Circinus

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Compasso

Circinus constellation map.png
Nome latino
Genitivo

Circinus
Circini

Abreviatura Cir
 • Coordenadas
Ascensão reta
Declinação
15 h
-60°
Área total 93° quadrados
 • Dados observacionais
Visibilidade
- Latitude mínima
- Latitude máxima
- Meridiano
 
-90°
+19°
Junho
Estrela principal
- Magn. apar.
Predefinição:STL
3,2
Outras estrelas
- Magn. apar. < 3
- Magn. apar. < 6
 
0
-
 • Chuva de meteoros

Não possui

 • Constelações limítrofes
Em sentido horário:

Circinus (Cir), o Compasso, é uma constelação do hemisfério celestial sul. O genitivo, usado para formar nomes de estrelas, é Circini. É uma das 14 constelações criadas pelo astrônomo francês Nicolas Louis de Lacaille no século XVIII.

As constelações vizinhas são Norma, Lupus, Centaurus, Musca, Apus e Triangulum Australe.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1756 o astrônomo francês Nicolas Louis de Lacaille criou a constelação de Circinus com o nome francês le Compas, representando um compasso.[1] Já havia sido representada pela primeira vez em um dos mapas de Lacaille em 1754, mas sem nome.[2] Lacaille representou as constelações de Norma, Circinus e Triangulum Australe, respectivamente, como um esquadro, um compasso e um nível num conjunto de instrumentos de um desenhista técnico em seu mapa de estrelas do sul em 1756.[3] Circinus recebeu seu nome atual em 1763, quando Lacaille publicou um mapa celeste com nomes em latim para as constelações que ele criou.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

Fazendo fronteira com as constelações de Centaurus, Musca, Apus, Triangulum Australe, Norma e Lupus, Circinus está adjacente às proeminentes estrelas Alpha e Beta Centauri. A uma declinação de -50° a -70°, a constelação inteira só é visível a sul da latitude 30° N. Os limites oficiais da constelação, estabelecidos por Eugène Delporte em 1930, são definidos por um polígono de 14 segmentos. No sistema equatorial de coordenadas, as coordenadas de ascensão reta situam-se entre 13h 3,4m e 15h 30,2m e a declinação entre -55,43° e -70,62°.[4] Circinus culmina cada ano, às 21h, em 14 de julho.[5] A abreviação de três letras recomendada para a constelação, adotada pela União Astronômica Internacional em 1922, is 'Cir'.[6]

Objetos notáveis[editar | editar código-fonte]

Imagem de parte do céu como visto a olho nu, com a constelação de Circinus indicada.

Estrelas[editar | editar código-fonte]

Circinus é uma constelação pouco brilhante, com apenas uma estrela mais brilhante que magnitude 4.[7] Alpha Circini é uma estrela de classe A da sequência principal com uma magnitude aparente de 3,19, estando a 54 anos-luz da Terra e a 4° sul de Alpha Centauri.[8] Além de ser a estrela mais brilhante da constelação, é também a estrela Ap de oscilação rápida (estrela roAp) mais brilhante do céu. Possui um tipo espectral anormal de A7 Vp SrCrE, o que indica grandes emissões de estrôncio, crômio e európio. Estrelas assim possuem campos magnéticos anormais e são levemente variáveis.[9] Alpha Circini forma um sistema estelar binário com uma anã laranja de tipo espectral K5 e magnitude 8,5 a uma separação de 16 segundos de arco.[9] A segunda estrela mais brilhante da constelação é Beta Circini, uma estrela de classe A da sequência principal com tipo espectral de A3Va e magnitude de 4,07, a cerca de 100 anos-luz de distância.[10] Tem cerca de 1,8 vezes o diâmetro do Sol.[11]

Gamma Circini é uma estrela binária a 450 anos-luz da Terra,[12] cujos componentes podem ser separados com telescópio de 150 mm, e estão a 0,8 segundos de arco um do outro.[7] [13] O componente mais brilhante é uma estrela Be de tipo espectral B5IV e magnitude 4,94, enquanto o outro componente é uma estrela de classe F da sequência principal de magnitude 5,73.[12] [14] Eles completam uma órbita a cada 258 anos.[14] Delta Circini também é uma estrela múltipla cujos componentes, separados por 50 segundos de arco, têm magnitudes de 5,1 e 13,4 e orbitam ao redor de seu centro de gravidade a cada 3,9 dias. O componente mais brilhante é, por sua vez, uma binária eclipsante (especificamente, é uma variável elipsoidal em rotação),[7] com uma pequena variação de magnitude (0,1). É composto por duas estrelas azuis de tipo espectral O7III-V e O9.5V, respectivamente, com massa estimada de 22 e 12 vezes a massa solar.[15] A mais de 3 600 anos-luz de distância,[16] esse sistema superaria o brilho de Vênus a uma magnitude de -4,8 se estivesse a 32 anos-luz (10 parsecs) da Terra.[11]

Eta Circini é uma gigante amarela de tipo espectral G8III e magnitude 5,17, a 276 anos-luz de distância,[17] e Zeta Circini é uma estrela azul-branca da sequência principal de tipo espectral B3V e magnitude 6,09, localizada a cerca de 1 300 anos-luz da Terra.[18]

493 estrelas variáveis já foram registradas em Circinus, mas a maioria é pouco brilhante e apresenta pequena variação.[19] Três proeminentes exemplos são Theta Circini, T Circini, e AX Circini.[2] [20] Theta Circini é uma variável irregular de classe B, variando entre magnitude 5,0 e 5,4.[7] T Circini é um sistema binário eclipsante de classe B que varia entre magnitudes 10,6 e 9,3 em um período de 3,298 dias.[2] [21] AX é uma variável cefeida que varia entre magnitudes 5,6 e 6,19 ao longo de 5,3 dias.[20] É uma supergigante branco-amarela de tipo espectral F8II+, distante 1 600 anos-luz da Terra.[22] BP Circini é outra variável cefeida, variando sua magnitude de 7,37 a 7,71 com período de 24 horas.[23] Ambas as cefeidas são binárias espectroscópicas com estrelas companheiras de classe B6 e 5 e 4,7 massas solares respectivamente.[24] BX Circini é uma estrela variável que oscila entre magnitudes 12,57 e 12,62 com um período de 2 horas e 33 minutos.[23] Mais de 99% de sua composição é hélio. Sua origem não é clara; acredita-se que seja o resultado da fusão de uma anã branca de hélio com uma de carbono e oxigênio.[25]

Em Circinus estão situadas muitas estrelas com sistemas planetários, apesar de nenhuma ser particularmente proeminente. HD 134060 é uma anã amarela parecida com o Sol de tipo espectral G0VFe+0.4 e magnitude 6,29, a cerca de 79 anos-luz de distância.[26] Possui dois planetas descobertos em 2011 pelo método da velocidade radial: o menor, HD 134060 b, tem uma massa de 0,0351 MJ (massas de Júpiter) e orbita a estrela a cada 3,27 dias, a 0,0444 UA;[27] e o maior, HD 134060 c (0,15 MJ), orbita mais longe a 2,226 UA, com um período de 1 161 ddias.[28] Com magnitude de 8,8, a estrela HD 129445 está a 220 anos-luz de distância e tem 99% da massa solar e tipo espectral de G8V. HD 129445 b, um planeta parecido com Júpiter (1,6 MJ) descoberto em 2010 pelo método da velocidade radial, orbita essa estrela a uma distância de 2,9 UA, em aproximadamente 1 840 days.[29]

Céu profundo[editar | editar código-fonte]

Há três aglomerados abertos e uma nebulosa planetária em Circinus, todos visíveis através de telescópios amadores e diferentes tamanhos. NGC 5823, também chamado de Caldwell 88[7] é um aglomerado localizado a 3500 anos-luz da terra espalhado por uma região de 12 anos-luz na fronteira norte da constelação[30] [31] . Apesar de ter uma magnitude integral de 7,9 o aglomerado pode ser encontrado com a técnica star hopping de Beta Circini ou de Alfa Centauri[32] . Contém entre 80 a 100 estrelas de magnitude 10 e mais escuras, que se espalham numa região com 10 arcosegundos de diâmetro[20] . Entretanto as estrelas mais brilhantes não são membros verdadeiros do aglomerado pois estão mais próximas da Terra do que as mais escuras[33] .

Circinus também contém a galáxia ESO 77-G13 também chamada de galáxia de Circinus. Descoberta em 1977[20] , é uma galáxia relativamente não obscurecida, o que não é usual para galáxias localizadas em constelações próximas da Via Láctea uma vez que suas fracas luminosidades costumam ser bloqueadas pelo gás e pela poeira. Esta galáxia espiral ocupa uma área de 6,9 por 3,0 arcominutos, com 26.000 anos-luz de diâmetro, localizada a 13 milhões de anos luz da Terra, apenas a 4 graus do plano galáctico[2] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Ridpath, Ian. Circinus Star Tales. Visitado em 23 de maio de 2015.
  2. a b c d Phil, Simpson. Guidebook to the Constellations : Telescopic Sights, Tales, and Myths. [S.l.]: Springer New York, 2012. 743–47 p. ISBN 978-1-4419-6941-5
  3. Ridpath, Ian. Lacaille's grouping of Norma, Circinus, and Triangulum Australe Star Tales. Visitado em 23 de maio de 2015.
  4. Circinus, constellation boundary The Constellations União Astronômica Internacional. Visitado em 27 de junho de 2012.
  5. James, Andrew (4 de dezembro de 2014). 'The '"Constellations : Part 2 Culmination Times"' Southern Astronomical Delights. Visitado em 13 de junho de 2015.
  6. Russell, Henry Norris. (1922). "The New International Symbols for the Constellations". Popular Astronomy 30. Bibcode1922PA.....30..469R.
  7. a b c d e Moore, Patrick. Patrick Moore's Data Book of Astronomy. [S.l.]: Cambridge University Press, 2011. p. 410. ISBN 0-521-89935-4
  8. Motz, Lloyd; Nathanson, Carol. In: Lloyd. The Constellations: An Enthusiast's Guide to the Night Sky. London, United Kingdom: Aurum Press, 1991. p. 387. ISBN 1-85410-088-2
  9. a b Kaler, Jim. Alpha Circini Stars University of Illinois. Visitado em 26 de outubro de 2012.
  10. Beta Circini SIMBAD Astronomical Database Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Visitado em 30 de junho de 2012.
  11. a b Bagnall, Philip M.. The Star Atlas Companion: What You Need to Know about the Constellations. New York, New York: Springer, 2012. 160–62 p. ISBN 1-4614-0830-X
  12. a b Gamma Circini SIMBAD Astronomical Database Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Visitado em 19 de junho de 2015.
  13. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas redath07
  14. a b Malkov, O. Yu.; Tamazian, V. S.; Docobo, J. A.; Chulkov, D. A.. (outubro de 2012). "Dynamical masses of a selected sample of orbital binaries". Astronomy & Astrophysics 546: artigo 69, 5 pp. DOI:10.1051/0004-6361/201219774. Bibcode2012A&A...546A..69M.
  15. (2001) "Tomographic Separation of Composite Spectra. VII. The Physical Properties of the Massive Triple System HD 135240 (Delta Circini)". The Astrophysical Journal 548 (2): 889–99. DOI:10.1086/319031. Bibcode2001ApJ...548..889P.
  16. Delta Circini SIMBAD Astronomical Database Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Visitado em 25 de outubro de 2012.
  17. Eta Circini SIMBAD Astronomical Database Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Visitado em 26 de outubro de 2012.
  18. Zeta Circini SIMBAD Astronomical Database Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Visitado em 26 de outubro de 2012.
  19. Circinus search results International Variable Star Index AAVSO. Visitado em 31 de janeiro de 2013.
  20. a b c d Inglis, Mike. Astronomy of the Milky Way: Observer's Guide to the Southern Sky. New York, New York: Springer, 2004. p. 31. ISBN 1-85233-742-7
  21. VSX (4 de janeiro de 2010). T Circini AAVSO Website American Association of Variable Star Observers. Visitado em 24 de janeiro de 2014.
  22. AX Circini SIMBAD Astronomical Database Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Visitado em 26 de outubro de 2012.
  23. a b BSJ (30 de novembro de 2013). BP Circini AAVSO Website American Association of Variable Star Observers. Visitado em 24 de janeiro de 2014.
  24. Evans, Nancy Remage; Bond, Howard E.; Schaefer, Gail H.; Mason, Brian D.; Karovska, Margarita; Tingle, Evan. (2013). "Binary Cepheids: Separations and Mass Ratios in 5M ? Binaries". Astronomical Journal 146 (4): 93, 10 pp. DOI:10.1088/0004-6256/146/4/93.
  25. Woolf, V. M.; Jeffery, C. S.. (2002). "Temperature and gravity of the pulsating extreme helium star LSS 3184 (BX Cir) through its pulsation cycle". Astronomy & Astrophysics 395: 535–40. DOI:10.1051/0004-6361:20021113. Bibcode2002A&A...395..535W.
  26. LTT 6035 – High proper-motion Star SIMBAD Astronomical Database Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Visitado em 25 de outubro de 2012.
  27. HD 134060 b The Extrasolar Planet Encyclopedia Paris Observatory (12 de setembro de 2011). Visitado em 31 janeiro de 2013.
  28. HD 134060 c The Extrasolar Planet Encyclopedia Paris Observatory (12 de setembro de 2011). Visitado em 31 de janeiro de 2013.
  29. HD 129445 b The Extrasolar Planet Encyclopedia Paris Observatory (26 de janeiro de 2010). Visitado em 31 de janeiro de 2013.
  30. Mobberley, Martin. The Caldwell Objects And How to Observe Them. [S.l.]: Springer, 1999. p. 184. ISBN 978-1-4419-0326-6
  31. Bakich, Michael E.. 1001 Celestial Wonders to See Before You Die: The Best Sky Objects for Star Gazers. [S.l.]: Springer, 2010. p. 174. ISBN 978-1-4419-1777-5
  32. Arnold, H.J.P.; Doherty, P.D.; Moore, Patrick. In: H.J.P.. The Photographic Atlas of the Stars. [S.l.]: CRC Press, 1997. p. 176. ISBN 978-0-7503-0654-6
  33. O'Meara, Stephen James. The Caldwell Objects. [S.l.]: Cambridge University Press, 2002. 349–50 p. ISBN 978-0-521-82796-6
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