Luigi Galvani

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Luigi Galvani
Medicina
Dados gerais
Nacionalidade Itália Italiano
Nascimento 9 de setembro de 1737
Local Bolonha
Morte 4 de dezembro de 1798 (61 anos)
Local Bolonha
Atividade
Campo(s) Medicina
Instituições Universidade de Bolonha
Conhecido(a) por Bioeletricidade, galvanismo

Luigi Galvani (Bolonha, 9 de setembro de 1737 — Bolonha, 4 de dezembro de 1798) foi um médico, investigador, físico e filósofo italiano. Esta fez uma das primeiras incursões do estudo de bioeletricidade, um campo que ainda hoje estuda os padrões elétricos e sinais do sistema nervoso.[1] Foi professor de anatomia da Universidade de Bolonha, cidade onde viveu e morreu.[2]

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

A partir de estudos realizados em coxas de , descobriu que músculos e células nervosas eram capazes de produzir eletricidade, que ficou conhecida então como eletricidade galvânica. Mais tarde, Galvani demonstrou que essa eletricidade é originária de reações químicas.[2]

Galvani foi também pioneiro na moderna obstetrícia.

Em seus estudos, dissecando rãs em uma mesa, enquanto conduzia experimentos com eletricidade estática, um dos assistentes de Galvani tocou em um nervo ciático de uma rã com um escalpelo metálico, o que produziu uma contração muscular (como uma câimbra) na região tocada sempre que eram produzidas faíscas em uma máquina eletrostática próxima. Tal observação fez com que Galvani investigasse a relação entre a eletricidade e a animação - ou vida. Por isso é atribuida a Galvani a descoberta da bioeletricidade.

Galvani criou então o termo "eletricidade animal" para descrever aquilo que era capaz de ativar os músculos daquele espécime. Juntamente com seus contemporâneos, ele reparou que aquela ativação muscular era gerada por um fluido elétrico que era conduzido aos músculos através dos nervos. Esse fenômeno foi então apelidado de galvanismo, por sugestão dada por seu colega e, em alguns momentos adversário intelectual, Alessandro Volta.

Os resultados das pesquisas e investigações de Galvani chegaram a ser mencionados por Mary Shelley, como parte de uma lista de recomendações de leitura direta, para um concurso de histórias de terror, em um dia chuvoso na Suíça - o que resultou no romance Frankenstein - e sua reconstrução e reanimação através da eletricidade.[2]

As investigações e descobertas de Galvani levaram à invenção da primeira bateria elétrica, mas não por Galvani, que não percebia a eletricidade separada da biologia. Galvani não via a eletricidade como essência da vida, a qual ele percebia ter uma natureza intrínseca e inerente à vitalidade. Ele acreditava que a eletricidade animal vinha do músculo. Desse modo, foi Alessandro Volta quem construiu a primeira bateria elétrica, que ficou conhecida como a pilha voltaica.

Como Galvani acreditava, toda a vida é de fato elétrica - pelo fato de todas as coisas vivas serem compostas de células e cada célula ter um potencial celular - a eletricidade biológica tem as mesmas bases químicas para o fluxo de corrente elétrica entre células eletroquímicas, desse modo podendo ser resumida de algum modo fora do corpo. A intuição de Volta estava correta também.

O nome de Galvani também sobrevive nas células galvânicas, no galvanômetro e no processo chamado de galvanização.

A cratera Galvani, na superfície da Lua, também foi nomeada em sua homenagem.

Vida[editar | editar código-fonte]

Luigi Galvani nasceu em 9 de setembro de 1737, em Bolonha na Itália, a cidade em que passou quase sua vida inteira.

Trabalhando com registro de costumes, primeiramente estudou Letras e Filosofia na Universidade. Graduou-se em Filosofia e Medicina em 1759. Freqüentava as aulas expositivas de Gaetano Tacconi em Filosofia e Cirurgia, de Domenico Maria Gusmano Galezzi em anatomia, e as de Jacopo Batolomeo Beccari e Giuseppe Monti em química e história natural. Em 1762, casou com Lucia Galeazzi, filha de seu professor, que se tornou parceira afetiva e preciosa colaboradora por toda a vida.

Docência[editar | editar código-fonte]

Galvani foi membro da Academia de Ciências no Instituto de Bolonha a partir de 1761 e foi professor de anatomia no Instituto de Ciência e curador da sala de anatomia, além de ter exposto para cirurgiões, artista e escultores. Tornou-se ainda, leitor em Medicina em 1768 e substituiu estas aulas pelas de Anatomia Prática em 1775. Foi escolhido para professor de obstetrícia no Instituto e curador da sala de obstetrícia em 1782. Fez palestras públicas no teatro de anatomia e em sua casa, onde tinha uma vasta biblioteca (por volta de 400 volumes, incluindo trabalhos sobre Hipócrates, Galeano, Avicenna, e os mais importantes livros do século dezoito) e montou um laboratório, onde conduzia experimentos.

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

Sua pesquisa foi extensa no campo da anatomia comparativa. Era um entusiástico em clarear, estudando animais, a estrutura e as funções do corpo humano, uma significativa parte do seu trabalho foi dedicada a esta pesquisa.

Em 1762, ele publicou "De Ossibus", um estudo físico médico-cirúrgico, um verdadeiro tratado da estrutura do osso, funções e patologia, o que esboçou a tese que ele levaria ao debate público em 21 de Junho de 1762 (para ser um conferencista em Bolonha, primeiramente deveria defender a tese em público e somente depois para uma comissão apropriada). Em 1767, ele publicou um tratado sobre a uretra e os rins de pássaros ("De renibus atque ureteribus volatilium") como um dos "Commentarii de Bononiensi Scientiarum et Artium Instituto atque Academia". Seus escritos sobre a estrutura anatômica dos ouvidos de pássaros ("De volatirium aure") foi publicado em 1783 no mesmo instituto. Sua pesquisa anatômica da membrana pituitária, Galvani começou na academia de ciência de Bolonha em 1767. Outros trabalhos publicados e não publicados, em ciência veterinária, hidrologia, obstetrícia, e outros, demonstram o qual brilhantemente versátil Galvani era.

Eletro-fisiologia[editar | editar código-fonte]

A pesquisa mais importante de Galvani foi desenvolvida no campo da eletro-fisiologia, a qual começou em 1780, ou talvez antes, continuou por uma década, e resumiu no famoso "Commentarius de viribus elctricitatis in motu musculari". Este trabalho primeiramente apareceu entre os panfletos no volume VII do "Bononiensis Scientiarum et Artium Instituto atque Academia Commentarii".

Foi então publicado separadamente, no ano seguinte, em uma versão editada e anotada por seu sobrinho e apoiador, Giovanni Aldini, e expandido pela carta de Don Bassiano Carminati a Galvani e a resposta posterior.

Antes do Commentarius, Galvani escreveu diversos itens sobre eletricidade animal, onde sua teoria se desenvolveu. Há cinco manuscritos de Galvani que foram publicados postumamente: "Ensaio da Força dos Nervos na relação com a eletricidade" (datada de 25 de Novembro de 1782), uma anotação sobre "Conexões e diferenças entre respiração, chama e sonda de uma garrafa de Leyden", uma anotação datada de 30 de Outubro de 1786 e intitulada "De animale electricitate", uma intitulada "Electricitas Naturalis", datada de 16 de Agosto de 1787, e outra em latim (sem título no manuscrito de Galvani) sobre movimento dos músculos produzido pela eletricidade.

A publicação do Commentarius foi uma sensação na comunidade científica mundial e começou a longa controvérsia com Alessandro Volta. Preso a este debate, o qual foi conduzido de uma maneira muito calma, se considerada a severidade de alguns argumentos contemporâneos, foi a publicação do "Tratado de Uso e Efeito do Arco Condutor na Contração do Músculo" seguido pelo Suplemento ao mesmo tratado (em nenhum dos trabalhos o nome do autor foi mencionado, foram provavelmente atraídos a Galvani por outro nome que fora proposto: Giovanni Aldini) e as anotações da eletricidade Animal endereçada a Lazzaro Spallanzani.

Galvani, o homem[editar | editar código-fonte]

Muito da personalidade e trabalho de Galvani foi condicionado ao século em que viveu. Como um cientista e homem de letras, ele escreveu alguns trabalhos literários (pequenos poemas, elegias, sonetos, orações) em italiano e em latim (enquadrando-se com a cultura italiana contemporânea dominada pelos clássicos). Alguns destes com a dedicatória: Para minha muito amada esposa.

Sendo profundamente religioso (um membro da Terceira Ordem de São Francisco), ele nunca considerou que a religião atrasasse sua pesquisa. Ao contrário, considerava que ciência e fé se auto-interpretavam.

Seus contemporâneos o descreviam como gentil, generoso e um grande homem de família.

Em seus últimos anos, Galvani foi acometido pela dor da morte de sua esposa, em 1790, e outros parentes. Para somar ao seu pesar familiar, foi atingido pela perda de seu posto de professor, em 1798, porque por razões religiosas e de princípios, ele se recusou a jurar obediência à República Cisalpina.

Ele morreu na pobreza em 4 de dezembro de 1798, antes que ele pudesse aproveitar seu restabelecimento como professor pensionista emérito pelas suas contribuições à ciência.

Obras[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Luigi Galvani (1737-1798) – Eric Weisstein’s World of Scientific Biolgraph. Página visitada em 4 de dezembro de 2012.
  2. a b c Luigi Galvani (em português) E-Biografias. Visitado em 04 de dezembro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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