Hubei

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Hubei
湖北省 - Húběi
China Hubei.svg
Abreviatura
Capital Wuhan
Área 185 900 km²
População (2009) 59 490 000 hab.
Densidade 324 hab/km²
Províncias da China Flag of the People's Republic of China.svg


Hubei ou Hupei (湖北 em chinês) é uma das 23 províncias da República Popular da China,[1] localizada na região central do país.[2] O nome da província significa "norte do lago", referindo-se à sua posição ao norte do lago Dongting.[3] A capital da província, Wuhan, serve como um importante centro de transporte e o centro político, cultural e econômico da China Central.[2]

Com cerca de 740 quilômetros de extensão de leste a oeste, 470 quilômetros de largura de norte a sul, Hubei possui uma área de 185.900 quilômetros quadrados, representando 1,94% da área total do país, ocupando o 14º lugar no país, entre as maiores províncias.[4] No final de 2015, a província tinha uma população permanente de 58,51 milhões e uma população registrada de 61,39 milhões.[5]

A província é conhecida como a "Terra do Peixe e do Arroz".[6] Os principais produtos agrícolas em Hubei incluem algodão, arroz, trigo e chá, enquanto as indústrias incluem automóveis, metalurgia, maquinaria, geração de energia, têxteis, alimentos e produtos de alta tecnologia.[7]

História[editar | editar código-fonte]

A região de Hubei era lar de sofisticadas culturas neolíticas.[8][9] No Período das Primaveras e Outonos (770-476 a.C.), o território de Hubei atual fazia parte do poderoso Reino de Chu. Chu era nominalmente um estado tributário da Dinastia Chou, e era uma extensão da civilização chinesa que surgira alguns séculos antes no norte; mas também era uma mistura cultural única da cultura do norte e do sul, e era um estado poderoso que mantinha grande parte do meio e do baixo rio Yangtze, com o poder se estendendo para o norte na planície do norte da China.[10]

Durante o Período dos Estados Combatentes (475221 a.C.), Chu se tornou o principal adversário do novato Reino de Chim,[11]que após sucessivas batalhas, o derrotou e ocupou suas terras.[11]

Detalhe de uma roupa ritual de gaze de seda bordada de um século IV a.C., tumba da era Chou em Mashan, Jiangling, Hubei.

Chim fundou a dinastia Chim em 221 a.C., o primeiro estado unificado da região e foi sucedido pela dinastia Han em 206 a.C., que estabeleceu a província de Jingzhou no que hoje é Hubei e Hunan. Os Qin e Han desempenharam um papel ativo na colonização agrícola de Hubei, mantendo um sistema de diques nos rios para proteger as terras agrícolas das inundações do verão.[12]

A dinastia Song reuniu a região em 982 e colocou a maior parte de Hubei no circuito de Jinghubei, uma versão mais longa do nome atual de Hubei. Os mongóis conquistaram a região em 1279 e só foram expulsos em 1368, sob seu governo, foi estabelecida a província de Huguang, cobrindo Hubei, Hunan e partes de Cantão e Guangxi. Durante o domínio mongol, em 1331, Hubei foi devastada por um surto da Peste Negra, atingindo a Inglaterra, Bélgica e Itália em junho de 1348, que segundo fontes chinesas se espalharam durante os três séculos seguintes para dizimar populações em toda a Eurásia.[13]

Em 1911, a Revolta de Wuchang ocorreu na atual Wuhan, derrubando a dinastia Qing e estabelecendo a República da China. Em 1927, Wuhan tornou-se a sede de um governo estabelecido por elementos de esquerda do Kuomintang, liderados por Wang Jingwei; mais tarde, esse governo foi fundido ao governo de Chiang Kai-shek em Nanjing. Durante a Segunda Guerra Mundial, as partes orientais de Hubei foram conquistadas e ocupadas pelo Japão, enquanto as partes ocidentais permaneceram sob controle chinês.[14]

Durante a Revolução Cultural na década de 1960, Wuhan viu brigas entre facções rivais da Guarda Vermelha. Em julho de 1967, conflitos civis atingiram a cidade no Incidente de Wuhan ("Incidente de 20 de julho"), um conflito armado entre dois grupos hostis que estavam lutando pelo controle da cidade no auge da Revolução Cultural.[15]

À medida que os temores de uma guerra nuclear aumentavam durante o período dos conflitos nas fronteiras sino-soviéticas no final da década de 1960, a prefeitura de Hubei, em Xianning, foi escolhida como o local do Projeto 131, um quartel-general de comando militar subterrâneo.[16]

Região das Três Gargantas.

A província - e Wuhan em particular - sofreu severamente com as inundações do rio Yangtze em 1954. Seguiu-se a construção de barragens em larga escala, com a barragem de Gechouba no rio Yangtze, perto de Yichang, iniciada em 1970 e concluída em 1988; a construção da Hidrelétrica das Três Gargantas, mais à montante, começou em 1993. Nos anos seguintes, as autoridades reassentaram milhões de pessoas do oeste de Hubei para dar lugar à construção da barragem. Um número de represas menores também foi construído nos afluentes do Yangtze.[17]

Em 1 de dezembro de 2019, o primeiro caso de COVID-19 no surto de coronavírus 2019-2020 foi identificado na cidade de Wuhan.[18] Em janeiro de 2020, o vírus SARS-CoV-2 foi oficialmente identificado, forçando os governos locais e federais a implementar zonas de quarentena na província de Hubei. Com até 15 cidades parcial ou totalmente bloqueadas, afetando diretamente 57 milhões de pessoas.[19]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Vale do rio Liangtai, em Xingshan, importante área agrícola da província.

A maior parte de Hubei são parcialmente ocupados pela planície de Jianghan, planície aluvial localizada no nível da confluência entre o rio Yangzi e um de seus principais afluentes, o Han.[20] A periferia desta planície, em particular a oeste, é ocupada por montanhas: de norte a sul, as montanhas Wudang que culminam em 1600 metros, as montanhas Jings (1852 m), as montanhas Daba,[21] que incluem o pico de Shennong. (3.105 m) é o pico mais alto da província e das montanhas Wu.[22]

Hubei em 1936

O rio maior e mais longo é o rio Yangtze, que flui pela província de oeste a leste.[23] No oeste, em Yichang, o Yangtze é represado pela barragem das Três Gargantas para formar um reservatório de centenas de quilômetros de extensão. Na barragem está a usina hidrelétrica mais poderosa do mundo.[23] A capital da província é Wuhan, localizada na confluência dos rios Yangtze e Han.[20] Além de Wuhan, o centro político também é Jingchou,[24] os centros econômicos de Hubei são Wuhan,[2] Shiyan[25] e Xiangyang[26].

A presença de numerosos lagos,[27] a passagem do rio Yangtze, a Hidrelétrica das Três Gargantas fazem dela uma região particularmente favorável ao desenvolvimento de peixes e lótus, sendo famosas as raízes de lótus desta província.[23]

A maior parte de Hubei tem um clima subtropical úmido (Cfa ou Cwa sob a Classificação climática de Köppen-Geiger), com quatro estações distintas. A pluviosidade média anual é de 800 a 1600 milímetros e com temperaturas médias variando de 15 °C a 17 °C.[28]

Economia[editar | editar código-fonte]

Hubei é uma grande e importante produtora de alimentos como arroz e trigo alem de algodão e diferentes tipos de chá. Nas industrias tem destaque as indústrias automotivas, metalurgias, maquinarias, geração de energia, têxteis e produtos de alta tecnologia.[29]

Referências

  1. António Duarte de Almeida e Carmo (1997). A igreja Católica na China e em Macau no Contexto do Sudeste Asiático: Que Futuro?. [S.l.]: Fundação Macau. p. 60. ISBN 9789726580331 
  2. a b c «Focus on Wuhan, China». The Canadian Trade Commissioner Service. Consultado em 10 de fevereiro de 2013. Cópia arquivada em 12 de dezembro de 2013 
  3. «趣味文字:中国各省及自治区名称历史由来和变化 (Texto Divertido: a Origem Histórica e as Mudanças dos Nomes das Províncias e Regiões Autônomas da China)» (em chinês). Diário do Povo. Consultado em 19 de março de 2020. Cópia arquivada em 27 de abril de 2016 
  4. «湖北 (Hubei)». 中华人民共和国中央人民政府网站. Consultado em 19 de março de 2020 
  5. «人口统计 (Dados demográficos)». 湖北省统计局网站. 6 de junho de 2016. Consultado em 6 de junho de 2016 [ligação inativa]
  6. Iramsy Peraza, Forte (22 de setembro de 2017). «Hubei, província chinesa que aposta em Cuba». Granma. Consultado em 19 de março de 2020 
  7. «Archived copy». Consultado em 31 de outubro de 2011. Cópia arquivada em 30 de junho de 2017 
  8. Zhang, Chi (張弛) (2013). «The Qujialing-Shijiahe Culture in the Middle Yangzi River Valley». In: Anne P. Underhill. A Companion to Chinese Archaeology. Chichester: John Wiley & Sons. pp. 510–34. ISBN 9781444335293. doi:10.1002/9781118325698 
  9. Flad, Rowan K.; Chen, Pochan (2013). Ancient Central China: Centers and Peripheries along the Yangzi River. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0521727662 
  10. Constance A. Cook and John S. Major, eds. Defining Chu: Image and Reality in Ancient China, (Honolulu: University of Hawai’i Press, 1999); Lothar von Falkenhausen, Chinese Society in the Age of Confucius (1000–250 BC): The Archaeological Evidence (Los Angeles: Cotsen Institute of Archaeology, 2006), 262–88.
  11. a b Paulo de Castro Rabello (2014). O Mito do Governo Grátis: O mal Das Políticas Econômicas Ilusórias e as 13 Lições de Países Para o Brasil Mudar. Rio de Janeiro: [s.n.] ISBN 978-85-67854-25-0 
  12. Brian Lander. State Management of River Dikes in Early China: New Sources on the Environmental History of the Central Yangzi Region . T'oung Pao 100.4-5 (2014): 325–362.
  13. Benedict, C.A. (1996). Bubonic Plague in Nineteenth-century China. [S.l.]: Stanford University Press. p. 10. ISBN 9780804726610. Consultado em 5 de janeiro de 2016 
  14. Britannica Enciclopedia Moderna. [S.l.]: Encyclopaedia Britannica, Inc. 2011. ISBN 978-1-61535-516-7 
  15. Thomas W. Robinson (1971). «The Wuhan Incident: Local Strife and Provincial Rebellion During the Cultural Revolution». The China Quarterly (47): 413–18. JSTOR 652320 
  16. 神秘131工程:60年代修建的防核地下指挥部 [Projeto Mistério 131: Comando Subterrâneo de Defesa Nuclear, construído na década de 1960]. xjqmx.gov.cn (em chinês) 
  17. Luis Enrique Sánchez (2013). Avaliação de impacto ambiental. São Paulo: Oficina de Textos. ISBN 978-85-7975-090-8 
  18. Bruno Del Medico. Coronavirus Covid-19. Defenda-se. Evite o contágio. Proteja sua casa, sua família, seu trabalho.: O PRIMEIRO manual de autodefesa contra a infecção por coronavírus. [S.l.: s.n.] ISBN 9798618055468 
  19. Lusa (10 de Março de 2020). «Provincia Chinesa de Hubei Suspende Parcialmente Medidas de Quarentena». CMJornal. Consultado em 19 de março de 2020 
  20. a b Ana Margarida Oliveira (31 de janeiro de 2020). «Wuhan... A Cidade Que Ninguém Quer Conhecer». RFM. Consultado em 19 de março de 2020 
  21. «Montanhas de Wudang». Tourist link. 31 de janeiro de 2020. Consultado em 19 de março de 2020 
  22. «Shennong Deng, China» (em inglês). peakbagger.com. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  23. a b c Mariana Madrigali (19 de fevereiro de 2019). «Yichang: o interior da China para além da Três Gargantas». China Link. Consultado em 19 de março de 2020 
  24. «Jingzhou». hubei.gov.cn. 21 de maio de 2013. Consultado em 19 de março de 2020 
  25. «Shiyan». chinadaily.com.cn. Consultado em 19 de março de 2020 
  26. «Xiangyang». hubei.gov.cn. Consultado em 19 de março de 2020 
  27. Hans Hendrischke e Feng Chongyi (2001). The Political Economy of China's Provinces: Competitive and Comparative Advantage. [S.l.]: Taylor & Francis e-library. ISBN 0-203-01421-9 
  28. «Hubei Travel Guide». travelchinaguide.com. Consultado em 19 de março de 2020 
  29. «Cópia arquivada». Consultado em 4 de outubro de 2018. Arquivado do original em 30 de junho de 2017 
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