Shaolin

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O Templo Shaolin é um famoso mosteiro budista localizado na montanha Shaoshi, na porção oeste das montanhas Songshan, em Dengfeng City, na província de Henan, na República Popular da China.[1] Nele, viveu, no século VI, o 28º patriarca budista, Bodhidharma. No templo, Bodhidharma criou o estilo chan (zen) do budismo, bem como o estilo shaolin de kung fu[2].

Portão principal do templo Shaolin

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Shaolin, traduzido do chinês, significa "floresta da montanha Shaoshi".[3]

História[editar | editar código-fonte]

O templo Shaolin foi construído em 495 pelo imperador Xiaowen da dinastia Wei do Norte (386-557) para abrigar o mestre indiano Batuo (Buddhabhadra), que veio a ser o primeiro abade do mosteiro[4] . Nesta época, muitas pessoas se converteram ao budismo, não muito pela religião, mas mais para fugir das obrigações com o imperador, pois as leis da época permitiam aos convertidos seguir apenas a Buda e à espiritualidade. Já existiam traços de marcialidade entre os monges budistas. Esses traços se tornaram fato em 520 com a chegada do monge indiano Bodhidharma, também conhecido como Ta Mo, em chinês, e Daruma Taishi, em japonês. Bodidarma passou nove anos meditando na caverna do pico Wuru, atrás do mosteiro. Visando a fortalecer os monges, que estavam debilitados devido às longas horas meditando, Bodidarma lhes ensinou exercícios que se tornariam a arte marcial do kung fu shaolin. Bodidarma também lhes ensinou técnicas de meditação que viriam a constituir a escola chan de budismo.[3][5]

Foram criados cinco templos, sendo um em Honan e um em Fukien. Quanto aos outros três, ainda existem dúvidas sobre suas reais localizações, entre Wotang, Oweishan, Kwantung, Ngor Mee, Wu Tang e Kwang. No tempo Shaolin, foram criados os estilos de kung fu do tigre, do grou, do leopardo, da serpente e do dragão.

Os treinamentos no templo eram bem severos, com várias horas de meditação e treinamentos de luta, o que tornava os monges uma arma, com total domínio da mente e do corpo. Tudo começava com crianças entre sete e doze anos esperando por dias na frente do portão do templo. As que ficavam então, depois de entrar, passavam por vários testes de comportamento, paciência e humildade.

Após longos anos e testes, o monge deveria lutar e vencer os cinco lutadores dos estilos de Shaolin. Após isso, ia ao corredor da morte, onde a perícia marcial, concentração e percepção eram postos a prova. Ao chegar ao final, para abrir a porta, tinha que erguer uma urna com brasas dentro e animais desenhados na sua lateral, os quais marcariam sua pele pelo resto de sua vida.

Monges do mosteiro Shaolin

A época de ouro do mosteiro foi durante a dinastia Tang (618-907). No início do século 7, um grupo formado por treze monges do mosteiro salvou o futuro imperador da dinastia Tang, Li Shimin. Em recompensa, quando este alcançou o poder, efetuou generosas doações ao mosteiro.[5]

Em 1733, os Manchus, que já haviam invadido a China e tentado invadir o templo anteriormente, conseguiram subornar um monge e este traidor envenenou a água e incendiou o templo, dando a oportunidade para os Manchus de destruírem o templo. Deste episódio, apenas sobreviveram cinco mestres e quinze discípulos, que se espalharam e começaram a treinar secretamente pessoas escolhidas na multidão.

Ao longo da história, o mosteiro passou por sucessivas destruições e reconstruções. Ele funciona até hoje. Hoje, a China é repleta de fatos históricos que mostram a influência dos monges Shaolin desde as artes marciais e o uso de ferramentas de trabalho como armas brancas até terapias, movimentos religiosos e políticos.


As Dez Normas Budistas[editar | editar código-fonte]

O monge Kwok Yuen criou um código filosófico com as seguintes normas:

1 - treinar ininterruptamente
2 - usar as técnicas somente para defesa
3 - respeitar os superiores
4 - ser honesto e sempre demonstrar cordialidade
5 - evitar demonstrações de lutas
6 - nunca ser agressivo ou demonstrar maneiras rudes
7 - jamais comer carne ou provar bebidas alcoólicas
8 - conter seus impulsos sexuais
9 - jamais ensinar técnicas às pessoas que não são budistas
10 - evitar a cobiça e a agressividade

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

TORRES, José Augusto Maciel, Kung Fu: a milenar arte macial chinesa: águia, bêbado, louva-a-deus, tai chi chuan, tigre, wing chun. São Paulo, On Line, 2011.

Referências

  1. «Location». Shaolin Temple. 
  2. VELTE, H. Dicionário ilustrado de budô. Tradução de S. Pereira Magalhães. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1981. pp. 25-27
  3. a b «Introduction». Shaolin Temple. 
  4. «História do Templo Shaolin». Instituto Lohan. 
  5. a b «History». Shaolin Temple. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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