Jean-Jacques Boissard

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Jean-Jacques Boissard
(1528-1602)
Nascimento 1528
Besançon,  França
Morte 30 de outubro de 1602
Metz,  França
Alma mater Universidade de Pádua

Jean-Jacques Boissard (1528-1602) (* Besançon, 1528 - † Metz, 30 de Outubro de 1602, foi filólogo, antiquariano, poeta e latinista francês.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Boissard nasceu em Besançon e foi educado em Lovaina, mas secretamente abandonou o seminário nessa cidade, e viajou pela Alemanha e Itália, onde permaneceu durante vários anos, chegando algumas vezes a viver em extrema pobreza. A sua permanência na Itália despertou nele o gosto por antiguidades, colecionando ele uma série de artefatos de Roma e dos arredores. Posteriormente visitou as ilhas gregas, mas por motivo de doença teve de retornar a Roma. Aqui ele completou a sua coleção, retornando depois para a França. Como não era permitido professar publicamente a religião Protestante, que abraçara algum tempo atrás, retirou-se para Metz, onde permaneceu até o fim dos seus dias.

Vida Profissional[editar | editar código-fonte]

Boissard publicou várias coleções, com o objetivo de ilustrar as antiguidades romanas, para as quais ele havia consagrado toda a sua vida, tendo elaborado um mapa com todos os monumentos antigos da Itália, e visitou todas as antiguidades das Ilhas de Corfu, a Cefalônia[1] e Zante[2]. Foi também para Moreia [3], e teria ido até a Síria se não tivesse sido vítima de uma perigosa febre, que o acometeu em Methone. Ao retornar ao seu país, foi nomeado tutor dos filhos de Antonio de Viena, Barão de Clervaut, com quem ele viajou para a Alemanha e a Itália. Ele tinha deixado em Montbéliard as suas antiguidades, as quais ele havia colecionado com tanto esforço; e teve a desventura de perder todas elas quando o povo de Lorena devastou a região de Franche-Comté. Nada lhe restou exceto aquelas que ele havia transportado para Metz, para onde se retirou. Porém, como seu objetivo era a publicação de uma grande coleção de antiquidades, lhe foram enviados de vários lugares, muitos desenhos e esboços dos monumentos antigos, fato que lhe possibilitou a publicação da sua obra, cujo título era De Romano? urbis topographia et antiquitate. Essa obra era constituída de 4 volumes in folio, os quais foram enriquecidos por ilustrações de Théodore de Bry (1528-1598), e de seus filhos (1579, 1602). Ele publicou também a vida de muitas pessoas famosas, incluindo retratos, obra essa intitulada Theatrum vitae humanx, dividida em quatro partes. A primeira foi impressa em 1597, na cidade de Frankfurt; a segunda e a terceira parte foram publicadas em 1598, e a quarta em 1599. O seu tratado, De divinatione et magicis praestigiis (Sobre Adivinhações e Magias), somente foi impresso depois da sua morte, ocorrida em Metz no dia 30 de Outubro de 1602.

Era sobrinho do humanista e filósofo francês Hugo Babelus (1474-1556)[4]

Os Jardins do Cardeal Carpi[editar | editar código-fonte]

Um fato incomum vem a mostrar o genuíno caráter antiquariano de Boissard. Conta-se que o jardim do Cardeal Carpi (1500-1564) era repleto de mármores antigos e localizado no Monte Quirinal (Mons Quirinalis)[5]. Boissard foi um dia com seus amigos visitar esse lugar; chegando lá, apartou-se deles e quando estes haviam retornado para casa, escondeu-se em uma das alamedas que constituem o jardim. Ele passou o resto do dia copiando inscrições e desenhando os monumentos; e quando os portões do jardim foram fechados, ele ficou lá durante a noite inteira. Na manhã seguinte, o cardeal, encontrando-o com suas anotações, não conseguia entender como um estranho pode adentrar os seus jardins em hora inapropriada, mas quando foi informado da verdadeira razão da permanência de Boissard durante toda a noite, mandou servir-lhe um café da manhã, além de dar-lhe permissão para copiar e desenhar tudo o que achasse curioso dentro do seu palácio.[6]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Ovids Metamorphosen, 1556 (Metamorfose de Ovídio)
  • Poemata, 1574 (coletânea de poemas)
  • Emblemata cum tetrastichis latinis Metz: Jean Aubry, 1584
  • Emblematum liber 1588, Frankfurt am Main, 1593
  • Icones Virorum Illustrium, 1597 (biografias de homens ilustres)
  • Bibliotheca chalcographica, hoc est Virtute et eruditione clarorum Virorum Imagines. Heidelberg: Clemens Ammon, 1669 Onlinezugriff auf die Mateo-Datenbank
  • Vitae et Icones Sultanorum Turcicorum, etc. 1597
  • Theatrum Vitae Humanae Metz: Abraham Faber, 1596
  • Romanae Urbis Topographiae et Antiquitatum, 1597-1602 (online)
  • De Divinatione et Magicis Praestigiis, 1605
  • Habitus Variarum Orbis Gentium, 1581

Ele forneceu textos e desenhos para obras que foram publicadas por: Robert Boissard (1570-1603), Theodor de Bry, Jacques Granthomme (1588-1613) e Alexandre Vallée[7].

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Cefalônia, é a maior da Ilhas Jônicas, com 42 quilômetros de comprimento.
  2. Zante, uma das Ilhas Jônicas, dista 13 quilômetros da costa da Moreia, tem 33 quilômetros de comprimento e 17 quilômetros de largura.
  3. Moreia, é o nome moderno para a antiga península de Peloponeso, que constitui a metade do sul da Grécia e se une ao continente através do Istmo de Corinto, com menos de 6 km de largura.
  4. Hugo Babet (1474-1556), amigo de Erasmo de Rotterdam, foi poeta, helenista, filólogo, humanista francês. Deu aulas de gramática, retórica, dialética, hebraico e latim na Universidade de Lovaina.
  5. O Quirinal é uma das sete colinas de Roma, localizada mais ao norte. Na antiguidade clássica era na verdade chamada de Collis Quirinalis (colina) ao invés de mons (monte).
  6. Alexander Chalmers - Dicitonary of Biographies.
  7. Les Les monuments de l'histoire de France - Alexandre Vallée.
  8. Matthäus Merian, O Velho (1593-1650) (* Basileia, 22 de Setembro de 1593 - † Langenschwalbach, 19 de Junho de 1650), foi gravador, impressor e publicador alemão de origem suíça.
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