Sul de Minas Gerais
Sul de Minas Gerais | |
|---|---|
| Divisão regional do Brasil | |
| Características geográficas | |
| Unidade federativa | |
| Municípios | 162 |
| Gentílico | sul-mineiro |
| Área | 57 576,849 km² |
| População | 2 912 938 hab. |
| Densidade | 50,59 hab./km² |
| Cidade mais populosa |
Poços de Caldas |
O Sul de Minas Gerais, também conhecido como Sul de Minas, é a porção ao sul do estado de Minas Gerais, correspondendo, na divisão estadual atual do IBGE, às regiões geográficas intermediárias de Varginha e Pouso Alegre.[1][2]
O sul de Minas Gerais apresenta grandes altitudes e um clima ameno, fortemente influenciado pela Serra da Mantiqueira. Sua economia é altamente agrícola, com destaque para as plantações cafeeiras, sendo referência mundial, com destaques para os municípios de Pedralva e Carmo de Minas na Serra da Mantiqueira e Campos Gerais, onde fica a maior concentração do plantio. A região também possui importantes destinos turísticos, como Poços de Caldas, Monte Verde e São Lourenço.[3]

Alguns municípios estão sofrendo intensa industrialização, como Varginha, Pouso Alegre, Extrema, Poços de Caldas, Itajubá, Paraisópolis e Ouro Fino. A cidade de Santa Rita do Sapucaí se destaca por possuir industrias de alta tecnologia, sendo um polo nacional nas áreas de eletrônica, telecomunicações, computação e biomédica.
História
[editar | editar código]Originalmente, o sul de Minas Gerais era habitado pelos indígenas cataguás e puris.[4]
A primeira expedição a alcançar a região sul-mineira foi a de Brás Cubas. Partindo de Santos ou São Paulo em 1562, desceram o rio Paraíba até a altura de Cachoeira Paulista, onde encontraram o caminho para o interior mineiro. Posteriormente, em 1597, Martim Correia de Sá, em companhia de Anthony Knivet, partiram de Paraty e alcançaram o vale do Rio Verde.[5]
No século XVII, bandeirantes vindos das vilas de São Paulo e Taubaté exploraram o atual Sul de Minas Gerais, à procura de indígenas para escravizar e metais preciosos.[5] No entanto, a área sul-mineira só começou a ser povoada pelos paulistas no final do século XVII e início do século XVIII, muitos dos quais, após perderem o controle das jazidas de ouro na Guerra dos Emboabas, migraram para a região que, durante o ciclo do ouro, foi uma das principais produtoras de alimentos para as vilas mineradoras. Após a cisão da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, em 1720, a região continuou sendo controlada pelos paulistas, agora como parte da Capitania de São Paulo.
Em 1748, a Capitania de São Paulo deixou de existir, sendo rebaixada à condição de comarca, ficando subordinada, juntamente com a Comarca de Paranaguá, à Capitania do Rio de Janeiro. Aproveitando a fragilidade dos paulistas, Luís Diogo Lobo da Silva, governador da Capitania de Minas Gerais, realizou uma expedição estratégica à margem esquerda dos rios Sapucaí e Grande, abrindo picadas, instituindo registros e tomando posse de paróquias que estavam sob o poder da Arquidiocese de São Paulo, para depois anexar essa área, que corresponde a grande parte do Sul de Minas, a Minas Gerais.[6][7] Alguns meses após ocupação e anexação mineira, a coroa portuguesa, a decidiu restaurar a autonomia de São Paulo, em 1765, que passou a servir de 'barreira' para proteger o Brasil de invasões espanholas.[8]

A primeira vila da região sul-mineira foi Campanha, criada em 1798.[9]
No final do século XVIII e início do século XIX, com o fim da mineração, o Sul de Minas sofreu impactos econômicos e demográficos: a maioria dos paulistas e seus descendentes que ali habitavam deixaram a região, pois o fim do ciclo do ouro impactou a economia dependente do fornecimento de alimentos para as jazidas, e retornaram à Capitania de São Paulo, se fixando nas regiões de Campinas, Piracicaba, Itu e do Vale do Paraíba, onde prosperava o cultivo da cana-de-açúcar. Ao mesmo tempo, muitos migrantes vindos das decantes vilas mineradoras, como Vila Rica, Mariana, Sabará e São João del-Rei, se fixaram no Sul de Minas, se dedicando à agropecuária.[10]
O desenvolvimento sul-mineiro começou a se acelerar, principalmente após a Independência do Brasil, devido à policultura, tendo como gêneros café, cana-de-açúcar, arroz, milho, feijão e algodão. Houve criação de muitas vilas, como Baependi (1814), Jacuí (1814), Lavras (1831), Pouso Alegre (1831), Aiuruoca (1834), Três Pontas (1841), Campo Belo (1848), São Sebastião do Paraíso (1870) e Poços de Caldas (1888).[10]
Durante a República Velha, o Sul de Minas contribuiu com a política estadual e nacional, sendo berço dos presidentes da República Venceslau Brás e Delfim Moreira, do vice-presidente Bueno Paiva e dos governadores de Minas Gerais Francisco Antônio de Sales, Bueno Brandão e Silviano Brandão. Também durante esse período, a região recebeu imigrantes italianos.[10]
População
[editar | editar código]
Segundo o censo 2022, a população do Sul de Minas Gerais é de 2 912 938 habitantes, o que corresponde a 14,2% da população mineira.[11] Sabendo que essa região possui uma área de 57 576,849 km², isso lhe confere uma densidade demográfica de 50,59 hab./km², um valor acima da densidade demográfica estadual.
O maior município da região é Poços de Caldas, seguido de Pouso Alegre, Varginha e Passos.[12]
Regiões
[editar | editar código]O Sul de Minas Gerais pode ser divido informalmente em algumas partes, de acordo com fatores como geografia, história e cultura, como a fronteira sul, na divisa com o Vale do Paraíba Paulista por meio da Serra da Mantiqueira, a fronteira leste, com a maior cidade sendo Poços de Caldas, e a fronteira central, com maior centro urbano em Pouso Alegre.
Lista de municípios constituintes
[editar | editar código]Referências
- ↑ «Romeu Zema sanciona lei que cria política de desenvolvimento industrial do Sul de Minas». www.agenciaminas.mg.gov.br. 15 de dezembro de 2020. Consultado em 3 de agosto de 2023
- ↑ «Aspectos do Sul de Minas – A identidade sul-mineira». Consultado em 8 de agosto de 2025
- ↑ Santos, Ana Paula Silva dos (2023). O desenvolvimento no Sul de Minas Gerais: análises a partir da pesquisa identidade sul-mineira (PDF). Varginha: Unifal. p. 12
- ↑ José, Oiliam (1965). Indígenas de Minas Gerais: Aspectos sociais, políticos, etnológicos (PDF). Belo Horizonte: Edições Movimento - Perspectiva
- 1 2 Paranhos, Paulo. Subsídios para a história de Itamonte (PDF). [S.l.: s.n.]
- ↑ Levar a justiça e a cruz aos sertões: os movimentos de ocupação dos sertões do Rio Grande e a formação da freguesia de N. Sra. da Conceição do Bom Sucesso do Rio Pardo na segunda metade do século XVIII. [S.l.: s.n.] p. 23
- ↑ Vanucci, Cesar (8 de janeiro de 2020). «Tricentenário da Capitania de Minas Gerais». Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Consultado em 8 de agosto de 2025
- ↑ BELLOTTO, Heloisa Liberalli (1979). Autoridade e Conflito no Brasil Colonial: O governo do Morgado de Mateus em São Paulo. [S.l.: s.n.]
- ↑ «História». Câmara Municipal da Campanha. Consultado em 22 de maio de 2025
- 1 2 3 MOURA, Antônio de Paiva (25 de dezembro de 2002). «O Sul de Minas na história das Gerais». As Minas Gerais. Consultado em 20 de dezembro de 2021. Cópia arquivada em 29 de março de 2026
- ↑ «Tabela 9514: População residente, por sexo, idade e forma de declaração da idade». SIDRA - IBGE. Consultado em 8 de agosto de 2025
- ↑ «Censo 2022: Sul de Minas ganha 167 mil novos moradores em 12 anos, aponta IBGE». G1. 28 de junho de 2023. Consultado em 29 de abril de 2026