Suécia na Idade Média

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
A Suécia na Escandinávia de 1330-1350
  Suécia
  Noruega
  Dinamarca
A União de Kalmar, no início do século XVI

A Idade Média na Suécia começa em 1050, com a coroação de Emundo, o Velho como rei da Suécia, e acaba em 1521, com o fim da União de Kalmar entre a Suécia, a Dinamarca e a Noruega.[1][2][3]
A época medieval inicia-se mais tarde do que no resto da Europa, porque é no séc. XI que tanto o cristianismo como o sistema feudal penetram e se implantam na vida do país. Dois novos grupos surgem lado a lado com a casa real: a nobreza nacional (riksaristokratin) e o clero (organiserade kyrkan).[4][5]
O território da Suécia abrangia então a Svealand e uma parte da Götaland, além da Finlândia Ocidental. As províncias de Blekinge, Escânia, Halland e Bohuslän pertenciam à Dinamarca e à Noruega.[3]

Dois períodos: Idade Média Inicial e Idade Média Tardia[editar | editar código-fonte]

Na Suécia a Idade Média costuma ser dividida em dois períodos: A Idade Média Inicial e Idade Média Tardia.

  • A Idade Média Inicial – em sueco Äldre medeltid – é o primeiro periodo da Idade Média no país, decorrido aproximadamente entre o séc. XI e o séc. XIV.

Corresponde ao período de formação e estruturação do estado sueco, substituindo o Reino dos Sveas (Svearike). O crescente poder dos reis e da Igreja Católica deram origem a uma nova sociedade.[6]

  • A Idade Média Tardia – em sueco Senmedeltiden – foi o segundo período da Idade Média do país, decorrido aproximadamente entre o séc. XIV e o séc. XVI.

Foi uma época de lutas internas violentas, de invernos frios e de epidemias de peste. Politicamente foi dominada pela União de Kalmar – um projeto de união da Suécia com a Dinamarca e a Noruega. As fontes históricas aumentaram consideravelmente, com destaque para os diários eclesiásticos, as crónicas medievais e os registos de terras. Numa carta escrita em Kalmar, datada de 1384, surge pela primeira vez a palavra Suécia – Swerighe.[7][8][9]

Dos Sveas e Götas à União de Kalmar[editar | editar código-fonte]

Na génese do Reino da Suécia, estão os Sveas, com uma monarquia sacerdotal com centro em Uppsala, e os povos Gotas (Götar) na Gotalândia Oriental (Östergötland) e na Gotalândia Ocidental (Västergötland). A integração dos Sveas (Svear) com os Gotas (Götar) é hoje em dia vista como um processo essencialmente pacífico, e não, como antigamente se pensava, através de uma vitória militar dos Sveas (Svear) sobre os Gotas (Götar), em algum momento incerto entre os séculos VI e IX.[10][11][12][13]

Durante os séculos IX e X, a cultura dos Vikings prosperou na Suécia e a partir dela, eles conquistaram a Finlândia e o norte da Rússia, além dos rios Dniepre e Volga estabelecendo relações comerciais com o Império Bizantino.

O cristianismo se introduziu no país quando o rei Olavo, o Tesoureiro converteu-se no século XI. Dois séculos após o início da cristianização do país, duas dinastias disputavam o poder — a fundada pelo rei Sverker e a outra pelo rei Érico, mais tarde santo — e o país encontrava-se dividido em guerras entre a nobreza e os reis. Em meados do século XIII, a Suécia foi unificada e no reino de Birger Jarl e tornou-se mais próspera, sendo a capital transferida para Estocolmo.

Em 1319, Magno II tornou-se rei da Suécia e da Noruega, da qual herdara a coroa, unindo os dois países e apesar do período de prosperidade que se seguiu, uma série de medidas mal calculadas — aumento dos impostos e uma guerra — fizeram com que o rei da Dinamarca, Valdemar IV ocupasse a Gotlândia e retomasse territórios cedidos aos suecos. A paz só seria estabelecida com um casamento entre o filho de Magno II, Haquino e a filha de Valdemar IV, Margarida. Posteriormente, a nobreza sueca proclama rei Alberto de Mecklemburgo e com a morte de Haquino e de Magno e depois de Alberto, a filha de Valdemar torna-se Margarida I em 1397 na União de Kalmar. Ela começou como uma união pessoal, não política e quando, no século XV, se tentou centralizar o poder no rei dinamarquês, a Suécia resistiu chegando mesmo a uma rebelião armada. O sucessor de Margarida foi Érico da Pomerânia que tentou transformar seus domínios em uma monarquia absolutista, mas encontrou resistência popular que pôs fim ao seu reinado em 1439. Um Conselho de Estado assumiu o poder e continuou governando mesmo após a subida de Cristóvão da Baviera ao trono devido a pressão popular demonstrada anteriormente, o povo pôde ser admitido no Parlamento.

Fim da Idade Média[editar | editar código-fonte]

Entre o final do século XV e o início do XVI, os nobres suecos e dinamarqueses disputam o poder na União até que, com o escalar do conflito e a eclosão da Guerra de Libertação da Suécia, Gustavo Vasa assumisse o poder em 1523. Ele era filho de uma das vítimas do "Banho de Sangue de Estocolmo" ordenado em 1520 por Cristiano II da Dinamarca contra seus opositores. Gustavo Vasa dá origem à Suécia Moderna ao expulsar a Igreja Católica do país, tornando a Suécia o primeiro país a fazê-lo, fomentar a economia e restabelecer a separação da coroa sueca da União.

Referências

  1. Robert de Vries. «Sverige och Norden på medeltiden 1050-1520» (em sueco). SO-rummet. Consultado em 22 de junho de 2014 
  2. Hadenius, Stig; Torbjörn Nilsson, Gunnar Åselius (1996). «Ett rike träder fram – 1520». Sveriges historia. Vad varje svensk bör veta (em sueco). Estocolmo: Bonnier Alba. p. 14. 447 páginas. ISBN 91-34-51784-7 
  3. a b Larsson, Lars-Ove (1993). «Medeltiden (Idade Média)». Vem är vem i svensk historia. Från år 1000 till 1900 (em sueco). Estocolmo: Prisma. p. 8-10. 208 páginas. ISBN 91-518-3427-8 
  4. Robert de Vries. «Sverige och Norden på medeltiden 1050-1520» (em sueco). SO-rummet. Consultado em 22 de junho de 2014 
  5. Melin, Jan; Johansson, Alf; Hedenborg, Susanna (2009). «Äldre Medeltiden (1060-1319)». Sveriges historia. Koncentrerad uppslagsbok, fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco). Estocolmo: Prisma. p. 51-59. 511 páginas. ISBN 91-518-4666-7 
  6. Harrison, Dick (2002). «Äldre medeltid (1060-talet-1350)». Sveriges historia medeltiden (em sueco). Estocolmo: Liber. p. 76. 384 páginas. ISBN 91-47-05115-9 
  7. Harrison, Dick (2002). «Inledning: perspektiv på medeltiden». Sveriges historia medeltiden (em sueco). Estocolmo: Liber. p. 12-13. 384 páginas. ISBN 91-47-05115-9 
  8. Harrison, Dick (2002). «Senmedeltien (ca 1350-1523)». Sveriges historia medeltiden (em sueco). Estocolmo: Liber. p. 246-247. 384 páginas. ISBN 91-47-05115-9 
  9. Pernilla Ulvblom. «Sverige blir Sverige» (em sueco). Formbarabloggen. Consultado em 11 de março de 2017 
  10. Pontus Fahlbeck. «Inga belägg för motsättningar mellan Svear och Götar» (em sueco). Kulturbilder. Consultado em 8 de maio de 2014 
  11. MELIN, Jan; JOHANSSON, Alf; HEDENBORG, Susanna (2006). «Forntiden». Sveriges historia (em sueco). Estocolmo: Prisma. 38 páginas. ISBN 91-518-4666-7 
  12. LARSSON, Hans Albin (1999). «Medeltiden». Boken om Sveriges historia (em sueco). Estocolmo: Forum. p. 49-57. 344 páginas. ISBN 9789137114842 
  13. Örjan Martinsson. «Svenska kungar» (em sueco). Tacitus.nu. Consultado em 8 de maio de 2014 

Fontes[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Era dos Vikings
'Idade Média'
1050 - 1521
Sucedido por
Era de Vasa


Ícone de esboço Este artigo sobre História da Suécia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.