Califórnia, em 1999.
Nome Leslie Louise Van Houten
Nascimento 23 de Agosto de 1949 (64 anos)
Altadena, CA, EUA
Nacionalidade Estados Unidos norte-americana
Crime(s) Assassinato do casal LaBianca
Pena
Morte
comutada para prisão perpétua
Situação Cumpre a pena desde a condenação.

Leslie Louise Van Houten (Altadena, 23 de agosto de 1949) é uma homicida condenada norte-americana, ex-membro da comunidade hippie de assassinos de Charles Manson, conhecida como Família Manson. Cumpre pena de prisão perpétua pela participação no assassinato do casal Rosemary e Leno LaBianca, que entrou para a história criminal dos Estados Unidos como parte do Caso Tate-LaBianca, uma série de assassinatos que tiraram a vida da atriz Sharon Tate e mais seis pessoas, entre elas o casal LaBianca, em agosto de 1969, na cidade de Los Angeles, Califórnia.

Adolescência[editar | editar código-fonte]

Filha de um casal de classe média da Califórnia, que se separou em 1963, Van Houten fez um aborto aos quinze anos de idade, obrigada pela mãe, contra sua vontade. O fato fez com que suas relações com a mãe fossem bastante afetadas, e junto com a separação dos pais, muito sentida por ela, passou a se envolver com drogas como maconha e LSD como válvula de escape na adolescência. Completando o curso secundário em 1967, passou a viver com o pai e começou a estudar para ser secretária legal.

Nas férias de verão de 1968, ela conheceu Catherine Share e Bobby Beausoleil em São Francisco e através deles tomou conhecimento da existência de Charles Manson e sua comunidade. Beausoleil, integrante da Família Manson e mais tarde condenado por assassinato, contou a Van Houlen que Manson ‘era como Jesus Cristo e tinha todas as respostas’. Quando o conheceu, ela se tornou admiradora de Manson e seus hippies, mudando-se para Spahn Ranch, o local comunitário de moradia deles na Califórnia, em setembro de 1968.

Apesar de sua admiração por Manson, o líder da seita hippie nunca teve algum interesse especial por ela, considerando-a apenas a namorada de Beausoleil, com quem ela chegou ao rancho, o que a fez sentir uma forte necessidade de fazer algo que o impressionasse e à ‘Família’. Vivendo numa comunidade de jovens homens e mulheres onde o amor livre e as drogas alucinógeras eram comuns, Van Houlen tornou-se rapidamente suscetível à peroração de Manson sobre ‘Helter Skelter’, expressão usada por ele para designar uma eventual guerra apocalíptica a acontecer entre brancos e negros, da qual ele surgiria como líder da sociedade remanescente.[1] :311-2

Assassinatos[editar | editar código-fonte]

Na madrugada de 9 de agosto de 1969, quatro integrantes do grupo de Manson, Charles “Tex” Watson, Susan Atkins, Linda Kasabian e Patricia Krenwinkel sob suas ordens invadiram a mansão de Cielo Drive 10050 em Bel Air, área luxuosa de Los Angeles e assassinaram cinco pessoas encontradas na casa: Steven Parent, um rapaz de 18 anos que ali se encontrava em visita ao caseiro da mansão, Jay Sebring, famoso cabeleireiro das celebridades de Hollywood da época, Abigail Folger, socialite herdeira de uma empresa de café, seu namorado, o polonês Wojciech Frykowski e a dona da casa, a atriz Sharon Tate, que ali morava com seu marido, o cineasta Roman Polanski, naquele dia em viagem à Europa para tratar da produção de um novo filme.

Na noite seguinte, insatisfeito com o resultado do crime que ganhava os jornais, rádios e televisões naquele dia, Manson pessoalmente liderou o mesmo grupo de assassinos, agora agregado de mais um de seus discípulos, Steve Grogan, e de Leslie Van Houten, a uma casa no bairro de Los Feliz, escolhida aleatoriamente por Manson, para que cometessem outro assassinato.

A casa pertencia aos pequenos empresários Leno e Rosemary LaBianca, donos de uma empresa de comércio de alimentos, que foram surpreendidos prontos para dormir pelo grupo de psicopatas. Subjugados, amarrados e amordaçados, os dois foram assassinados a facadas por Tex Watson, Patrícia Krenwinkel e por Van Houten, que desferiu dezesseis facadas em Rosemary Labianca, algumas delas depois dela morta.

Julgamento e prisão perpétua[editar | editar código-fonte]

Leslie Van Houten era a mais jovem de todos os envolvidos nos crimes Tate-LaBianca – tinha apenas 19 anos - e a que menos tempo tinha estado sob a influência de Charles Manson. Durante seu julgamento junto com os outros acusados, se esperava que ela recebesse uma pena mais leve que os demais. Entretanto, seu comportamento, assim como o de Manson, Atkins e Krenwinkel durante as audiências, em que agiu de forma inconveniente, debochada, sem cooperação e desrespeitosa principalmente durante as discussões dos fatos ocorridos durante os momentos dos assassinatos de Sharon Tate – morta por Susan Atkins - e dos LaBianca, lhe angariaram grande antipatia por parte do júri.

Em 19 de abril de 1971 foi condenada à morte junto com os outros acusados[1] :458–459 e transferida para o corredor da morte da penitenciária feminina California Institution for Women, em Corona, no aguardo da execução. Entretanto, uma decisão da justiça da Califórnia em princípio de 1972, abolindo a pena de morte no estado, transformou sua pena em prisão perpétua, que cumpre até hoje.[1] :488–491

Van Houten pediu e conseguiu um segundo julgamento em 1977, sob o argumento de que não havia sido defendida a contento em 1971 já que, na época, durante as audiências, seu advogado, Ronald Hughes, desapareceu e foi encontrado morto meses depois, numa morte nunca elucidada..[2] Um julgamento posterior terminou num júri empatado, sem conclusão.

No início dos anos 80, simpatizantes da causa de Van Houlen conseguiram levantar 900 assinaturas numa petição pública pedindo pela liberdade condicional da assassina. A mãe de Sharon Tate, indignada de que ela pudesse ser libertada, retrucou com uma campanha por toda a California e levantou 350 mil assinaturas contra sua libertação.[3] Durante a audiência, foi mantida sua prisão por roubo, conspiração, formação de quadrilha e assassinato em primeiro grau.

Liberdade condicional[editar | editar código-fonte]

Em 2012, Van Houten completou 43 anos de prisão. Neste tempo, foram rejeitados 19 pedidos seus de liberdade condicional, (todos os assassinos do Caso Tate-LaBianca tem seus pedidos de liberdade condicional negados através dos anos), o último deles em 6 de julho de 2010, [4] o que suscitou controvérsias dentro do próprio sistema legal norte-americano. Após ter mais um pedido negado em 2000, ela fez um apelo através de seus advogados à Corte Superior de Justiça da Califórnia, que recebeu acolhida do juiz Bob Krug.[5] O juiz determinou ao conselho de avaliação do estado que fosse feita uma nova audiência, enfatizando que o aprisionamento continuado de Van Houten suscitava sérias objeções legais e afirmou que

ela provou ser uma prisioneira modelo nos trinta anos em que está presa desde os brutais assassinatos, completando todos os programas de recuperação existentes no sistema carcerário e ajudando outros internos a cumprirem estes programas. Graduou-se em dois cursos universitários ministrados aos internos e manteve uma disciplina completa na prisão. Ela está cumprindo uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, o que é ilegal perante a lei, já que foi condenada em 1977 a esta pena, mas com direito à liberdade condicional, caso viesse a preencher os requisitos para isso. O comitê de avaliação falhou ao não levar em consideração todos estes fatos como garantia para o benefício

.

Bob Krug também chamou a atenção para o fato de que no julgamento de 1977, ela foi condenada à prisão perpétua com direito a liberdade condicional, estando apta a isso desde 1978.

O pronunciamento do juiz e a possibilidade da liberdade condicional de um dos integrantes da Família Manson obtiveram grande destaque na imprensa norte-americana e levou à indignação os familiares dos assassinados. Debra Tate, irmã de Sharon Tate, chegou a fazer diversas manifestações públicas pelo país, na televisão e na Internet. O caso, entretanto não lhe surtiu efeito nenhum prático, pois continuou presa e teve novamente o benefício negado em 2004.[6] Leslie Van Houten continua encarcerada na prisão de Corona, junto com Patrícia Krenwinkel.[7]

Referências

  1. a b c Bugliosi, Vincent with Gentry, Curt. Helter Skelter — The True Story of the Manson Murders 25th Anniversary Edition, W.W. Norton & Company, 1994. ISBN 0-393-08700-X.
  2. "The Missing Manson Lawyer", Time, 20-12-1970. Página visitada em 17 de agosto de 2007.
  3. King, Greg, Barricade Books, Tate and the Manson Murders, 2000. ISBN ISBN 1-56980-157-6
  4. "Manson Follower Leslie Van Houten Denied Parole for 19th Time", Fox News, 6 de julho de 2010.
  5. Deutsch, Linda. "Hearing held for Manson follower", Associated Press.
  6. Staff writer. "High Court Spurns Leslie Van Houten’s Bid for Release", Metropolitan News-Enterprise.
  7. Wares, Donna. Convicts: State's most infamous women live here. Orange County Register, setembro 1989.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]


Família Manson Charles Manson
Charles Manson | Susan Atkins | Charles "Tex" Watson | Patricia Krenwinkel | Leslie Van Houten | Linda Kasabian | Bobby Beausoleil | Lynette 'Squeaky' Fromme | Sandra Good | Catherine 'Gipsy' Share | Steve Grogan | Mary Brunner| Bruce Davis