Charles Manson

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Charles Manson
Charles Manson ao ser preso, em 1969
Nome Charles Milles Manson
Nascimento 12 de novembro de 1934 (79 anos)
Cincinnati, Estados Unidos
Nacionalidade Estados Unidos norte-americano
Crime(s) Assassinatos Tate-LaBianca
Pena
Morte
comutada para prisão perpétua
Situação Preso

Charles Milles Manson (Cincinnati, 12 de novembro de 1934) é o fundador, mentor intelectual e líder de um grupo que cometeu vários assassinatos nos Estados Unidos no fim dos anos 1960, entre eles o da atriz Sharon Tate, esposa do diretor de cinema Roman Polanski. Condenado à morte em 1971, com a pena posteriormente transformada em prisão perpétua, cumpre pena até hoje na Penitenciária Estadual de Corcoran, na Califórnia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de uma prostituta alcoólatra, Kathleen Maddox,[1] que o teve aos 16 anos no Hospital Geral de Cincinnati, ainda criança Manson passou a frequentar reformatórios juvenis pelos quatro cantos dos Estados Unidos. Em 1967, saiu da prisão aos 33 anos de idade, tendo permanecido preso por longos períodos desde os 9 anos. Em 1968, ele formou uma comunidade alternativa em Spahn Ranch, perto de Los Angeles. Manson tinha ideias grandiosas e um grupo de amigos e admiradores, conhecidos como Família Manson. Esses eram jovens, homens e mulheres de famílias ricas, que não tinham bom relacionamento com seus familiares e que por isso passaram a morar nas ruas da Califórnia. Alguns dos admiradores de Manson o consideravam uma reencarnação de Jesus Cristo - uma analogia a ele abrir a vida dos jovens para "novos horizontes". O próprio Manson, porém, sempre negou tal comparação.[2]

Charles Milles Manson nasceu em Cincinnati, em 12 de novembro de 1934 e já tinha problemas desde antes de nascer. Foi gerado na barriga de uma prostituta de apenas 16 anos. Nunca conheceu o pai. Herdou o sobrenome Manson de um breve casamento de sua mãe depois que nasceu. Quando a mãe não estava presa, estava sob efeito de drogas ou fazendo programas. Charles passava a maior parte do tempo com a avó. Quando sua mãe foi presa mais uma vez, foi morar com seus tios. Esse tio era barra-pesada. Espancava-o e abusava-o. Quando a mãe saiu da cadeia, tudo continuou igual, ou melhor, pior. Manson conta que certa vez, ela chegou a vendê-lo num bar em troca de uma dose. Então, o pequeno Charles começou a roubar. Foi mandado para um reformatório, mas ao sair continuou com os delitos.

Por volta dos 12, procurou a mãe, que o rejeitou mais uma vez. Outras vezes preso, foi parar em outras instituições. Muitas vezes fugia. Chegou a passar por avaliações psiquiátricas - numa destas, postulou-se que por trás de suas mentiras e frieza estava um garoto extremamente sensível, mas que não havia recebido amor suficiente. Avaliou-se o seu QI, e era acima da média. Perto de receber a condicional, Manson sodomizou um garoto, com uma faca contra o pescoço do rapaz. Tinha já 17 anos. Foi então mandado para uma instituição mais segura. Abusou de outros homens. Mas, já em outra prisão, aparentemente mudou de comportamento, subitamente: dedicou-se mais a aprender (finalmente foi alfabetizado) e estava mais colaborativo. Aos 19 pôde sair.

No ano seguinte, casou e tiveram um menino - Charles Manson Jr. Trabalhava em serviços de baixa especialização, pelos quais recebia pouco. Então, para completar sua renda, roubava carros. Foi parar novamente na prisão. Nisso, a esposa o largou. Três anos depois, ele saiu. Virou "cafetão". E, ainda era ladrão. Ano seguinte, foi pego novamente, mas escapou com a ajuda de uma mulher que mentiu estar grávida dele. Mas após dar um golpe financeiro em uma mulher e drogar e estuprar a colega de quarto dela, foi preso. Estava com 26 anos e deveria passar muitos anos encarcerado. Nesta época, descreve-se que Charles tinha grande necessidade de chamar a atenção para si mesmo. Era manipulador. Falava de filosofias pouco conhecidas na época, como o budismo e a cientologia. Outra obsessão eram os Beatles. Tinha um violão, e acreditava que tendo oportunidade, seria maior que eles. Passava boa parte do tempo escrevendo músicas.

Aos 32, podendo finalmente ser libertado, quis recusar. Tinha passado mais da metade da sua vida em instituições e disse que não saberia viver lá fora. Estávamos em 1966. Charles saiu, teve contato com hippies e começou a arregimentar seguidores. Muitos eram meninas bem jovens e perturbadas emocionalmente. Além disso, usava de drogas como o LSD para influenciá-las. O guru Charles Manson pregava o abandono das prisões mentais engendradas pelo capitalismo. Consta-se que a "Família" acabou por se aproximar das "ciências ocultas", como a "Ordem Circe do Cachorro Sanguinário".

O grupo acabou conhecendo Dennis Wilson, do grupo Beach Boys. Tentaram explorá-lo, mas ele depois se livrou de Manson. Em 68, foram parar no rancho. Eles sobreviviam não só de roubar, mas também de procurar comida em restos. Charles ainda tentava gravar um filme ou um disco. Um produtor, Melcher, recusou o que, na cabeça dele seria um fato consumado: gravar e lançar o artista Charles. Charles dizia acreditar que iria acontecer uma grande guerra racial, onde os negros venceriam, mas encontrar-se-iam perdidos, porque eram inatamente incapazes de dominar. Nesse ano, os Beatles lançaram The Beatles, que ficou conhecido como “Álbum Branco”. O disco trazia canções como Revolution e Helter Skelter. Era o "sinal" para Manson e sua "família". A guerra deveria começar com crimes que deixassem os brancos realmente enfurecidos contra os negros. Charles e sua “família” escapariam escondendo-se no deserto. Charles havia entendido, por um livro religioso, que havia, no deserto, uma entrada para uma cidade de ouro. Após o fim da guerra, a Família Manson retornaria e assumiria o comando da situação. Charles era o “quinto anjo”. Os outros quatro? John, Paul, George e Ringo: os Beatles... Como os negros não iniciaram a guerra na data que Charles achou que começariam, ele percebeu que teria que ensinar a eles o que fazer.

O crime[editar | editar código-fonte]

Em 9 de agosto de 1969, um pequeno grupo de seguidores de Charles Manson invadiu uma casa alugada por Roman Polanski em Cielo Drive, 10050, Bel Air, assassinando sua esposa Sharon Tate — que estava grávida — e mais quatro amigos do casal. Segundo a polícia de Los Angeles, na cena do crime grandes quantidades de drogas haviam sido encontradas. As vítimas foram baleadas, esfaqueadas e espancadas até a morte, e o sangue delas foi usado para escrever mensagens nas paredes. Em uma delas foi escrito Pigs ("porcos", em inglês). Na noite seguinte, o mesmo grupo invadiu a casa de Rosemary e Leno LaBianca, matando o casal. As mensagens escritas na parede da casa com o sangue das vítimas foram "Helter Skelter", "Death to pigs" e "Rise". Os assassinatos de Sharon Tate, seus amigos e do casal LaBianca por membros da "Família Manson" ficaram conhecidos como Caso Tate-LaBianca.

Charles Manson em 2011, aos 76 anos, na Prisão Estadual de Corcoran.

Segundo o promotor do caso, Vincent Bugliosi, os assassinatos tinham sido planejados por Charles Manson, apesar de ele não estar presente em nenhum dos dois casos. Bugliosi elaborou uma teoria chamada "Helter Skelter", onde o objetivo dos assassinatos seria começar uma guerra que, segundo ele, seria a maior já travada na Terra, denominada de "Helter Skelter". O nome corresponde ao título de uma música dos Beatles onde, segundo o promotor, havia uma enorme quantidade de mensagens subliminares que influenciaram as ideias de Manson. Seria uma guerra entre negros e brancos, em que os brancos seriam exterminados pelos negros. Nessa teoria, o assassinato dos famosos de Hollywood levariam a uma breve acusação de algum negro, fazendo com que os confrontos explodissem logo. Bugliosi afirmou que durante essa guerra, como Manson e sua "Família" eram todos brancos, planejavam esconder-se em um poço, supostamente denominado por Manson como "poço sem fundo", em algum lugar no deserto californiano, assim que a suposta guerra começasse. Após os conflitos, Manson e sua "Família" voltariam do deserto.

Linda Kasabian, uma das integrantes da comunidade e testemunha ocular de todos os assassinatos, duas semanas depois dos crimes resolveu fugir e denunciar Manson e os outros integrantes à polícia. Ela decidiu depor contra Manson em seu julgamento em troca de imunidade oferecida pelo promotor, Vincent Bugliosi. Ela disse não concordar com os assassinatos, apesar de ter presenciado todos nas duas noites em que os crimes foram cometidos. Após semanas de conversas a portas fechadas, em um acordo com o governo da Califórnia, Kasabian recebeu imunidade no caso, um novo nome para ela e sua filha, e uma pensão do governo por tempo indeterminado. Após a condenação de Charles Manson, Kasabian desapareceu. Ela ressurgiu anos depois, em meados de 1970, presa por tráfico de drogas.[carece de fontes?]

A condenação[editar | editar código-fonte]

Charles Manson, então com 37 anos, foi acusado de seis assassinatos e levado à Justiça, juntamente com 'Tex' Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten, de 19 anos. Manson alegou não ter participação em nenhum deles. Ele conseguiu provar isso, mas Bugliosi convenceu o júri popular que Manson poderia ter influenciado os jovens a matar. Após o julgamento, Manson declarou o seu ódio profundo pela Humanidade, chamando os membros de sua "Família" de rejeitados pela sociedade. A promotoria se referiu a ele como "o homem mais maligno e satânico que já caminhou na face da Terra",[2] e o quinteto foi sentenciado à morte em 1971. Mas, com a mudança nas leis penais do estado em 1972, a pena deles foi alterada para prisão perpétua.

Atualmente[editar | editar código-fonte]

Manson tem direito de, a cada cinco anos, ser ouvido quanto à possibilidade de liberdade condicional. Manson nem sempre comparece às audiências, e quando é presente, costuma ofender os oficiais da audiência e fazer piadas sobre a formalidade do processo. Ele permanece encarcerado na Penitenciária Estadual de Corcoran, na Califórnia, em unidade especial de isolamento da penitenciária, onde também se encontra cumprindo prisão perpétua o assassino do senador Robert Kennedy, Sirhan Sirhan. Em sua última audiência, dia 11 de abril de 2012, Manson não esteve presente. Nela, as autoridades concluíram que o criminoso era ainda muito perigoso para obter a liberdade condicional e deram um novo prazo para a revisão de seu caso. A próxima revisão acontecerá em 2017, quando Manson terá 82 anos.

Na prisão de Corcoran, ele vive de maneira quase solitária, tendo contato com um máximo de 15 presos, assassinos ligados à casos de impacto na opinião pública e sequestradores. Uma da suas únicas visitas constantes é "Star", uma jovem do Mississipi assim batizada por ele – que no passado também batizou suas seguidoras Sandra Good como "Blue", Lynette Fromme como "Squeaky" e Susan Atkins como "Sexy Sadie" – e que tornou-se sua fã depois de ler alguns escritos de Manson sobre proteção ao meio-ambiente. A cada trimestre, Manson tem direito a uma cesta de "presentes", comidas especiais e guloseimas, sempre levadas por "Star", que mantém um site na Internet em seu apoio. Em 2011, foi flagrado pela guarda com "arma fabricada por presidiário' – no caso, uma haste de óculos afiada – e colocado em solitária por um ano.[3]

Referências

  1. Charles Manson Accuracy Project. Página visitada em 10/01/2014.
  2. a b "O homem mais perigoso do mundo", David Felton e David Dalton, Rolling Stone número 19 de abril de 2008, Spring Publicações, pág. 93
  3. Exclusivo: as confissões finais de Charles Manson, o mais infame psicopata vivo Rolling Stone. Página visitada em 08/01/2014.

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