Partido Social-Democrata da Alemanha

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Partido Social-Democrata da Alemanha
Sozialdemokratische Partei Deutschlands
Presidente Andrea Maria Nahles
Secretário-geral Lars Klingbeil
Fundação 27 de maio de 1875 (1875-05-27) (unificação)
Sede Willy-Brandt-Haus, Wilhelmstraße 141,
10963 Berlim,  Alemanha
Ideologia Social-democracia
Terceira Via
Europeísmo
Espectro político Centro-esquerda
Think tank Fundação Friedrich Ebert
Ala jovem Jusos
Membros  (2014) 467 047
Afiliação internacional Aliança Progressista,
Internacional Socialista
Afiliação europeia Partido Socialista Europeu
Grupo no Parlamento Europeu Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas
Bundestag
193 / 631
Parlamento Europeu
27 / 96
Parlamentos Regionais
516 / 1 821
Ministro-presidente
7 / 16
Cores Vermelho
Página oficial
http://www.spd.de/

O Partido Social-Democrata da Alemanha (em alemão: Sozialdemokratische Partei Deutschlands, SPD) é um partido politico alemão. O SPD é um dos partidos dominadores da cena política alemã, tem uma história centenária. É o segundo partido alemão mais antigo ainda em funcionamento, tendo completado em 2015 cento e quarenta anos de existência. Foi impiedosamente perseguido durante o Terceiro Reich (1933-1945) e na antiga Alemanha Oriental foi obrigado pelas forças de ocupação soviéticas a se fundir com os comunistas. É filiado à Internacional Socialista. Eleitoralmente forte junto à população alemã de confissão luterana e nas regiões norte e leste da Alemanha. Seu maior rival é a CDU, o partido democrata cristão alemão.

Historia[editar | editar código-fonte]

Inícios[editar | editar código-fonte]

Oficialmente, nasceu no ano de 1875; contudo, devido ao facto de resultar da fusão de duas organizações, a sua história pode recuar alguns anos. Em 1863 emergia na Alemanha a social-democracia. A 7 de agosto de 1869, August Bebel e Wilhelm Liebknecht fundaram o SDAP (Partido Operário Social-Democrata), em Eisenach, com a meta de abolir o Estado de classes e implantar um "Estado livre popular". Em 1890, o partido transformou-se para Partido Social Democrata da Alemanha (SPD). Era um partido de orientação marxista, revolucionário, anticlerical e pacifista.[1]

Nesse ano, Ferdinand Lassalle (1825-1864)[2] fundava o Allgemeiner Deutscher Arbeiterverein (ADAV, Associação Geral dos Trabalhadores Alemães) em Leipzig que, em 1875, viria a juntar-se ao Sozialdemokratische Arbeiterpartei, organização surgida em 1869 e dirigida por August Bebel.[3] Nos primeiros anos da sua existência a sua ideologia era socialista; o partido viria a manter uma orientação marxista até final dos anos 50 do Século XX.

Karl Marx era crítico às idéias de Lassalle que surgiam no programa de unificação dos partidos em 1875 durante o Congresso de Gotha (cujo principal autor foi o marxista Liebknecht), principalmente sobre a "lei de bronze do salário" e a subvenção estatal a que o partido se submetia; no mesmo ano, escreveu suas glosas marginais ao programa do partido[4], no qual considerava um retrocesso recorrer a idéias, segundo ele, já ultrapassadas na teoria. Mesmo com suas diferenças ideológicas, Marx não foi contra a unificação dos partidos por considerar que "Cada passo do movimento real é mais importante que uma dúzia de programas". Sua Crítica ao Programa de Gotha só viria a público quinze anos mais tarde, ao ser publicada por Friedrich Engels em 1891 na Die Neue Zeit.

O ano de 1878 marca o início de uma fase atribulada na vida desta organização política. Otto von Bismarck, Chanceler da Alemanha, conservador, aproveita duas tentativas de assassinato contra o Guilherme II da Alemanha para eliminar adversários; na sequência destes atentados, faz aprovar diversas leis "anti-socialistas", apesar de nunca se ter provado qualquer ligação destes com os acontecimentos. Até 1890 a clandestinidade é o campo onde se movem os activistas partidários de esquerda.

Por essa altura, o SPD conseguira atrair a simpatia de um vasto número de apoiantes; nas eleições desse ano é o partido mais votado, com 19,7% dos votos; em 1912 esses números aumentam para os 34,8%. Entre esta data e os anos 30 o SPD estará ligado a importantes mudanças sócio-políticas no país. A 12 de novembro de 1918, o Governo revolucionário social democrata aprovou o direito de voto das mulheres; em Novembro desse mesmo ano um militante do partido, Friedrich Ebert, é eleito primeiro presidente da República de Weimar.

A ascensão dos nazis na Alemanha trouxe grandes perturbações; o SPD foi das únicas vozes que se levantou contra o totalitarismo hitleriano e sofreu as consequências dessa atitude. Muitos dos seus membros foram presos, torturados e mortos. Nos cerca de 12 anos compreendidos entre 1933 e 1945, a história do partido e da social democracia caracterizou-se pela emigração, clandestinidade e resistência. Depois da guerra, o SPD surgiu com um papel de primeira grandeza na reconstrução do país e a sua linha de actuação, claramente oposta à dos comunistas, começa a esboçar o seu posicionamento futuro. À sua frente estão líderes de grande capacidade, marcantes na sua História; entre eles, destacam-se homens como Kurt Schumacher (o secretário-geral),[5] Egon Franke, Erich Ollenhauer, Fritz Heine.

Pós-guerra[editar | editar código-fonte]

Em 1946, a ruptura com o Leste foi inevitável após os comunistas, no Poder, terem ordenado a prisão de cerca de cinco mil membros do SPD. Outros militantes do partido acabaram por se juntar aos seus camaradas do Ocidente, onde participaram activamente no processo de criação e desenvolvimento da República Federal da Alemanha. Nas primeiras eleições para o Bundestag (o novo Parlamento da República), o SPD consegue 29,2 % dos votos; é o maior partido da oposição, exercendo essa função de forma construtiva.

A partir de 1959, depois de alguns anos em que a Alemanha viveu um período de grave agitação social (registando-se um importante levantamento operário em 1953), ao adoptar o chamado Programa Godesberg,[6] o partido "abre-se ao povo", dirigindo-se a uma camada mais vasta do eleitorado, incluindo grupos cristãos; a orientação socialista e socializante era posta de parte e a social-democracia era agora a palavra de ordem. O partido aceitou a economia de mercado, embora defendesse uma intervenção do Estado para manter a ordem e o bem-estar geral.

Em 1969, a política conservadora cristalizara. Pela primeira vez na história da República Federal, o SPD ganhou as eleições; Willy Brandt é nomeado chanceler, cargo que ocupará até 1974, altura em que é substituído pelo também social-democrata Helmut Schmidt. As políticas seguidas por estes dois chanceleres, num compromisso entre a economia de mercado e o Estado-providência, dinamizaram o país; a Alemanha modernizou-se e tornou-se um modelo seguido por outras nações.

De 1982 em diante, a Alemanha virou à direita. O SPD voltou à oposição e conheceu uma fase de relativo apagamento, emergindo algumas disputas e sucedendo-se os líderes. A reunificação da Alemanha após a queda do muro de Berlim em 1989 levou à fundação, a 7 de outubro (logo, ainda na ilegalidade), do Partido Social Democrata na moribunda República Democrática Alemã. A união dos partidos dos dois lados da Alemanha será entusiasticamente saudada por Willy Brandt e conduzida pelo novo líder Björn Engholm. Depois de vários anos em combate político contra os governos da União Democrata-Cristã (CDU) de Helmut Kohl, o SPD, com Gerhard Schröder, chegou ao Governo.

Ficou no poder de 1918 a 1920, de 1928 a 1930, de 1969 a 1982 e de 1998 a 2005. O actual presidente é Sigmar Gabriel.[7]

Elegeu três presidentes da Alemanha: Friedrich Ebert (1919-1925), Gustav Heinemann (1969-1974) e Johannes Rau (1999-2004).[8]

Resultados Eleitorais[editar | editar código-fonte]

Eleições legislativas[editar | editar código-fonte]

AlemanhaImpério Alemão

Data CI. Votos % +/- Deputados +/- Status
1877 4.º 493 300
9,1 / 100,0
12 / 397
Oposição
1878 5.º 437 100
7,6 / 100,0
Baixa1,5
9 / 397
Baixa3 Oposição
1881 7.º 312 000
6,1 / 100,0
Baixa1,5
12 / 397
Aumento3 Oposição
1884 5.º 550 000
9,7 / 100,0
Aumento3,6
24 / 397
Aumento12 Oposição
1887 5.º 763 100
10,1 / 100,0
Aumento0,4
11 / 397
Baixa13 Oposição
1890 1.º 1 427 300
19,7 / 100,0
Aumento9,6
35 / 397
Aumento24 Oposição
1893 1.º 1 786 700
23,3 / 100,0
Aumento3,6
44 / 397
Aumento9 Oposição
1898 1.º 2 107 100
27,2 / 100,0
Aumento3,9
56 / 397
Aumento12 Oposição
1903 1.º 3 010 800
31,7 / 100,0
Aumento4,5
81 / 397
Aumento25 Oposição
1907 1.º 3 259 000
29,0 / 100,0
Baixa2,7
43 / 397
Baixa38 Oposição
1912 1.º 4 250 400
34,8 / 100,0
Aumento5,8
110 / 397
Aumento67 Oposição

AlemanhaRepública de Weimar

Data CI. Votos % +/- Deputados +/- Status
1919 1.º 11 509 048
37,9 / 100,0
165 / 423
Governo
1920 1.º 6 104 398
21,7 / 100,0
Baixa16,2
102 / 459
Baixa57 Governo
05/1924 1.º 6 008 905
20,5 / 100,0
Baixa1,2
100 / 472
Baixa2 Oposição
12/1924 1.º 7 881 041
26,0 / 100,0
Aumento5,5
131 / 493
Aumento31 Oposição
1928 1.º 9 152 979
29,8 / 100,0
Aumento3,8
153 / 491
Aumento22 Governo
1930 1.º 8 575 244
24,5 / 100,0
Baixa5,3
143 / 577
Baixa10 Oposição
07/1932 2.º 7 959 712
21,6 / 100,0
Baixa2,9
133 / 608
Baixa10 Oposição
11/1932 2.º 7 251 690
20,4 / 100,0
Baixa1,2
121 / 584
Baixa12 Oposição
1933 2.º 7 181 629
18,3 / 100,0
Baixa1,9
120 / 647
Baixa1 Oposição

AlemanhaRepública Federal da Alemanha

Data Líder M. Uninominal M. Proporcional Deputados +/- Status
CI. Votos % +/- CI. Votos % +/-
1949 Kurt Schumacher 1.º 6 934 975
29,2 / 100,0
131 / 402
Oposição
1953 Erich Ollenhauer 2.º 8 131 257
29,5 / 100,0
2.º 7 944 943
28,8 / 100,0
Baixa0,4
162 / 509
Aumento31 Oposição
1957 Erich Ollenhauer 2.º 9 651 669
32,0 / 100,0
Aumento2,5 2.º 11 875 339
31,8 / 100,0
Aumento3,0
181 / 519
Aumento19 Oposição
1961 Willy Brandt 1.º 11 672 057
36,5 / 100,0
Aumento4,5 1.º 11 427 355
36,2 / 100,0
Aumento4,4
203 / 521
Aumento22 Oposição
1965 Willy Brandt 1.º 12 998 474
40,1 / 100,0
Aumento3,6 1.º 12 813 186
39,3 / 100,0
Aumento3,1
217 / 518
Aumento14 Governo
1969 Willy Brandt 1.º 14 402 374
44,0 / 100,0
Aumento3,9 1.º 14 065 716
42,7 / 100,0
Aumento3,1
237 / 518
Aumento20 Governo
1972 Willy Brandt 1.º 18 228 239
48,9 / 100,0
Aumento4,9 1.º 17 175 169
45,8 / 100,0
Aumento3,1
242 / 518
Aumento5 Governo
1976 Helmut Schmidt 1.º 16 471 321
43,7 / 100,0
Baixa5,2 1.º 16 099 019
42,6 / 100,0
Baixa3,2
224 / 518
Baixa18 Governo
1980 Helmut Schmidt 1.º 16 808 861
44,5 / 100,0
Aumento0,8 1.º 16 260 677
42,9 / 100,0
Aumento0,3
228 / 519
Aumento4 Governo
1983 Hans-Jochen Vogel 2.º 15 686 033
40,4 / 100,0
Baixa4,1 1.º 14 865 807
38,2 / 100,0
Baixa4,7
202 / 520
Baixa26 Oposição
1987 Johannes Rau 1.º 14 787 953
39,2 / 100,0
Baixa1,2 1.º 14 025 763
37,0 / 100,0
Baixa1,2
193 / 519
Baixa9 Oposição
1990 Oskar Lafontaine 2.º 16 279 980
35,2 / 100,0
Baixa4,0 2.º 15 545 366
36,7 / 100,0
Baixa0,3
239 / 662
Aumento46 Oposição
1994 Rudolf Scharping 1.º 17 966 813
38,3 / 100,0
Aumento3,1 1.º 17 140 354
36,4 / 100,0
Baixa0,3
252 / 672
Aumento13 Oposição
1998 Gerhard Schröder 1.º 21 535 893
43,8 / 100,0
Aumento5,5 1.º 20 181 269
40,9 / 100,0
Aumento4,5
298 / 669
Aumento43 Governo
2002 Gerhard Schröder 1.º 20 059 967
41,9 / 100,0
Baixa1,9 1.º 18 484 560
38,5 / 100,0
Baixa2,4
251 / 603
Baixa47 Governo
2005 Gerhard Schröder 1.º 18 129 100
38,4 / 100,0
Baixa3,5 1.º 16 194 665
34,2 / 100,0
Baixa4,3
222 / 614
Baixa29 Governo
2009 Frank-Walter Steinmeier 2.º 12 079 758
27,9 / 100,0
Baixa10,5 2.º 9 988 843
23,0 / 100,0
Baixa11,2
146 / 622
Baixa76 Oposição
2013 Peer Steinbrück 2.º 12 843 458
29,4 / 100,0
Aumento1,5 2.º 11 247 283
25,7 / 100,0
Aumento2,7
193 / 631
Aumento47 Governo
2017 Martin Schulz 2.º 11 426 613
24,6 / 100,0
Baixa4,8 2.º 9 538 367
20,5 / 100,0
Baixa5,2
153 / 709
Baixa40

Eleições europeias[editar | editar código-fonte]

Data CI. Votos % +/- Deputados +/-
1979 1.º 11 370 045
40,8 / 100,0
33 / 81
1984 2.º 9 296 417
37,4 / 100,0
Baixa3,4
32 / 81
Baixa1
1989 1.º 10 525 728
37,3 / 100,0
Baixa0,1
30 / 81
Baixa2
1994 1.º 11 389 697
32,2 / 100,0
Baixa5,1
40 / 99
Aumento10
1999 2.º 8 307 085
30,7 / 100,0
Baixa1,5
33 / 99
Baixa7
2004 2.º 5 547 971
21,5 / 100,0
Baixa9,2
23 / 99
Baixa10
2009 2.º 5 472 566
20,8 / 100,0
Baixa0,7
23 / 99
Estável
2014 2.º 7 999 955
27,2 / 100,0
Aumento6,4
27 / 96
Aumento4

Eleições regionais[editar | editar código-fonte]