Pinhalzinho (São Paulo)

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Município de Pinhalzinho
Bandeira de Pinhalzinho
Brasão de Pinhalzinho
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 3 de maio
Fundação 1840 (176 anos)
Emancipação 28 de fevereiro de 1964 (52 anos)
Gentílico pinhalzinhense
Prefeito(a) Anderson Luís Pereira
(2013–2016)
Localização
Localização de Pinhalzinho
Localização de Pinhalzinho em São Paulo
Pinhalzinho está localizado em: Brasil
Pinhalzinho
Localização de Pinhalzinho no Brasil
22° 46' 44" S 46° 35' 27" O22° 46' 44" S 46° 35' 27" O
Unidade federativa  São Paulo
Mesorregião Campinas IBGE/2008[1]
Microrregião Amparo IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Monte Alegre do Sul, Pedra Bela, Bragança Paulista, Socorro
Distância até a capital 114 km
Características geográficas
Área 154,948 km² [2]
População 13 104 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 84,57 hab./km²
Altitude 910 m
Clima tropical de altitude Cwb
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,788 alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 101 337,131 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 8 138,87 IBGE/2008[5]
Página oficial

Pinhalzinho é um município brasileiro do estado de São Paulo.

História[editar | editar código-fonte]

Pinhalzinho, nome derivado da abundância de araucárias na região, foi fundado em 1840, pelas famílias João Domingues Siqueira e Generoso de Godoi Bueno. O povoamento de Pinhalzinho deu-se principalmente por imigrantes italianos, entre eles Antônio Fornari e filhos, que fundaram a primeira casa comercial. Mas não foi pequena a imigração de espanhóis oriundos de Andaluzia, como os Munhoz, que se localizaram nos bairros do Arriá, variante dialetal nheengatu-português para designar arraial, acampamento de passagem de bandeirantes e sertanistas, e da Cachoeirinha. Cf. José de Souza Martins, "Mudaram o nome do Bairro do Arriá para Areal. Por que não mudam papagaio para papagalho?", in Folha da Cidade, Pinhalzinho (SP), 2ª Quinzena de agosto de 1999, p. 2; sobre a família Munhoz em Pinhalzinho, cf. o livro de José de Souza Martins, Uma Arqueologia da Memória Social (Autobiografia de um Moleque de Fábrica), Ateliê Editorial, São Paulo, 2011, esp. Capítulo 3, "Encontro na Estação Victoria", p. 59-109.

A imigração estrangeira decorreu do fim da escravidão, em 1888, principalmente de colonos da imigração subvencionada, encaminhados pela Hospedaria de Imigrantes para as fazendas de café da região, como a Fazenda de João Gomes, no bairro da Rosa Mendes. Do tempo da escravidão, deixou memória a Fazenda Velha, no atual bairro desse nome, cujo fazendeiro, com a Lei Áurea, decidiu dividir e distribuir suas terras entre seus antigos escravos. Dos descendentes desses escravos ficaram conhecidas Nhá Sabina e Nhá Florinda, benzedeira, nascida depois da Lei do Ventre Livre, de cujo sítio sobrevive o antigo terreiro e algumas de suas plantas. Cultivava flores e uma de suas roseiras, de que há descendentes no município, em São Caetano do Sul e em Osasco, de acentuado perfume, foi tema de um artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo: Cf. José de Souza Martins, "Netas de uma roseira antiga", in O Estado de S. Paulo [Caderno Metrópole], Segunda-feira, 23 de maio de 2011, p. C8. Outro descendente desses escravos foi o excelente violeiro Narciso Borges de Lima, um mestre da viola caipira, que dirigia um grupo de Dança de São Gonçalo, antiga dança votiva portuguesa dedicada a São Gonçalo de Amarante, que até o século XVIII ainda se dançava dentro das igrejas. Narciso Borges de Lima também tocava o cateretê, um sapateado, dança ritual de origem indígena que, na região do Pinhalzinho, como em outras, era vedada a mulheres.

No bairro dos Mendes, entre a Rosa Mendes e a Cachoeirinha, viveu dona Maria Mendes, reconhecida ceramista de potes para água. Usava uma técnica indígena: em vez do torno movido com os pés, de origem portuguesa, amassava com as mãos compridas "linguiças" de barro, que ia colocando uma sobre a outra e moldando com os dedos até obter uma peça bojuda na base, estreitada na parte da boca. O pote era decorado com desenhos de barro vermelho, de inspiração claramente indígena. Depois de cozida num formo do barranco do terreiro de sua casa, a peça era externamente engordurada com água de lavagem de louça, o que a escurecia e lhe dava um certo brilho e um ligeiro cheio rançoso. Cf. José de Souza Martins, "A cerâmica caipira de Dona Maria Mendes", in Folha da Cidade, Ano VIII, No. 91, Pinhalzinho (SP), 2ª quinzena de Janeiro de 2000, p. 2.

Pinhalzinho foi, até os anos 1950, um reduto de sobrevivência do dialeto caipira, a língua portuguesa falada com forte sotaque da língua nheengatu ou língua geral falada pelos povos do tronco tupi. O dialeto caipira do Pinhalzinho, além do sotaque nheengatu na pronúncia das palavras portuguesas (como em cuié, muié, zóio, arriá, oreia, mecê, corgo) tinha também muitas palavras propriamente tupis, como pacuera, tapera, pipoca, muquirana. É uma região que ainda tem muitos pardos de zigomas salientes e olhos ligeiramente repuxados, resquício da ancestralidade indígena não muito anterior ao século XVIII.

O povoado, em 1900, contava com vinte habitações dispersas. A partir de 1910 o crescimento foi acelerado em função da criação de uma escola particular, mantida por moradores como Eduardo Fornari, Henrique Torricelli e outros, e o aumento da população causada pelo anúncio de oferta de terrenos gratuitos, divulgado pelo jornal Cidade de Bragança.

Em 1922, concluiu-se a igreja, obra realizada pelo construtor Tomás de Camargo e o carpinteiro José, sendo trazida diretamente de Barcelona, a imagem da padroeira, Nossa Senhora de Copacabana.

Em 23 de dezembro de 1936, através da Lei nº 2784 é criado o distrito de Pinhal, no município de Bragança (atual Bragança Paulista).

Em 30 de novembro de 1938, através do Decreto-Lei Estadual nº 9775 o distrito passou a denominar-se Pinhalzinho.

Em 28 de fevereiro de 1964, através da Lei Estadual nº 8092, Pinhalzinho foi elevado à categoria de município, desmembrado de Bragança Paulista. Sua instalação ocorreu no dia 28 de março de 1965.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 22º46'46" sul e a uma longitude 46º35'26" oeste, estando a uma altitude de 910 metros. Sua população estimada em 2004 era de 12.296 habitantes.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo - 2000

População total: 10.986

  • Urbana: 5.291
  • Rural: 5.695
  • Homens: 5.691
  • Mulheres: 5.295

Densidade demográfica (hab./km²): 70,92

Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 11,523

Expectativa de vida (anos): 73,73

Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,31

Taxa de alfabetização: 87,99%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,788

  • IDH-M Renda: 0,707
  • IDH-M Longevidade: 0,812
  • IDH-M Educação: 0,845

(Fonte: IPEADATA)

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Pinhalzinho é cortada pelo Ribeirão do Pinhal, que desagua no Rio Camanducaia, no município de Monte Alegre do Sul.

O município se insere na Bacia Hidrográfica PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), formadores do Rio Tietê.

Na parte norte do município passa o Rio Camanducaia.

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Administração[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010. 
  3. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010. 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. 2010. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]