Neisseria meningitidis

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Como ler uma caixa taxonómicaNeisseria meningitidis
Fotomicrografia da N. meningitidis

Fotomicrografia da N. meningitidis
Classificação científica
Reino: Bacteria
Filo: Proteobacteria
Classe: Betaproteobacteria
Ordem: Neisseriales
Família: Neisseriaceae
Género: Neisseria
Espécie: N. meningitidis
Nome binomial
Neisseria meningitidis
(Albrecht & Ghon 1901)

A Neisseria meningitidis é uma bactéria do tipo CGN (Cocos gram-negativos) que se agrupam aos pares, formando os diplococos. São de grande importância clínica pois são os agentes etiológicos causadores da meningite meningocócica.

Embora existam vários gêneros de CGN aeróbios, salienta-se em patologia humana o gênero Neisseria. Frequentemente são encontradas em membranas mucosas humanas, caracterizando-se morfologicamente por se agruparem aos pares formando diplococos.

São bactérias aeróbias, imóveis, não esporuladas e fermentadores de glicose e da maltose (oxidação positiva). Possuem uma cápsula polissacarídea. Apresentam resistência natural à vancomicina e à polimixina e crescem no meio Thayer-Martin a 35°C. Necessitam de ferro para sobreviver.

Factores de virulência[editar | editar código-fonte]

  • Antifagocíticos - cápsula e a internalização em vacúolos fagocíticos;
  • Colonização - pilli;
  • Toxina - LPS e endotoxina;
  • Enzima - protease IgA1 e proteínas de ligação à transferrina.everton

Doenças[editar | editar código-fonte]

Patogénese[editar | editar código-fonte]

A Neisseria meningitidis inicia o seu processo infeccioso através da colonização da nasofaringe, onde pode ser assintomática. O meningococo adere a receptores específicos nas células não-ciliadas da nasofaringe e internalizam-se em vacúolos fagocíticos. Por serem bactérias encapsuladas, são mais resistentes ao processo de fagocitose. Da nasofaringe, o meningococo pode passar para a circulação, podendo ocorrer meningococcemia, meningite e algumas outras infecções. Nas meningococcemias ocorrem lesões vasculares devido à presença de endotoxinas bacterianas. Em casos mais graves, pode ocorrer hemorragia bilateral das supra-renais (Síndrome de Waterhouse-Friderichsen).

Serogrupos[editar | editar código-fonte]

Existem pelo menos 13 serogrupos desta bactéria, dos quais os principais são:

Estes serogrupos, por sua vez, subdividem-se em serótipos.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

O meningococo é encontrado na nasofaringe e é transmitido de uma pessoa para outra, por meio de gotículas provenientes das vias respiratórias. O meningococo ocorre em todo o mundo, sendo o serótipo C o mais frequente. A maioria das pessoas possui imunidade adquirida à Neisseria meningitis. As crianças adquirem imunidade através de anticorpos maternos. Portanto, as meningococcemias são basicamente determinadas por baixa resistência imunológica do hospedeiro. A partir dos 6 meses de idade as crianças estão particularmente susceptíveis ao meningococo, porque a imunidade humoral cedida pela mãe se desvanece. Têm pico sazonal no fim do Inverno e no início da Primavera.

Diagnóstico Laboratorial[editar | editar código-fonte]

Faz-lhe a colheita de exsudatos rinofaríngeos, sangue ou liquor. Habitualmente recorre-se ao uso de meios de transporte (exemplos: meio de Stuart, meio de Amies, etc.). Ao exame directo, a observação de diplococos Gram negativo no citoplasma de células inflamatórias é sugestiva de Neisseria. Para o exame cultural pode recorrer-se ao agar-chocolate (LCR) ou a um caldo com fatores de crescimento (sangue). Tratando-se de um produto poli microbiano, usa-se um meio seletivo para Neisseria, por exemplo, os meios de Thayer-Martin (quando o produto vem da nasofaringe), Martin-Lewis e New York City. Faz-se incubação a 37º durante 24 - 48 h, porque a Neisseria é sensível a variações de temperatura, com 5 a 10 % de CO2. Em ambos os géneros, para identificação da espécie, efetua-se provas bioquímicas.

Diagnóstico clínico[editar | editar código-fonte]

A presença de rigidez da nuca (devido à inflamação das meninges), febre, cefaleias, letargia, vómitos, petéquias (indicam meningococémia devido à trombose de pequenos vasos indica a presença de Neisseria meningitidis. O diagnóstico definitivo de meningite aguda, ou seja bacteriana]], faz-se por punção lombar. A análise do liquor revela um predomínio de PMN, baixa glicose e elevado lactose, para além de um aumento da pressão intracraniana.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento da meningite meningocócica é feito pelo uso da penicilina. Até agora, não foram registradas espécies que apresentam resistência a esse antibiótico.

Profilaxia[editar | editar código-fonte]

Em pessoas que contactaram com doentes infectados, são usadas a rifampicina, a monociclina, a ciprofloxacina e a ceftriaxona. Como antimicrobiano de primeira linha, são usadas as cefalosporinas de terceira geração. Como antimicrobiano de segunda linga, é usada a penicilina G e a ampicilina. Segundo o Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde (2005) a quimioprofilaxia muito embora não assegure efeito protetor absoluto e prolongado tem sido adotada como eficaz medida na prevenção de casos secundários. Está indicda para contatos íntimos de casos da doença meningocócica e meningite por Haemophilus influenzae e também para o paciente em no momento da alta, com a exceção se o tratamento foi com ceftriaxona. As vacinas contra meningite são específicas para determinados agentes etiológicos. Algumas fazem parte do calendário básico de vacinação da criança e outras estão indicadas apenas em situações de surto.

Vacinação[editar | editar código-fonte]

Existem dois tipos de vacinas contra o meningococo:

  • Vacinas polissacáridas, mais antigas, eficazes apenas a partir dos 2 anos de idade. Não cobrem a faixa etária de maior incidência da doença, não induzindo memória imunológica prolongada. São vacinas polivalentes contra os serótipos A,C,Y e W135. A sua utilização é recomendada a viajantes para áreas hiperendémicas e em situação de surto. Em Portugal apenas está registada a vacina "Mengivac A+C" sendo, no entanto, a vacina "Mencevax ACWY" distribuída, por autorização especial, para prescrição e administração nas consultas do viajante.
  • Vacinas conjugadas, desde 2001, com eficácia a partir dos 2 meses de idade, induzindo memória imunológica prolongada e destinadas ao serogrupo C. A vacina conjuga um polissacárido da cápsula da bactéria N. meningitidis com uma proteina da bactéria da difteria ou com o toxóide do tétano. Em Portugal estão autorizadas desde 2001 a "Meningitec", "Meninvact/Menjugate" e a "NeisVac-C".

O polissacarídeo do serogrupo B não induz resposta imunológica protectora, não havendo ainda vacina disponível contra este serogrupo. Decorre intensa investigação científica sobre formulações vacinais, algumas já em fase de ensaio clínico, mas não existe ainda vacina disponível com eficácia persistente.

A vacina pode ser adiada em indivíduos apresentando doença aguda grave, com ou sem febre, ou doença crónica progressiva. A presença de doença ligeira, com ou sem febre, não constitui motivo para adiamento da toma desta vacina.

Ver também[editar | editar código-fonte]


Referências[editar | editar código-fonte]

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