Guaiamu

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Cardisoma guanhumi na Praia do Monte Woodford, em Dominica

Cardisoma guanhumi na Praia do Monte Woodford, em Dominica
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Subfilo: Crustacea
Classe: Malacostraca
Ordem: Decapoda
Infraordem: Brachyura
Superfamília: Grapsoidea
Família: Gecarcinidae
Género: Cardisoma
Espécie: C. guanhumi
Nome binomial
Cardisoma guanhumi
Latreille, 1828
Um grupo de guaiamus
Guardando a toca

O guaiamu ou guaiamum (Cardisoma guanhumi)[1] é um caranguejo da família dos gecarcinídeos. Esse crustáceo pode ser encontrado deste o estado da Flórida, nos Estados Unidos, até a Região Sudeste do Brasil, quase sempre em locais entre o manguezal lamacento e a área de transição entre este e a mata, normalmente são terrenos arenosos e úmidos.

No Brasil, o crustáceo está ameaçado de extinção em várias partes de seu território, sobretudo devido à caça predatória e à destruição do seu habitat. Em virtude disso, várias medidas governamentais vêm sendo tomadas, incluindo a criação de áreas protegidas e a adoção da prática do período de defeso.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Guaiamu, guaiamum, goiamu e goiamum derivam do termo tupi waia'mu ou guaiá-m-u, que significa «caranguejo escuro azulado»[1][2]. O crustáceo é também chamado fumbamba e caranguejo-mulato-da-terra.[1] .[3]

Características[editar | editar código-fonte]

Caranguejos de grande porte, essa espécie possui carapaça azulada, com cerca de dez centímetros de comprimento e chegam a pesar mais de 500 gramas. Possuem pinças desiguais, a maior chegando a atingir trinta centímetros,[4] o que facilita levar os alimentos à boca, exceção feita à fêmea, cujas pinças são, normalmente, ambas de tamanhos iguais.

Atingem a maturidade sexual aos quatro anos e seu ciclo reprodutivo depende do verão e das fases da lua. A fêmea, à época de desova, assume a coloração da carapaça em tons na cor creme ou amarelada.

O macho, bem maior, tem a coloração do exoesqueleto em tom azulado. Cada guaiamu tem sua toca, feita no terreno, geralmente arenoso, entre o manguezal e a restinga (área de transição).

Dieta[editar | editar código-fonte]

Alimentam-se de frutos e folhas, mas também consomem insetos, animais mortos, detritos do lodo ou qualquer outro alimento que possam transportar para a toca, sendo portanto onívoros. Contudo, podem também se alimentar até mesmo de caranguejos menores, em um ato de canibalismo.

Risco de extinção[editar | editar código-fonte]

Duas portarias, 445/2014 e 395/2016, do Ministério do Meio Ambiente, proibiram a captura, transporte, armazenamento, guarda, manejo, beneficiamento e comercialização do crustáceo (entre um total de 475 espécies de peixes e animais aquáticos consideradas em risco de extinção) a partir de abril de 2017, em todo o território brasileiro.[5][6] No entanto, em maio de 2017 o MMA adiou para 30 de abril de 2018 a proibição referente a quinze espécies da lista, incluindo o guaiamum.[7]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c FERREIRA, Aurélio B.H. (1986). Novo Dicionário da Língua Portuguesa. [S.l.]: Nova Fronteira. 871 páginas 
  2. Redação (2007). «Verbete Guaiamu». Dic. Caldas Aulete. Consultado em 23 de agosto de 2016 
  3. GREGÓRIO, José (1980). Contribuição indígena ao Brasil. [S.l.]: União Brasileira de Educação e Ensino. 1.316 páginas 
  4. INGLEZ SOUZA, Julio Seabra (1995). Enciclopédia agrícola brasileira: C-D. [S.l.]: EdUSP. 608 páginas. ISBN: 9788531404603 
  5. «Portaria MMA nº 445, de 17 de dezembro de 2014» (PDF) 
  6. «Meio Ambiente proíbe venda do Guaiamum em todo Brasil» 
  7. «Proibição de pesca de peixes e guaiamum ameaçados de extinção é adiada para 2018»