Rita Lobato

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Rita Lobato
Nome completo Rita Lobato Velho Lopes
Nascimento 9 de junho de 1867
Rio Grande, RS, Brasil
Morte 6 de janeiro de 1954 (86 anos)
Rio Pardo, RS, Brasil
Ocupação médica
Especialidade ginecologia e pediatria
Conhecido por primeira médica graduada por uma universidade brasileira
Educação Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro
Faculdade de Medicina da Bahia

Rita Lobato Velho Lopes (Rio Grande, 9 de junho de 1867Rio Pardo, 6 de janeiro de 1954) foi uma médica e política brasileira. É considerada a primeira mulher a se formar e exercer a Medicina no Brasil.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Rita nasceu no município de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, em 9 de junho de 1867[2][3], tendo como os pais, Francisco Lobato e Dona Carolina, estrangeiros radicados no Brasil. Depois de um pedido feito por sua mãe ao marido em seu leito de morte, Rita pode partir para os estudos acadêmicos e concluiu o secundário, demonstrando interesse em Medicina, mas só pode iniciar seus estudos depois do decreto imperial nº 7247, de 19 de abril de 1879[1], rubricado por D. Pedro II, que acabava com a discriminação contra mulheres no ensino superior. O decreto autorizava às mulheres a frequentar os cursos das faculdades e obter um título acadêmico, ainda que entrar nos cursos fosse bastante difícil para a maioria delas.

Matriculou-se inicialmente na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde cursou o primeiro ano, transferindo-se depois para a Faculdade de Medicina de Salvador, na Bahia.[1] Venceu a hostilidade inicial dos colegas e professores e foi a única mulher a se formar quatro anos depois, em 1887.[1] Tornou-se nesta data a a primeira mulher brasileira e a segunda latino-americana a obter diploma de médica, após defender o trabalho de conclusão sobre A operação cesariana.[2]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Já formada, Rita retornou para o Rio Grande do Sul, onde se casou com o namorado da adolescência, o comerciante Antônio Maria Amaro Freitas, com quem teve uma única filha, Isis. Atendia seus pacientes em casa e nos arredores da cidade de Rio Pardo, dando atenção à população carente e sem acesso a médicos, todos homens, que não entendiam de "problemas femininos".[1] Clinicou por um tempo em Porto Alegre, mas foi em Rio Pardo que trabalhou a maior parte da vida, exercendo a profissão de 1910 a 1925.[1]

Em homenagem ao legado da mãe, que morreu durante o parto de seu irmão caçula, Rita se dedicou à caridade, prestando serviços gratuitos e até fornecendo medicamentos gratuitos. Em 1926, Rita ficou viúva, após 37 anos de casamento.[4]

Política[editar | editar código-fonte]

Com a abertura dos votos para as mulheres e depois da morte do marido, Rita, então com seus 70 anos, ingressou na carreira política, tornando-se vereadora em Rio Pardo pelo Partido Libertador em 1935 e exerceu seu mandato até a implantação do Estado Novo em 1937, que fechou as câmaras municipais.[1]

Morte[editar | editar código-fonte]

Passou o restante de sua vida na Estância de Capivari, em Rio Pardo, onde morreu, aos 86 anos, em 6 de janeiro de 1954.[1][4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h «Primeira médica saiu da Famed em 1887». Ciência e Cultura UFBA. Consultado em 8 de março de 2018. 
  2. a b «Projeto de Lei 774-A de 1951». Câmara dos Deputados do Brasil. Consultado em 8 de novembro de 2018. 
  3. «Rita Lobato Velho Lopes (1867-1954)». Mulher 500 Anos. Consultado em 8 de novembro de 2018. 
  4. a b «DIA DO MÉDICO - SOBRATI HOMENAGEIA RITA LOBATO». Medicina Intensiva. Consultado em 8 de março de 2018.