Sinfonia n.º 7 (Mahler)

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A Sinfonia n.º 7 em Si Menor de Gustav Mahler, chamada Canção da Noite, é a sétima sinfonia que Mahler compôs. Foi escrita entre 1904 e 1905 e constitui o ponto mais avançado do modernismo de Mahler. Trata-se da sinfonia do compositor que mais tempo demorou a ser gravada em disco (1953), e a menos popular. Consta de cinco andamentos.

História[editar | editar código-fonte]

A dificuldade de delimitar a unidade entre os distintos andamentos da Sétima é talvez devida ao facto de que os dois Nachtmusiken tenham sido compostos antes dos três andamentos restantes. Enquanto Mahler trabalhava ainda na sua Sexta Sinfonia, criou os dois noturnos. Era a primeira vez em que trabalhava simultaneamente em duas grandes obras. Encontrou um ano mais tarde a inspiração para os três andamentos restantes, que escreveu em apenas quatro semanas. A sinfonia foi estreada em Praga em 19 de setembro de 1908, dirigida pelo próprio Mahler e executada pela Orquestra Filarmónica Checa. Entre os assistentes estava Otto Klemperer, maestro na então Deutsches Landestheater da cidade, por recomendação do próprio Mahler.

Movimentos[editar | editar código-fonte]

  1. Langsam. Nicht Schleppend.-Allegro Risoluto, ma non troppo.
  2. Nachtmusik. Allegro moderato-Molto moderato
  3. Scherzo. Schatenchaft. Fliessender aber nicht schnell.- Trio.
  4. Nachtmusik. Andante amoroso. Aufschwung.
  5. Rondo-Finale. Allegro Ordinario.-Allegro moderato ma energico.

Análise[editar | editar código-fonte]

Langsam (Adagio) - Allegro risoluto, ma non troppo[editar | editar código-fonte]

O primeiro andamento é uma forma-sonata. A introdução lenta, em tom menor, cria um clima misterioso, graças ao seu estranho ritmo de marcha lenta. A sombria melodia, interpretada por um tenorhorn,[1] contribui para criar este ambiente. Gradualmente o ritmo acelera até alcançar o Allegro, no qual se alternam os tons maior e menor, enquanto se desenvolve o tema principal, de carácter decidido. Uma secção central introduz um momento de calma e reflexão, que dá lugar à reexposição, na qual reaparece o clima sombrio da introdução, com solos do tenorhorn e do trombone. Na intensa coda triunfa o tom maior.

Nachtmusik I[editar | editar código-fonte]

O segundo andamento é a primeira Nachtmusik ("música noturna"), marcada Allegro moderato - Molto moderato, e apresenta uma estabilidade de tempo invulgar em Mahler. Também é estranho o carácter de marcha militar lenta, que não casa muito bem com o seu tom de "noturno". Dois seguidores de Mahler, Alphons Diepenbrock e Willem Mengelberg, assinalaram que a inspiração para a composição deste andamento ocorreu a Mahler depois de contemplar "A Ronda da Noite", de Rembrandt, no Rijksmuseum de Amesterdão.[2]

Scherzo[editar | editar código-fonte]

O terceiro andamento é um scherzo, marcado como “Schattenhaft. Fliessend aber nicht schnell” (“Fantasmagórico. Fluido, mas não rápido”). A atmosfera fantástica (schattenhaft) é evidente desde o início do andamento, graças à deslocação do ênfase do ritmo dentro do compasso ternário. Todo o andamento é uma desfiguração do ritmo da valsa vienense, com um marcado carácter expressionista, com frequentes dissonâncias, e efeitos orquestrais, como o que, no clímax do andamento, exige aos instrumentistas de cordas graves um pizzicato executado com tal violência (marcado fffff) que a corda é golpeada sobre a escala do instrumento.

Nachtmusik II[editar | editar código-fonte]

O quarto andamento é o segundo Nachtmusik, marcado Andante amoroso, Aufschwung (com impulso). É caracterizada pela forte presença da harpa, da guitarra e também do bandolim.

Rondo-Finale[editar | editar código-fonte]

O quinto e último andamento tem o título Rondó-Finale, no tempo de Allegro ordinario.

Instrumentação[editar | editar código-fonte]

Madeiras
Flautim
4 Flautas (4ª dobrando o 2.º flautim)
3 Oboés (3º dobrando Corne inglês)
3 Clarinetes em Si bemol e Lá
Clarinete baixo em Si bemol e Lá
Requinta
3 Fagotes (3.º dobrando Contrafagote)
Metais
4 Trompas em Fá
Bombardino em Si bemol[1]
3 Trompetes em Fa e Si bemol
3 Trombones
Tuba

Estreias[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. a b A especificação deste instrumento na partitura, que Mahler denomina Tenorhorn causou bastante confusão, como sucedeu historicamente, em geral, com os instrumentos da família do bombardino. Em alemão, corresponde claramente com o Tenorhorn, que se distingue dos bombardinos por ser um instrumento que utiliza cilindros, em lugar de pistões.
  2. Henri Louis da Grange. Une Discographie de Gustav Mahler (em francês). Visitado em 15 de dezembro de 2011.
  3. Numa breve passagem do último movimento, Mahler exige que o tímpano execute um tremolo em fortissimo sobre uma nota excecionalmente grave (ré bemol), impossível de alcançar para os instrumentos normalmente presentes nas orquestras sinfónicas. Normalmente, esta nota é substituída por outras para esta passagem mas a orquestra do Concertgebouw de Amesterdão (de longa tradição mahleriana) dispõe de um tímpano especial, de 41 polegadas (104 cm) de diâmetro, do construtor neerlandês van den Hoek, que só se utiliza por ocasião da interpretação desta sinfonia, e que se pode ouvir na gravação da obra dirigida por Riccardo Chailly e editada pela Decca. Referências a este tema em [1] e [2]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]