Terra em Transe

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Terra em Transe
 Brasil
1967 • p&b • 106 min 
Direção Glauber Rocha
Roteiro Glauber Rocha
Elenco Jardel Filho
Glauce Rocha
José Lewgoy
Paulo Autran
Paulo Gracindo
Género drama
Idioma português
Página no IMDb (em inglês)

Terra em Transe é um filme brasileiro de 1967, do gênero drama, roteirizado e dirigido por Glauber Rocha.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Na fictícia República de Eldorado, Paulo Martins é um jornalista idealista e poeta ligado ao político conservador em ascensão e tecnocrata Porfírio Diaz e à amante dele, a meretriz Silvia, com quem também mantêm um caso formando um triângulo amoroso. Quando Diaz se elege senador, Paulo se afasta e vai para a província de Alecrim, onde conhece a ativista Sara. Juntos eles resolvem apoiar o vereador populista Felipe Vieira para governador na tentativa de lançarem um novo líder político, supostamente progressista, que guie a mudança da situação de miséria e injustiça que assola o país. Ao ganhar a eleição, Vieira se mostra fraco e controlado pelas forças econômicas locais que o financiaram e não faz nada para mudar a situação social, o que leva Paulo, desiludido, a abandonar Sara e retornar à capital e voltar a se encontrar com Sílvia. Se aproxima de Júlio Fuentes, o maior empresário do país, e lhe conta que o presidente Fernandez tem o apoio econômico de uma poderosa multinacional que quer assumir o controle do capital nacional. Quando Diaz vai para a disputa da Presidência com o apoio de Fernandez, Fuentes cede um canal de televisão para Paulo que o usa para atacar o candidato. Vieira e Paulo se unem novamente na campanha da presidência até que Fuentes trai ambos e faz um acordo com Diaz. Paulo quer partir para a luta armada mas Vieira desiste.

O filme pode ser lido como uma grande parábola da história do Brasil no período 1960-66, na medida em que metaforiza em seus personagens diferentes tendências políticas presentes no Brasil no contexto. Realiza uma exaustiva crítica de todos aqueles que participaram desse processo, incluindo as diferentes correntes da chamada esquerda brasileira. Isto foi um dos motivos pelos quais foi tão mal recebido pela crítica e pelos intelectuais nacionais.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Equipe técnica e artística[editar | editar código-fonte]

A direção de fotografia coube a Luis Carlos Barreto e Dib Lufti; a música foi de Sérgio Ricardo; e a montagem de Eduardo Escorel. Luís Carlos Barreto, Carlos Diegues e Raimundo Wanderley, juntos a Glauber Rocha, foram os produtores associados no filme.

Principais prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Festival de Cannes 1967 (França)

  • Glauber Rocha recebeu os prêmios Luis Buñuel e Fipresci no XX Festival.

Festival de Havana 1967 (Cuba)

  • Recebeu o Prêmio da Crítica e o de Melhor Filme.

Festival de Locarno 1967 (Suiça)

  • Glauber Rocha recebeu o prêmio Grand Prix.

Festival de Cinema de Juiz de Fora (Brasil)

  • Venceu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (José Lewgoy), Melhor Atriz (Glauce Rocha) e Menção Honrosa (Luiz Carlos Barreto).

Prêmio Governo do Estado de São Paulo (Brasil)

  • Recebeu os prêmios de Melhor Atriz (Glauce Rocha), Melhor Argumento (Glauber Rocha), Melhor Fotografia (Dib Lutfi) e Melhor Montagem (Eduardo Escorel).

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • Filme alegórico, Terra em Transe enfrentou, na época, problemas com a censura estabelecida no Brasil, ao mostrar um fictício país latino-americano, denominado Eldorado, governado pelo déspota Diaz.
  • Apesar do que se pensar, a cidade onde toda a trama se passa, Alecrim, não é a capital de Eldorado, como se pode constatar no diálogo em que Vieira apresenta Sílvia a Martins, logo ao início do filme (0°20'54).
  • Em abril de 1967, o filme foi proibido em todo território nacional, por ser considerado subversivo e irreverente com a Igreja e só foi liberado com a condição de que fosse dado um nome ao padre interpetrado por Jofre Soares.
  • Porfirio Díaz foi o nome de um ditador que governou o México por 31 anos.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Jean-Claude Bernadet. Brasil em Tempo de Cinema. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.
  • Ismail Xavier. Sertão Mar. Glauber Rocha e a estética da fome. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]