Thomas Cochrane, 10º Conde de Dundonald

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O Conde de Dundonald
Retrato por James Ramsay
Apelido "O Lobo do Mar"
Nascimento 14 de dezembro de 1775 Annsfield, Lanarkshire,
 Grã-Bretanha
Morte 31 de outubro de 1860 (84 anos) Londres,  Reino Unido
País Grã-Bretanha
Reino Unido
Chile
Brasil
Grécia
Força Marinha Real Britânica
Armada Chilena
Armada Imperial Brasileira
Marinha Real Grega
Anos de serviço 1793–1860
Hierarquia Almirante
Batalhas Guerras Napoleônicas
Independência do Chile
Independência do Peru
Independência do Brasil
Independência da Grécia
Esposa Katherine Barnes (1812–1860)

Thomas Cochrane, 10º Conde de Dundonald, Marquês do Maranhão GCB ODM (Annsfield, 14 de dezembro de 1775Londres, 31 de outubro de 1860) foi um oficial naval e político britânico que desempenhou um papel importante nas histórias militares do Reino Unido, Chile, Brasil e Grécia. Filho de um aristocrata escocês, Cochrane entrou na Marinha Real Britânica ainda jovem e destacou-se rapidamente como um bom navegador e estrategista. Seu primeiro comando foi o brigue HMS Speedy, com que Cochrane conseguiu capturar mais de cinquenta navios inimigos durante as Guerras Napoleônicas, mais notavelmente a fragata espanhola El Gamo. Em seguida ele comandou o HMS Arab, HMS Pallas e HMS Imperieuse, atacando guarnições costeiras francesas e espanholas e capturado navios inimigos ancorados. Ele também participou da política, sendo eleito para a Câmara dos Comuns defendendo combate contra a corrupção e reformas parlamentares e no Almirantado.

Cochrane acabou expulso do parlamento e da marinha em 1814 após acusações de fraude na Bolsa de Valores de Londres, sendo depois multado e preso. Eles mesmo assim conseguiu ser reeleito e tentou continuar sua carreira política, porém foi alvo de ataques e rumores por parte de seus oponentes. Libertado, Cocharane aceitou a proposta dos "patriotas chilenos" para organizar e comandar sua marinha. Ele chegou a Valparaíso em novembro de 1818, retomando sua guerra costeira e conseguindo em fevereiro de 1820 capturar a cidade de Valdivia. Em seguida Cochrane participou de uma expedição para libertar o Peru, auxiliando José de San Martín a declarar a independência do país. Entretanto, sua personalidade forte entrou em conflito com políticos chilenos e assim ele foi para o serviço do imperador D. Pedro I do Brasil em 1823, comandando a Armada Imperial Brasileira em sua guerra de independência.

Cochrane voltou para o Reino Unido em 1825, porém logo foi contatado pela Grécia, que também tentava alcançar sua independência. Ele assumiu um papel ativo na campanha militar e foi essencial na construção e entrega do Karteria, o primeiro navio de guerra a vapor do mar Mediterrâneo, entretanto seus sucessos foram poucos e Cochrane acabou culpado pelo fracasso grego na Batalha de Falero. Ele renunciou seu posto ao final do confronto e voltou para o Reino Unido, onde recebeu o perdão do rei Guilherme IV e foi capaz de retornar à Marinha Real como contra-almirante. Cochrane passou a concentrar seu tempo em pesquisas científicas para aplicação marítima, raramente servindo a bordo de um navio. Sua saúde começou a piorar no final de sua vida, morrendo aos 84 anos de idade durante uma cirurgia de cálculo renal.

Início de vida[editar | editar código-fonte]

Thomas Cochrane nasceu no dia 14 de dezembro de 1775 em Annsfield, Escócia, Grã-Bretanha, o filho mais velho de lorde Archibald Cochrane, 9º Conde de Dundonald, e sua esposa Anne Gilchrist. Ele tinha pelo menos três irmãos: William Erskine Cochrane, que serviu no Exército Britânico; Archibald Cochrane, que tornou-se oficial da marinha; e Basil Cochrane.[1][2][3][4] Seu pai herdou as dívidas da família assim que tornou-se conde em 1778, sendo incapaz de enviar os filhos para qualquer escola. Além disso, Archibald Cochrane estava muito mais interessado em suas pesquisas químicas do que preocupado com a educação dos filhos. Foi a avó materna de Cochrane, Ann Roberton, quem conseguiu reunir dinheiro suficiente para a contratação de tutores, porém aparentemente nenhum deles mostrou-se satisfatório. Os irmãos adquiririam apenas conhecimentos básicos das aulas formais e acabaram crescendo principalmente ao ar livre.[4][5]

Cochrane passou grande parte de sua adolescência em Culross, Fife, onde recebeu influência de seu tio para ingressar na carreira militar. Apenas ao cinco anos, Cochrane já havia sido "alistado" na Marinha, (uma prática comum no Reino Unido para constar maior tempo de serviço quando o indivíduo se alistasse). Em 1793, em meio às Guerras revolucionárias francesas, Cochrane alistou-se na Marinha contra a vontade de seu pai, que preferia o Exército.

Casamento e filhos[editar | editar código-fonte]

Em 1812, Cochrane casou-se com Katherine Frances Corbet Barnes, em uma cerimônia civil devido à resistência de sua família. Katherine também acompanhou Cochrane em suas campanhas pela América do Sul e Grécia. O casal reafirmou o matrimônio em 1818, na Igreja Anglicana, e em 1825, na Igreja da Escócia. Tiveram seis filhos:

  • Thomas Barnes Cochrane, 11.º Conde de Dundonald (n. 1814)
  • William Horatio Bernardo Cochrane, Gordon Highlanders (n. 1818)
  • Elizabeth Katharine Cochrane
  • Katharine Elizabeth Cochrane
  • Arthur Auckland Leopold Pedro Cochrane (n. 1824)
  • Ernest Gray Lambton Cochrane (n. 1834)

Outras marinhas[editar | editar código-fonte]

Em maio de 1817 foi contratado pelas forças independentistas chileno-argentinas para que comandasse a esquadra que tinha por missão combater os realistas no Vice-reinado do Peru, colaborando efetivamente com os generais Bernardo O'Higgins e José de San Martín.

À convite do Império do Brasil, através do Decreto Imperial de 21 de março de 1823, assumiu a patente de Primeiro-almirante, caso único na história do país em que uma patente foi concedida a um estrangeiro. José Bonifácio de Andrada e Silva, ministro do Interior e Relações Exteriores do Brasil, em carta datada de 13 de setembro de 1822, convidou "em nome do povo brasileiro" Lord Cochrane a entrar a serviço do Brasil. Cochrane assumiu imediatamente o comando-em-chefe da Esquadra, embarcando na nau Pedro I. Tomou parte nas lutas da independência da Bahia e do Maranhão em 1823 e foi elevado por D. Pedro I ao grau nobiliárquico de Marquês do Maranhão em 25 de novembro do mesmo ano.[6]

Cochrane prestou serviços ao Império do Brasil até 1825, tendo se destacado no combate à Confederação do Equador e à Guerra dos Mascates, sendo uma das figuras representativas da tentativa de unificação do território brasileiro após a Independência. Cochrane foi devidamente pago somente 60 anos após desligar-se da marinha.

Pelo Ofício n°. 301 de 5 de novembro de 1825, lord Cochrane registrou ter informado via carta-duplicata de 28 de junho de 1825 as causas de levar a Fragata Piranga para um porto na Inglaterra e explicou ao Ministro da Marinha do Brasil que a presença da Fragata Piranga, tão perto das praias de Portugal, teria grande efeito no reconhecimento da Independência do Brasil. Em seguida solicitou que transmitisse ao imperador suas congratulações pela restauração da paz e da amizade entre Brasil e Portugal (Tratado do Rio de Janeiro, assinado em 29 de agosto de 1825, foi firmado entre Brasil e Portugal com a mediação do Reino Unido [4]), informa que o departamento naval não deixou nada por fazer, antes de sua partida do Maranhão, não havendo nenhum inimigo no território brasileiro, nenhum navio hostil em seus mares e nenhuma dissensão interna e que, naquele momento, por força do decreto de 27 de fevereiro de 1824, termina sua autoridade como comandante-em-chefe da Esquadra Brasileira. Finalmente informa que, a vista do primeiro vento favorável depois do dia 10 de novembro de 1825 a Fragata Piranga tem ordem de partir [Indicação no fichário: 2/5/451/103-104].

Após finalizar sua participação no Brasil, dois anos mais tarde, intervém na guerra de Independência da Grécia, enfrentando, nesta oportunidade, os navios do Império Otomano (1827-1828).

Regressou ao Reino Unido em 1830. Em 1831, com a morte de seu pai, tornou-se o Décimo Conde de Dundonald. Em 1832 foi readmitido na Marinha Real Britânica.

Assumiu seu último comando em 1847 - Commander-in-Chief of North American and West Indies Station. Durante a Guerra da Crimeia o governo divulgou a possibilidade de Cochrane ser designado para o Comando da Frota do Báltico. Isto bastou: com sua reputação - sem rival em Guerra Costeira - a Rússia, corretamente, interpretou que isto era uma ameaça a sua capital, São Petersburgo. Cochrane foi um dos mais ilustres e audazes heróis navais - e político reformista - do Reino Unido.[7]

Morte e sepultura[editar | editar código-fonte]

Homenagem do Brasil a lord Cochrane.

Morreu em Londres em 1860 aos 85 anos durante uma cirurgia para extração de cálculos renais. Sua sepultura na Abadia de Westminster tem dimensões somente igualadas por outras duas, também no eixo central da nave: a sepultura dos Soldados Desconhecidos" e, ao meio da nave, a do doutor David Livingstone. Mas a de Cochrane é a primeira de frente ao altar e fica no centro da nave. [nota 1]

Seu epitáfio é de autoria de sir Lyon Playfair. [nota 2]


Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

José de San Martín o chamava de "Lord Filibustero" nas suas cartas a pessoas que realmente queriam uma América livre. A Marinha Real inclui Cochrane entre os doze heróis navais na sua história:, dizendo "Cochrane, cedo, estabeleceu reputação como um dos mais audazes e temidos comandantes".[9]

Descendência no Brasil[editar | editar código-fonte]

Seu provérbio preferido era Labor improbus omnia vincit - "Com paciência e perseverança, tudo se alcança".

O ramo da família Cochrane no Brasil descende exclusivamente do primo-irmão do almirante homônimo, o médico homeopata Dr. Thomas Cochrane (1805-1873).

Armas da família Cochrane.

Notas

  1. THE FIRST BEFORE THE MAIN ALTAR; FIRST AT THE CENTRAL ROW AT CENTRE OF NAVE. EQUAL IN SIZE ONLY TO THE UNKNOWN SOLDIER AND DR. DAVID LIVINGSTONE'S, GRAVE # 88 [8]
  2. HERE RESTS IN HIS 85th YEAR THOMAS COCHRANE TENTH EARL OD DUNDONALD BARON COCHRANE OF DUNDONALD OF PAISLEY AND OF OCHILTREE IN THE PEERAGE OF SCOTLAND MARQUESS OF MARANHAM IN THE EMPIRE OF BRAZIL G.C.B. AND ADMIRAL OF THE FLEET WHO BY THE CONFIDENCE WHICH HIS GENIUS HIS SCIENCE AND EXTRAORDINARY DARING INSPIRED, BY HIS HEROIC EXERTIONS IN THE CAUSE OF FREEDOM AND HIS SPLENDID SERVICES ALIKE TO HIS OWN COUNTRY GREECE, BRAZIL, CHILI AND PERU ACHIEVED A NAME ILLUSTRIOUS THROUGHOUT THE WORLD FOR THE COURAGE PATRIOTISM AND CHIVALRY. BORN DEC 4TH, 1775 DIED OCT 31ST, 1860

Referências

  1. Lambert, Andrew (outubro de 2009). "Cochrane, Thomas, tenth earl of Dundonald (1775–1860)". Oxford Dictionary of National Biography. Oxford University Press. 
  2. Campbell, Alex (maio de 2009). "Cochrane, Archibald, ninth earl of Dundonald (1748–1831)". Oxford Dictionary of National Biography. Oxford University Press. 
  3. Cordingly 2008, pp. 11–19
  4. a b Harvey 2000, pp. 3–8
  5. Cordingly 2008, pp. 13–14
  6. [1][2]
  7. [3]
  8. WESTMINSTER ABBEY OFFICIAL GUIDE
  9. Portal da Marinha Real

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cordingly, David (2008). Cochrane the Dauntless : The Life and Adventures of Thomas Cochrane (Londres: Bloomsbury). ISBN 978-0-7475-8545-9. 
  • Harvey, Robert (2000). The Life and Exploits of a Fighting Captain (Nova Iorque: Carroll & Graff Publishers, Inc.). ISBN 978-0-7867-0769-0.