Bruno Pereira

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Bruno Pereira
Nome completo Bruno da Cunha Araújo Pereira
Nascimento 15 de agosto de 1980[1]
Recife, Pernambuco, Brasil[2]
Morte junho de 2022 (41 anos)
Atalaia do Norte, Amazonas,
Brasil
Nacionalidade brasileiro
Profissão Indigenista
Causa da morte Assassinato

Bruno da Cunha Araújo Pereira (Recife,[2] 15 de agosto de 1980[1]Atalaia do Norte, junho de 2022) foi um indigenista e servidor de carreira da Fundação Nacional do Índio (Funai).[3] Foi considerado uns dos maiores especialistas em indígenas isolados ou de recente contato do país e exímio conhecedor do Vale do Javari.[4]

Infância e educação

Bruno nasceu no Recife e tinha dois irmãos. Ele era filho de um casal de paraibanos que veio morar na capital pernambucana.[1]

Foi aluno do antigo colégio Contato, onde se formou no ensino médio em 1998, na unidade do bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.[1] Bruno começou a estudar jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 2000, mas deixou o curso em 2003.[2]

Carreira

Depois de desistir da faculdade, Bruno trabalhou por um período no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Recife.[5] Após conseguir um trabalho no programa ambiental da Usina Hidrelétrica de Balbina, foi para a região da Amazônia.[2]

Após alguns anos na hidrelétrica, foi aprovado no concurso da Fundação Nacional do Índio (Funai) e escolheu ir para o Vale do Javari, a terra indígena que tem a maior concentração de indígenas isolados do mundo. Em 2018, Pereira se tornou o coordenador-geral de Índios Isolados e de Recém Contatados da Funai, quando chefiou a maior expedição para contato com índios isolados.[2]

Em 2019, ele liderou a maior expedição para contato com índios isolados dos últimos 20 anos. Entretanto, após pressão de setores ruralistas ligados ao Governo Jair Bolsonaro, foi exonerado do cargo em outubro daquele ano pelo então secretário executivo de Sergio Moro no Ministério da Justiça, Luiz Pontel.[3][6][7]

De acordo com entidades indígenas, Bruno era constantemente ameaçado por garimpeiros, madeireiros e pescadores.[3][6][8]

Bruno também coordenou um projeto para equipar indígenas visando à defesa de seu território, por meio de drones, computadores e treinamento. Bruno Pereira afirmava que os invasores se sentiam mais à vontade em decorrência da permissividade do poder público, tendo a vigilância passado por um processo de enfraquecimento contínuo.[9]

Vida pessoal

Bruno era casado com a antropóloga Beatriz Matos, com quem teve dois filhos. Ele também teve um terceiro filho de outro relacionamento.[1]

Assassinato

Dom Philips e Bruno Pereira.png

Em 5 de junho de 2022, o indigenista brasileiro Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados durante uma viagem pelo Vale do Javari, segunda maior terra indígena do Brasil, no extremo-oeste do Amazonas.[10]

Bruno e Dom visitaram o Lago do Jaburu, uma localidade próxima da Base de Vigilância da Fundação Nacional do Índio (Funai) no rio Ituí, para entrevistar indígenas e ribeirinhos para um livro sobre a Amazônia.[11][12][13] Mais tarde, com a expedição praticamente concluída, eles se deslocaram para a comunidade São Rafael, onde fariam uma reunião com um pescador local.[11] O crime ocorreu no trajeto entre a comunidade e o município de Atalaia do Norte.[12] Após 10 dias de buscas, um dos suspeitos presos pela Polícia Federal (PF) confessou o envolvimento nos assassinatos e indicou a localização dos corpos.[14][15] Os restos mortais encontrados foram levados a Brasília,[16] periciados e confirmados como pertencentes a Bruno Pereira[17][18] e Dom Phillips.[19][20]

O crime gerou repercussão na imprensa internacional[21][22][23] e críticas ao enfraquecimento de instituições ambientais promovido pela gestão de Jair Bolsonaro.[24][25] O governo brasileiro reagiu tarde ao desaparecimento e não adotou medidas de buscas suficientes.[26][27][28][29]

Ver também

Referências

  1. a b c d e Priscilla Aguiar (16 de junho de 2022). G1, ed. «Bruno Pereira recebe homenagens por trajetória de defesa de povos indígenas; 'comprometido com causas importantes', diz reitor da UFPE». Consultado em 16 de junho de 2022 
  2. a b c d e Priscilla Aguiar (15 de junho de 2022). G1, ed. «Bruno Pereira fez jornalismo na UFPE e participaria de filme inspirado no seu trabalho e na proteção de indígenas; 'Ele será uma inspiração', diz amigo». Consultado em 16 de junho de 2022 
  3. a b c «Saiba quem é Bruno Pereira, indigenista e servidor da Funai dado como desaparecido no Amazonas». G1. 6 de junho de 2022. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 10 de junho de 2022 
  4. Leandro Prazeres (13 de junho de 2022). «Treinado na selva, Bruno Pereira superou desconfiança e ganhou respeito de indígenas». BBC. Consultado em 14 de junho de 2022. Cópia arquivada em 14 de junho de 2022 
  5. «Indigenista Bruno Pereira cursou jornalismo na UFPE e trabalhou no INSS em Recife». Diário de Pernambuco. 16 de junho de 2022. Consultado em 18 de junho de 2022 
  6. a b Ana Luiza Albuquerque; João Gabriel (8 de junho de 2022). «Indigenista Bruno Pereira acumula anos de experiência e ameaças na Amazônia»Subscrição paga é requerida. Folha de S.Paulo. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 11 de junho de 2022 
  7. «Indigenista desaparecido pediu licença da Funai após ser exonerado por sub de Moro». UOL. 8 de junho de 2022. Consultado em 14 de junho de 2022. Cópia arquivada em 14 de junho de 2022 
  8. Daniel Biasetto (6 de junho de 2022). «Bilhete com ameaça a indigenista da Funai partiu de pescadores invasores; veja»Subscrição paga é requerida. O Globo. Consultado em 14 de junho de 2022. Cópia arquivada em 10 de junho de 2022 
  9. «Projeto equipa e treina indígenas para defenderem seu território em área ameaçada». WWF Brasil. 10 de dezembro de 2021. Consultado em 16 de junho de 2022. Cópia arquivada em 16 de junho de 2022 
  10. Fontes incluem, mas não se limitam a
  11. a b «Dom Phillips estava escrevendo um livro sobre a Amazônia; Bruno Pereira auxiliava o jornalista». Jornal Nacional. 16 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 17 de junho de 2022 
  12. a b Narley Resende (16 de junho de 2022). «Mapas mostram trajeto feito por criminosos após morte de Bruno e Dom». Rede Bandeirantes. Consultado em 16 de junho de 2022. Cópia arquivada em 17 de junho de 2022 
  13. Ana Luiza Albuquerque (9 de junho de 2022). «Entenda o que se sabe sobre desaparecimento de indigenista e jornalista no AM»Subscrição paga é requerida. Folha de S.Paulo. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 13 de junho de 2022 
  14. Tainá Andrade (16 de junho de 2022). «Caso Bruno e Dom: o trágico fim de defensores da Amazônia». Correio Braziliense. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 17 de junho de 2022 
  15. «Bruno Pereira e Dom Phillips: a cronologia do caso, desde o início da viagem». G1. 15 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 16 de junho de 2022 
  16. Julia Duailibi (16 de junho de 2022). «Caso Bruno e Dom: Avião com restos mortais chega a Brasília na noite desta quinta». G1. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 16 de junho de 2022 
  17. Vladimir Netto (18 de junho de 2022). «PF confirma que restos mortais encontrados na Amazônia são do indigenista Bruno Pereira». G1. Consultado em 19 de junho de 2022. Cópia arquivada em 19 de junho de 2022 
  18. Mirelle Pinheiro; Carlos Carone (18 de junho de 2022). «PF confirma que restos mortais encontrados são de Bruno Pereira». Metrópoles. Consultado em 19 de junho de 2022. Cópia arquivada em 19 de junho de 2022 
  19. Naiara Galarraga Gortázar (17 de junho de 2022). «La policía confirma que uno de los fallecidos en la Amazonia es el periodista británico Dom Phillips». El País (em espanhol). Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 18 de junho de 2022 
  20. Vladimir Netto; Mara Puljiz (17 de junho de 2022). «Perícia da PF confirma que restos mortais encontrados na Amazônia são do jornalista Dom Phillips». G1. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 18 de junho de 2022 
  21. «Desaparecimentos de Bruno e Dom geram repercussão na imprensa internacional». CNN Brasil. 16 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 18 de junho de 2022 
  22. «'Coração despedaçado': Imprensa internacional repercute caso Dom e Bruno». Veja. 16 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 17 de junho de 2022 
  23. «Morte de Dom e Bruno repercute na imprensa internacional». Terra. 16 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 16 de junho de 2022 
  24. «Enfraquecimento da Funai agrava violência a indígenas e servidores». Extra. 12 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 13 de junho de 2022 
  25. «O que o desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips revela sobre disputas na Amazônia»Subscrição paga é requerida. O Globo. 14 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 15 de junho de 2022 
  26. «Brazil: Authorities must not waste another second in search for Dom Phillips and Bruno Pereira» (em inglês). Anistia Internacional. 9 de junho de 2022. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 9 de junho de 2022 
  27. Pepita Ortega (8 de junho de 2022). «Justiça aponta 'omissão' do governo federal e manda reforçar buscas por Dom Phillips e Bruno Pereira». Terra. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 10 de junho de 2022 
  28. «Justiça determina que governo reforce buscas a Bruno Pereira e Dom Phillips». Jornal Nacional. 8 de junho de 2022. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 9 de junho de 2022 
  29. João Gabriel (7 de junho de 2022). «Governo Bolsonaro é cobrado por omissão e minimiza desaparecimento enquanto anuncia ações»Subscrição paga é requerida. Folha de S.Paulo. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 8 de junho de 2022