Guerra russo-turca de 1877–1878

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Guerra russo-turca (1877–1878)
Grande Crise do Oriente
The defeat of Shipka Peak, Bulgarian War of Independence.JPG
Data 24 de abril de 1877 – 3 de março de 1878
Local Bálcãs e Cáucaso
Desfecho Vitória da coalizão russa
Mudanças territoriais
Beligerantes
Romanov Flag.svg Rússia Flag of the United Principalities of Romania (1862 - 1866).svg Romênia
Flag of Bulgaria.svg Bulgária
Flag of the Principality of Montenegro.svg Montenegro
Civil Flag of Serbia.svg Sérvia
Império Otomano Império Otomano
Comandantes
Romanov Flag.svg Alexandre II
Romanov Flag.svg Nicolau Nikolaevich
Romanov Flag.svg Miguel Nikolaevich
Romanov Flag.svg Mikhail Loris-Melikov
Romanov Flag.svg Mikhail Skobelev
Romanov Flag.svg Iosif Gurko
Romanov Flag.svg Ivan Lazarev
Flag of the United Principalities of Romania (1862 - 1866).svg Carlos I
Flag of Bulgaria.svg Alexandre I
Flag of the Principality of Montenegro.svg Nicolau I
Civil Flag of Serbia.svg Kosta Protić
Império Otomano Abd-ul-Hamid II
Império Otomano Ahmed Muhtar Pasha
Império Otomano Osman Nuri Paşa
Império Otomano Süleyman Hüsnü Paşa
Império Otomano Mehmed Ali Pasha
Império Otomano Abdülkerim Nadir Pasha
Império Otomano Ahmed Eyüb Pasha
Império Otomano Mehmed Riza Pasha
Forças
Império Russo – 185 000 no Exército do Danúbio, 75 000 no Exército do Cáucaso[1]

Finlândia - 1 000
Romênia – 66 000
Bulgária – 12 000
Montenegro – 45 000
190 canhões

Sérvia – 81 500
Otomanos – 281 000[2]
Baixas
Império Russo – 15 567 mortos,
56 652 feridos,
6 824 mortos devido a ferimentos[3]

Romênia — 4 302 mortos ou desaparecidos,
3 316 feridos,
19 904 doentes[4]
Bulgária – 2 456 mortos e feridos[5]

Sérvia e Montenegro – 2 400 mortos e feridos[5]
30 000 mortos em combate[6]
90 000 mortos devido a ferimentos e doenças[6]

A guerra russo-turca de 1877–1878 foi originada pelo desejo da Rússia de obter acesso ao mar Mediterrâneo e de capturar a península dos Bálcãs, controlada pelo Império Otomano. A guerra trouxe como resultado a declaração formal de independência dos principados de Sérvia, Montenegro e Romênia, que já haviam possuído soberania de facto por algum tempo. Apesar da Bulgária ter permanecido formalmente sob controle otomano até 1908, procurou recuperar sua condição de Estado soberano.

Início dos conflitos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Conferência de Constantinopla

Uma revolta contra os otomanos ocorreu na Bósnia e Herzegovina no verão de 1875, devido principalmente às altas taxas cobradas pela decadente administração otomana. Mesmo com a redução das taxas, a revolta se manteve até o final deste ano e finalmente acarretou na revolta de abril de 1876. As tensões na Bósnia e o suporte russo incentivaram os principados da Sérvia e de Montenegro a declararem guerra contra seus soberanos otomanos em julho. A guerra despertou as ambições imperialistas das potências da região: Rússia (Príncipe Gorchakov) e Áustria-Hungria (Conde Andrássy) fizeram um acordo secreto, o acordo de Reichstadt, em 8 de julho, de repartir a península dos Bálcãs conforme o resultado da guerra.

O Império Russo se prepara para soltar os cães de guerra dos Bálcãs, enquanto que a Grã-Bretanha pede cautela. Ilustração da Punch de 17 de junho de 1876

Em agosto de 1876, forças da Sérvia, auxiliadas por búlgaros e russos, foram derrotadas pelo exército otomano, o que prejudicou os objetivos dos russos e austríacos, pois assim não poderiam exigir possessões otomanas. Como resultado, ocorreu a Conferência de Constantinopla em dezembro de 1876. Na conferência, sem a participação de representantes otomanos, as grandes potências discutiram as possíveis fronteiras de uma ou mais futuras províncias autônomas búlgaras do Império Otomano.

A conferência foi interrompida pelo ministro das relações exteriores otomano, que informou aos delegados que o Império Otomano aprovara uma nova constituição. Apesar disso, a Rússia manteve as hostilidades alegando que a constituição era apenas uma solução parcial. Por meio de negociações diplomáticas, os russos asseguraram a inatividade da Áustria-Hungria em operações militares futuras. Na Grã-Bretanha, o posicionamento político variava. Apesar do forte suporte civil para a ideia de uma libertação da Bulgária, fomentada na Grã-Bretanha por porta-vozes do primeiro-ministro anterior, William Gladstone, o líder no momento, Benjamin Disraeli, estava muito mais pessimista acerca das intenções russas. Ele posicionou seu país como defensor do Império Otomano, como os britânicos haviam feito na Guerra da Crimeia, vinte anos antes.[7] A falta de uma política uniforme é evidente nas negociações da conferência. O delegado britânico, Lorde Salisbury, negociou com o correspondente russo, o conde Nicolau Pavlovitch Ignatiev, e estava disposto a alcançar um acordo de compromisso. A Bulgária seria dividida em uma província oriental e uma ocidental e a Bósnia-Herzegovina seria unificada em uma única província. As três províncias teriam um grau considerável de autonomia, incluindo uma assembleia provincial e uma polícia local. Além disso, a Sérvia não seria forçada a ceder nenhum território e Montenegro obteve permissão para manter suas áreas ocupadas na Herzegovina e no norte da Albânia.[7]

A guerra[editar | editar código-fonte]

A Rússia declarou guerra contra o Império Otomano em 24 de abril de 1877. Alega-se que houve muitos erros de estratégia e julgamento em ambos os lados, mas isso era um problema comum nas guerras contemporâneas, da Guerra da Crimeia à Guerra dos Bôeres.

Os otomanos restringiram-se à defesa passiva, deixando espaço para iniciativas estratégicas dos russos, que, após alguns erros, encontraram uma boa estratégia para vencer a guerra. O comando militar otomano em Istambul fez cálculos ruins sobre a estratégia de movimento russa. Eles consideraram que os russos não estariam dispostos a marchar ao longo do Danúbio e atravessá-lo longe do delta, mas que prefeririam o caminho mais curto, pela costa do mar Negro. A região costeira possuía os maiores e mais bem supridos e defendidos fortes turcos. Havia apenas uma força bem equipada no interior do rio Danúbio, Vidin. Estava guarnecida apenas porque as tropas, lideradas por Osman Paşa, haviam recentemente vencido os sérvios na recente guerra que estes tiveram contra os otomanos.

A campanha russa foi mais bem planejada, mas apostou muito na passividade dos turcos, que foram mais agressivos do que o esperado, tornando imprevisível o resultado da guerra. Outro grande erro foi o de mandar poucas tropas inicialmente: o Danúbio foi atravessado em junho por uma força expedicionária de cerca de 185 mil, pouco menos do que o total das forças turcas nos Bálcãs (cerca de 200 mil). Após alguns contratempos para os russos em julho, em Plevna e Stara Zagora, o comando militar percebeu que não havia reservas para manter a ofensiva, que é trocada então por uma estratégia defensiva. Os russos não possuíam forças suficientes para fazer um bloqueio adequado em Plevna até agosto, o que levou ao atraso de toda a campanha por aproximadamente dois meses.

Campo de batalha próximo a Shipka

No início da guerra, a Rússia destruiu todos os navios ao longo do Danúbio e o rio foi minado. Em junho, uma pequena unidade russa atravessou o Danúbio próximo ao delta, em Galaţi, e marchou até Ruse.

Com o avanço russo, as forças de Osman Paşa marcham em direção ao forte de Nikopol para reforçá-lo. Quando estava a caminho, descobriram que os russos já haviam tomado o forte e moveram-se então para Plevna, atual Pleven. A Rússia não possuía mais tropas para lançar contra Plevna e resolveu sitiá-la. Requisitaram reforços extras aos romenos, que em pouco tempo, atravessaram o Danúbio e se incorporaram ao cerco.

O cerco de Pleven foi bem-sucedido apenas após os russos e romenos cortarem as fontes de suprimentos do forte, enfraquecendo-o e forçando os turcos à rendição. No final de novembro, as forças otomanas tentaram quebrar o cerco e fugir, mas fracassaram. O comandante Osman Paşa, capturado e ferido, se rendeu.

Conclusão e intervenção das grandes potências[editar | editar código-fonte]

A tomada de Izmail em 1877 por Aleksey Kivshenko.

Sob pressão dos britânicos e tendo sofrido enormes perdas, a Rússia aceitou a trégua oferecida pelo Império Otomano em 31 de janeiro de 1878, mas continuou a mover-se até Constantinopla.

Os britânicos enviaram frotas navais para intimidar os russos, que param suas forças em Santo Estêvão (Yeşilköy em turco, Agios Stephanos em grego). Finalmente, a Rússia assina o Tratado de Santo Estêvão em 3 de março, pelo qual os otomanos reconheceram a independência da Romênia, Sérvia, Montenegro e a autonomia da Bulgária. A medida seria confirmada pelo Tratado de Berlim, quatro meses mais tarde.

Alarmados com a extensão do poder russo nos Bálcãs, as grandes potências forçaram posteriormente modificações no tratado durante o Congresso de Berlim. A maior mudança seria a divisão da Bulgária, conforme acordos anteriores entre as grandes potências, que procuravam impedir a criação de um novo Estado eslavo de grande extensão: as regiões ao norte e ao leste se tornariam principados (Principado da Bulgária e Rumélia Oriental), com governantes distintos, enquanto que a região da Macedônia, originalmente parte da Bulgária, retornaria à administração otomana.[7]

Referências

  1. Timothy C. Dowling. Russia at War: From the Mongol Conquest to Afghanistan, Chechnya, and Beyond. 2 Volumes. ABC-CLIO, 2014. P. 748
  2. Мерников, АГ (2005. – c. 376), Спектор А. А. Всемирная история войн (em russo), Минск  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  3. Урланис Б. Ц. (1960). «Войны в период домонополистического капитализма (Ч. 2)». Войны и народонаселение Европы. Людские потери вооруженных сил европейских стран в войнах XVII—XX вв. (Историко-статистическое исследование). М.: Соцэкгиз. pp. 104–105, 129 § 4 
  4. Scafes, Cornel, et. al., Armata Romania in Razvoiul de Independenta 1877–1878 (The Romanian Army in the War of Independence 1877–1878). Bucuresti, Editura Sigma, 2002, p. 149
  5. a b Борис Урланис, Войны и народонаселение Европы, Часть II, Глава II [1]
  6. a b Мерников А. Г.; Спектор А. А. (2005). Всемирная история войн. Мн.: Харвест. ISBN 985-13-2607-0 
  7. a b c Stavrianos, L.S. (2000). The Balkans Since 1453. London: C. Hurst & Company. ISBN 1-85065-551-0 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]