Proteína de soja

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
A proteína texturizada de soja é uma das formas pelas quais a proteína de soja pode ser consumida.

A proteína de soja é a proteína presente nos grãos de soja. É utilizada na alimentação humana e animal sob três formas, em grau crescente de refinamento dos grãos de soja e concentração de proteína: farinha, concentrado e isolado.[1][2] Também pode ser consumida sob a forma de tofu, leite de soja, grãos de soja cozidos, tempeh, missô etc.

Comparando a proteína de soja com as demais (do trigo, do leite, dos ovos e da carne), observa-se que a proteína de soja contém maiores quantidades dos aminoácidos anabólicos, arginina e glutamina, além de apresentar grandes quantidades de aminoácidos de cadeia ramificada (isoleucina, leucina e valina). A qualidade de uma proteína é relacionada com o teor de aminoácidos, sua digestibilidade e sua capacidade de suprir os aminoácidos essenciais adequados às necessidades humanas. Ou seja, ela é uma proteína completa, de alta qualidade e digestibilidade.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), "o consumo diário de no mínimo 25 gramas de proteína de soja pode ajudar a reduzir o colesterol. Seu consumo deve estar associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis"[3]. Desta forma, a proteína de soja possui alegação de propriedade funcional aprovada.

Por ser de origem vegetal, a proteína de soja é uma alternativa para os vegetarianos que não consomem proteínas de origem animal, e pessoas com intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite. Além de também poder ser consumido por pessoas que querem ter uma alimentação mais saudável.

História[editar | editar código-fonte]

A proteína de soja já é consumida há milênios no Extremo Oriente sob a forma de diversos alimentos.[4] Somente em 1936, no entanto, a proteína de soja foi isolada industrialmente. Nesse ano, o químico orgânico Percy Julian criou a primeira fábrica de proteína de soja (alpha protein).[5] O principal uso da proteína industrial era, e continua sendo, a confecção de embalagens de papel, nas quais é usada para ligar os pigmentos. O método de Julian provavelmente foi a fonte da "proteína isolada de soja" que Robert Boyer e Frank Calvert, empregados de Henry Ford, usaram na confecção do famoso terno "Seda É Soja" usado por Henry Ford em ocasiões especiais. A produção diária de quarenta toneladas de proteína isolada de soja tornaria a Divisão de Produtos de Soja da companhia Glidden (uma divisão da PPG Industries) a mais lucrativa divisão da companhia.

No início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Glidden enviou uma amostra da proteína isolada de soja (proteína alfa) de Julian para a National Foam System Inc. (hoje, uma unidade da Kidde, que pertence à United Technologies Corporation), que a usou para desenvolver o Aero-foam ("espuma aérea"),[6] usado pela Marinha dos Estados Unidos para combate a incêndio e chamada de "sopa de feijão". Embora não seja exatamente igual à criação de Julian, foi o meticuloso cuidado na criação da proteína de soja que tornou possível a criação da espuma de combate a incêndio. Quando um hidrolisado de proteína isolada de soja era exposto a uma corrente de água, a mistura se convertia em espuma. A espuma de proteína de soja era usada para apagar incêndios causados por óleo e gasolina em navios, e era particularmente útil em porta-aviões. Salvou a vida de milhares de marinheiros.[7]

Em 1957, a Glidden se tornou a primeira empresa no mundo a produzir em grande escala a versão comestível da proteína isolada de soja.[8]

Tipos[editar | editar código-fonte]

A proteína de soja processada aparece nos alimentos principalmente sob três formas: farinha de soja, isolados de proteína de soja, e concentrados de proteína de soja.[9][10]

Isolados[editar | editar código-fonte]

Um isolado de proteína de soja é uma forma bem refinada de proteína de soja com um mínimo proteico de noventa por cento. É feito a partir de farinha de soja desengordurada que teve a maior parte de seu conteúdo não proteico, como gorduras e carboidratos, retirada. Por isso, tem um sabor mais neutro e causa menos flatulência que a farinha de soja.[11] Isolados de proteína são usados principalmente para melhorar a textura de produtos de carne, mas também são usados para aumentar o conteúdo proteico, para aumentar a retenção de umidade e como um emulsificante.[12][13] O isolado puro de proteína de soja é usado principalmente pela indústria de alimentos. Às vezes, é encontrado em lojas de produtos médicos. Geralmente, é encontrado combinado com outros ingredientes alimentares.

Concentrados[editar | editar código-fonte]

Um concentrado de proteína de soja tem, aproximadamente, setenta por cento de proteína e é, basicamente, farinha de soja desengordurada sem carboidratos solúveis em água. É obtido a partir da remoção de carboidratos solúveis em água de grãos de soja descascados e desengordurados.[14][15] Um concentrado de proteína de soja retém a maior parte da fibra do grão de soja original. É amplamente usado como um ingrediente funcional em uma larga variedade de produtos alimentares, principalmente em produtos assados, cereais matinais e em alguns produtos de carne. É usado em produtos de carne para aumentar a retenção de água e gordura e para aumentar o valor nutricional (mais proteína, menos gordura). Concentrados de proteína de soja são disponíveis em diferentes formas: grânulos, farinha e secos por pulverização. Por serem altamente digeríveis, são apropriados para crianças, grávidas e idosos. Também são usados em ração animal, alimentos substitutos do leite para bebês e para o gado e em usos não alimentares.

Farinhas[editar | editar código-fonte]

A farinha de soja é obtida moendo-se grãos de soja até obter-se um pó fino. Apresenta três formas: integral (contém gordura), desengordurada (sem a gordura) com cinquenta por cento da proteína e alta ou baixa solubilidade em água, e lecitinada (com adição de lecitina). Um exemplo de farinha de soja é o kinako, uma farinha assada de soja da culinária do Japão.

Proteína de soja na musculação[editar | editar código-fonte]

A soja é rica em aminoácidos como a glutamina e a arginina, que ajudam na formação de músculos. A proteína isolada de soja, por possuir um valor biológico menor que outros suplementos proteicos populares, como o whey protein, é geralmente usada na musculação devido ao seu preço relativamente mais baixo ou por veganos que não ingerem alimentos de origem animal ou ainda por pessoas que têm alguma alergia a outros suplementos.

Existem suplementos em pó que apresentam estas proteínas provenientes da soja e que podem ser de fácil manuseio e transporte. Outra opção são as bebidas à base de soja, que são fontes de proteínas, vitaminas A, C, D, E, B2, B6, B12 e ácido fólico e os minerais zinco e cálcio. O consumo de bebidas à base de soja tem aumentado no Brasil em função da ampla variedade disponível no mercado, como, por exemplo, a combinação com sucos de frutas, que compõem as versões saborizadas.

Wiki letter w.svg Este artigo é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o. Editor: considere marcar com um esboço mais específico.

Referências

  1. E.S. Sipos. Edible Uses of Soybean Protein
  2. Functional and edible uses of soy protein products. Disponível em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1541-4337.2007.00025.x/abstract. Acesso em 16 de maio de 2017.
  3. [[1]]
  4. SindMilho & Soja. Disponível em http://www.fiesp.com.br/sindimilho/sobre-o-sindmilho/curiosidades/soja-e-suas-riquezas-historia/. Acesso em 20 de maio de 2017.
  5. Soy info center. Disponível em http://www.soyinfocenter.com/HSS/glidden.php. Acesso em 12 de maio de 2017.
  6. National Foam. Disponível em http://www.sosrubberintl.com/pdf/NMS120-aofxl-3.pdf. Acesso em 12 de maio de 2017.
  7. "PRODUCTION: Navy Bean Soup". Time. 6 de dezembro de 1943.
  8. History of cooperative soybean processing in the United States. Disponível em http://www.soyinfocenter.com/pdf/119/CrUsCo12.pdf. Acesso em 12 de maio de 2017.
  9. E.S. Sipos. Edible Uses of Soybean Protein
  10. Functional and edible uses of soy protein products. Disponível em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1541-4337.2007.00025.x/abstract. Acesso em 16 de maio de 2017.
  11. E.S. Sipos. Edible Uses of Soybean Protein
  12. E.S. Sipos. Edible Uses of Soybean Protein
  13. Functional and edible uses of soy protein products. Disponível em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1541-4337.2007.00025.x/abstract. Acesso em 16 de maio de 2017.
  14. E.S. Sipos. Edible Uses of Soybean Protein
  15. Functional and edible uses of soy protein products. Disponível em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1541-4337.2007.00025.x/abstract. Acesso em 16 de maio de 2017.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]