Madredeus

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Madredeus
Madredeus-Aveiro-01.08.2005-foto de J.P.Casainho 01.jpg
Concerto dos Madredeus em Aveiro, 1 de Agosto de 2005.
Informação geral
Origem Lisboa
País  Portugal
Gênero(s) World Music
Música Popular
Fado
Período em atividade 1985 - actualmente
Gravadora(s) Sony Music, EMI, Blue Note Records, Metro Blue, Capitol Records, Nettwerk America, Som Livre, Farol
Página oficial www.madredeus.pt
Integrantes Pedro Ayres Magalhães
Carlos Maria Trindade
Beatriz Nunes
Jorge Varrecoso Gonçalves
António Figueiredo
Luís Clode
Ex-integrantes Rodrigo Leão, Francisco Ribeiro, Gabriel Gomes, Teresa Salgueiro, Fernando Júdice, José Peixoto

Os Madredeus são um dos grupos musicais portugueses de maior projecção mundial. A sua música combina influências da música tradicional portuguesa com a música erudita e com a música popular contemporânea.

A musicalidade do grupo sempre foi erroneamente referida como fado, género musical português mais conhecido internacionalmente, sobretudo pela imprensa fora de Portugal. O grupo nunca se descreveu desta forma, ainda que declarasse existir uma aproximação ao "espírito musical" do fado.

Nos seus vinte anos de carreira, os Madredeus lançaram 14 álbuns e estiveram em turné em 41 países — incluindo a Coreia do Norte e um festival de música na Noruega, dentro do Círculo Polar Árctico.[1]

Surgimento[editar | editar código-fonte]

Os elementos fundadores do grupo foram: Pedro Ayres Magalhães (guitarra clássica), Rodrigo Leão ( teclados), Francisco Ribeiro (violoncelo) falecido em Setembro de 2010, Gabriel Gomes (acordeão) e Teresa Salgueiro (voz). Magalhães e Leão formaram o grupo em 1985, Ribeiro e Gomes juntaram-se a eles em 1986. Na sua busca por uma vocalista, descobriram Teresa Salgueiro numa casa nocturna de Lisboa, quando esta cantava alguns fados numa reunião informal de amigos. Teresa foi convidada para uma audição e aí surgia o grupo, o qual ainda não tinha um nome. A proposta inicial era a de uma oficina criativa, à qual todos os músicos levavam suas ideias e compunham em conjunto os temas e arranjos. Em 1987, o local de trabalho do grupo, o Teatro Ibérico (antiga igreja do Convento das Xabregas, num bairro de Lisboa chamado Madredeus) serviu de estúdio de gravação para mais de quinze temas reunidos à época em um LP duplo, depois convertido para o formato de CD. Chamaram-no de Os Dias da MadreDeus e daí viria o nome do grupo. O carácter inovador do álbum fez com que os Madredeus se tornasse um fenómeno instantâneo de popularidade em Portugal à época.

Primeira fase[editar | editar código-fonte]

Concerto dos Madredeus em Aveiro, 1 de Agosto de 2005.

Em 1990 foi editado o segundo disco dos Madredeus, Existir, que teve na canção O Pastor um grande sucesso. Apesar disso, o grupo era relativamente desconhecido no estrangeiro. Isto mudou quando os Madredeus deram uma série de concertos na Bélgica onde decorria a Europália, uma exposição que no ano de 1991 foi dedicada à cultura portuguesa. Outro facto que contribuiu para que os Madredeus se tornassem conhecidos no estrangeiro foi o uso da canção "O Pastor" num filme publicitário na Grécia, à revelia do grupo. Seguiu-se um disco gravado ao vivo em Lisboa, no qual o grupo interpretava canções dos dois primeiros discos e incluía novos temas, um dos quais ("Mudar de Vida") com a participação dos guitarristas Carlos Paredes e Luísa Amaro.

Em 1994 a banda lança O Espírito da Paz, um álbum que consolida o grupo no estrangeiro. O disco alcançou o primeiro lugar das tabelas de Espanha e levou o grupo a uma longa digressão internacional, a qual incluiu o Brasil e alguns países do Extremo Oriente .

Durante as sessões de gravação de O Espírito da Paz, que decorreram em Inglaterra, os Madredeus gravaram outro disco, que seria editado em 1995. Wim Wenders, impressionado com a música do grupo, tinha-os convidado para musicarem um filme sobre Lisboa, chamado Lisbon Story (no Brasil, "O Céu de Lisboa"; em Portugal, "Viagem a Lisboa"), do qual o grupo foi protagonista. A banda sonora deu ao grupo ainda maior projecção internacional.

Segunda fase[editar | editar código-fonte]

Em 1995, incorporam-se nos Madredeus os músicos Carlos Maria Trindade, no lugar do teclista Rodrigo Leão, e o guitarrista José Peixoto. Em 1996, Francisco Ribeiro e Gabriel Gomes deixam o grupo e em 1997, os Madredeus gravaram o primeiro álbum com a nova formação, intitulado O Paraíso. No mesmo ano ingressa no grupo Fernando Júdice (baixo acústico).

Em 1998, o grupo foi convidado a ser a atracção do concerto de abertura da Expo'98 em Lisboa, ocasião na qual se apresentaram ao lado do tenor espanhol José Carreras. A parceria inusitada renderia outros encontros futuros.

O ano de 2000 marcou o lançamento do álbum Antologia, com canções de toda a discografia do grupo até então e mais duas canções inéditas: Oxalá e As Brumas do Futuro, tema do filme de estreia da actriz portuguesa Maria de Medeiros como directora, "Capitães de Abril", sobre a Revolução dos Cravos.

Em 2001, o grupo lança Movimento, o segundo álbum de estúdio com a nova formação, e depois deste alguns álbuns experimentais que causaram acaloradas discussões entre os fãs e críticos: "Electrónico", uma compilação de versões electrónicas das canções do Madredeus feitas por alguns dos músicos electrónicos de mais prestígio da Europa, e Euforia, um álbum duplo com canções gravadas ao vivo pelo grupo com a "Vlaams Symfonisch Radio-orkest", Orquestra Sinfónica da Rádio Flamenga, da Bélgica.

Em 2004, os Madredeus entram em estúdio e de lá saíram canções suficientes para dois álbuns: "Um Amor Infinito", dedicado aos fãs de todo o mundo, e "Faluas do Tejo", este último sendo considerado uma homenagem à cidade de Lisboa, terra natal do grupo.

Ano sabático e projectos paralelos[editar | editar código-fonte]

O ano de 2007 foi um ano sabático para o Madredeus. Seus integrantes desenvolveram projectos paralelos ao trabalho da banda, como Teresa Salgueiro, que lançou naquele ano dois álbuns, ambos produzidos por Pedro Ayres Magalhães, e a dupla José Peixoto e Fernando Júdice, que criaram o grupo Sal unindo-se à voz de Ana Sofia Varela e a percussão de Vicky.

Os integrantes do Madredeus sempre tiveram liberdade para conduzir projectos paralelos ao grupo: Carlos Maria Trindade, Pedro Ayres Magalhães, José Peixoto e Fernando Júdice actuam frequentemente como produtores musicais. Trindade e Peixoto tem sólidas carreiras como solistas e, mais recentemente, José Peixoto e Fernando Júdice têm trabalhado em projetos conjuntos, como o álbum Carinhoso, no qual os dois músicos revisitam o repertório do compositor brasileiro Pixinguinha, e o supracitado grupo Sal.

Em 28 de Novembro de 2007, porém, o anúncio da saída de Teresa Salgueiro, Fernando Júdice e José Peixoto tomou os fãs do grupo de surpresa. Pedro Ayres Magalhães declarou à época que o futuro do grupo era incerto e que, na opinião dele, tornar-se-ia difícil pensar em um retorno sem a presença de Teresa Salgueiro, cuja voz se tornou emblemática para os Madredeus.

Madredeus & A Banda Cósmica[editar | editar código-fonte]

Em 2008, os Madredeus lançam um novo álbum, "Metafonia". Após a saída de Teresa Salgueiro, Fernando Júdice e José Peixoto, Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade decidiram-se por não substituir esses músicos, mas sim criar um novo ensemble ao qual chamaram A Banda Cósmica[2] , formada pelas cantoras Rita Damásio e Mariana Abrunheiro, Ana Isabel Dias na harpa, Ruca Rebordão na percussão, Sérgio Zurawski na guitarra eléctrica, Gustavo Roriz no baixo e contrabaixo, Babi Bergamini na bateria e Jorge Varrecoso como violinista convidado. Entretanto, este último participou apenas da temporada de lançamento do grupo no Teatro Ibérico, sendo substituído pelo violinista António Barbosa, que passou a fazer parte efectiva do grupo. Da última formação, apenas se mantiveram Pedro Ayres de Magalhães e Carlos Maria Trindade. O grupo lançou em 2009 o segundo álbum, "A Nova Aurora" mantendo a mesma formação. Em 2010 é lançado Castelos na Areia[3] e é anunciado o fim do ciclo dos Madredeus iniciado com a Banda Cósmica.[2] [4]

Madredeus com Beatriz Nunes[editar | editar código-fonte]

Em finais de 2011, é anunciada uma nova vida para os Madredeus. A nova formação mantem Pedro Ayres Magalhães (guitarra clássica) e Carlos Maria Trindade (sintetizadores), juntando-se Jorge Varrecoso (violino), António Figueiredo (violino), Luís Clode (violoncelo) e Beatriz Nunes (voz). A 2 de Abril do mesmo ano é lançado o "Essência", que pretende celebrar os 25 anos de carreira do grupo com novos arranjos de clássicos.

Madredeus e os países lusófonos[editar | editar código-fonte]

No Brasil, o grupo ficou conhecido pelo grande sucesso de suas apresentações em casas de espectáculo por todo o país — sempre com lotação esgotada, em que pese a quase ausência das músicas do grupo nas rádios brasileiras — e também por suas apresentações ao ar livre, com destaque para os concertos que realizou no Pelourinho, em Salvador, Bahia (1995), na Praia de Icaraí, em Niterói, estado do Rio de Janeiro (1997) e no Parque do Ibirapuera, São Paulo, e na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (2000), ambas por ocasião das comemorações dos 500 anos de descobrimento do Brasil. As canções do grupo também já foram tema de diversas produções televisivas no Brasil como a mini-série da Rede Globo de Televisão "Os Maias" (2001) (com as canções "Matinal", "Haja o que Houver", "As Ilhas dos Açores" e a canção que se tornou o tema de abertura da referida produção televisiva, a emblemática "O Pastor").

O grupo também já se apresentou em Angola, Cabo Verde e Macau.

Membros do Grupo[editar | editar código-fonte]

Membros Actuais

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio[editar | editar código-fonte]

Madredeus e A Banda Cósmica[editar | editar código-fonte]

Ao vivo[editar | editar código-fonte]

  • Lisboa (1992, ao vivo, gravado no Coliseu dos Recreios em Lisboa)
  • O Porto (1998, ao vivo, gravado no Coliseu do Porto)
  • Euforia (2002, ao vivo, com a participação da Flemish Radio Orchestra)

Compilações[editar | editar código-fonte]

  • Antologia (2000, colectânea com duas canções inéditas)
  • Palavras Cantadas (2001, colectânea direccionada ao público brasileiro e abrangendo o trabalho do grupo entre os anos de 1990 e 2000)

Remixes[editar | editar código-fonte]

  • Electronico (2002) - releitura electrónica de vários temas do grupo

Colaborações[editar | editar código-fonte]

Videografia[editar | editar código-fonte]

  • Les Açores de Madredeus (1995) - documentário francês sobre o Madredeus filmado nos Açores, em VHS e DVD
  • Lisbon Story (1995) (Viagem a Lisboa, Portugal; O Céu de Lisboa, Brasil) - filme escrito e dirigido por Wim Wenders, em VHS e DVD
  • O Espírito da Paz (1998) - VHS, re-editado em DVD em 2012
  • O Porto (1998) - concerto ao vivo no Coliseu do Porto, em VHS. Re-editado em DVD em 2012
  • Euforia (2002) - concerto ao vivo do Madredeus com a Flemish Radio Orchestra, em DVD
  • Mar (2006) - registo da apresentação do Madredeus e do Lisboa Ballet Contemporâneo, em DVD
  • Metafonia - Ao Vivo no Teatro Ibérico (2009)

Regravações[editar | editar código-fonte]

As canções do Madredeus têm ganhado regravações feitas por diversos artistas:

  • A cantora portuguesa Marta Dias gravou O Sonho, do álbum O Paraíso;
  • A banda portuguesa de heavy metal Moonspell gravou Os Senhores da Guerra, do álbum O Espírito da Paz;
  • As cantoras brasileiras Zizi Possi e Luiza Possi, bem como o tenor espanhol José Carreras, gravaram Haja o que houver, do álbum O Paraíso. A canção já havia sido registada em disco, antes do Madredeus, pela banda de rock portuguesa Delfins;
  • A cantora brasileira Rebeca Matta gravou O Mar, do álbum O Espírito da Paz, em 1998;
  • O grupo instrumental brasileiro Quarteto Pererê gravou As Montanhas, do álbum Os dias da Madredeus, em 2009;
  • A cantora brasileira Mylene lançou, em 2007, um álbum inteiramente dedicado às canções do Madredeus, com dezesseis temas de diversos álbuns.
  • A cantora Deo (Deolinda Bernardo) gravou em 2008 o álbum "Voando sobre o Fado" com 11 temas do grupo.
  • A espanhola Soledad Gimenez, cantora dos Presuntos Implicados, gravou uma versão em espanhol de "Oxala".
  • Rodrigo Leão voltou a gravar "Terras de Bolonha" em 2006.
  • O guitarrista do Angra, Rafael Bittencourt, gravou O Pastor em seu primeiro álbum solo, Brainworms I, lançado em 2008.
  • A banda portuguesa Noidz (Psytrance/Metal) gravou um remix da música "O Pastor" em 2010

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Madredeus