Fairchild Semiconductor

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Fairchild Semiconductor
Fairchild Semiconductor International, Inc.
Tipo Pública
Cotação NASDAQ: FCS
Indústria Semicondutores, Redes de computadores, Iluminação, Circuito de proteção
Fundação 1° de Outubro de 1957
Fundador(es) Sherman Fairchild e Arthur Rock
Sede San Jose, Califórnia,
 Estados Unidos
Áreas servidas Mundo
Presidente Vijai Ullal
Pessoas-chave Mark Thompson (Chairman & CEO)
Vijay Ullal (Presidente & COO)


Mark S. Frey (Vice-Presidente Executivo, Diretor Financeiro e Tesoureiro)

Empregados +9000
Produtos Circuitos integrados, Processadores de sinal, Controladores de motor, Transistores
Valor
de mercado
Aumento US$1.3671 bilhões (2012)
Lucro Baixa US$ 1.405 milhões (2012)
LAJIR Baixa US$ 44.7 milhões (2012)
Faturamento Baixa US$ 1.796 milhões (2013)
Renda líquida Baixa US$ 24.60 milhões (2012)
Sítio oficial www.fairchildsemi.com

A Fairchild Semiconductor é uma empresa estadunidense de tecnologia. Produziu o primeiro circuito integrado comercialmente disponível (lançado pouco antes do produto da Texas Instruments), e se tornaria uma das grandes responsáveis pela evolução do Vale do Silício na década de 1960. Correntemente, a empresa possui cerca de nove mil empregados ao redor do mundo, com instalações em San José (Califórnia), Salt Lake City (Utah), Mountaintop (Pensilvânia), Bucheon (Coréia do Sul), Penang (Malásia), Suzhou (China) e Cebu (Filipinas) entre outras. A sede corporativa da empresa está localizada em South Portland (Maine).

Histórico[editar | editar código-fonte]

Shockley Semiconductor e os Traitorous Eight[editar | editar código-fonte]

A história da Fairchild passa pelo estabelecimento de outra instituição, Shockley Semiconductor Laboratories em Santa Clara Valley em 1955. Fundada por um dos inventores do transistor, o vencedor do Prêmio Nobel de física William Shockley, era um departamento da Beckman Instruments, e foi responsável pela produção de transistores utilizando silício e germânio.

Shockley conratou oito jovens talentosos para trabalhar consigo, Julius Blank, Victor Grinich, Eugene Kleiner, Jean Hoerni, Jay Last, Gordon Moore, Robert Noyce e Sheldon Roberts, seis dos quais possuiam um PhD[1] . Contudo, logo surgiram problemas de relacionamento, com as habilidades de gerenciamento de Shockley sendo consideradas insuficientes e seu temperamento muitas vezes intolerável, criando um ambiente de trabalho insuportável.[2]

Em 1957, num última tentativa de solucionar os problemas encontradosa bordo da Shockley Semiconductor e criar um ambiente efetivamente produtivo, Gordon Moore apresentou a Arnold Beckman, dono da empresa, um ultimato: remover Shockley do comando e colocar um gerente profissional ou o grupo deixaria a empresa. Beckman, acreditando que Shockley poderia contornar o problema, recusou.

Reconhecendo a falta de evolução, em junho de 1957 Beckman colocou um gerente intermediário entre Shockley e os oito, mas com todo o desgaste que já tinha ocorrido, sete dos oito já haviam tomado a decisão de sair. Robert Noyce, outrora o único ao estar ao lado de Shockley, foi persuadido e também deixou a empresa de última hora.

Este grupo posteriormente veio a ser conhecido como "Traitorous Eight", embora a origem do termo seja incerta.

Primeiros Anos e o Circuito Integrado[editar | editar código-fonte]

Antes de sair da Shockley Semiconductor Laboratories, os dissidentes já se articulavam e reuniam-se com investidores a respeito de fundar uma nova empresa. Diante do prospecto de fazer negócios com jovens promissores com PhD orientados por um vencedor do prêmio Nobel, Arthur Rock e Alfred Coyle, da Hayden, Stone & Co. se interessaram na proposta, acreditando no potencial do grupo.[3]

O grupo, somando-se aos dois investidores, reuniu-se em São Francisco, no Clift Hotel. Os dez assinaram seu compromisso numa nota de um dólar.[4] Eles procuravam uma empresa que os aceitassem como uma subdivisão, fazendo uma lista de 35 empresas que poderiam estar interessadas. Várias delas demonstraram interesse, porém a princípio nenhuma conseguia enxergar como o grupo poderia se encaixar na filosofia da empresa. Arthur Rock encontrou-se com Sherman Fairchild, que os emprestou mais de um milhão de dólares para que estabelecessem sua própria empresa, com a opção de adquirí-la posteriormente, caso tivesse sucesso.

Os primeiros anos da Fairchild foram bastante produtivos, Bob Noyce assumiu o protagonismo da equipe e a empresa produziu um novo modelo de produção de transístores. Anteriormente, a produção se limitava a uma unidade por vez, agora, com o processo mais moderno, havia a possibilidade de se criar wafers inteiros de transístores por vez. O método consistia em uma espécie de impressão: projetava-se um padrão do transistor num wafer de silício, esse padrão reagia com substâncias químicas sensíveis a luz, assim imprimindo a estrutura dos transístores no wafer.

Apesar do método de produção dos transístores ter evoluído, a montagem de diferentes tipos deles num circuito ainda era um procedimento trabalhoso e artesanal. Deveria haver uma maneira melhor de realizar este processo, construindo todo o circuito num só pedaço de silício. Jean Hoerni havia sugerido que dióxido de silício poderia servir como uma camada isolante e dielétrica nos circuitos. A partir desse princípio, Noyce foi capaz de desenvolver o circuito integrado, o que viria a ser uma enorme contribuição para a indústria tecnológica.

O circuito integrado era uma invenção tão avançada que não havia mercado para ele. Não havia ainda aplicações para o mesmo e Noyce precisava diminuir o custo de produção em massa dos circuitos, já que ainda era mais barato montá-los a mão. A Fairchild então investiu em uma campanha agressiva: cortou o preço do circuito integrado para um patamar menor que o preço de custo. O pensamento não ortodoxo de Noyce visava aumentar a demanda ao popularizar o produto, tornando as aplicações dele mais comuns e eventualmente trazendo o custo de produção em massa para baixo, de forma a aumentar a rentabilidade. A estratégia foi extremamente bem-sucedida, tanto que se utiliza circuitos integrados nos mais diversos dispositivos nos dias de hoje.

Referências

  1. Brock, D.. Makers of the Microchip: A Documentary History of Fairchild Semiconductor. [S.l.: s.n.], 2010. ISBN 9780262014243
  2. Shurkin, J. Broken Genius: The Rise and Fall of William Shockley, Creator of the Electronic Age. [S.l.: s.n.], 2008. ISBN 9780230551923
  3. Lojek, B. History of semiconductor engineering. [S.l.]: Springer, 2007. ISBN 9783540342571
  4. Berlin, L. (2007-09-30). "Tracing Silicon Valley's roots". San Francisco Chronicle.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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