Manifesto Antropófago

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O Manifesto Antropófago (ou Manifesto Antropofágico) foi um manifesto literário escrito por Oswald de Andrade, principal agitador cultural do início do Modernismo brasileiro, o qual fundamentou o movimento antropofágico. Lido em 1928 para seus amigos na casa de Mário de Andrade, foi publicado na Revista de Antropofagia, a qual Oswald ajudou a fundar com Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado, com a datação de "ano 374 da deglutição do Bispo Sardinha".[1]

Redigido em prosa poética à moda de Uma Estação no Inferno de Rimbaud, o Manifesto Antropófago possui um teor mais político que o anterior manifesto de Oswald, o da Poesia Pau-Brasil, que pregava a criação de uma poesia brasileira de exportação. Esteticamente, o segundo manifesto de Oswald, basicamente, reafirma os valores daquele, apregoando o uso de uma "língua literária" "não-catequizada".

Ideologicamente, se alinha ainda com aquele, porém busca uma maior explicitação da aproximação de suas ideias com as de Breton (e, portanto, Marx, Freud e Rousseau).

Apregoando ainda o primitivismo da geração do modernismo brasileiro de 1922, aprofundando a consciência daquele primeiro modernismo, Oswald afirma no seu manifesto que "só a antropofagia nos une", propondo "deglutir" o legado cultural europeu e "digeri-lo" sob a forma de uma arte tipicamente brasileira.

Na idade madura, Oswald buscou fundamentação filosófica para as teorias expostas no manifesto da Antropofagia, ligando-a a Nietzsche, Engels, Bachofen, Briffault e a outros autores, tendo escrito mesmo teses a respeito do assunto, como em Decadência da Filosofia Messiânica, incluído em A Utopia Antropofágica e outras utopias, lançado, como toda sua obra, pela editora Globo a partir dos anos de 1980.

O manifesto configurou uma primeira reação formal por parte de intelectuais brasileiros em prol de uma produção artística autenticamente nacional, mas falhou em influenciar uma nova geração de escritores, como intendido.[2]

Referências

  1. Andrade, Oswald de (1928). «Manifesto Antropofago». Revista de Antropofagia. 1. pp. 3, 7 
  2. Markman, Rejane Sá (2007). Música e simbolização. [S.l.]: Anna Blume. p. 83 

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