São Sepé

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Município de São Sepé
"Ouro de Terra"
Bandeira de São Sepé
Brasão de São Sepé
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 29 de abril
Fundação 29 de abril de 1876 (139 anos)
Gentílico sepeense
Lema Está Terra já tem Dono
Prefeito(a) Leo Carlos Girardello (PP)
(2013–2016)
Localização
Localização de São Sepé
Localização de São Sepé no Rio Grande do Sul
São Sepé está localizado em: Brasil
São Sepé
Localização de São Sepé no Brasil
30° 09' 39" S 53° 33' 54" O30° 09' 39" S 53° 33' 54" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Centro Ocidental Rio-grandense IBGE/2008[1]
Microrregião Santa Maria IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Santa Maria, São Gabriel, Caçapava do Sul, Formigueiro, Vila Nova do Sul, Restinga Seca, Cachoeira do Sul
Distância até a capital 265 km
Características geográficas
Área 2 188,832 km² [2]
População 24 465 hab. Censo IBGE/2013[3]
Densidade 11,18 hab./km²
Altitude 85 m
Clima subtropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,775 alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 378,350 mil IBGE/2011[5]
PIB per capita R$ 13 487,96 IBGE/2008[5]
Página oficial

São Sepé é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, localizado na região central do estado, distante 265 quilômetros da capital Porto Alegre.

História[editar | editar código-fonte]

A cidade de São Sepé teve origem a partir da ideia-promessa de se construir uma capela em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, um desejo dos moradores do distrito de São João, como era identificado o território do atual município. Francisco Antonio de Vargas, morador de Formigueiro, liderou o movimento tomando a iniciativa. Havia, porém, fazendeiros que se opunham à construção da referida capela. Porém, Francisco Antonio de Vargas e seus companheiros obtiveram a licença, concedida pelo Vigário Geral, cônego Antônio Vieira de Soledade, em 1829.

Em 15 de fevereiro de 1830, parte, de Formigueiro, uma carreta transportando uma grande cruz de ipê e acompanhada por uns quarenta moradores, a cavalo, sob a liderança de Francisco Antônio de Vargas. Após cansativa jornada, chegaram ao local escolhido. Mesmo contra a vontade de autoridades e fazendeiros, levantam a cruz com toda a solenidade e pompa. Em sinal de protesto à invasão da propriedade, os estancieiros do Rincão de São João, entre os quais a família Fraga, fizeram longa representação ao presidente da província, Caetano Mário Lopes Gama. Em consequência, Francisco foi processado, mas, com sua morte, o processo foi encerrado. No entanto, os Plácidos (Plácido Nunes de Melo, o Chiquiti e Plácido Gonçalves Dias, homem rico e sem descendente) deram continuidade, adquirindo as terras. Chiquiti conseguiu que o proprietário do terreno o vendesse a Plácido Gonçalves. Este o adquire da família Fraga, e doa-o para a construção da capela. Também faz doação de todos os terrenos necessários para as demais edificações iniciando-se assim e ali, a povoação que cresce rapidamente. Em 7 de setembro de 1850, pela Lei Provincial nº 201, esta povoação é elevada à Freguesia com o nome de Freguesia de São Sepé.

O município de São Sepé foi criado pela Lei provincial nº 1029, de 29 de abril de 1876, com territórios dos Municípios de Cachoeira e Caçapava do Sul. O Município é instalado, solenemente, a 15 de março de 1877, pelo Presidente da Câmara de Vereadores da Vila de Caçapava, Pedro Antônio Medeiros.[6]

Pelo Decreto nº 7.199, de 31 de março de 1938, São Sepé é elevada à categoria de Cidade, confirmando uma posição regional de destaque.

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

Existem duas versões a respeito da origem do nome São Sepé. A mais popular diz que o município recebeu esse nome em homenagem à memória do guerreiro Sepé Tiaraju que nasceu, viveu e combateu nos Sete Povos das Missões, na época pré-açoriana. Os missionários ensinavam que ganhariam o céu aqueles que tombassem em luta pela defesa das Reduções Cristãs contra os exploradores. Por isso, o guerreiro morto passou a ser invocado como São Sepé, tornando-se assim símbolo do sentimento indígena de liberação. A comprovação desta santidade seria o lunar de Sepé -  um sinal branco, em forma de cruz, no alto da testa.

A outra versão afirma que São Sepé teve origem em uma estância missioneira já existente em 1751, chamada San Sepé e que o nome São Sepé que se atribuiu ao município não em relação direta com o índio Sepé Tiaraju.

Todavia, São Gabriel e São Sepé são dois municípios que tem interesses históricos-culturais muito próximos à figura de Sepé Tiaraju. São Gabriel, porque guarda o local onde teria ocorrido a morte do Guerreiro das Missões. São Sepé, porque um misto de lenda e verdade faz crer que o corpo de Tiaraju, teria sido enterrado em grutas da região, acreditando a memória popular tratar-se da Gruta do Marco, localizada em território sepeense. E talvez por causa desse interesse, é crescente o reconhecimento do valor e da importância de Sepé Tiaraju.[7]

Geografia[editar | editar código-fonte]

São Sepé fica na região central do Rio Grande do Sul, a 265 Km de Porto Alegre. Faz parte da microrregião geográfica de Santa Maria que compreende, além de São Sepé, os municípios de Cacequi, Dilermando de Aguiar, Itaara, Jaguari, Mata, Nova Esperança do Sul, Santa Maria, São Martinho da Serra, São Pedro do Sul, São Vicente do Sul, Toropi e Vila Nova do Sul. Localiza-se a uma latitude 30º09'38" sul e a uma longitude 53º33'55" oeste, estando a uma altitude média de 85 metros e sua população estimada pelo IBGE em 2014 era de 24.448 habitantes.[8]

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia do município é baseada nas atividades agropastoris, com destaque para as culturas do arroz, soja (mais expressivas) e milho. Na pecuária destacam-se as criações de gado de corte e leite. E também a área de serviços tem uma fatia importante da economia.[9] Porém, São Sepé assiste a uma debandada populacional para os centros maiores, especialmente por parte dos jovens, que buscam formação profissional nas universidades das cercanias, além de melhor infraestrutura médica.

Turismo[editar | editar código-fonte]

As atrações turísticas de São Sepé ainda não têm expressão econômica, mas podem seduzir os visitantes para que vejam um fogo-de-chão, permanentemente aceso há mais de 200 anos; a Gruta do Marco, entre Tupanci e Cerrito, faz homenagem à índia Pulquéria que teria estado ali; a Fonte da Bica; a Praça das Mercês e a Igreja de Nossa Senhora das Mercês são outros atrativos a incrementar o turismo do município, além da centenária árvore magnólia, que segundo a história servia de sombra ao índio Sepé, no centro da cidade.

Fogo de Chão[editar | editar código-fonte]

Na Fazenda Boqueirão, em São Sepé, o fogo de chão é mantido aceso desde o início do século XIX - há mais de 200 anos, portanto. Ao redor desse fogo, os gaúchos que lidavam com o gado se aconchegavam contra o frio, passavam o chimarrão de mão em mão e tomavam decisões. A família Simões Pires, agora na sexta geração, mantém esse fogo de chão permanentemente aceso, alimentado por toras de madeira de lei chamadas guarda-fogo. Localizada no hoje distrito de Vila Block, a propriedade rural de São Sepé é o centro de romarias nativistas e tradicionalistas para cultuar essa chama que não se apaga.[10]

Centro Cultural Diolofau Brum[editar | editar código-fonte]

O Centro Cultural Diolofau Brum é uma das homenagens que São Sepé prestou à Diolofau Brum, um farmacêutico e escritor autodidata, reconhecendo seu talento e o incentivo que sempre deu às artes, aos talentos e à cultura de sua terra natal. Possui Biblioteca Pública com acervo de mais de 20.000 livros, Museu Municipal e Auditório com 166 lugares. É propriedade da Fundação Cultural Afif Jorge Simões Filho.[11] [12]

Mídia[editar | editar código-fonte]

Circulam atualmente no município de São Sepé três jornais semanais impressos: "A Fonte", "A Palavra", "O Guia", além de dois jornais eletrônicos, o "Jornal do Garcia" e "O Sepeense" (disponíveis somente na internet). Entre os jornais que já circularam anteriormente cita-se "O Centenário" e "A Cidade", editado nos municípios de São Sepé e Caçapava do Sul. Existem ainda duas rádios, a rádio Fundação Cotrisel (em AM) e a rádio Pulquéria (em FM).

População

A cidade possui inúmeras famílias de imigrantes alemães, com destaque para a família GASS , italianos, além de populações indígenas locais.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.
  6. História | Prefeitura Municipal de São Sepé www.saosepe.rs.gov.br. Visitado em 25 de Agosto de 2015.
  7. História | Prefeitura Municipal de São Sepé www.saosepe.rs.gov.br. Visitado em 25 de Agosto de 2015.
  8. IBGE | Cidades | Rio Grande do Sul | São Sepé www.cidades.ibge.gov.br. Visitado em 25 de Agosto de 2015.
  9. IBGE | Cidades | Infográficos | Rio Grande do Sul | São Sepé | Economia www.cidades.ibge.gov.br. Visitado em 25 de Agosto de 2015.
  10. Família mantém aceso fogo de chão em fazenda há 200 anos no RS g1.globo.com/rs. Visitado em 26 de Agosto de 2015.
  11. São Sepé - RS - Informações | Portal Férias www.ferias.tur.br. Visitado em 26 de Agosto de 2015.
  12. História | Prefeitura Municipal de São Sepé www.saosepe.rs.gov.br. Visitado em 26 de Agosto de 2015.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Rio São Sepé