Linhas de Torres Vedras

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As Linhas de Torres Vedras.

As Linhas de Torres Vedras, ou simplesmente Linhas de Torres, são o conjunto de fortificações e outros trabalhos defensivos situados na península de Lisboa. No contexto da Guerra Peninsular foram concebidas com a finalidade de impedir um exército invasor de atingir a capital do Reino de Portugal ou, em caso de derrota, permitir o embarque, em segurança, do Exército Britânico em retirada. A ordem para a sua construção foi dada em Outubro de 1809 por Arthur Wellesley, então comandante do exército anglo-luso. Na Terceira Invasão Francesa, as Linhas de Torres Vedras impediram o exército de André Masséna de atingir Lisboa e acabaram por provocar a sua retirada de Portugal.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A Segunda Invasão Francesa terminou com a retirada do II CE[1] do marechal Nicolas Jean de Dieu Soult para a Galiza. Wellesley tinha agora de se preocupar com o I CE do Marechal Victor, que se encontrava na Estremadura Espanhola e deu então início à Campanha de Talavera. A ameaça sobre as linhas de comunicações com Lisboa e a falta de apoio logístico por parte das autoridades espanholas obrigaram Wellesley a retirar para Portugal apesar da vitória obtida na Batalha de Talavera.

Frustrados os planos para a conquista de Portugal em 1809, Napoleão Bonaparte nomeou o marechal Massena comandante do novo “Exército de Portugal”, constituído por três corpos de exército, cerca de 65.000 homens.

Wellesley, já visconde Wellington, manteve o seu exército afastado da luta contra os franceses após a Campanha de Talavera, situação provocada pela falta de colaboração por parte das autoridades e dos generais espanhóis durante aquela campanha. A defesa da Andaluzia ficava entregue unicamente aos exércitos espanhóis. Por outro lado, Wellesley compreendia a situação de uma forma diferente das autoridades espanholas e as suas intenções tinham em conta os seguintes factores[2] :

  • Para a defesa da Península Ibérica, considerava Portugal mais importante do que a defesa da Andaluzia e privilegiava especialmente o porto de Lisboa que proporcionava, nesta fase da guerra, as comunicações entre o seu exército e o Reino Unido;
  • Considerava que tinha melhores condições de defesa em Portugal e, nesse sentido, tinha já começado a construção das Linhas de Torres Vedras;
  • Considerava que tinha a obrigação de privilegiar a defesa de Portugal porque, ao contrário de Espanha, aquele reino colocou-se inteiramente nas mãos dos aliados e colocou todos os recursos, inclusive o exército, à sua disposição. Ao contrário do exército espanhol, o exército português tinha com ele uma relação de subordinação (Wellesley tinha recebido em Portugal, por decreto de 29 de abril de 1809, a patente de Marechal General “dos Exércitos Portugueses para dirigir as suas Operações quando combinados com o de Sua Majestade”[3] ).

Por estas razões, Wellesley retirou as suas unidades para Portugal, onde se preparou para enfrentar mais uma invasão das tropas francesas.

A estratégia de Wellington[editar | editar código-fonte]

Sir Arthur Wellesley, duque de Welington, pelo pintor britânico Thomas Phillips.
"O grande objectivo em Portugal é o domínio de Lisboa e do Tejo, e todas as medidas devem ser dirigidas para esse objectivo. Existe um outro, também relacionado com aquele primeiro objectivo, para o qual deveremos, igualmente, prestar atenção, a saber: o embarque das tropas britânicas, em caso de revés". Este texto é parte do documento em que Wellington ordenava a construção das Linhas de Torres Vedras[4] .

Os efectivos (das tropas regulares) dos exércitos francês e anglo-luso eram semelhantes, com alguma vantagem para os franceses, mas Wellington tinha de considerar a possibilidade de outras forças francesas, vindas da Estremadura espanhola, invadirem o território português por um eixo diferente do utilizado pelo principal exército invasor. Esta possibilidade iria obrigá-lo a dividir as suas forças e, por isso, apresentar-se-ia numa situação de inferioridade numérica perante o exército de Massena. Assim, seria difícil enfrentar o exército invasor numa batalha em campo aberto, em que as condições de terreno não favorecem significativamente nenhuma das partes. Quando se dá a Batalha do Buçaco, Wellington ocupa uma posição defensiva de primeira qualidade. É desta forma, tirando partido da morfologia do terreno, que deverá enfrentar o invasor.

Os exércitos têm de ser abastecidos dos meios necessários para a luta mas também de géneros alimentares para a sobrevivência das tropas. Na falta destes, o moral das tropas baixa, os combatentes enfraquecem e as doenças surgem com mais facilidade provocando, em situações prolongadas, um número de baixas muito elevado. O exército de Wellesley recebia por mar uma grande parte do que consumia. O porto de Lisboa tinha um papel muito importante neste processo de manter o exército apto para o combate. O exército francês, embora organizasse depósitos de géneros nos itinerários em que tal era possível, adquiria os seus géneros alimentares nos territórios em que se encontrava. Por esta razão, Wellington forçou a utilização de uma “política de terra queimada”. À medida que as tropas anglo-lusas retiravam iam abandonando às forças invasoras um território em que os recursos necessários à sua manutenção tinham sido retirados ou destruídos.

Wellington esperava, com estas medidas, forçar o exército invasor a abandonar Portugal. Mas tinha também de prever a possibilidade de não conseguir conter o avanço francês e, neste caso, colocava-se o problema de preservar o exército britânico. Era necessário criar condições defensivas que permitissem, na pior das hipóteses, retardar o avanço inimigo e proteger o embarque das forças britânicas. O local desse embarque deveria ser Lisboa.

Podem resumir-se as linhas de acção de Wellington durante a Terceira Invasão Francesa, da seguinte forma[5] :

  • Não aceitar batalha em campo aberto, com o risco de ser derrotado e o seu exército destruído;
  • Tirar o máximo partido da morfologia do terreno para impedir o inimigo de avançar até Lisboa;
  • Retirar ao inimigo a possibilidade de se alimentar no território em que se encontra por períodos prolongados;
  • Manter o porto de Lisboa como porta de entrada dos abastecimentos necessários à sobrevivência das sua tropas e até da população;
  • Criar condições para retirar por mar e assim preservar o seu exército, no caso de as medidas anteriores não serem suficientes para deter o inimigo.

Com estes objectivos foram construídas as Linhas de Torres Vedras. O exército francês não deveria conseguir ultrapassar este sistema defensivo, atrás do qual se encontrava o exército anglo-luso e parte importante da população do território entre os rios Mondego e Tejo. Detido frente a este obstáculo teria, ao fim de pouco tempo, a maior dificuldade em alimentar-se. Se recebesse reforços, essa dificuldade ainda seria mais acentuada. Não restaria outra alternativa aos franceses que retirarem para poderem sobreviver. Foi isso que sucedeu.

A construção das Linhas de Torres Vedras[editar | editar código-fonte]

Tenente-Coronel Sir Richard Fletcher.

O oficial do exército de Wellington responsável pelos trabalhos de engenharia era o Coronel Richard Fletcher. No dia 20 de Outubro de 1809, Wellington entregou-lhe um memorando em que especificava a estrutura das Linhas de Torres Vedras.

O estudo do terreno em volta de Lisboa, com a finalidade de organizar posições defensivas que protegessem a capital do Reino e seus arredores, remonta, pelo menos, ao início do século XVII. Num trabalho publicado em 1608 considerava-se necessário implementar o sistema de defesa afastada de Lisboa interceptando as estradas que passavam em Cabeço de Montachique e em Mafra. Em 1807, Jean-Andoche Junot encarregou o coronel de engenharia Vincent de estudar a defesa de Lisboa e, na execução dessa tarefa, esteve presente o major de engenharia José Maria das Neves Costa, do Exército Português. Após a expulsão das tropas francesas foram feitas diligências pelas autoridades portuguesas no sentido de fazer o levantamento topográfico que servisse de base aos trabalhos da defesa de Lisboa. Nesta comissão estava novamente o major Neves e Costa[6] . Estes trabalhos, ainda muito incompletos, foram consultados por Wellington[7] .

Após a Batalha de Talavera, Wellington examinou com o coronel Fletcher os documentos que já existiam sobre a defesa de Lisboa e percorreu as principais posições que eram indicadas para a sua defesa. Após este reconhecimento escolheu a linha principal de defesa, como sendo a que passa por Vialonga (do lado do Tejo), Serra de Serves, Cabeço de Montachique, Mafra e foz do rio Safarujo (do lado do oceano Atlântico). Ficava assim definida uma linha de defesa com cerca de 40 quilómetros. Além desta linha foram organizadas posições à volta da Fortaleza de São Julião da Barra, com o objectivo de, guarnecidas por tropas portuguesas, protegerem o embarque das tropas britânicas no caso de não conseguirem deter as tropas francesas. Esta linha tinha cerca de 2.700 metros de comprimento[8] .

Além destas duas linhas defensivas, foram construídas obras avançadas que possibilitavam o controlo das principais vias de comunicação que conduziam a Lisboa: as posições de Castanheira, as de Monte Agraço e as de Torres Vedras. Estas obras apoiavam a entrada do exército de Wellington na linha de defesa que passava em Mafra e Montachique. O memorando de 20 de Outubro previa ainda a colocação de efectivos elevados naquelas posições (4.000 homens em Monte Agraço, 5.000 em Torres Vedras) assim como a colocação de forças em apoio da retirada destas tropas [9] . Aquele memorando continha também referências à distribuição das forças, das linhas de retirada, prioridades de construção, criação de obstáculos, pontos de sinalização (para as comunicações), e outras. Wellington marcou um certo número de posições, deixando ao critério de Fletcher a escolha das demais[10] .

Como o exército francês demorou mais tempo que o previsto a iniciar e executar a invasão, Welligton mandou construir mais obras entre as que se destinavam a formar apenas os postos avançados, de forma que acabou por se constituir uma nova linha de defesa. Assim, a primeira linha de defesa tinha início em Alhandra, passava por Monte Agraço, Torres Vedras e terminava na foz do rio Sizandro. A segunda linha, que inicialmente tinha sido pensada como linha principal, era a que nascia em Vialonga e se estendia, passando por Montachique e Mafra, até à foz do rio Safarujo. Manteve-se a linha à volta do Forte de São Julião e considera-se também como fazendo parte deste dispositivo, um conjunto de obras ao sul do Tejo, redutos e linhas de defesa contínuas, com cerca de 1.300 metros de comprimento, destinadas a evitar que forças inimigas que conseguissem posicionar bocas de fogo de artilharia na margem sul pudessem prejudicar o embarque das forças britânicas.

Em primeiro lugar, iniciaram-se as obras que deviam proteger o embarque das tropas britânicas. A seguir, tiveram início as obras de Torres Vedras e as de Monte Agraço. Outras, como a de Castanheira, só foram iniciadas em Janeiro de 1810. À medida que se iam construindo, as obras eram numeradas, o que nos permite conhecer a sequência da sua construção. Milhares de trabalhadores portugueses, de milícias e ordenanças, esforçaram-se para completarem estas obras. Este trabalho foi pago: os camponeses chegaram a receber, na altura de maior trabalho, 10 vinténs por dia e as milícias recebiam um terço deste valor[11] .

Este sistema defensivo tem sido descrito como um dos mais baratos investimentos e um dos segredos mais bem guardados na História Militar[12] . As construções eram conhecidas não apenas pelos militares que se encontravam por perto como por todos os que colaboraram na sua construção. O que quase ninguém tinha era a noção da dimensão do conjunto. O tenente Rice Jones, um dos engenheiros de Fletcher, numa carta dirigida ao pai, fala das obras a Norte de Lisboa mas a leitura da carta demonstra que ele não tinha ideia da extensão que as linhas viriam a ter[13] .

Descrição das Linhas de Torres Vedras[editar | editar código-fonte]

A norte do Tejo foram, portanto, organizadas três linhas defensivas. Não se tratava de uma barreira contínua como a Muralha de Adriano ou a Grande Muralha da China. Era, antes, um misto de obras defensivas e de formações naturais do terreno. Ao todo eram 153 fortificações que, estando completamente guarnecidas, implicavam a utilização de 39.475 homens e 628 bocas de fogo de artilharia. Este conjunto de três linhas estava dividido em 8 distritos, cada um com o seu comando militar[14] :

  • A Primeira Linha era guarnecida por 18.683 homens e 319 bocas de fogo. Estava dividida em quatro distritos:
Distrito Guarnição
Homens Bocas de fogo de Artilharia
Distrito nº 1 - desde a posição (1)[15] na linha assente sobre o Tejo, que atravessa a planície de Alhandra, até ao Moinho do Céu (11), por cima da estrada da Arruda. 6.280 96
Distrito nº 2 - desde o forte do Passo (12), na escarpa rochosa por cima da estrada da Arruda, até ao forte avançado, à direita da estrada que segue para o Sobral (152). 3.090 55
Distrito nº 3 - desde o reduto para artilharia de campanha (151) na Patameira até ao reduto sul (29), perto de Enxara do Bispo. 1.900 24
Distrito nº 4 - desde o Forte Novo da Ordasqueira (149), por cima de Matacães, para defender a estrada de Runa, até à posição (113) na foz do Sizandro. 7.413 144
  • A Segunda Linha era guarnecida por 15.442 homens e 215 bocas de fogo. Estava dividida em três Distritos:
Distrito Guarnição
Homens Bocas de fogo de Artilharia
Distrito nº 5 - desde o reduto do Salgado (33), na margem do Tejo, à direita da posição de Vialonga, até ao reduto (19) na Serra da Ajuda. 3.502 72
Distrito nº 6 - desde a plataforma para artilharia, à direita (49), no desfiladeiro do Freixial, até ao reduto (73), na estrada de Mafra, Casal do Conto.[16] 5.640 73
Distrito nº 7 - desde Casal da Pedra (74), no desfiladeiro de Mafra, até ao reduto de S. Julião (97), junto à costa atlântica, a sul da Ericeira. 6.300 70
  • A Terceira Linha constituía um único distrito, o Distrito de Oeiras, e era guarnecida da seguinte forma:
Distrito Guarnição
Homens Bocas de fogo de Artilharia
Distrito nº 8 - desde a fortificação principal conhecida como "Alto Algueirão" (98), onde se encontra o actual quartel-general da NATO, até à posição (110), na linha que se estende para a direita do Forte das Maias. 5.350 94

As duas primeiras linhas estavam, assim, concebidas para barrar os quatro eixos definidos pelas quatro estradas que as atravessavam e por onde poderiam avançar as tropas francesas: Torres Vedras-Mafra, Torres Vedras-Montachique, Sobral-Bucelas e a estrada ao longo da margem do Tejo, passando por Alhandra. Fora destes itinerários, tornava-se impossível, em muitas extensões de terreno, a passagem da artilharia e de carros de apoio, ou mesmo da cavalaria[17] .

Mapa com representação das Linhas de Torres Vedras (Primeira e Segunda Linhas) e das posições ocupadas pelo exército de Wellington[18]

Os trabalhos foram cuidadosamente localizados, de forma a tirar vantagem do terreno rochoso, muito irregular e, por vezes, constituindo só por si um obstáculo. Os redutos variavam em tamanho e forma, de acordo com a importância que era dada à sua utilização e à morfologia do terreno em que se situavam. Esta grande adequação ao terreno mostra uma extraordinária adaptabilidade por parte dos engenheiros britânicos[19] .

As estradas que conduziam às linhas e as que estavam traçadas paralelamente a estas, foram destruídas, assim como as pontes que nelas se situavam. Todos os vales e passagens foram bloqueados com represas, abatises ou até muros de pedra. Em algumas colinas, a aproximação já íngreme foi transformada, tornando-se quase vertical, pela remoção de muitas centenas de toneladas de terra. Muitas colinas ficaram com o seu perfil alterado.

Para facilitar os movimentos das tropas e as comunicações laterais foram construídas estradas em algumas contra-encostas, protegidas da vista do inimigo. Estas estradas permitiam o rápido movimento de forças e dos abastecimentos entre qualquer ponto das linhas, do Tejo ao Atlântico. A transmissão de mensagens estava também assegurada por um conjunto de estações semafóricas que permitia enviar informação, entre qualquer ponto das linhas e o quartel general de Wellington, num curto espaço de tempo[20] .

A utilização das Linhas de Torres Vedras[editar | editar código-fonte]

O exército anglo-luso entrou nas linhas entre 9 e 11 de outubro de 1810. No dia 11 todas as tropas encontravam-se ao abrigo deste sistema defensivo. As tropas de milícias e também de ordenanças guarneceram as diferentes obras de defesa e aí receberam treino de manobras defensivas. Nos quartéis-generais, onde se encontrava o comando de cada Distrito, foram estabelecidos depósitos de abastecimento. Aí foram também colocados dois oficiais de engenharia com a finalidade de explicar a natureza e o objecto das diversas posições preparadas para que, assim, as tropas as ocupassem e utilizassem da forma mais conveniente. Foi também montado um sistema de guias a cavalo para dirigirem as colunas de tropas que iam entrando nas linhas para as áreas que lhes estavam destinadas[21] .

As tropas do exército anglo-luso foram utilizadas como uma força móvel e não como guarnição as posições defensivas. Desta forma, estariam sempre disponíveis para se movimentarem para qualquer ponto das linhas onde a ameaça francesa viesse a colocar em perigo a integridade da defesa. Tendo em consideração os eixos segundo os quais um eventual ataque por parte dos franceses seria mais provável e mais perigoso, Wellington dispôs o seu exército, com excepção da 3ª Divisão (Picton), em dois blocos: um em frente ao Sobral, entre Monte Agraço e Runa; o outro, na região de Alhandra[22] . O quartel-general de Wellington ficou colocado na Quinta do Barão de Manique e o de Beresford no Casal Cochim, em Pêro Negro. As unidades do seu exército foram distribuídas da seguinte forma:

  • a 3ª Divisão (Picton) foi colocada na região de Torres Vedras;
  • as 1ª, 4ª e 5ª Divisões (Spencer, Cole e Leith), a Divisão Ligeira (Craufurd) e uma Brigada Independente portuguesa (Pack) ficaram na região em redor do Sobral, entre a Cadriceira e a Arruda;
  • a 2ª Divisão (Hill), a Divisão Portuguesa (Hamilton) e uma Brigada Independente portuguesa (Lecor) ficaram na região de Alhandra;
  • o grosso da cavalaria de Welligton encontrava-se em Vialonga;
  • uma Brigada de Infantaria britânica (Anson) e um destacamento de cavalaria encontravam-se em Mafra;
  • as tropas espanholas de La Romana (cerca de 8.000 homens) foram colocadas na região a sul da Enxara do Bispo.

Estas tropas, as que ocupavam as obras defensivas, a população de Lisboa e arredores e toda uma multidão que tinha sido transferida da região a sul do Mondego, viviam agora neste espaço da península de Lisboa. Não era possível, num espaço tão pequeno, obter alimentação para tanta gente e os abastecimentos que chegavam a Lisboa, por mar, iam essencialmente para as tropas. Estima-se que 2% da população portuguesa (de 40.000 a 50.000 pessoas) tenha perdido a vida devido à fome e às doenças[23] . Esta situação prolongou-se até Fevereiro de 1811, quando os Franceses começaram a retirar.

As fortificações a sul do Tejo[editar | editar código-fonte]

Na margem esquerda do Tejo foi criada uma linha de redutos que ia da Costa da Caparica a Almada. Esta linha de defesa foi concebida com o objectivo de impedir que uma força francesa, que eventualmente atingisse aquela região, tivesse a possibilidade de, com a sua artilharia, ameaçar Lisboa ou a armada ancorada no rio. Esta linha destinava-se a ser guarnecida com marinheiros e fuzileiros navais britânicos, milícias e corpo de voluntários de Lisboa, um total de 7.500 homens. Dispunha também de 86 peças de artilharia. Perto da actual localização do monumento a Cristo-Rei foi montado um posto de sinais, para comunicar facilmente com Lisboa.

Referências

  1. Deve ler-se «Segundo Corpo de Exército»
  2. OMAN, p. 109
  3. COSTA, p. 67
  4. NORRIS & BREMNER, p. 29.
  5. FLETCHER, p. 17
  6. Dias, Maria Helena, José Maria das Neves Costa (1774-1841), PT: Instituto Camões, http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p66.html .
  7. CÉSAR, p. 136 a 138.
  8. CÉSAR, p. 138 e 139
  9. NORRIS & BREMNER, p. 31 a 33.
  10. CÉSAR, p. 140.
  11. FLETCHER, p. 28
  12. FLETCHER, p. 6.
  13. FLETCHER, p. 14
  14. NORRIS & BREMNER, p. 97 a 113.
  15. Os algarismos colocados entre parênteses indicam o número atribuído à obra. Esse número está incluído no mapa que representa as duas primeiras linhas.
  16. Embora sejam estes os limites definidos para o Distrito nº 6 (2ª linha), conforme está descrito em CESAR, pp. 150-152, englobava os redutos avançados (62) a (71).
  17. FLETCHER, p. 17.
  18. de acordo com FLETCHER, p. 10-11
  19. HUGHES, p. 59.
  20. FLETCHER, p. 28.
  21. SORIANO, p. 215.
  22. OMAN, p. 434.
  23. FLETCHER, p. 25.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CÉSAR, Victoriano José, Invasões Francesas em Portugal, 3ª parte, Invasão Francesa de 1810, Lisboa, Tipografia da Cooperativa Militar, 1910.
  • FLETCHER, Ian (2003) (em inglês), The Lines of Torres Vedras, 1809–1811, Fortress, Osprey .
  • HUGHES, Quentin (1991) (em inglês), Military Architecture: the art of defense from earliest times to the Atlantic wall, Great Britain: Beaufort Publishing .
  • JONES, Colonel John Thomas (1829) (em inglês), Memoranda relative to the lines thrown up to cover Lisbon in 1810, Londres .
  • NORRIS, AH & BREMNER, RW, As Linhas de Torres Vedras, as três primeiras linhas e as fortificações ao sul do Tejo, Câmara Municipal de Torres Vedras, Museu Municipal Leonel Trindade, Outubro de 2001.
  • OMAN, Sir Charles Chadwick (2004) (em inglês), A History of the Peninsular War, III, Greenhill Books .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]