Festival Música Nova

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Festival Música Nova Gilberto Mendes
Festival Música Nova
Período de atividade Desde 1962 - evento anual
Local(is) Ribeirão Preto (também em Santos)
Data(s) Setembro/Outubro
Página oficial http://sites.ffclrp.usp.br/napcipem/fmn.html

O Festival Música Nova "Gilberto Mendes" é um evento internacional e anual de música contemporânea idealizado por Gilberto Mendes (Santos, 1922-2016) e realizado desde 1962 em Santos. Já foi produzido simultaneamente nas cidades de Santos e São Paulo (desde 1985), além de concertos em Ribeirão Preto e Campinas (desde 1992). Além de Gilberto Mendes, outros compositores dividiram a direção artística do FMN, como Rodolfo Coelho de Souza, Eduardo Guimarães Álvares, José Augusto Mannis e Rubens Russomanno Ricciardi. Desde 2012, sob direção artística de Rubens Russomanno Ricciardi e Lucas Eduardo da Silva Galon, o Festival Música Nova "Gilberto Mendes" vem sendo realizado pelo Departamento de Música da FFCLRP-USP, por meio de seu Núcleo de Pesquisa em Ciências da Performance (NAP-CIPEM), em parceria com o SESC-SP, com concertos e cursos no Campus da USP de Ribeirão Preto, no Auditório da FDRP-USP e na Sala de Concertos da Tulha, bem como na unidade do SESC em Ribeirão Preto e no Theatro Pedro II.

Na edição de 2014, Gilberto Mendes, Rubens Russomanno Ricciardi e Lucas Eduardo da Silva Galon publicaram um novo manifesto para definir as diretrizes do FMN nesta sua nova fase:

A MÚSICA NOVA DA POLIFONIA DE NOTRE DAME AO SÉCULO XXI

O FMN já possui certo distanciamento crítico para poder se auto-avaliar desde sua nova proposta, em 2012, quando o SESC-SP em conjunto com a USP de Ribeirão Preto passou a sediá-lo, com a inclusão, na programação, da música nova de todos os tempos - desde a invenção da própria música, tal como a entendemos, pelas mãos dos gregos antigos.

Esta mudança de rumo talvez tenha suscitado alguma querela. Perguntou-se, afinal, por que estaria presente a música do passado - como Machaut, Gesualdo, Bach ou Beethoven - junto às composições vanguardistas das velhas linhas de Darmstadt, ao lado de composições minimalistas, eletroacústicas, espectrais ou texturais, entre os gestos característicos da improvisação livre e os conglomerados poli-estilísticos pós-vanguarda? Será que em algum lugar se perdeu a essência experimental do FMN? Com o novo sucesso de público, desde 2012, temos de fato a negação do experimentalismo? Muito pelo contrário.

Inicialmente, há que se compreender as diferenças entre experimentalismo e vanguarda. Para Umberto Eco, “toda verdadeira invenção artística é experimental em todos os tempos e lugares. Neste sentido, a música polifônica era experimental em relação ao cantochão. Beethoven era experimental em relação a Haydn, e assim sucessivamente”. Stravinsky, Bartók e Villa-Lobos foram altamente experimentais e inventivos em seus trabalhos com as músicas populares já urbanas, desde Brahms com suas danças húngaras e Chopin com suas mazurcas. Ainda para Umberto Eco, “entre os séculos XII e XIII, os compositores polifonistas de Notre-Dame foram experimentais quando adotaram o intervalo de terça pela primeira vez para que se tornasse aceito pela sensibilidade musical corrente”. Umberto Eco conclui que, ao contrário das “lentes deformantes de uma sabedoria tradicional e autoritária, faz parte do experimentalismo a constante transformação do método, falando com simplicidade”. Ou seja, o experimentalismo é uma postura incansável de mudança e auto-superação. Neste mesmo sentido, já distante da rigidez da velha vanguarda e aberto à música nova de todos os tempos, o FMN permanece experimental, porque entende que nossos tempos são dos sistemas abertos, bem como dos diálogos entre os sistemas.

Não somos nós, mas sim Charles Baudelaire quem já há muito percebia a armadilha na tradição das metáforas militares, como no caso de se pensar numa vanguarda (conceito de origem evidentemente militar) no contexto artístico. Baudelaire chamou a atenção para “os poetas de combate”, para “os literatos de vanguarda”, cujos “hábitos de metáforas militares denotam espíritos não militantes, mas feitos para a disciplina, isto é, para o conformismo, espíritos nascidos domésticos”. Seria uma visão profética de Baudelaire? O que antes se pensava como inovação e desprendimento não pode agora se transformar numa doutrina de corporação, cuja assimilação, obediência e fidelidade diante da patrulha ideológica adquirem mesmo os rigores de uma hierarquia militar? Seria o caráter evidente de exclusão em nome da uniformidade. Nossa proposta, desde 2012, ao contrário, contempla a pluralidade, o não-padrão, e, acima de tudo, a inquietude filosófica.

Schönberg, um dos gurus da primeira vanguarda pós-guerra, afirmou “ter orgulho em escolher uma má estética para os alunos de composição, se em compensação der a eles um bom aprendizado de artesanato”. Esta ideologia gerou alguns resultados desastrosos em Darmstadt e continua gerando em seus últimos epígonos ainda hoje - não obstante várias de suas importantes contribuições históricas. Está claro que houve certa precariedade filosófica na geração dos compositores da vanguarda autoproclamada. Permaneceram na superfície de uma autoidolatria tanto excêntrica quanto excludente. Assim, esqueceram-se do mundo. Não é por menos que também o mundo se esqueceu deles e nem cabe aqui lembrá-los mais enquanto único caminho para a música nova. Ao contrário, vamos nos lembrar agora também daqueles que eles tentaram esquecer. É por isso que apresentamos nesta 48ª edição do FMN obras de compositores como Villa-Lobos - historicamente execrado pelas primeiras fileiras da velha vanguarda - e também o já centenário Guerra-Peixe, ao lado de uma compositora inédita no Brasil, a alemã Dorothea Hofmann, nossa compositora residente desta edição 2014 do FMN.

Na edição 2016, a de número 50, In Memoriam Gilberto Mendes e Pierre Boulez, o Festival Música Nova "Gilberto Mendes" foi realizado de 8 a 12 de novembro de 2016 na cidade de Ribeirão Preto, pelo SESC-SP e pela USP (FFCLRP-USP), e teve com sede dos concertos o Auditório do SESC em Ribeirão Preto, e, no Campus da USP de Ribeirão Preto, o Auditório da FDRP-USP e a Sala de Concertos da Tulha.

Em sua última edição, In Memoriam Olivier Toni, o Festival Música Nova "Gilberto Mendes" foi realizado de 23 a 27 de outubro de 2017 na cidade de Ribeirão Preto, pela USP (FFCLRP-USP) e Projeto ALMA, com sede dos concertos no Theatro Pedro II em Ribeirão Preto, e, no Campus da USP de Ribeirão Preto, na Sala de Concertos da Tulha.

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