J. J. Abdalla

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Disambig grey.svg Nota: Não confundir com João José Abdalla.


J. J. Abdalla
Nascimento 16 de setembro de 1893
Aparecida
Morte 13 de outubro de 1988 (95 anos)
Cidadania Brasil
Filho(s) Juca Abdalla
Ocupação político, empresário, latifundiário, industrial, banqueiro

José João Abdalla, conhecido como J. J. Abdalla (Guaratinguetá, 16 de setembro de 1903São Paulo, 13 de outubro de 1988), foi um Banqueiro, empresário, industrial, latifundiário, construtor e político brasileiro.[1]

Formado em medicina, criou o Grupo JJ Abdalla, império industrial, financeiro, imobiliário, agropecuário, e minerador. Respondeu a mais de 500 processos por irregularidades empresariais, crimes contra a economia popular e das leis trabalhistas. Foi preso nos anos de: 1969,[2] 1973 e 1975 e teve seus bens e empresas confiscadas em 1964,[3] 1973, 1975 e 1976.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Industrial[editar | editar código-fonte]

Emblemático empreendedor do setor têxtil brasileiro, tornou-se famoso por adquirir fiações e tecelagens em todo o país e formar o maior complexo do setor no Brasil. Suas fábricas foram pioneiras no desenvolvimento industrial de grandes cidades paulistas, como Guaratinguetá, Jundiaí, Americana e Itatiba. Suas empresas de destaque, Argos Industrial e Tecelagem Japi, foram as pioneiras da industrialização em Jundiaí e chegaram a empregar mais da metade da força de trabalho da cidade na década de 1920.

Foi também um do maiores investidores e incentivadores dos setores de metalurgia e mineração no Brasil, não apenas realizando sólidos investimentos em ambos, como também trazendo do exterior grandes investidores mundiais. No norte do Paraná, instalou, em sociedade com a então estatal Companhia Vale do Rio Doce, a Companhia Mineração da Ribeira. Com Eloy Chaves, construiu em Cajamar a Fábrica de Artefatos de Ferro (FAF), que foi uma das mais importantes fornecedoras da malha ferroviária nacional e criou a transnacional Socal Mineração e Intercâmbio, que realizava comércio de produtos e serviços de engenharia e mineração de não-ferrosos com empresas norte-americanas e européias.

A maior e mais importante indústria de J.J. Abdalla foi também a primeira fabricante de cimento do Brasil. A Brasilian Portland Cement foi adquirida por Abdalla em 1950 e foi a maior fabricante de seu setor no país, controlando pedreiras, usinas, minas e ferrovias que empregaram mais de 40 mil pessoas

Manteve grandes negócios agroindustriais, como a Cia. Brasileira de Óleos Minerais, no estado de Minas Gerais, o matadouro de suínos Frigorífico Guapeva e o beneficiamento de trigo Moinho Jundiaí, ambos em Jundiaí, e a produtora de açúcar e álcool Usina São José, em Igarassu.

Seus investimentos no setor energético eram representados pela Usina Miranda, no rio Araguari, no Amapá.

Banqueiro[editar | editar código-fonte]

Como um dos homens mais ricos do Brasil e dono de um gigantesco império industrial, acompanhou a tendência de montar seu próprio banco para atuar como braço financeiro de suas empresas. Em 1942 fundou o Banco Interestadual que, devido à sua influência política, conseguiu assumir carteiras de crédito imobiliário nos programas de construção pública no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Abdalla conseguiu, através dos negócios de seu banco com o governo, envolver também suas empresas imobiliárias e suas fábricas de materiais de construção, especialmente cal e cimento, nos maiores projetos de infraestrutura do Brasil à época. Acredita-se que esses negócios possam ter multiplicado por 10 o tamanho do Grupo JJ Abdalla, além de terem permitido a ele ser o maior proprietário de terras do estado de São Paulo durante décadas.

O crescimento do Banco Interestadual aumentou o interesse de seu dono na área financeira e, em 1958, ele criou mais um banco, o Banco da Capital, localizado em São Paulo e direcionado a operações de crédito pessoal e financiamento do comércio.

Além dos bancos que fundou, Abdalla chegou a ser sócio do Banco Comind, fundado e controlado pela família de sua esposa.

Latifundiário[editar | editar código-fonte]

Dono de vastas extensões de terras em todo o Brasil, começou a explorar a agricultura e a pecuária na década de 1930.

Grande produtor de café, cana-de-açúcar, eucalipto e gado bovino de corte, teve como principais propriedades rurais a Fazenda Rio Pardo, em Avaré, a Fazenda do Caminho, em Cajamar e a Fazenda Jacutinga, no Rio de Janeiro, sendo esta uma referência na cafeicultura brasileira.

Há muitas controvérsias sobre as imensas propriedades rurais de J.J. Abdalla, as principais delas ainda em poder de seus herdeiros. O empresário é historicamente reconhecido como grileiro de terras mas, apesar dos vários processos que enfrentou, nunca foi condenado.

Político[editar | editar código-fonte]

Foi vereador, presidente da câmara e prefeito do município de Birigui antes de ser nomeado deputado estadual e federal pelo estado de São Paulo. Foi também Secretário do Trabalho, Indústria e Comércio de São Paulo no governo de Ademar de Barros.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]