Rio Pardo

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Município de Rio Pardo
A Rua Julio de Castilhos (Rua da Ladeira) foi a primeira rua calçada no RS, no ano de 1813.

A Rua Julio de Castilhos (Rua da Ladeira) foi a primeira rua calçada no RS, no ano de 1813.
Bandeira de Rio Pardo
Brasão de Rio Pardo
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 7 de outubro de 1809 (210 anos)
Gentílico rio-pardense [1]
Lema Tranqueira invicta
CEP 96640-000
Prefeito(a) Rafael Reis Barros (PSDB)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Rio Pardo
Localização de Rio Pardo no Rio Grande do Sul
Rio Pardo está localizado em: Brasil
Rio Pardo
Localização de Rio Pardo no Brasil
29° 59' 24" S 52° 22' 40" O29° 59' 24" S 52° 22' 40" O
Unidade federativa Rio Grande do Sul
Mesorregião Centro Oriental Rio-grandense IBGE/2008[2]
Microrregião Cachoeira do Sul IBGE/2008[2]
Municípios limítrofes Santa Cruz do Sul, Pantano Grande, Cachoeira do Sul, Encruzilhada do Sul, Passo do Sobrado, Minas do Leão, Candelária, Vera Cruz e Vale Verde
Distância até a capital 140 km
Características geográficas
Área 2 050,65 km² [3]
População 38 968 hab. est. IBGE/2016[4]
Densidade 19 hab./km²
Altitude 47 m
Clima Não disponível
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,754 alto PNUD/2000[5]
PIB R$ 430 998,704 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 11 077,38 IBGE/2008[6]

Rio Pardo é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. Localizado no pampa gaúcho, foi uma das primeiras vilas a serem criadas e sua história está intimamente ligada à formação do estado, dando origem a mais de 200 Municípios do Rio Grande do Sul. Teve um papel importante e estratégico como fortaleza de defesa da fronteira na conquista do território aos espanhóis, e daí seu moto de Tranqueira Invicta; Também foi palco da Guerra Guaranítica, em que um dos episódios mais conhecidos culminou com a prisão do lendário Sepé Tiaraju, e também da Revolução Farroupilha e da Guerra do Paraguai.

Sua origem é, desta forma, essencialmente a partir de eventos de disputas territoriais e, o passar do tempo, da colonização, que ajudou a construir uma identidade bastante peculiar, influenciada por aspectos culturais e econômicos. Povoada principalmente por açorianos, que fundaram famílias que se ligaram às mais ilustres do estado, tornou-se no século XIX centro de produção agrícola e pecuária de corte, transporte ferroviário, seu porto fluvial e um movimentado entreposto de comércio. Sua antiguidade deixou marcas ainda visíveis na cidade, em tradições e na sua rica arquitetura colonial, que fazem Rio Pardo uma cidade com atrações turísticas com características ímpares, trazendo arquitetos, historiadores, fotógrafos e interessados em turismo rural.[7]

História[editar | editar código-fonte]

Às margens do rio Jacuí, é um dos quatro municípios mais antigos do Rio Grande do Sul e de grande importância histórica, dando origem a mais de 200 outros Municípios. No século XVII e século XVIII, o município de Rio Pardo compreendia quase 157 mil quilômetros quadrados, mais da metade do território sul-rio-grandense. Era habitada pelos nativos tapes, que foram depois reduzidos pelos jesuítas espanhóis nas Missões Orientais do Tapes, por volta de 1633.Os bandeirantes paulistas fizeram três incursões para escravizar missioneiros, obrigando as missões da região a recuarem para a margem direita do rio Uruguai, apesar dos portugueses terem sido derrotados e expulsos na última incursão, quando da batalha de M'bororé. Em 1715, chegaram ao atual município os primeiros colonizadores portugueses avulsos. O forte Jesus, Maria, José do Rio Pardo, em 1752, foi construído com o intuito de ser a fortificação mais a oeste na chamada guerra Guaranítica - (1753-1756). Alguns anos após, chegaram os primeiros colonizadores açorianos, que foram povoando a cidade inicialmente em volta do forte. Foram estabelecidas plantações e fazendas criatórias, que sustentaram a economia e a sociedade regional.

Quando das invasões espanholas, a partir de 1761, Rio Pardo nunca caiu, por isso sua alcunha : Tranqueira Invicta. Foi de Rio Pardo que, em 1801, partiu Borges do Canto e seus companheiros que, em aliança com parcialidades dissidentes dos guaranis missioneiros, insatisfeitas com a administração militar espanhola, conquistou as Missões para o império lusitano, que hoje representa 1/3 do estado. Após essa conquista, os guaranis missioneiros perderiam, em algumas décadas, o que restava das fazendas coletivas, em favor de latifundiários luso-brasileiros. Alguns historiadores contam que foi "no atalaia do Rio Pardo que se plasmou a alma guerreira dos rio-grandenses", visto que os Dragões (tropa de elite) estiveram em Rio Pardo de 1750 até 1823, portanto durante 83 anos.

Por estas razões, uma parte significativa das famílias do Rio Grande do Sul, com raízes no passado mais distante, tem ligação com esta cidade. Inclusive muitas famílias de proprietários vinham casar suas filhas com cadetes que vinham de todo o Brasil estudar na cidade. Em 1807, foi criada a Capitania de São Pedro e, em 7 de outubro de 1809, através do Decreto Real assinado por D. João VI, Rio Pardo foi elevado à condição de vila, com o nome de Vila do Príncipe. Em 31 de março de 1846, a vila de Rio Pardo foi elevada à categoria de cidade.

Além da importante participação na conquista da região das Missões, o município se destacou na Revolução Farroupilha (1835-1845) e na Guerra do Paraguai (1865). A seguir, vieram colonizar a região os imigrantes alemães e de outras origens. A economia de Rio Pardo esteve apoiada na criação animal, na agricultura e no comércio, fortemente movidos pela mão-de-obra africana e afrodescendente escravizada.

Paleontologia[editar | editar código-fonte]

No município estão localizados afloramentos de grande importância e que têm contribuído para a paleobotânica.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 29º59'23" sul e a uma longitude 52º22'41" oeste, estando a uma altitude de 47 metros.

Sua população estimada em 2016 era de 38.968 habitantes[4].

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima é subtropical, apresentando verões muito quentes e invernos frios, com pequena ocorrência de geadas. As médias anuais de temperatura variam entre 18° e 20°C.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Dois rios cortam o município: o rio Jacuí, que corre no sentido oeste-leste, dividindo o território em duas porções e o seu afluente, o rio Pardo, que corre no sentido norte-sul.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

É predominantemente formada por gramíneas nativas. As matas localizam-se às margens dos rios Jacuí e Pardo e seus afluentes. As formações vegetais são: Mata de Planície, Parque de Maricá, Vegetação Palustre e Vegetação Campestre.

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

Prédios históricos[editar | editar código-fonte]

Casa de Cultura de Rio Pardo
Museu Histórico Barão de Santo Ângelo
Museu de Arte Sacra - entre as peças expostas encontra-se a imagem do santo do pau oco Santo Estevão, utilizado na época das guerras para esconder mensagens, ouro, prata, etc.

Igrejas[editar | editar código-fonte]

  • Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário - construída em 1779 e tombada pelo Patrimônio Municipal de Rio Pardo em 1978
  • Capela São Francisco (com Museu de Arte Sacra de Rio Pardo) - construída em 1755 e uma das mais antigas da história colonial;
  • Capela do Senhor dos Passos (1812)
  • Capela São Nicolau (1754) (arte sacra missioneira)
  • Igreja Metodista
  • A Igreja de Jesus Cristo dos santos dos Últimos Dias

Museus[editar | editar código-fonte]

A Rua Julio de Castilhos (Rua da Ladeira) foi a primeira rua calçada no RS, no ano de 1813

Áreas históricas e panorâmicas[editar | editar código-fonte]

  • Rua da Ladeira (atual Júlio de Castilhos) - construída em 1813 copiando a Via Ápia, é a primeira rua calçada no Rio Grande do Sul, ligando o antigo [Forte Jesus, Maria, José ao centro da cidade. Foi tombada em 1954 pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Brasil
  • Forte Jesus, Maria, José do Rio Pardo, apelidado de "'Tranqueira Invicta" - construído em 1752, hoje restam apenas três canhões e uma lápide com a planta da fortaleza
  • Praia dos Ingazeiros
  • Balneário de Santa Vitória
  • Monumento do Barão do Triunfo
  • Monumento às professoras Ana Aurora e Zamira do Amaral Lisboa
  • Ponte sobre o Rio Pardo (1754/1911)
  • Cemitério Municipal (1872) − com valor histórico e artístico
  • Cruz do Barro Vermelho - combate farroupilha e berço do Hino Rio-grandense
  • Ponte de Arcos Romanos (1848) - em Arroio do Couto
  • Barragem Eclusa do Anel Dom Marco − 22 km
  • Praia de Porto Ferreira e Porto das Mesas

Cidadãos ilustres[editar | editar código-fonte]

Retrato de Manuel de Araújo Porto-Alegre
  • João Antônio da Silveira (1779-1871) - teve destacada atuação na Revolução Farroupilha; foi um dos seis generais da República Rio-grandense.
  • Francisco de Paula do Amaral Sarmento Mena (1804-1836) - tenente do Regimento de Dragões; deixou a atividade militar com brilhante folha de serviços; participou de diversas campanhas; poeta e ardoroso farroupilha, pegou em armas em defesa do ideal republicano; morreu em combate.
  • Manuel de Araújo Porto-Alegre, Barão de Santo Ângelo (1806-1879) - poeta, desenhista, pintor, arquiteto, escultor, historiador, jornalista, teatrólogo, professor, diplomata.
  • Antônio Vicente da Fontoura (1807-1860) - nasceu em Rio Pardo mas, ainda moço, transferiu-se para Cachoeira do Sul; abastado comerciante, vereador, juiz ordinário, chefe de polícia, juiz de paz; destacou-se na Revolução Farroupilha; foi ministro da Fazenda e deputado à Assembleia Constituinte da República Rio-grandense; emissário dos farrapos para tratar da paz.
  • Afonso José de Almeida Corte Real (1809-1840) - militar; participou da Campanha da Cisplatina; coronel das forças farroupilhas; salientou-se por sua bravura e morreu lutando.
  • Antônio Vicente de Sequeira Pereira Leitão (1809-1888) - advogado, promotor de justiça, juiz de Direito, chefe de polícia, desembargador; ardoroso republicano, participou da Revolução Farroupilha, exercendo cargos de destaque na efêmera república: ministro da Fazenda, da Justiça e da Guerra.
  • Sebastião Xavier do Amaral Sarmento Mena (1809-1893) - advogado, professor, jornalista, poeta; teve papel saliente na Revolução Farroupilha, fazendo parte da Assembleia Constituinte de 1842; destacou-se também na luta pela abolição da escravatura e na propaganda republicana.
  • Pedro Rodrigues Fernandes Chaves, Barão de Quaraí (1810-1886) - juiz de Direito, desembargador, diplomata, deputado pelo Rio Grande do Sul em três legislaturas, senador do Império.
  • Benjamim Franklim Ramiz Galvão, Barão de Ramiz Galvão (1846-1938) - médico, cirurgião do Exército na guerra contra Solano Lopes, professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, preceptor dos netos de D.Pedro II, membro da Academia Brasileira de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, jornalista.
  • Protásio Antônio Alves (1859-1933) - médico, político, secretário do Interior do Rio Grande do Sul e vice-presidente do mesmo estado.
  • Ana Aurora do Amaral Lisboa (1860-1952) - professora, poetisa, escritora e política; fundadora, juntamente com suas irmãs Zamira e Carlota, do Colégio Amaral Lisboa; dedicou-se durante cinquenta e cinco anos ao ensino.
  • Ernesto Alves de Oliveira (1862-1891) - bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, ardoroso propagandista do ideal republicano, brilhante orador, jornalista, deputado à Constituinte de 1891, diretor da Instrução Pública do Rio Grande do Sul.
  • Carlos Henrique Kaiser, mais conhecido como Carlos Kaiser (2 de abril de 1963 (54 anos), Rio Pardo, Rio Grande do Sul) foi um suposto futebolista brasileiro que atuou por diversos clubes brasileiros, e estrangeiros. Ganhou o apelido Kaiser devido à semelhança com o alemão Franz Beckenbauer.

Esportes[editar | editar código-fonte]

No futebol, a cidade está representada pelo Riopardense, clube fundado em 2009 e que atualmente está desativado. Em 2013, o Peixe fechou um contrato com a Nike, conhecida fornecedora de material esportivo.[8]

No lugar do Riopardense, a cidade agora conta com o Nadas Branco, importante time de futsal, que vem se destacando cada vez mais na região.

Referências

  1. gentílico IBGE
  2. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  3. IBGE. «IBGE Cidades». Consultado em 7 de julho de 2017 
  4. a b «IBGE Cidades». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 7 de julho de 2017 
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  6. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  7. História de Rio Pardo. Página da Câmara Municipal
  8. Riopardense divulga foto com as novas camisas produzidas pela Nike. Zero Hora

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]