Ceratocisto odontogênico

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Ceratocisto odontogênico
Classificação e recursos externos
CID-10 K09.0
CID-9 526.0

Ceratocisto odontogênico(CO) ou Queratocisto odontogênico é um cisto benigno, mas localmente agressivo. Acredita-se que sua origem esteja na lâmina dentária e afeta comumente a mandíbula posterior. Está associado com a Síndrome de Gorlin.

Devido ao seu aspecto agressivo e seu potencial de recidiva,o ceratocisto odontogênico é classificado atualmente pela OMS como tumor odontogênico ceratocisto, considerado uma neoplasia benigna.

Etiologia[editar | editar código-fonte]

Há uma concordância geral de que o ceratocisto odontogênico surge a partir dos restos celulares da lâmina dental, e seu crescimento parece estar relacionados a fatores desconhecidos, inerentes ao próprio epitélio(que sofre múltiplas mitoses) ou à atividade enzimática na parede cística.

Nomenclatura[editar | editar código-fonte]

Diversos investigadores sugerem que os ceratocistos odontogênicos sejam considerados como uma neoplasia cística benigna, em vez de como cistos, e na última classificação dos tumores odontogênicos feita pela OMS, essas lesões foram denominadas de “tumor odontogênico ceratocístico”. Os argumentos para apoiar tal alteração de nomenclatura se baseiam, em grande parte, em poucos estudos que mostraram certas alterações genéticas moleculares que estão também presentes em algumas neoplasias. Infelizmente, esses estudos não examinaram outras lesões císticas dos ossos gnáticos; portanto, atualmente não se sabe se essas alterações são exclusivas do ceratocisto odontogênico. A maioria dos patologistas orais e maxilofaciais acreditam que não há evidência suficiente para justificar a alteração de nome dessa lesão amplamente reconhecida, causando, como provável consequência, confusão generalizada dentre os profissionais da comunidade.

Características Clínicas[editar | editar código-fonte]

Os COs podem ser encontrados em pacientes com idade variável, desde à infância até a velhice, mas cerca de 60% dos casos são diagnosticados em pessoas entre 10 e 40 anos. Há uma leve preferência por homens. A mandíbula é acometida em 60% a 80% dos casos com uma marcante tendência para o envolvimento do corpo posterior e do ramo da mandíbula.

Estes tumores tendem a crescer numa direção ântero-posterior, dentro da cavidade medular, sem causar expansão óssea óbvia (diagnóstico clínico e radiográfico diferencial). Geralmente são assintomáticos, porém em grandes dimensões(ocasionando assimetria facial) pode ocorrer dor, edema, drenagem ou ainda serem assintomáticos mesmo em lesões extensas. Na maioria dos casos observa-se lesão com características unilocular (no entanto em lesões grandes pode ser multiloculares), apresentando crescimento unilateral.

Características Radiográficas[editar | editar código-fonte]

Apresentação clássica de um tumor odontogênico ceratocisto na mandíbula do lado direito na região de um dente siso. Lesão unicística crescendo ao longo do osso.

Exibem uma área radiolúcida, com margens escleróticas frequentemente bem definidas. Geralmente são analisadas radiografias panorâmicas e tomografia computadorizada, pois a radiografia panorâmica fornece, com qualidade, a extensão da lesão cística e sua relação com estruturas adjacentes, no entanto a tomografia computadorizada tem indicação indispensável para o planejamento cirúrgico, apresentando detalhes preciosos sobre a expansão da lesão, a localização de dentes envolvidos e a topografia de suas margens (espessura e perfuração das corticais ósseas)do que as radiografias convencionais. O uso racional indica tomografias computadorizadas somente para lesões extensas. O CO, pode muitas vezes ser confundido com cisto dentígero por em 44% dos casos está associado com dentes inclusos, porém observa-se também menos comum que o radicular, reabsorção óssea das raízes dos dentes adjacentes, normalmente ocorre um deslocamento do dente e não reabsorção da raiz. É importante salientar que apenas o diagnóstico histopatológico é determinante.

Características Histopatológicas[editar | editar código-fonte]

Sabendo-se que o diagnóstico pré-operatório não pode ser estabelecido definitivamente sem suporte histopatológico, a primeira etapa é realizar uma biopsia incisional do ceratocisto que tem finalidade de estabelecer diagnóstico conclusivo. O corte histopatológico apresenta epitélio estratificado pavimento ceratinizado uniforme, com espessura variando entre 6 - 8 camadas de células, camada basal bem definida disposta em paliçada formada por células colunares ou cuboidais, cápsula fibrosa fina e friável, rica em mucopolissacarídeos, sendo as células inflamatórias raras. A camada de ceratina pode ser representada pela paraceratina (80% dos casos) ou pela ortoceratina (20%), sendo a primeira muito mais fina quando comparada a segunda.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico de ceratocisto odontogênico baseia-se nas características histopatológicas. Os achados radiográficos, apesar de serem frequentemente sugestivos, não são diagnósticos; em um ceratocisto odontogênico podem simular aqueles de um:

Os ceratocistos odontogênicos da região de linha média anterior da maxila podem mimetizar cistos do ducto nasopalatino. Por razões desconhecidas, esse tipo particular de ceratocistos usualmente ocorre em indivíduos mais velhos, com idade média de aproximadamente 70 anos. Raros exemplos de ceratocistos odontogênicos periféricos nos tecidos moles gengivais já foram relatados.

Tratamento e Prognóstico[editar | editar código-fonte]

Tumor odontogênico ceratocísto maciço com dentes do siso superficiais à lesão.

A maioria dos COs são tratados de forma similar a outros cistos odontogênicos, ou seja, através da enucleação e curetagem, além de descompressão em grandes lesões. A remoção completa em uma única peça frequentemente é difícil devido à natureza delgada e friável de sua parede cística. São associados tratamentos de prevenção de recidiva, tais como, cateurização química da cavidade óssea com solução de Carnoy após remoção do cisto, marsupialização, crioterapia que segundo Pogrel(2001) devido a capacidade do nitrogênio líquido de desvitalizar osso in situ e manter a estrutura inorgânica intacta, a crioterapia pode ser utilizada para lesões localmente agressivas nos maxilares. Entretanto, em decorrência da dificuldade em controlar a quantidade de nitrogênio líquido aplicada à cavidade, a necrose resultante e o edema podem ser imprevisível, por isso não é uma prática tanto utilizada. Por ser uma lesão que pode recidir, é importante que o paciente seja acompanhado semestralmente ou anualmente. Determina-se um período de cinco anos, no entanto há casos de recidivas 40 anos após remoção do cisto original, por isso é importante que o paciente faça anualmente uma radiografia para revisão,por tempo indeterminado.

Síndrome de Gorlin-Goltz[editar | editar código-fonte]

Pacientes com COs devem ser avaliados para manifestações da síndrome do carcinoma nevóide basocelular(síndrome de Gorlin) se o paciente estiver na primeira ou segunda década de vida ou se múltiplos ceratocistos forem identificados. A Síndrome de Gorlin, caracteriza-se por múltiplos carcinomas basocelulares na pele, COs, calcificações intracranianas e anomalias das costelas e das vértebras, o que resulta na importância de solicitar exames adicionais.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Patologia oral & maxilofacial / Brad Neville... [et al.] ; [tradução Danielle Resende Camisasca Barroso... et al.]. — Rio de Janeiro : Elsevier, 2009.
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