Ricardo Teixeira

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Ricardo Teixeira
Ricardo Teixeira na sede da FIFA, na Suíça, quando do anúncio da realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
Nome completo Ricardo Terra Teixeira
Nascimento 20 de junho de 1947 (67 anos)
Carlos Chagas, Minas Gerais
Nacionalidade  Brasil
Parentesco João Havelange (ex-sogro)[1]
Cônjuge Lúcia Havelange ( ? - 1997)
Ana Carolina Wigand Teixeira ( ? - atualmente)[2]
Filho(s) Ricardo Teixeira Havelange 1974 (39–40 anos)
Joana
Roberto
Antônia
Henrico

Ricardo Terra Teixeira (Carlos Chagas, 20 de junho de 1947) é um dirigente desportivo brasileiro, 18º presidente da Confederação Brasileira de Futebol, onde permaneceu no cargo de 16 de janeiro de 1989 até 12 de março de 2012. Seu quinto mandato consecutivo terminou em 2007, mas havia sido prolongado, e deveria durar até 2015.

Durante sua gestão na CBF, seleções brasileiras, de todos os níveis, conquistaram 11 títulos mundiais e 27 sul-americanos, consolidando a sua hegemonia no cenário mundial. Por outro lado, durante seus cinco mandatos aumentou em muito a êxodo de craques brasileiros para o exterior, nem sempre para os grandes clubes do futebol europeu.

Deve-se ainda a Ricardo Teixeira e a Eurico Miranda (na época, diretor de futebol da CBF), a criação da Copa do Brasil, que propicia a pequenos clubes, alguns de fora dos grandes centros, a oportunidade de aparecerem no cenário nacional.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O jovem mineiro do interior, filho de um bancário, estudava Direito no Rio de Janeiro quando conheceu Lúcia, filha de João Havelange, no carnaval de 1966. Tinha apenas dezenove anos.

Ao nascer seu primeiro filho (1974) fez um agrado ao sogro ao registrá-lo com o nome de Ricardo Teixeira Havelange, colocando por último o sobrenome materno, ao contrário do que determinava a lei brasileira.

Teve uma mal-sucedida passagem pelo mercado financeiro, numa sociedade com o pai, o sogro e um irmão.

CBF e corrupção[editar | editar código-fonte]

Chegou ao comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 1989, sucedendo Octávio Pinto Guimarães, após derrotar na eleição o então vice-presidente da entidade, Nabi Abi Chedid. Encontrou a entidade quase sem condições de arcar com os custos da preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 1990, na Itália.

Escândalos atingiriam a gestão de Teixeira, que é marcada por denúncias,[3] com acusações de nepotismo no preenchimento de cargos na CBF, pagamento de viagens para países sedes da Copa do Mundo a magistrados e a outras autoridades, importação irregular de equipamentos para sua choperia El Turf, no Rio de Janeiro, após a Copa de 1994, a celebração de contratos lesivos para o futebol brasileiro, em especial com a fabricante de artigos esportivos Nike, omissão das declarações de rendimentos apresentadas nos exercícios de 1991, 1992 e 1993 dos valores por ele mensalmente auferidos, omissão de rendimentos provenientes de atividades rurais nas fazendas Santa Rosa I e II, localizadas no município fluminense de Piraí.[4]

Também deu dinheiro da CBF para campanhas políticas de dirigentes esportivos, com o intuito de manter no Congresso Nacional uma bancada de deputados e senadores para defender a seus interesses (manter-se no controle da CBF, impedir investigações sobre corrupção dentro da CBF), que ficou conhecida como bancada da bola. Com a montagem deste esquema de poder, assegurou suas quatro reeleições.

Em 1998, vê-se envolvido em comissões parlamentares de inquérito na Câmara de Deputados e no Senado Federal, mas, com auxílio de congressistas fiéis, consegue se livrar das acusações. Prestou depoimento em duas CPIs, a do futebol e a da CBF-Nike.[5]

Em 2000, Ricardo Teixeira prestou depoimento na CPI do Futebol. Até 1996 a CBF apresentava lucro. Neste ano assinou um contrato com a Nike de 160 milhões de dólares e a partir de então começou a ter prejuízos, ano após ano. A entidade então tomou dinheiro emprestado de origem duvidosa, pagando juros muito mais altos do que os de mercado, em alguns casos de cerca de 43%. Descobriu-se uma série de empresas suas e de comparsas ligadas a transações irregulares de dinheiro. Afirmou em depoimento na CPI que havia ganhado tanto dinheiro investindo em ações, mesmo sabendo-se que havia falido neste ramo no início de sua carreira. Também prestaram depoimentos Vanderlei Luxemburgo, Eurico Miranda e o empresário J.Hawilla. A Receita Federal autuou a CBF em R$ 14.408.660,80 por dívidas com o Fisco.[5]

Na CPI da CBF-Nike, que contou com declarações de Zagallo, João Havelange e do atacante Ronaldo, Ricardo Teixeira foi acusado por Aldo Rebelo de fazer complô para tentar enfraquecer o trabalho das CPIs, por unir forças com Pelé, que antes o acusava de corrupção.[6] Teixeira prestou esclarecimentos sobre a CBF, atividades pessoais e de suas empresas, como o restaurante carioca El Turf. Em janeiro de 2002, Teixeira obteve liminar da Justiça proibindo a impressão e distribuição do livro "CBF-Nike", de autoria dos deputados Sílvio Torres e Aldo Rebelo. A obra relatava todas as investigações que devassaram seus negócios.[5] Atualmente Aldo Rebelo é amigo pessoal e confidente de Ricardo Teixeira.[7] Está disponível na internet um resumo do relatório final da CPI.[8]

Em 2007, a bancada da bola agiu novamente sob influência de Ricardo Teixeira e de 12 governadores,[9] que previamente foram à Europa a convite de Ricardo Teixeira, por ocasião da escolha do país sede da Copa do Mundo de 2014, para impedir a instalação da CPMI do Corinthians/MSI, com a retirada de votos a favor da CPMI na última hora. O argumento era que a CPI poderia influenciar na escolha da sede. No epsódio, 71 parlamentares mudaram de opinião, e apenas 3 se justificaram.[10] [11] [12]

Sobre o epsódio, Juca Kfuri escreveu: "Momento trágico: nada mais repulsivo que a campanha do presidente da CBF contra a CPMI Corinthians/MSI. E nada mais revelador de quem são alguns parlamentares de todos, rigorosamente todos, os grandes partidos. Daí o "jogo da família" ter sido o do senta, levanta. Elementar."[13] Em seu blog, Juca Kfuri publicou ainda a lista com os nomes dos parlamentares que mudaram seus votos. São 18 parlamentares mineiros e 8 paulistas, entre muitos outros.[9]

Por ocasião da escolha das cidades que receberiam jogos da copa, o apoio político à Ricardo Teixeira esteve ameaçado brevemente. Porém, novamente, a corrupção na CBF não esteve ameaçada.[14]

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que não apoiou o pedido de abertura da CPMI, declarou "Será que teremos de apoiar a CPMI de Corinthians e MSI para que expliquem em Brasília a escolha das cidades?" Numa clara atitude "toma-lá-da-cá".[15]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Na vida pessoal, Ricardo Teixeira fez da fazenda Santa Rosa, em Piraí, a 70 quilômetros do Rio, sua base de operações na região. No Rio, o ex-presidente da CBF soma negócios variados, como uma revenda da marca Hyundai, boates e restaurantes.

Separou-se da mulher Lúcia em 1997 e no mesmo ano tornou público um romance com a socialite Narcisa Tamborindeguy. Em dezembro de 2003, casou com a administradora Ana Rodrigues.

Ricardo Teixeira é cidadão honorário de vários estados brasileiros.

Planos para 2007[editar | editar código-fonte]

Ricardo Teixeira e o presidente Lula discutem a candidatura brasileira para a Copa do Mundo de 2014.

Em Assembleia Geral realizada em 18 de abril de 2006, dirigentes das 27 federações estaduais decidiram aumentar de quatro para sete anos o mandato do próximo presidente da Confederação Brasileira de Futebol, que foi eleito em 2007. Embora não tenha antecipado nada a respeito, Ricardo Teixeira continuou como o candidato oficial da entidade. Ele garantiria assim sua presença no cargo até depois da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil

Segundo os autores da proposta, esta medida evitaria que, perto da Copa de 2014, Estados pressionem para serem mais favorecidos na hora de escolher as cidades-sedes.

Nos seus primeiros mandatos, Teixeira foi eleito por um colégio eleitoral composto pelos presidentes de federações estaduais. A partir de 2003, também votaram os presidentes dos clubes que disputaram a Série A do Campeonato Brasileiro do ano anterior.

Teixeira foi o dirigente que por mais tempo comandou a CBF.

Após ser o jornalista britânico Andrew Jennings ter o denunciado por propina em 2011, Ricardo Teixeira processou o jornalista.[16]

Nova CPI[editar | editar código-fonte]

Passeata na Avenida Paulista contra Ricardo Teixeira.

Está em discussão no congresso a instalação de uma nova CPI para investigar as ações de Ricardo Teixeira quanto à organização da copa do mundo do Rio de Janeiro. O deputado Anthony Garotinho é o autor da proposta e busca assinaturas que permitam a abertura da CPI. Ricardo Teixeira foi até o Congresso no dia 16 de março de 2011 para fazer lobby contra a criação da CPI. Alegava aos parlamentares que não era bom para a imagem do Brasil (e para sua imagem) ter uma CPI investigando corrupção em um período de preparação para Copa. Espera-se que não ocorra a retirada das assinaturas como aconteceu em 2010 com a abortada CPI Olímpica.

Parte da imprensa esportiva brasileira apóia a campanha, com destaque para Juca Kfouri,[17] Benjamin Back,[18] José Cruz[19] e Paulinho.[20] O blogueiro Paulinho se colocou a disposição do deputado Anthony Garotinho, inclusive para testemunhar contra Teixeira.[21] O PT, seguindo orientação do líder do partido, Paulo Teixeira, votará contra a abertura da CPI.[22] Segundo o deputado Garotinho e parte da imprensa, as organizações Globo encobrem as ações de Teixeira,[23] deixando de noticiá-las e diminuindo assim a pressão popular contra Teixeira.[24] [25] Garotinho divulgou uma lista com os nomes dos deputados que são a favor da abertura da CPI.[26] [27]

Renúncia[editar | editar código-fonte]

Em 12 de março de 2012, após nova série de denúncias exibidas pela Rede Record de Televisão[28] e com a imagem muito desgastada perante o Governo Federal, especialmente com a presidente Dilma Rousseff, e a opinião pública, Ricardo Teixeira renunciou à presidência da CBF, sendo substituído por José Maria Marin.[29]

Referências

  1. ESPN: "Ricardo Teixeira não gosta de futebol"
  2. Terra: ISTO É: Ricardo Teixeira
  3. O poderoso chefão e o aprendiz.
  4. Marcação cerrada A Receita aperta o cerco sobre o mundo do futebol e o cartola Ricardo Teixeira é alvo das investigações.
  5. a b c Presidente da CBF esteve em CPIs do Futebol e da Nike.
  6. À sombra das chuteiras milionárias.
  7. Futebol não tem ideologia. Lobby de Ricardo Teixeira dá certo e CBF faz deputados e senadores retirarem assinaturas da CPMI.
  8. A corrupção no futebol brasileiro.
  9. a b [1].
  10. Presidente da CBF esnoba tentativa de CPI.
  11. Pressão da CBF dá certo e CPI Corinthians/MSI começa a cair.
  12. Pressão da CBF dá certo, assinaturas são retiradas e CPI começa a cair.
  13. Centroavante para quê?.
  14. Relatório da Fifa já ameaça o apoio político pró-CBF.
  15. Indicação de eliminadas gera reação.
  16. Jornalista britânico é processado por Ricardo Teixeira, acessado em 7 de setembro de 2011
  17. Paulinho. Mais uma CPI na vida de Ricardo Teixeira.
  18. Benjamin Back. Esse é o país do futebol?.
  19. José Cruz. CPI da CBF. Ou seria CPI do Ricardão?.
  20. Paulinho. CPI do “Chá de Cadeira”.
  21. Paulinho. CPI da CBF: vamos todos fazer a nossa parte.
  22. Paulinho. PT votará contra CPI da CBF.
  23. Homem-forte da Globo incentiva racha com apoio de Teixeira e tem postura de cartola. UOL Esportes.
  24. Anthony Garotinho. Medo de CPI da CBF atinge até o técnico Mano Menezes.
  25. Acusado de corrupção, Teixeira processa jornalista britânico
  26. Filipe Coutinho. Veja os deputados que pediram abertura da CPI da CBF. Folha Online.
  27. Torcida pede a cabeça do Teixeira (e do Galvão)
  28. Com denúncias da Record, Ricardo Teixeira renuncia à presidência da CBF após 23 anos
  29. Após 23 anos, Ricardo Teixeira renuncia aos cargos de presidente da CBF e do COL

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
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Octávio Pinto Guimarães
Presidente da CBF
19892012
Sucedido por
José Maria Marin