bell hooks

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bell hooks
bell hooks en novembre 2009
Nascimento Gloria Jean Watkins
25 de setembro de 1952 (69 anos)
Hopkinsville
Cidadania Estados Unidos
Etnia afro-americanos
Alma mater
Ocupação filósofa, professora universitária, escritora, ativista
Prêmios
  • Prêmios American Book (1991)
Empregador Universidade do Sul da Califórnia, Universidade Yale, Oberlin College, Berea College, Universidade da Cidade de Nova Iorque, Universidade Estadual de São Francisco, Universidade de Utreque
Obras destacadas Ain't I a Woman?, All About Love: New Visions, We Real Cool: Black Men and Masculinity, Feminist Theory: From Margin to Center, Bone Black: Memories of Girlhood
Religião budismo

Gloria Jean Watkins (Hopkinsville, 25 de setembro de 1952), mais conhecida pelo pseudônimo bell hooks (escrito em minúsculas),[1][2] é uma autora, professora, teórica feminista, artista e ativista antirracista estadunidense.

hooks publicou mais de trinta livros e numerosos artigos acadêmicos, apareceu em vários filmes e documentários, e participou de várias palestras públicas. Sua obra incide principalmente sobre a interseccionalidade de raça, capitalismo e gênero, e aquilo que hooks descreve como a capacidade destes para produzir e perpetuar sistemas de opressão e dominação de classe. hooks tem uma perspectiva pós-moderna e influenciada pela pedagogia crítica de Paulo Freire.[3] Em 2014, fundou o bell hooks Institute com sede no Berea College,[4] em Berea, Kentucky.

Biografia[editar | editar código-fonte]

bell hooks cresceu em em Hopkinsville, uma pequena cidade segregada do estado de Kentucky, no sul dos Estados Unidos. Ela cresceu em uma família de classe trabalhadora: seu pai, Veodis Watkins, era zelador e sua mãe, Rosa Bell Watkins, empregada doméstica em casas de famílias brancas. Além dos pais, ela foi criada com cinco irmãs e um irmão.[5] [6]

O nome "bell hooks" foi inspirado na sua bisavó materna, Bell Blair Hooks.[7] A letra minúscula pretende dar enfoque ao conteúdo da sua escrita e não à sua pessoa. O seu objectivo, porém, não é ficar presa a uma identidade em particular mas estar em permanente movimento.[8]

No contexto de segregação racial nos Estados Unidos, quando existiam as "Jim Crow", leis oficializavam o sistema de segregação, as escolas também eram separadas por raça. Assim, ela inicialmente foi educada em escolas públicas segregadas racialmente, nas quais, segundo ela, foi possível experimentar a educação como a prática de sua liberdade.[9] Aos 10 anos começa a escrever os seus primeiros poemas.[10] Ao fazer a transição para uma escola integrada, onde professores e alunos eram predominantemente brancos, hooks enfrentou grandes adversidades.[9]

Depois de ter frequentado a Escola Secundária de Hopkinsville, em Hopkinsville, Kentucky, ela conseguiu uma bolsa de estudo para concretizar a sua licenciatura em Letras na Universidade de Stanford em 1973. Começa a escrever Não serei eu Mulher? aos 19 anos, ao mesmo tempo em que trabalha como operadora de telefone. [10]

Ela fez seu mestrado também em Letras na Universidade de Wisconsin-Madison, em 1976. Em 1983, após vários anos de ensino e escrita, concluiu o seu doutoramento na Universidade da Califórnia, Santa Cruz, com uma dissertação sobre a autora Toni Morrison.[11][12]

Percurso[editar | editar código-fonte]

A sua carreira de professora começou em 1976 como professora de Inglês e professora sénior de Estudos Étnicos na Universidade do Sul da Califórnia[13], depois de terminado o doutoramento em literatura inglesa. Durante os anos que leccionou nesta Universidade, Golemics, uma editora de Los Angeles, publicou a sua primeira obra, um livro de poemas intitulado "And There We Wept" (1978), escrito sob o pseudónimo de "bell hooks".[14]

Ensinou em várias instituições pós-ensino secundário no início dos anos 80 e 90, incluindo a Universidade da Califórnia, Santa Cruz, Universidade do Estado de São Francisco, Yale, Oberlin College e City College of New York. Em 1981, a South End Press publicou o seu primeiro trabalho principal, "Ain't I a Woman? Black Women and Feminism", escrito anos antes quando era uma estudante universitária. [15] A seguir à publicação de "Ain't I a Woman?" ganhou um reconhecimento generalizado pela contribuição para o pensamento feminista.

Depois de ter ocupado vários cargos na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, Califórnia, no início da década de 1980, aceitou o cargo para lecionar Estudos Afro-Americanos na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut. Em 1988 entrou para o corpo docente de Oberlin College, em Ohio, para em Estudos sobre as Mulheres. Quando começou a trabalhar no City College de Nova Iorque em 1995, hooks mudou-se para a editora Henry Holt e saiu da Killing Rage.[16]

Apesar de ter escrito o primeiro rascunho de Não Serei Eu Mulher? aos 19 anos, o livro só foi publicado em 1981 quando ela tinha 29, depois de receber seu doutorado. A autora atribui à relação com sua mãe, Rosa Bell, a inspiração para escrever o livro, por ter sido uma mulher que incentivou as seis filhas a serem capazes de cuidar de si sem jamais dependerem de um homem. Onze anos depois, o site Publishers Weekly, especialista no ramo de publicação literária, avaliou Não Serei Eu Mulher? como um dos vinte livros mais influentes escritos por mulheres nos vinte anos anteriores. [12] [17]

Obras traduzidas[editar | editar código-fonte]

  • Tudo sobre o amor (2021). São Paulo: Editora Elefante. ISBN: 9786587235240[18]
  • Teoria Feminista - Da Margem ao Centro (2020). Lisboa: Orfeu Negro. EAN: 9789898868886[19]
  • Ensinando pensamento crítico: sabedoria prática (2020). São Paulo: Editora Elefante. ISBN: 978-65-87235-12-7[20]
  • Anseio: raça, gênero e políticas culturais (2019). São Paulo: Editora Elefante. ISBN: 978-85-93115-48-6[21]
  • Olhares Negros: raça e representação (2019). São Paulo: Editora Elefante. ISBN: 978-85-93115-21-9[22]
  • Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra (2019). São Paulo: Editora Elefante. 2019 ISBN: 978-85-93115-25-7[23]
  • Não serei eu mulher? - As mulheres negras e o feminismo (2018) Lisboa: Orfeu Negro. EAN 9789898868343[24]

Referências

  1. Smith, Dinitia (28 de setembro de 2006). «Chicago Manual of Style Online - Report». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331 
  2. 1952-, hooks, bell,. Talking back : thinking feminist, thinking black. Boston, MA: [s.n.] ISBN 0896083527. OCLC 18135510 
  3. 1952-, hooks, bell, (1994). Teaching to transgress : education as the practice of freedom. New York: Routledge. ISBN 0415908086. OCLC 30668295 
  4. «About». bell hooks Institute (em inglês). Consultado em 9 de março de 2018 
  5. «Mulheres na Filosofia: bell hooks». UNICAMP. Consultado em 1 de outubro de 2021 
  6. «Bell Hooks Biography - life, childhood, children, name, school, mother, young, book, information, born». www.notablebiographies.com. Consultado em 30 de janeiro de 2021 
  7. hooks, bell, "Inspired Eccentricity: Sarah and Gus Oldham" in Family: American Writers Remember Their Own (ed. Sharon Sloan Fiffer and Steve Fiffer), New York: Vintage Books, 1996 (p. 152).
  8. Tworkov, Helen. «Agent of Change: An Interview with Bell Hooks». Tricycle: The Buddhist Review (em inglês) 
  9. a b Scanlon, Jennifer (1999). Significant Contemporary American Feminists: A Biographical Sourcebook. Westport, CT: Greenwood Press. pp. 125–132. ISBN 978-0313301254 
  10. a b «Bell Hooks Biography - life, childhood, children, name, school, mother, young, book, information, born». www.notablebiographies.com. Consultado em 30 de janeiro de 2021 
  11. Faria, Ângela Beatriz de Carvalho (1 de julho de 2011). «A sedução da escrita em A Cidade de Ulisses, de Teolinda Gersão, ou "um corpo" (de uma mulher, de uma cidade e de um livro) "com que se faz amor"». Revista Diadorim. ISSN 1980-2552. doi:10.35520/diadorim.2011.v9n0a3927. Consultado em 1 de outubro de 2021 
  12. a b Moreira, Marília (14 de dezembro de 2019). «Clássico do feminismo negro, obra de estreia de bell hooks é relançada no Brasil». Jornal Correio. Consultado em 1 de outubro de 2021 
  13. «Bell Hooks Biography - life, childhood, children, name, school, mother, young, book, information, born». www.notablebiographies.com. Consultado em 18 de março de 2021 
  14. 3023511. «The Sandspur Vol 112 Issue 17». Issuu (em inglês). Consultado em 18 de março de 2021 
  15. 3023511. «The Sandspur Vol 112 Issue 17». Issuu (em inglês). Consultado em 18 de março de 2021 
  16. «Bell Hooks Biography - life, childhood, children, name, school, mother, young, book, information, born». www.notablebiographies.com. Consultado em 30 de janeiro de 2021 
  17. Peres, Tadeu Breda, Bianca Oliveira, Leonardo Garzaro, João (5 de fevereiro de 2019). «Quem é bell hooks?». Editora Elefante. Consultado em 1 de outubro de 2021 
  18. Peres, Tadeu Breda, Bianca Oliveira, Leonardo Garzaro, João. «Tudo sobre o amor Editora Elefante». Consultado em 30 de janeiro de 2021 
  19. «Teoria Feminista». orfeu negro. Consultado em 19 de janeiro de 2021 
  20. Peres, Tadeu Breda, Bianca Oliveira, Leonardo Garzaro, João. «Ensinando pensamento crítico Editora Elefante». Consultado em 30 de janeiro de 2021 
  21. Peres, Tadeu Breda, Bianca Oliveira, Leonardo Garzaro, João. «Anseios Editora Elefante». Consultado em 19 de janeiro de 2021 
  22. Peres, Tadeu Breda, Bianca Oliveira, Leonardo Garzaro, João. «Olhares negros Editora Elefante». Consultado em 19 de janeiro de 2021 
  23. Peres, Tadeu Breda, Bianca Oliveira, Leonardo Garzaro, João. «Erguer a voz Editora Elefante». Consultado em 19 de janeiro de 2021 
  24. «Não serei eu mulher?». orfeu negro. Consultado em 19 de janeiro de 2021