Leucoplasia

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Leucoplasia
Leucoplasia
Especialidade medicina dentária
Classificação e recursos externos
CID-10 K13.2, N48.0, N88.0
DiseasesDB 7438
MedlinePlus 001046
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Leucoplasia ou leucoplaquia é uma mancha ou placa branca, com bordas irregulares, firmemente aderida a uma mucosa, geralmente na boca ou na vagina. É uma lesão pré-maligna, geralmente causada ao tabagismo e etilismo. A forma proliferativa (aumenta de tamanho) possui 70 a 100% de risco de se transformar em um carcinoma de células escamosas. A forma localizada (não aumenta de tamanho) possui 3 a 15% de se transformar em câncer.[1]

Causas[editar | editar código-fonte]

Leucoplasia com nódulos de células cancerígenas.

A leucoplasia tem múltiplas causas. A maioria das lesões são decorrentes do uso dos produtos do tabaco como cigarros, cachimbo e charutos, ou do uso do álcool sendo que a associação dos dois potencializa o surgimento das lesões. Acredita-se que ela é formada por irritação crônica dos tecidos bucais seja através de irritação mecânica, dentes quebrados ou parcialmente destruídos pela cárie e próteses mal adaptadas ou irritantes químicos como álcool e tabaco.

O álcool interfere na permeabilidade da membrana plasmática das células, fazendo com que as substâncias tóxicas do tabaco entrem com maior facilidade nas células e assim interferindo em suas características genéticas, e com o tempo essas células sofram uma mutação e desenvolvem as células cancerígenas.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

A aparência clínica varia enormemente, mas é indolor. É um tipo particular de metaplasia de um epitélio escamoso não-queratinizado contendo várias camadas de ceratina. As lesões se apresentam como placas ou manchas brancas localizadas em mucosas (colo uterino, oral, esofágica etc.). Não causa outros sintomas.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Principalmente clínico, por sua aparência. Uma biópsia deve ser feita para investigar se sofreu transformação maligna. A presença de lesão branca não caracteriza uma lesão como leucoplasia pois existem outras lesões bucais que são lesões brancas similares sendo necessário um diagnostico diferencial, com candidíase, sífilis e o líquen plano. A leucoplasia pilosa, é uma doença muito diferente, que está associada a infecção por vírus (Eppstein-Barr ou HPV 16 ou 18) em pessoas com severa imunodeficiência, e não é considerada uma lesão pré-maligna.[2]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Lesões leucoplásicas são encontradas em 1 a 5% da população mundial. Da mesma forma que a eritroplasia, a leucoplasia é encontrada com maior frequência em adultos entre 40 e 75 anos de idade e são duas vezes mais comuns em homens. A incidência é muito maior entre fumantes e etilistas. O consumo do tabaco e do álcool simultaneamente é o principal fator de risco para desenvolver uma leucoplasia.[3] A prevalência é maior em países com elevado consumo de álcool e tabaco, como França e Rússia, e muito menor no Oriente Médio (0,48%).[4]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Entre 5% e 25% das leucoplasias evoluem para um câncer. Portanto todas as leucoplasias deveriam ser tratadas como lesões pré-malignas por dentistas e médicos, independente de serem proliferantes ou localizadas. Mesmo que a leucoplasia esteja regredindo, nenhum tratamento previne sua reincidência ou transformação maligna. Todas leucoplasias exigem biópsia para análise histológica.[5]

O tratamento da leucoplasia envolve principalmente a evitar e remover os fatores que predispõe a patologia tais como abstinência ao tabaco e álcool, e evitar irritantes crônicos tais como bordas cortantes de dentes e próteses mal adaptadas. Uma biópsia deve ser feita e a lesão cirurgicamente removida se alterações pré-cancerígenas ou câncer forem detectados.

Veja também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Villa, A; Woo, SB (26 October 2016). "Leukoplakia-A Diagnostic and Management Algorithm". Journal of Oral and Maxillofacial Surgery. PMID 27865803.
  2. Neville BW; Damm DD; Allen CM; Bouquot JE. (2002). Oral & maxillofacial pathology (2. ed.). Philadelphia: W.B. Saunders. pp. 337–345. ISBN 0-7216-9003-3.
  3. Lodi, G; Franchini, R; Warnakulasuriya, S; Varoni, EM; Sardella, A; Kerr, AR; Carrassi, A; MacDonald, LC; Worthington, HV (29 July 2016). "Interventions for treating oral leukoplakia to prevent oral cancer". The Cochrane Database of Systematic Reviews. 7: CD001829. PMID 27471845.
  4. Hassona Y, Scully C, Almangush A, Baqain Z, Sawair F. Oral potentially malignant disorders among dental patients: a pilot study in Jordan. Asian Pac J Cancer Prev. 2014;15(23):10427-31.
  5. Lodi, G; Franchini, R; Warnakulasuriya, S; Varoni, EM; Sardella, A; Kerr, AR; Carrassi, A; MacDonald, LC; Worthington, HV (29 July 2016). "Interventions for treating oral leukoplakia to prevent oral cancer". The Cochrane Database of Systematic Reviews. 7: CD001829. PMID 27471845.