Shogi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Série
Enxadrismo
Wikiprojeto Enxadrismo


O shogi (shôgui, em português brasileiro), também conhecido como xadrez japonês é a versão japonesa do xadrez. Ao contrário do ocidente, onde todos os países tem as mesmas versões do jogo de xadrez, no oriente cada país tem sua versão nacional do jogo: Xiang Qi na China, Jonggi na Coreia, Makruk na Tailândia, Sittuyin no Sião, etc.

O objetivo do jogo é o mesmo do xadrez ocidental, mas mudam-se as peças e o tabuleiro. Vence o jogo quem capturar o rei adversário.

História[editar | editar código-fonte]

A visão tradicional diz que o xadrez foi introduzido no Japão no período Nara (704 a 790 d.C.). Se isso for verdadeiro, seria uma forte evidência contra a origem indiana (chaturanga) do xadrez japonês, porque é improvável que o chaturanga pudesse ser inventado na Índia em 650 a.C., cruzado a Caxemira até a China, e então atravessado toda a China e o Mar do Japão, para chegar ao Japão em apenas cem anos.

O chaturanga apareceu na Índia em época não anterior ao século VI. Há uma profusão de material literário disponível em sânscrito, indo até 1500 a.C. Se o chaturanga tivesse existido antes do século VI, é quase certo que isso teria sido mencionado em algum lugar.[1]

Realmente, são tantas as diferenças entre o xadrez chinês e o japonês que os especialistas no Japão não acreditam que ele tenha vindo diretamente da China ou da Índia, ou mesmo da Coréia (o xadrez coreano é relativamente semelhante ao xadrez chinês). Ao contrário, eles supõem que o processo evolucionário demorou muito mais tempo, certamente muitos centenas ou talvez até mil anos. Não foi senão em torno do século V que o próprio go chegou ao Japão vindo da China, apesar do go ter se desenvolvido na China por mais de dois mil anos até então, e o Confúcio o mencionar no século V.[2]

O xadrez japonês evoluiu na direção oposta à do xadrez ocidental. No xadrez ocidental, derivado do chaturanga, as peças foram ficando cada vez mais fortes. No xadrez japonês, elas ficaram gradualmente mais fracas porém mais agressivas, já que geralmente perderam sua capacidade defensiva. A peça do canto tornou-se a lança japonesa, que, como a torre, pode se mover para a frente, mas, ao contrário da torre, não pode ir para os lados ou para trás. (Um dos caracteres para a lança japonesa ainda é o mesmo que o caractere chinês para a biga). O cavalo do xadrez chinês tornou-se a "kiema" no xadrez japonês, que se move como um cavalo, mas somente para a frente, não para os lados ou para trás. Talvez o nome "kiema" seja derivado de "ma", que é a palavra falada para cavalo em chinês. (O "cavalo" em si, no xadrez japonês, é uma peça totalmente diferente, o bispo promovido, e foi acrescentado muito depois). O elefante no xadrez chinês tornou-se o "prata" no xadrez japonês, que se desloca uma, e não duas, casas diagonalmente e também pode se mover uma casa para a frente. O chanceler tornou-se o "ouro" japonês, uma peça um tanto diferente mas também fraca. O rei continuou um rei e os peões continuaram peões. Os peões japoneses andam e capturam do mesmo modo que os peões chineses, uma casa para a frente, e não capturam diagonalmente como no xadrez ocidental.[3]

Já que essas diferenças, que são bem maiores que as diferenças entre o xadrez ocidental e o chinês, não podem ser explicadas apenas pela simples introdução no Japão, os japoneses acreditam que o jogo seguiu uma improvável rota através da península malaia e de lá entrou no Japão. Apóia essa tese o fato de que o xadrez burmês e o tailandês têm uma peça que se move exatamente como um prata no xadrez japonês. Finalmente, acreditam os japoneses que o período entre os séculos 13 e 15 trouxe a reintrodução da torre e a introdução do bispo. Isso explica a estranha posição da torre e do bispo no shogi, comparando com outros jogos similares ao xadrez. Kimura, Yoshinori, "Uma Introdução ao Shogi – Passado e Presente", Revista Trimestral de Shogi Ocidental, Federação Norte-Americana de Shogi, No. 3, p. 3, Outono, 1985.[4]

Acredita-se que a maior parte dessa evolução ocorreu dentro do próprio Japão. Os japoneses experimentaram largamente, e sugeriram mais de trinta tipos diferentes de peças num jogo chamado "grande shogi" e 21 peças no "médio shogi", comparadas às apenas oito do shogi moderno, sete do xadrez chinês, sete do xadrez coreano e seis do xadrez ocidental. Havia também o "grande shogi" e muitos outros tipos de shogi, vários dos quais gozaram de considerável popularidade em alguma época. O resultado final foi o jogo atual, tradicionalmente chamado "pequeno shogi", que contém muitas características que nenhuma outra forma popular de xadrez tem, inclusive o fato de as peças capturadas tornarem-se parte do exército inimigo, podendo reentrar no jogo, e de seis dos oito tipos de peças terem a possibilidade de ser promovidas a outra peça, uma vez que adentram o território inimigo. As peças japonesas também perderam sua cor e tornaram-se pentagonais em vez de circulares. Essas enormes mudanças não podem ser explicadas por qualquer processo evolutivo, que normalmente é lento. A única explicação possível é o fascínio japonês pela exerimentação e pelo aperfeiçoamento de qualquer idéia que se introduza em seu país. O xadrez chinês também chegou à Coréia, mas relativamente poucas mudanças foram feitas.[5]

Com relação ao antigo xadrez chinês, uma ideia controversa mas sólida em evidências afirma de que o xadrez original (anterior ao chaturanga) foi criado na China em 204-203 a.C. por Han Xin, um líder militar, embora a maioria dos especialistas ocidentais não aceite essa tese. Há duas referências ao xadrez na antiga literatura chinesa. A primeira foi de uma coleção de poemas conhecida como "Chu Chi" durante a Dinastia Chou (1046 - 255 a.c.). A segunda é de um famoso livro conhecido como "Shuo Yuan". Ambos são bem conhecidos na literatura chinesa.[6] O fato de o antigo xadrez chinês também ter uma torre, um rei, um peão e um bispo, todos eles ocupando as mesmas posições iniciais no tabuleiro e com os mesmos movimentos e os mesmos significados que no conhecido antecessor medieval do xadrez moderno, é notavel. Em vista da conhecida história chinesa de isolacionismo, é improvável que um jogo de origem estrangeira possa ter entrado neste país vindo do exterior e se tornado tão imensamente popular entre os seus habitantes. Em vez disso, é mais lógico afirmar que ele se originou na China, se espalhou para a Ásia Central e chegou à Pérsia em torno do século VII. Sua chegada lá se deu num momento oportuno, pois o islamismo estava em seu início e começava a se expandir para a Índia e a Europa.[7]

Tabuleiro[editar | editar código-fonte]

Shogi

Seu formato mais jogado é levemente retangular (5 cm x 4 cm), onde o comprimento é ligeiramente maior que a largura. Suas casas são todas da mesma cor (da casca do bambu, marrom bem claro, amarelado, ou creme bem claro). Divide-se em nove colunas por nove linhas, perfazendo 81 casas, que são demarcadas por um fina linha preta. Nos campeonatos existem graduações para os jogadores, através de um sistema que se assemelha ao das artes marciais. Para cada graduação existe um tabuleiro específico. Sendo que para os iniciantes o tabuleiro é de 12 casas ( 4 X 3 ) e o dos mestres é de 169 casas ( 13 X 13 ). Há tabuleiros com mais casas para jogos em equipes. Quanto mais casas mais tipos de peças se tem.

Objetivo[editar | editar código-fonte]

O objetivo do jogo é capturar o rei adversário fazendo xeque-mate.

Formato das peças[editar | editar código-fonte]

São todas da mesma cor (marrom, quase branca) e mesmo formato, de 0,5 cm de altura; e quando vista de cima possuem cinco pontas e cinco lados retos, nas seguintes proporções: 3 x 4 x 2 x 2 x 4. As peças diferenciam-se pelas inscrições em japonês escritas nos planos superior e inferior, conforme a peça esteja ou não promovida. As peças quase que ocupam todo espaço da casa, os lados menores medem 3 cm aproximadamente. Existe também uma variante, Nana Shogi, que se joga com peças no formato de dados de seis lados; nela cada peça pode assumir seis valores diferentes. Esta variante é jogada em um tabuleiro de 9 casas ( 3 X 3). E não se pode confundi-la com uma versão mais fácil do jogo, como na de tabuleiro 4 X 3.

Para que deficientes visuais possam jogar pode-se colocar uma pequena variação no tamanho das peças: quanto mais importante a peça, maior o seu tamanho.

Peças[editar | editar código-fonte]

Se joga sobre um tabuleiro de 9 filas por 9 colunas.

Cada jogador dispõe de 20 peças iguais às do outro jogador. Se diferenciam as peças de um jogador das do outro pela direção que apontam sobre o tabuleiro. É assim definido pois uma vez capturada uma peça do adversário pode-se utilizar junto às outras peças de quem capturou. Além disso algumas peças têm desenhos em ambas as partes para identificar quando uma peça foi promovida. As 20 peças são as seguintes:

  • 1 rei
  • 2 generais de ouro
  • 2 generais de prata
  • 2 cavalos
  • 2 lanceiros
  • 1 bispo
  • 1 torre
  • 9 peões

Movimento das peças[editar | editar código-fonte]

Nome Movimento Peça promovida Movimento
Rei
Preto: 玉将(gyokushō
Branco: 王将(ōshō
Se move uma casa em qualquer direção. - - -
Torre
飛車(hisha
    
   
Anda em qualquer número de casas livres na vertical ou horizontalmente. Torre promovida (Dragão Rei)
龍王(ryūō
Pode andar como uma torre, bem como uma casa na diagonal.
Bispo
角行(kakugyō
 
   
 
Pode andar qualquer número de casas livres na diagonal. Bispo promovido (Dragão Cavalo)
龍馬(ryūme o ryūma
Se move como o bispo, bem como uma casa na horizontal ou vertical.
General de ouro
金将(kinshō
   
Uma casa na vertical, horizontal ou diagonalmente para frente. Não pode movimentar-se diagonalmente para atrás. - - -
General de prata
銀将(ginshō
   
 
Uma casa em diagonal para frente, uma casa em diagonal para atrás ou uma casa para frente. 5 movimentos possíveis. General de prata promovido
成銀(narigin
   
Igual ao general de ouro.
Cavalo (Cavaleiro)
桂馬(keima
 
     
   
O cavalo tem um movimento complexo composto por uma casa para frente e uma casa diagonal para frente. Tem dois movimentos possíveis. Não pode recuar. Pode saltar sobre outras peças que se encontrem em seu caminho, desde que a casa de destino esteja vazia ou ocupada pela peça de um oponente. Cavalo promovido
成桂(narikei
   
Igual ao general de ouro.
Lanceiro
香車(kyōsha
   
     
Se move qualquer número de casas livres para frente. Não pode recuar. Lanceiro promovido
成香(narikyō
   
Igual ao general de ouro.
Peão
歩兵(fuhyō
   
     
Se move uma casa para frente. Peão promovido
と金(tokin)
   
Igual ao general de ouro.

Movimentos[editar | editar código-fonte]

Rei[editar | editar código-fonte]

Uma casa para qualquer direção.

   
O rei
   
         
   
   
   
         

Torre[editar | editar código-fonte]

Qualquer número de casas na vertical ou horizontal.

   
A Torre
   
       
       
       
       

Bispo[editar | editar código-fonte]

Qualquer número de casas na diagonal (não havia na versão original, foi importada do xadrez ocidental);

   
O Bispo
   
     
     
       
     
     

General de Ouro[editar | editar código-fonte]

Uma casa em qualquer direção, menos nas diagonais para trás.

   
O general de ouro
   
         
   
   
       
         

General de prata[editar | editar código-fonte]

Uma casa para frente na diagonal ou na vertical, ou uma casa para trás na diagonal;

   
O general de prata
   
         
   
       
     
         

Cavalo[editar | editar código-fonte]

Num mesmo movimento, uma casa na vertical para frente e outra na diagonal para frente; não pode recuar.

   
O cavalo
   
     
         
       
         
         

Lança[editar | editar código-fonte]

Qualquer número de casas na vertical para frente; não pode recuar.

   
A lança
   
       
       
       
         
         

Peão[editar | editar código-fonte]

Uma casa para frente.

   
O peão
   
         
       
       
         
         

Promoção[editar | editar código-fonte]

Quem chegar na zona de promoção pode escolher promover sua peça o que vai lhe dar novos movimentos.

Zona de Promoção (verde)
                 
                 
                 
                 
                 
                 
             
  • O general de prata, o cavalo, a lança, ou o peão assumem o movimento de um general de ouro
  • A torre ou o bispo além do seu movimento normal ganha mais um movimento. Uma casa na diagonal no caso da torre e uma casa na horizontal ou vertical no caso do bispo.

Torre promovida (Dragão)[editar | editar código-fonte]

A torre promovida se move como torre mais o movimento de um rei

   
Torre promovida
   
       
   
   
       

Bispo promovido (Cavalo)[editar | editar código-fonte]

O bispo promovido se move como bispo e como rei.

   
Bispo promovido
   
     
   
   
   
     

Promoções[editar | editar código-fonte]

Quando uma peça chega às últimas três linhas ela pode ou não ser promovida. A decisão fica a critério do jogador. Ele tem a oportunidade de escolher se promove ou não suas peças, toda vez que movimentá-las por estas casas. Se o lanceiro, o cavalo ou o peão chegarem à última linha, a promoção torna-se obrigatória.

Todas as peças quando são promovidas tornam-se general de ouro, com exceção do bispo, torre e do próprio general de ouro. O bispo, além de seu movimento normal, ganha o direito de andar uma casa na vertical ou horizontal. A torre, além de seu movimento normal ganha o direito de andar uma casa na diagonal. O General de ouro não pode ser promovido.

Captura[editar | editar código-fonte]

A captura é igual ao movimento.

Quando se captura uma peça, ela passa a fazer parte de seu exército, mas sem a promoção. Pode-se colocá-la em qualquer lugar do tabuleiro. E ela tem de ser capaz de fazer pelo menos um movimento. O peão não pode entrar dando xeque mate, nem em uma coluna onde já exista um peão não promovido do mesmo exército.

Se um rei entrar sem querer na linha de ataque de uma peça, ele pode ser capturado e o jogo acaba.

Posições[editar | editar código-fonte]

Os peões se colocam na terceira linha (são nove no total); o bispo na segunda linha e segunda coluna; a torre na segunda linha e oitava coluna; os lanceiros na primeira linha, uma na primeira coluna e outro na nona coluna; os cavaleiros na primeira linha, um na segunda coluna e outro na oitava coluna; os generais de prata na primeira linha, uma da terceira coluna e outro na sétima; os generais de ouro na primeira linha, um na quarta coluna outro na sexta; e o rei na primeira linha e quinta coluna.

Curiosidade[editar | editar código-fonte]

Em 1604 havia jogadores que, se vivos hoje, poderiam disputar o campeonato contra os maiores profissionais de shogi, sem necessidade de nenhum retoque nas aberturas. Similarlmente, no go, os melhores jogadores da história viveram há mais de cem anos, não hoje. Veja, por exemplo, "Invencível: Os Jogos de Shusaku, o maior gênio japonês de go que já existiu", traduzido por John Power, The Ishi Press, Chigasaki, Japão, 1983.[8]

Há base sólida para afirmar que o xadrez ocidental é realmente a versão mais recente do jogo. Apenas por ser o xadrez ocidental tão novo é que existe a necessidade da mais nova versão da "Enciclopédia de Aberturas de Xadrez" para que nos mantenhamos em dia com os últimos desenvolvimentos. Daqui a duzentos anos, o conhecimento das novidades em teoria de aberturas pode não ser mais tão importante como é hoje.[9]

Locais aonde jogar Shogi no Brasil[editar | editar código-fonte]

  • Associação Brasileira de Shôgui - ブラジル将棋連盟
  • Rua Galvão Bueno, 17 - Liberdade - São Paulo - SP
  • Telefone: (11) 3209-7687
  • link do facebook: [1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]