Alma Mahler-Werfel

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Alma Schindler em 1899

Alma Maria Mahler-Werfel (nascida Schindler; Viena, 31 de agosto de 1879Nova Iorque, 11 de dezembro de 1964), mais conhecida como Alma Mahler , foi uma compositora e pintora austríaca.

Foi uma das mulheres mais importantes, ativas e vitais do século XX, musa de muitos génios da sua época. Foi casada com o compositor Gustav Mahler e, posteriormente, com o arquiteto Walter Gropius e com o poeta Franz Werfel. Teve também relacionamentos amorosos com o compositor Alexander Zemlinsky e com os pintores Oskar Kokoschka e Gustav Klimt.

Vida[editar | editar código-fonte]

Nascida em Viena em 1879, Alma cresceu num meio privilegiado. Gustav Klimt, co-fundador da "Secessão de Viena" e brilhante pintor do Jungendstil, costumava frequentar bastante a casa dos pais de Alma, conseguindo assim roubar-lhe o primeiro beijo. O compositor Alexander Zemlinsky foi seu tutor de composição musical e também um dos seus primeiros namorados.

Em 9 de março de 1902, Alma se casa com Gustav Mahler, então diretor da Ópera de Viena e dezenove anos mais velho do que ela. Contudo, o preço que Alma teve que pagar por esta relação foi alto: teve de desistir das suas próprias aspirações artísticas e de prescindir do seu sonho de vir a ser compositora. O casal teve duas filhas, Maria (1902–1907), que morreu de escarlatina ou difteria, e Anna (1904–1988), que se tornou escultora.

Alma e as filhas Maria e Anna Mahler (c. 1906)

Em 1910 Alma encontrou consolo nos braços do jovem arquiteto alemão, Walter Gropius, que veio a ter um grande impacto na história da arquitetura moderna com o movimento Bauhaus. O resultado disso foi um encontro entre Sigmund Freud e Mahler, depois que este tomou conhecimento da relação entre Alma e Gropius. Gustav Mahler morreu pouco tempo depois, em 1911. [carece de fontes?]

Em 1912 Alma começou um outro relacionamento apaixonado, com o "enfant terrible" da arte vienense, Oskar Kokoschka. Oskar mandou fazer uma 'apetitosa' boneca em tamanho real, que reproduzia fielmente a sua amada até aos mais íntimos detalhes. Esta possibilitou que Kokoschka se consolasse depois da perda do seu grande amor.[carece de fontes?]

Em 1915, Alma se casa com Walter Gropius. A filha do casal, Manon, nasce em 1916. O casamento acaba pouco depois. Em 1919, Alma já vivia com o poeta judeu Franz Werfel, autor de romances como "A Cantiga de Bernardette" e "Os 40 Dias da Musa Dagh". Ela se divorcia de Gropius em 1920.

Manon, Gropius e Alma (1918).

Em 1929, aos cinquenta anos de idade, Alma casa-se com Werfel. Sua filha Manon Gropius morre de poliomielite em 1935, aos 18 anos de idade. O compositor Alban Berg, grande amigo de Alma, dedica à memória de Manon o seu Concerto para violino.

Quando a Áustria cai nas mãos do exército alemão, os Werfels deixaram Viena (1938) e foram para França. Em 1940 o casal fugiu pelos Pirenéus em direção a Espanha e Portugal.

Em Lisboa, Alma Mahler-Werfel passou os meses mais desafiadores da sua vida. O casal queria deixar a Europa e partir para os Estados Unidos; por isso, embarcaram no barco "Nea Hellas".

Em 1952 Alma Mahler-Werfel retirou-se para Nova Iorque, onde passou os últimos anos da sua vida. Foi então que expôs todos os "troféus" que recebera pela vida afora: pinturas de Oskar Kokoschka, composições de Gustav Mahler, manuscritos de Franz Werfel e ardentes cartas de amor de Walter Gropius.

Em 11 de dezembro de 1964 Alma morreu no seu apartamento em Manhattan.

A música de Alma[editar | editar código-fonte]

A fama de Alma Mahler deve-se em primeiro lugar aos seus casamentos e casos amorosos com os maiores artistas da sua época, sendo o mais notável deles Gustav Mahler, de quem conservou o sobrenome. Como compositora, escreveu muito pouco para poder ser considerada mais que uma figura menor, restando apenas 16 lieder do seu talento em desenvolvimento.

Ainda jovem, Alma era una dotada pianista. Estudou composição com Alexander von Zemlinsky em 1897, escreveu alguns lieder e organizou um trio. A sua música continua a ser tocada nos dias atuais.

Alma em Lisboa[editar | editar código-fonte]

"Alma", uma peça do escritor israelita Joshua Sobol, é a história de Alma Mahler-Werfel. A originalidade da peça é que não é representada no palco de um teatro mas sim num edifício completo, totalmente equipado com mobiliário e adereços que são semelhantes ao local da cena de um filme. Vários episódios da vida de Alma são representados em simultâneo, em todas as salas e pisos do edifício. Cada um tem de escolher os acontecimentos, o caminho e a pessoa que deseja conhecer, construindo a própria versão de um "Polidrama". Convida-se os visitantes a abandonar a posição imóvel do espetador num drama convencional, e a substituí-la pelo papel ativo de um viajante. Serão espetadores de uma “viagem encenada".

Quando Gustav Mahler morre, a meio da peça, o banquete do seu funeral pode ser interativamente seguido pela música e os espetadores são em seguida convidados para um jantar-buffet, durante o intervalo.

A produção alemã da peça para a Semana do Festival de Viena ficou em cartaz durante seis semanas. Posteriormente foi levada a Veneza, onde Alma passou vinte anos da sua vida. Depois do sucesso internacional de "Alma a Venezia", a peça foi encenada em Lisboa, em 2003, com a atriz Simone de Oliveira, no Convento dos Inglesinhos, no Bairro Alto.

Alma Mahler teve uma curta estadia em Lisboa, juntamente com o seu terceiro marido, o escritor judeu Franz Werfel, em 1940, quando a França se rendeu ao exército alemão. Em 1938, , quando a Áustria caiu sob o exército alemão, os Werfel haviam fugido de Viena para França. Em 1940, acompanhados por Heinrich Mann e o seu sobrinho Golo Mann e Alfred Döblin, escaparam a pé pelos acidentados Pirenéus até Espanha, saindo finalmente da Europa em direção aos Estados Unidos, a bordo do Nea Hellas, o último navio de carreira que saiu de Lisboa. Lisboa significou a salvação para eles. Não houve país que tenha ajudado mais refugiados do que Portugal naqueles dias dramáticos. Esse país pequeno tornou-se na passagem de muitos refugiados famosos como Heinrich Mann, Lion Feuchtwanger, Alfred Döblin e Franz Werfel. Na sua autobiografia Alma escreveu: "Nunca esquecerei aqueles dias de paz paradisíaca num país paradisíaco, depois do tormento dos meses anteriores!"

Uma parte importante desta história foi atribuída ao cônsul-geral Aristides de Sousa Mendes, encarregado do Consulado Português em Bordéus, em 1940, que passou vistos de trânsito para entrada em Portugal a cerca de 30.000 refugiados, abrindo uma rota de fuga para quem mais nada existia.

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