Trance psicadélico

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Psy Trance
Origens estilísticas Goa trance - Trance - Space rock - Música Industrial - Acid house
Contexto cultural Meados da década de 1990, subcontinente (Índia / Paquistão), de Israel, do África do Sul, Reino Unido
Instrumentos típicos Sintetizador - Caixa de ritmos - Sequenciador - Sampler
Popularidade Alta na Europa, México, Israel e Brasil
Subgêneros
Melodic psytrance - Progressive psytrance
Gêneros de fusão
Psybient - Psybreaks
Formas regionais
Finlândia - África do Sul

Trance psicadélico (português europeu) ou psicodélico (português brasileiro) (referido ainda como psy trance) é uma forma de música eletrônica desenvolvida no fim dos anos 1980 em Israel a partir do Goa trance (da Índia , Goa). Este estilo tem uma batida rápida, entre 132 e 200 batidas por minuto (bpm), além da batida forte de kick, num compasso 4x4, que algumas vezes difere da batida do techno por ter um alcance de freqüência um pouco mais alto além dos sons graves. O goa trance original geralmente era feito com sintetizadores modulares e samplers de hardware, mas a preferência no trance psicodélico se direcionou para a manipulação de samples e armazenamento em programas de sampleamento VST e AU. O uso de sintetizadores analógicos para a síntese sonora deu lugar aos instrumentos "analógicos virtuais" digitais como o Nord Lead, Access Virus, Korg MS-2000, Roland JP-8000 e os plugins de computador VST e AU como o Native Instruments Reaktor. Esses geralmente controlados por um sequenciador MIDI dentro de um programa de Digital Audio Workstation (DAW). O trance psicodélico é freqüentemente tocado em festivais ao ar livre (longe de grandes centros urbanos), que podem durar vários dias, com a música tocando 24 horas por dia.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Goa Gil se apresenta em Moscow, 2010

Tal como todos os estilos musicais, as origens do psytrance remontam a um período de evolução a nível social, mas neste caso, também político. Nos final da década de 60 começam a surgir por todo o mundo novos ideais de esquerda e outros movimentos sociais contra a repressão das mulheres, negros e homossexuais.[1] Ao mesmo tempo, os movimentos pelo fim da Guerra do Vietnam e Guerra Fria ganham mais força, no contexto de uma depressão gerada pela incapacidade do “sonho americano”. É neste período conturbado que aparece também uma nova ligação da cultura ocidental ao “Oriente”, com os textos pacifistas da religião budista e o xamanismo da religião hindu, que, aliada à emergente explosão de drogas psicadélicas e aos factores sociais e políticos já mencionados, cria condições ao aparecimento do movimento hippie, com principal destaque nos EUA, mais concretamente em São Francisco. Similarmente ao que se passava a nível politico, também a nível musical a contracultura hippie se manifestou, através de bandas de rock psicadélico, com letras inspiradas em experiências psicadélicas e em livros como “As portas da percepção” de Aldous Huxley ou “O profeta” de Kahil Gibran. Essas mesmas bandas foram também protagonistas de visitas à Índia, demonstrando no seu trabalho a inspiração de cariz “oriental” que adoptaram. São exemplos disso bandas como The Beatles, The Who, Grateful Dead, Pink Floyd, The Doors. Era de esperar, então, que com a demanda por “cultura oriental” acabasse por existir um êxodo de muitos elementos do movimento hippie para a Ásia, criando uma rota denominada de “hippie trail” que se movia entre o continente americano ou europeu, passando por vários locais, muitos dos quais conhecidos pelo consumo e produção de cânhamo. Entre eles encontram-se regiões/países como as Ilhas Baleares, Marrocos, Iraque, Irão, Afeganistão, Nepal e Índia, ou mesmo, Tailândia e Vietname.[2]

Goa, estado da índia onde o Psytrance começou a ser desenvolvido

Nesse contexto, Goa, um estado da costa indiana que se encontrou sobre o jugo português durante séculos, surge como uma possibilidade transmitida oralmente entre os elementos dessa rota, um local paradisíaco, sem qualquer tipo de turismo, onde a produção de cannabis e o seu consumo era permitido pela legislação indiana. A governação portuguesa tinha acabado por volta de 1960, tornando Goa num estado pobre e sem grandes recursos, mas onde os habitantes prezavam por uma bondade e tolerância imensa. Com essas características próprias, foi normal que quem andasse nos países pertencentes à “hippie trail” se dirigisse para Goa, passando temporadas ou começando mesmo a habitar nas praias de Anjuna, Vagator e Calancute. Uma dessas pessoas era Gilbert Levey (conhecido posteriormente como Goa Gil), elemento do movimento hippie de S. Francisco que, no final dos anos 60 (1969), começou a sua viagem rumo ao “Oriente”. Este viria a ser uma das maiores figuras de relevo no movimento musical de Goa. Naquela altura, já existia uma pequena comunidade que convivia sobre o tecto de Yertward Mazamanian (“Eight Finger Eddie”), um hippie que residia Goa desde 1964, primeiramente em Colva e depois em Anjuna, o qual abrigava os hippies provenientes da “hippie trail” e lhes dava alimento com a sua loja de sopas. Foi nessa mesma praia, de Anjuna, que as primeiras festas se realizaram. Eram semelhantes às festas que se haviam realizado em S. Francisco pela comunidade hippie: uma fogueira, instrumentos acústicos como guitarras e djembés e outras percussões e pessoas sobre o efeito de drogas alucinógenas. Também na escolha musical, os grupos interpretados nessas festas tinham sido importados do movimento hippie, estando à cabeça músicos/bandas como Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who, The Grateful Dead, The Beatles, The Doors, entre outros. Pode-se por isso dizer que, ao decaimento do movimento hippie nos EUA, a resposta foi um êxodo para “Oriente”, mantendo as mesmas convicções e cultura, sendo um dos centros o estado de Goa.[3]

No início dos anos 70, a pequena comunidade hippie residente em Goa, expandiu-se abrangendo cada vez mais pessoas que tinham escolhido a Índia como o seu destino, dado que é explicitado por Teresa Albuquerque, historiadora indiana: “O turismo indiano duplicou entre 1967 e 1971 (embora não exista quase nenhum crescimento no turismo internacional) pela emergente fama do espectáculo hippie”. Com este crescimento, não tardou muito até que a comunidade tivesse uma economia própria, com um mercado que servia como modo de auto-subsistência. Isto levou a que, para além dos produtos manufacturados, o mercado de Goa atraísse traficantes de droga, que ao longo do tempo conseguiram importar para Goa, todo o tipo de drogas, principalmente heroína e ópio, o que teve um reflexo imenso na população da comunidade (no final dos anos 70, quase toda a população tinha morrido de overdose ou deixado Goa). No entanto, a pouco e pouco, também existiam cada vez mais músicos a juntar-se à cena musical de Goa, juntando guitarras eléctricas e bateria às festas que se organizavam durante a lua cheia, as festas “Full Moon”. Até que por volta de 1974, Goa Gil conseguiu adquirir todo o material (instrumentos musicais, mesa de mistura e sistema de som) e juntá-lo numa casa arrendada, denominada “Music House”. Nessa casa , Gil vivia com a sua banda e, juntamente com eles, transformou aquele espaço num gênero de bar, onde costumavam atuar. Com a construção de um palco na praia e o aproveitamento de varandas, existia cada vez mais espaço para as bandas que se iam criando, existindo um dia para cada banda ensaiar.[4]

Com o crescimento da cena em Goa no final da década de 70/início da década de 80, os toxicodependentes começaram a envolver-se demasiadamente nas festas, chegando a assaltar a “Music House”, o que provocou que Gil emigrasse durante algum tempo. No entanto, e embora Gilbert estivesse fora, a sua “Music House” continuou as festas, embora não fossem de ser organizadas por ele. Após passar pelos Estados Unidos e Caraíbas, além de outros locais , Gil apercebeu-se que não encontrara o mesmo sentimento noutros locais do mundo, voltando a Goa por volta de 83, para a festa de Natal. Com ele trazia as novas influências de editoras que visitara, como a Rough Trade Records (Inglaterra), ZYX Records (Alemanha), que introduziram ao mundo novas tendências musicais como a “Future Beat”, “Industrial”, “New Wave”, “Electrobeat”, entre outros.

Assim sendo, por essa altura e embora já existissem algumas músicas de Kraftwerk no ambiente musical das festas “Full Moon”, a “nova” sonoridade eletrônica tornou-se a sonoridade preponderante, com a contribuição fundamental de Goa Gil e de dois DJ’s franceses, Laurent e Fred Disko. Tal inovação não foi bem aceite por todos, sendo que alguns dos elementos mais antigos da “hippie trail” deixaram de participar nas festas. No entanto, o destino estava traçado e a “special music” (como foi chamada) era a principal característica das festas “Full Moon”. Esta música “especial” ou “Goa mixes” consistia em faixas gravadas em cassetes DAT, as quais incorporavam partes de músicas de “Electrobeat” europeias, especialmente “b-sides” ou “dub mixes” de singles de bandas como Kraftwerk, Cabaret Voltaire, New Order, Nitzer Ebb, Frontline Assembly, The Residents, Blanc Mange, Dead or Alive entre outros. As faixas eram cortadas para evitar as partes musicalmente menos atraentes ou dançáveis, como vocais e introduções. Estas cassetes eram posteriormente misturadas ao vivo, durante as festas.

Com a introdução da música eletrônica, iniciou-se a estrutura mais comum de festa trance: as músicas mais calmas eram preponderantes durante a tarde e início de noite, ficando os sons mais agressivos (como misturas de “Industrial”), voltando às misturas musicais mais calmas de manhã; esta estrutura provém de uma analogia de uma jornada espiritual, com o DJ como xamã a conduzir essa experiência. Toda essa sensação de viagem é a principal característica das “Goa Mixes”, ao invés da qualidade das misturas ou mesmo da definição sonora. Tal é descrita por Goa Gil: “Primeiro é necessário trazer as pessoas para algo que possam gostar, algo com que se relacionem.”; depois “lentamente torná-lo mais intenso durante a noite, mantendo-o dançável. E então, no fim da noite, torná-lo quase apocalíptico, com amostras sonoras fortes e intensas, mas sempre dançáveis. Quando a primeira luz da aurora surge, então algo com mais sentimento espiritual. Este conceito já existe desde o início. Fazer história com a música contando a história da humanidade”. Este espírito durou até ao início dos anos 90, altura em que a política e a polícia começam a intervir nas festas.

No início da década de 90, a polícia começou a intervir nas festas, sendo estas sistematicamente encerradas, algo que durante algum tempo tinha sido evitado com subornos dos “trancers” à policia local. Ao mesmo tempo, assistiu-se a uma globalização das festas, principalmente devido a DJ’s como Fred Disko, Ray Castle e Steve Psyko, organizando festas em Israel e Japão.

O crescimento de interesse nas festas de Goa e o “boom” de drogas sintéticas como o MDMA provocou o aparecimento de muitos “Goa freaks”, os quais não respeitavam o ambiente nem os habitantes locais, algo que perturbou e alterou a cena inicial com o sentimento “hippie” ainda existente. Estes factos são espelhados pelo crescimento numerário de pessoas nas festas. Até 1991, as festas eram frequentadas por cerca de 200 pessoas, e em 1992 o número de pessoas já excedia os 1500.

Goa tornava-se, assim, num local turístico e de grande afluência de drogas, uma Ibiza asiática, levando a uma alteração na legislação em relação à proteção do ambiente e do limite de amplitude sonoro; posteriormente toda essa pressão politica e de grupos ambientais levou à proibição de festas nos locais em que usualmente se realizavam e de música em espaços abertos, de amplitude superior a 45 dB. Ao mesmo tempo que existia a quebra em Goa, o Goa Trance (como se passou a designar no fim da década de 80), espalhou-se por outros locais no mundo. Desta vez, os “acidfreaks” europeus começavam a importar das festas de Goa as suas sonoridades e adapta-las à já existente música eletrônica, de forma a, além de adquirir um novo público europeu, poder testar os seus sons nas festas de Goa. Este é o exemplo de um dos grandes nomes do Goa Trance, Ronald Rothfield (Raja Ram), algo que relembra numa entrevista: “Naquela altura podia-se ir a qualquer loja que não se comprava música assim. Não existia. Então no ano a seguir [1989] voltei para Goa, tal como nos 8 anos seguintes. Mas no ano a seguir, quando voltei, comecei a conhecer imensos músicos em Goa e as coisas começaram a ficar mais sérias, porque começamos a ligar-nos à cena e aos estúdios e quando voltei dessa temporada, iniciou-se a composição de música a tempo completo.” É deste modo que se inicia o Goa Trance num dos países com maior tradição musical na Europa: o Reino Unido. É também assim que aparece o primeiro projecto e, posteriormente, primeira editora dedicada à produção de Goa Trance: “The Infinity Project” (projecto constituído por Graham Wood e Ronald Rothfield), mais tarde “T.I.P. Records”.

Na mesma altura, Martin Glover (baixista de Killing Joke e futuro participante do Projecto The Orb) funda a “Dragonfly Records” e aparece o projecto musical Juno Reactor, juntando Ben Watkins a outros músicos (como Johann Bley) e produtores da altura. Embora obviamente exista muita discussão em relação à primeira música puramente Goa Trance, atribui-se a The KLF (Bill Drummond e Jimmy Cauty) e ao tema “What time is love” de 1989, sendo inclusive lançada uma versão denominada de “What time is love (Pure Trance). Além dos já mencionados, o projecto Eat Static de Joie Hinton e Merv Pepler (integrantes da banda Ozric Tentacles) é também importante neste contexto. Até 1993, são de salientar os “singles” “Jungle High” de Juno Reactor (1992), “I Love my baby” de The Infinity Project (1989), o “EP” “Almost Human” de Eat Static (1992) como demonstrações do novo estilo musical que se começava a impor nos tabelas de Inglaterra. 1993 é um ano especialmente marcante na história do Goa Trance, com o lançamento da primeira compilação da Dragonfly Records, “Project II Trance”, a qual contava com nomes importantes como Simon Postford (Hallucinogen), Stephen Holweck (Total Eclipse), Martin Freeland (Man with no name), além do já mencionado The Infinity Project. Nesse mesmo ano aparecem as primeira organizadoras de festas “Goa” no Reino Unido: a Return to the Source de Chris Deccker e a Pagan Parties do DJ Mark Allen, já conhecido pelas suas produções de “Acid House”. Estas festas eram realizadas principalmente em Londres, algumas ao ar livre e outras em clubes como “Rocket” no Norte de Londres, “Fridge” em Brixton, “Woody’s and The Sanctuary” no Oeste de Londres.

No ano seguinte, o nome “Goa Trance” estabelece-se ainda mais com álbuns como “Transmissions”, produzido pelo colectivo Juno Reactor e editado pela NovaMute Records, e diversas edições das recém criadas editoras Matsuri Projects de John Perloff e Tsuyoshi Suzuki (Reino Unido e Japão), Flying Rhino, colaboração entre a Zoom Records e três DJs e produtores: James Monro, Dominic Lamb e George Barker. Por fim mas não menos importante, a editora Blue Room Released de Simon Ghahary, que em lança em 1995 a sua primeira compilação, “Outside the Reactor”, contando nas suas “fileiras” com produtores como Total Eclipse (projecto do francês Serge Souque), Spectral e Voodoo People. (Paul Jackson) Em 95 é também lançado pela Dragonfly Records o primeiro álbum de Hallucinogen (Simon Postford), denominado “Twisted” que se iria tornar num dos maiores marcos do Goa Trance/Trance Psicadélico.

A explosão de artistas, editoras e organizadoras de eventos no Reino Unido leva à restrição das festas ao ar livre e das horas de fecho dos bares e discotecas, algo que encaminhou o movimento para outros países europeus com legislação mais liberal, como era o caso da Alemanha e França. Estes países já haviam realizado, em anos anteriores, festivais de Goa Trance como o “Voov Experience” em Hamburgo (1992) e o “Gaïa Festival” em França (1992). Além dos festivais, as editoras começaram também a estabelecer-se nesses países, tendo como exemplo o que acontecia em Inglaterra. É de salientar a editora Spirit Zone (Alemanha), criada em 1994 e com algum trabalho editado. Além da Europa, também Israel absorvia as tendências musicais vindas de Goa, principalmente a partir do final da década de 80, altura em que a Índia abriu as fronteiras e os israelitas “invadiram” as praias de Anjuna, à procura de descanso dos conflitos com a Palestina, encontrando todo aquele ambiente festivo. Isso fez com que no início dos anos 90 aparecessem os primeiros projetos de inspiração goana, caso de Har-El Prussky, Astral Projection (Avi Nissim, Lior Perlmutter e Yaniv Haviv), na altura conhecido como SFX, Analog Pussy (Erez Jino e Kim Michael Lilach)e Indoor (Ofer Dikovski, Avi Algarnati e Marko Goren).

Estes artistas atuavam com regularidade na discoteca “The Penguin” e em festas ao ar livre por toda a Israel, mais usualmente nas praias de Nizanim (“Full Moon Gatherings”). No entanto, e como se sucedeu no Reino Unido, a polícia interveio devido ao grande afluxo de tráfico de estupefacientes nessas festas, algo que limitou o número de eventos que aconteciam.

Por volta de 1996, o estilo Goa passou o seu pico. As melodias rebuscadas e estruturas complexas de origem indiana deram lugar a um estilo mais dançável, simples e rápido, com a inclusão de amostras áudio de vozes e efeitos nas músicas. Com essa mudança, deixou de ter sentido o nome Goa, o qual foi substituído por “Psicadélico”. É na compilação “Let it RIP” (1997) da editora Matsuri que, por fim, o som psicadélico ganhou preponderância, com um “funeral” simbólico à sonoridade anterior. A nova tendência que se seguia, pode ser ilustrada pelo álbum “Rádio” de X-Dream (1998). A pouco e pouco, a miscigenação e evolução do estilo “Trance Psicadélico” criou dois rumos distintos, tendo como foco a sonoridade mais simples e rápida de Israel (o estilo Nitzhonot) e a música mais repetitiva, com grande influências do “Techno” europeu (o “Trance Progressivo”).

Com origem na compilação “Over the Sunrise” (1997) de Holymen (Avi Schwartz) da editora Holly Schwartz, a base do que iria tornar-se o “Full On” estava estabelecida. Embora a sua génese esteja directamente ligada a Israel , com artistas como Xerox (Moshe Kenan), Freeman (Doron Kosovski), Sandman (Izik Levy), Eyal Barkan, Iceman (Kobi Kastoriano), depressa se espalhou por outros países como a Grécia, com o projecto Cyan (Mike Dee e Nikos Chrisoulakis). A maior editora deste estilo foi a Typhoon Records, a qual cessou a sua actividade em 2000. Mesmo assim, editou além das compilações “Janana” (1, 2 e 3), mais de 40 álbuns nesse espaço de tempo.

Por oposição ao estilo israelita que incorporava ainda melodias com multi-camadas e escalas exóticas de cariz oriental, o Trance Progressivo baseava-se na repetição e numa harmonia simples, desprovida dos ornamentos originários do Goa Trance. A sua proveniência tem ligação ao desenvolvimento do “Techno” (que evoluiu para o estilo “Techno Minimal”) na Europa, incorporando algumas sonoridades do Trance do Reino Unido. Consequentemente, os maiores pioneiros deste estilo são de países com grande tradição no “Techno”, como é caso da Alemanha e dos países nórdicos. S-Range (Anthony Sillfors), Son Kite (Sebastian Mullaert e Marcus Henriksson) (, Atmos (Tomasz Balicki), Vibrasphere (Rickard Berglöf e Robert Elster), Haldolium (Mario Reinsch e Mark Lorenzen) entre outros.[5]

O Trance Progressivo continua a sua evolução paralelamente ao Trance Psicadélico, e é, ainda hoje, um sub-estilo muito procurado e comum no movimento Trance, sendo parte integrante de muitas festas e festivais, estando normalmente acoplado aos estilos que se desenvolveram do “Techno” como o “Minimal” ou o “Tech House”.

GMS, um dos projetos mais conhecidos

No final da década de 90, o decadente “Nitzhonot” dá lugar ao “Full On”, nome que deriva da primeira compilação da editora israelita Hommega. Obviamente, este tipo de sonoridade aparece em Israel e depois abrange todos os outros locais onde se produzia/compunha músicas de trance psicadélico. Projetos como Infected Mushroom (Erez Aizen e Amit Duvdevani), Astrix (Avi Shmailov), Space Cat, (Avi Algarnati) Yahel (Yahel Sherman), Psysex (Udi Sternberg e Yoni Oshrat), Analog Pussy (Kim Michael Lilach e Erez Jino), Alien Project (Ari Linker), Cosma (Avihen Livne), Perplex (Ronen Dahan e Alon Bloch), Skazi (Asher Swissa), Space Buddha (Eliad Grundland) e Illumination (Amir Dvir), de origem israelita, deram o mote a outros projetos que iam aparecendo na mesma altura (1999/2000). São exemplos: Absolum (Christophe Drouillet), Bamboo Forest (Yann Hénaff e Stéphane Dureisseix), Deedrah (Frederic Holyszewski), Hyper Frequencies (Gilles Beraud), Neuromotor (Frederic Talaa e Guillaume Dorson), Nomad (Farid Merbouche) e Talamasca (Cedric Dassulle) de França; Space Tribe (Olli Wisdom), Dark Nebula (Luna Orbit) e Fractal Glider (Paul McCosh) da Austrália; 1200 Mics (Shajahan Matkin, Josef Quinteros e Ron Rothfield), Deviant Species (Santos De Castro), Dino Psaras e Joti Sidhu de Inglaterra; Rastaliens (Ralph Knobloch e Jurgen Kassel), Lemurians (Andreas Kuchembauer e Janosh Riemann), S.U.N. Project (Mike McCoy, Matthias Rumoeller e Marco Menichelli) e SBK (Sebastian Krüger) da Alemanha; Parasense (Alexey Kurkin e Viktor Zolotarenko) da Rússia;

D-Tek (David Durs) do México; Growling Mad Scientists “GMS” (Josef Quinteros e Shajahan Matkin) da Holanda; Suria (Frederic Gandara) de Portugal; Wizzy Noise (Mickey Noise e Dimitri Uriel) da Grécia;

Na mesma altura, (embora existam alguns “LPs” anteriores a esta data com sonoridade semelhante) e principalmente por Xenomorph (Mark Petrick), aparece uma nova vertente inspirada no “Full On”, mas com grande influências do “Industrial” e “Hardcore”. Esta vertente iria dar origem ao “Dark Trance”. Este tipo de sonoridade acaba por ter uma grande aceitação nos países da Europa de Leste, como a Rússia, Macedônia, Sérvia e também em alguns países nórdicos como Dinamarca, Suécia e Finlândia.

É já no ano de 2002 e 2003 que o “Full On” garante a sua hegemonia nas festas trance, existindo vários países com sonoridades diferentes. Em Israel, o som caminhava para uma redefinição do “Nitzhonot”, tornando o Full On israelita um dois mais melódicos e com uma sonoridade muito típica. Na Europa, muitos dos produtores franceses e suíços adoptaram esse estilo israelita. Esse tipo de som viria a ser chamado de “Morning”, visto que durante as festas, era normalmente colocado de manhã, devido ao seu cariz mais alegre. Além do “Morning” também o “Hi-Tech”, sub-vertente de alguns israelitas, europeu, australianos e japoneses, partilha essa sonoridade mais leve, sendo, ainda hoje, utilizada em festas como transição do som mais noturno para o mais matinal.

Enquanto que na Europa se “respirava” uma comunhão de sonoridades em relação à israelita, noutros países como África do Sul, Grécia e países da Europa do Leste, desenvolve-se uma nova sub-vertente do “Full On”. Esta tinha como principal característica uma sonoridade mais sombria, um meio termo entre o “Dark Trance” russo/nórdico/germânico e o “Full On” israelita. Esta sonoridade típica passa a ser denominada como “Night Full On” ou “Full On Nocturno”.

A partir de 2003 assiste-se à maior “explosão” de sempre no número de artistas e editoras de Trance Psicadélico, sendo quase impossível enumerar os álbuns e artistas mais importantes dentro de cada gênero. De 2003 até 2009 foram registados perto de dez mil artistas com músicas editadas em alguma das cerca de mil editoras. Esse enorme aumento de artistas e editoras levou a uma maior miscigenação dos estilos, criando cada vez mais sub-estilos dentro de cada estilo. Porém, e para maior facilidade de compreensão, a parte estética apenas vai analisar os estilos e contextualizar os artistas e editoras dentro das suas sub-vertentes, pois as diferenças de base entre elas é diminuta.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Boom Festival, um dos maiores festivais do mundo

O movimento do Trance Psicodélico gira à volta de uma ligação estreita à cultura oriental e às religiões budista e hinduísta. Tal não é de estranhar, visto que já no seu gênese esta contracultura deriva da migração do movimento “hippie” para o Oriente.

É natural também que, por se relacionar com rituais xamânicos, o ambiente criado à volta das festas e festivais leve os participantes a iniciar-se em experiências com substâncias alucinogêneas, algo que “ajuda” a viagem ambicionada e fundada nas bases de Goa. Toda a decoração das festas e as próprias roupas de grande parte dos indivíduos que nelas participam têm como principal objectivo promover a experiência psicadélica, potenciá-la além do som na pista de dança. Normalmente, as festas estruturam-se da seguinte forma: o som começa ao anoitecer, iniciando-se com um “Full On Hi-Tech” e passando rapidamente para o noturno. Atualmente e cada vez mais, as festas tendem a “chamar” mais projetos de “Dark Trance”, pois a noite é parte fulcral de toda a experiência e essa sonoridade é a que demonstra maior potencialidade para a experiência psicadélica. Ao amanhecer, as sonoridades variam entre o “Full On Nocturno” e o “Hi-Tech”, passando rapidamente para o “Morning” e, caso a festa tenha uma maior duração, o Trance Progressivo ao entardecer. Paralelamente a tudo isto, é usual encontrar-se um palco onde a música ambiente ou “Chill Out” “acolhe” as pessoas mais cansadas ou que necessitam de uma pausa da “viagem” da noite. Caso seja um festival e não uma festa com a duração de um dia, existem, comummente, outros palcos com sonoridades alternativas, que variam desde o “Techno Minimal” ao “Breakbeat”, passando por sonoridades mais Tribais e por vezes, até ligadas ao Dub e à música mais diversificada e específica do país da banda em questão. Quanto à sua localização, tendem a ser maioritariamente ao ar livre, muitas delas transmitidas por sítios na internet ou mesmo via oral. Esta escolha no local é muito importante, visto que um melhor local é, em si, uma maior ligação à natureza transmite um misticismo à experiência. Claro que, as organizações com menos posses econômicas ou nos países em que as legislação assim o obriga, organizam festas em bares, nunca esquecendo a decoração com cores fluorescentes e um espetáculo de luzes que pode variar entre algumas luzes negras a um conjunto enorme de iluminação, com lasers e luzes estroboscópicas. O que começou por ser um fenômeno local, transformou-se lentamente num movimento global, cada vez maior, de países que organizam festivais anualmente, muitas vezes dois ou mais em simultâneo, conferindo uma opção nos cartazes de artistas de apresentam.[6]

O surgimento do estilo no Brasil[editar | editar código-fonte]

Em Trancoso, sul da Bahia, reduto hippie dos anos 1960 e 1970, o trance psicodélico apareceu no final da década de 1980, logo após seu desenvolvimento em Goa, com a vinda de estrangeiros.[7] Já na década seguinte, apareciam as primeiras raves no estado de São Paulo. No final dos anos 1990 e início do século XXI, no Brasil o estilo se tornou popular com diversos festivais e festas reunindo mais de vinte mil pessoas ocorrendo ao longo do ano e em diversas metrópoles do país, e cada vez mais ganhando aceitação do público em geral.

Em 1995, o até então dentista Paulo Ricardo Correia Amaral conheceu o Psytrance junto com Luiz Sala (a.k.a. DJ Feio), surfista profissional na época. A partir dessa amizade saía de cena o dentista Paulo Ricardo e surgia o DJ Rica Amaral, um nome que está intimamente ligado com o desenvolvimento do Psytrance brasileiro.

Em 1996 o Psytrance ainda era totalmente desconhecido no Brasil. Não havia redes sociais, não havia nem celulares ou internet. Rica e DJ Feio resolveram fazer uma festa de música eletrônica em São Paulo. A festa foi batizada de "Rave XXXPerience", em pouco tempo se tornaria um dos maiores eventos de música eletrônica do Brasil com público ultrapassando facilmente a marca de 20 mil pessoas e trazendo em seu lineup todos os maiores artistas de Psytrance do mundo. Até hoje a XXX é considerada a mais antiga festa open air de música eletrônica ainda em atividade no país. Desde 2010 a XXX já não pertence mais à Rica e DJ Feio.

XXXPerience, um dos maiores festivas do Brasil

Outro grande festival brasileiro é o Universo Paralello. Destino certo de ano novo para quase 20mil pessoas, o Universo Paralello acontece a cada dois anos na praia de Pratigi na Bahia. São 7 dias de muita música, arte e cultura alternativa em uma praia paradisíaca, sem luxo, e convivendo com pessoas das mais variadas culturas e crenças.

Universo Paralello, 2009

Atingindo grande popularidade em 2007, o termo psy trance (do mesmo modo que acontecia em relação ao techno, no passado) é erroneamente usado para se referir a todos os estilos de música eletrônica mais dançantes ou animados. Muitas músicas chamadas de psy trance pela mídia e fãs em geral, na verdade são house ou rock trance, por exemplo.

Vertentes do estilo[editar | editar código-fonte]

É um dos mais populares estilos de música eletrônica nos últimos anos, e vem sendo tocado desde raves específicas para este estilo até clubes mais comerciais. É bastante psicodélico, tendo como característica principal a ideia de transe em que o ouvinte entra, embalado pelas linhas de sintetizador repetidas ao longo das batidas da música, que consiste num ritmo 4/4. Desde o seu surgimento, o trance já passou por várias mudanças. De acordo com os detalhes em sua estrutura, podem ser dos estilos Progressive, Dark e Psychedelic, entre outros. Cada vertente tornou-se independente, formando uma escola para os artistas envolvidos. Sendo assim, é possível acompanhar a evolução da cena psicodélica em particular.

Dentro da cena atual, a produção de música eletrônica é abundante e rica em qualidade, dividindo-se nitidamente em três fortes correntes principais: Full On, Progressive e Dark.

Full On[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Full On

Full on é a vertente mais melódica do Psychedelic Trance. O estilo foi originado em Israel evoluido em ibiza no final da década de 1990 por GMS pioneiros e precursores do Full on, O Full on tem varios estilos diferentes, o Full on morning (caracteristica mais melódico em que se destacam varios artistas como Vibe Tribe, Spade, Meskah, Myrah, Natural Harmony e etc), Full on Hi-tech (caracteristica agressivo, mais agitado onde se destacam Mystical Complex, Dapanji), o Full on Groove (caracteristica agressivo e muitos elementos psicodélicos) e entre outros estilos.

O “Full On” é o estilo mais variado dentro do Trance Psicadélico, com uma tremenda evolução desde o seu aparecimento por volta de 2001. No entanto, embora existam diversos sub-estilos como o “Groove”, o “Morning”, o “Hi-Tech” e o “Night”, a construção de base é muito semelhante. As músicas escolhidas para analisar foram: “Always” de Alternative Control da compilação “Full Moon Festival” (2005), “The Fourth Kind” de Conscious Chaos vs Frozen Ghost do álbum “Divine Justice” (2010), “Remember the First Time” de Alien Project do álbum “Don’t Worry Be Groovy!” (2004) e “Even Flow” de Hydraglyph do álbum “Euphonics” (2005). Seguidamente enumera-se as características específicas deste estilo, extraídas através da análise das músicas:

Tempo de 143 a 149 batidas por minuto;

Introduções que variam de 20 a 60 segundos, normalmente com utilização de automação de frequência de corte de filtro e/ou efeitos de fundo;

Quebra seguida de crescendo (clímax) a cerca de 2/3 do tempo total da música;

Estrutura A-B-A’;

Baixo intercalado com bombo em divisões de 1/16 (bombo 1º divisão, baixo 3 notas a ocupar as restantes 3 divisões);

Baixo com harmonia simples e algumas alterações à nota fundamental, podendo “sofrer” modulação com o desenvolvimento da música;

Normalmente, Bombo no 1º e 3º tempo, tarola no 2º e 4º;

Quebras no 8º ou 16º tempo;

“Kit” de percussões constituído por: bombo, pratos de choque (aberto e fechado), “crash”, tarola e “cowbells”;

Efeitos abundantes (distorção, reverberação, ecos, automação de frequência de corte de filtro e de panorâmicas).

Progressive[editar | editar código-fonte]

Vertente mais calma, lenta e extremamente lisérgica do Psy Trance, construída geralmente (mas nem sempre) entre 130 e 140 bpm. A oscilação é deixada de lado, o som é mais constante, retilíneo e crescente. Os sintetizadores são mais sutis, sendo a batida e a linha de baixo o que mais interessam ao trance. É uma música introspectiva, que busca equalizar as ondas do cérebro, e assim, chegar a um estado meditativo da dança. É o som típico de fim de tarde no qual, depois do Dark e do Full On, é muito aceita para descansar o corpo e a mente. Tem um kick bem leve e um baixo bem grooveado, passando por diversos tons que empolgam seu ritmo dançante. Exemplos são os produtores do Liquid Soul, Beat Bizarre, Zion in Mad, Metapher, Bitmonx, Ace Ventura, Analog Drink, Ticon,TimeSphere, Soulscape e Atmos.

O "prog" mescla várias vertentes e sub-vertentes da música eletrônica podendo caminhar entre o prog house, prog psy e prog dark, estando todos englobados no mesmo estilo (não há como classificar ou ter-se-ia nomenclaturas enormes do tipo minimal-progressive-electro-breaks). Ele pode ter um bassline com bastante groove, assim como nenhum groove.

O Trance Progressivo é o estilo com mais ligações ao “House” e “Techno”, o qual lhe confere um cariz mais comercial. Foi dos estilos que menos evoluiu ao longo do tempo, e também o estilo mais antigo dentro do Trance Psicadélico. Foram seleccionadas as seguintes músicas para análise: “Sunglider” de Freq, pertencente à compilação “Kodama” (2006), “2nd Fynn” de Vaishiyas da compilação “Psychedelic Circus” (2008), “Isolation” de Vibrasphere, incluída no álbum “Exploring The Tributaries” (2007) e, por último, “In Between (Captain Hook Remix)” de Gaudium & Ace Ventura, do “EP” “In Between” (2011). As seguintes características derivam da análise executada:

Tempo mais lento, entre 130 e 139 batidas por minuto;

Introduções mais curtas, raramente excedendo os 30 segundos, com poucos elementos existentes;

Duração da música normalmente mais longo, variando entre os 7 e 9 minutos;

Poucas quebras e sonoridade muito constante durante quase a totalidade da música;

Apenas constituída por uma parte e poucas alterações à forma original (A-A’-A’’);

Baixo com notas mais longas e com compressão em “side-chain” com o bombo;

Harmonia muito simples e com poucos ornamentos, não existindo, normalmente, modulação da nota fundamental do baixo;

Segue a mesma estrutura que a bateria do “Full On”, não tendo, no entanto, tanta abundância de utilização dos pratos de choque abertos;

Poucos efeitos, além dos efeitos de espacialização como ecos, reverberação e panorâmicas, podendo existir automação nos ecos e frequência de corte do filtro;

Usualmente tem uma maior preponderância de elementos percussivos tribais e menos comuns no “Full On”

DarkPsytrance[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Dark Psytrance

Todas essas vertentes se completam, cada uma com seu momento dentro do ritual. A celebração psicodélica precisa tanto dos momentos de euforia e dança que o Full On proporciona no auge da festa, assim como do som barulhento e sinistro do Dark, além dos insights meditativos do Progressive após a energia ser trabalhada. Tudo no seu tempo e com harmonia.

O “Dark Trance” foi o estilo que se estabeleceu mais tarde e tem evoluído continuamente desde o seu aparecimento por volta de 2003 (em 2001 já existiam alguns “LPs” com sonoridade semelhante). É bastante diverso e difícil de categorizar. Tem uma sonoridade mais sombria e grande influências de estilos menos electrónicos como o “Industrial”, “Hardcore”, “Death Metal”, entre outros. Denota-se que ao longo do tempo tem ficado mais extremo e rápido, com um tempo cada vez mais acelerado e sons mais dissonantes. As músicas seleccionadas para análise foram: “Amazon Travel” de Parasense, pertence ao álbum “Past Present Future” (2003), “Inverter” de Penta, do álbum “Funraiser” (2005), “Ritm Corr” de Kindzadza, música incluída na compilação “Project Eleusis: The Bible of Psychedelic” (2006) e, como última escolha, “Strange Blue Crystal” de Terranoise, do seu último álbum “Cross-Dimensional Feedback” (2009). A lista de características seguintes advém da análise das 4 músicas.

Tempo muito rápido, acima das 149 batidas por minutos (existem casos de faixas a chegarem perto das 170 batidas por minuto);

Introduções que variam entre a inexistência da mesma a longas introduções complexas e com padrões rítmicos caóticos, apoiada por um uso enorme de efeitos;

Músicas de duração longa, nunca abaixo dos 7 minutos;

Quebras constantes e sem estrutura audível, com crescendos e diminuendos complexos;

Embora existam exemplos de músicas com estrutura semelhante à do “Full On”, não se observa, usualmente, uma estrutura muito definida;

Estrutura de bateria e baixo semelhante à do “Full On”, utilizando mais os pratos de choque fechados e menos os abertos. As quebras de bombo são continuamente executadas, quase como um processo de “glitch”. Muitas vezes a tarola entra só no 4º tempo. Existência de percussões sintéticas;

Harmonia muito simples, com pouca alteração da nota fundamental do baixo e melodias muito complexas, sem utilização de escala aparente;

Maior preponderância da modulação tímbrica dos sons, com dissonâncias de afinação entre os elementos na música;

Uso abundante, por vezes extremo de efeitos de automação da frequência de corte do filtro, “delays” complexos e sem padrão definido. Utilização acutilante de panorâmicas, transportando texturas inteiras pelo sistema de som;

São muito comuns os efeitos em formato áudio, ligados a filmes de ficção cientifica, de terror ou surrealistas, com vozes e barulhos de animais (algumas destas características não se encontram presentes nesta selecção, sendo, no entanto, muito abundantes no estilo).

Referências[editar | editar código-fonte]


Ver também[editar | editar código-fonte]

  1. Citação vazia (ajuda) 
  2. http://www.arge.pt/marcosilva/trance/?cat=historia  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  3. http://www.arge.pt/marcosilva/trance/?cat=historia  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  4. http://www.arge.pt/marcosilva/trance/?cat=historia  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  5. http://www.arge.pt/marcosilva/trance/?cat=historia  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  6. http://www.arge.pt/marcosilva/trance/?cat=historia  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  7. http://psyte.uol.com.br/redacao/materias/materia.asp?seq=314  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  8. St John, Graham, The Local Scene and Global Culture of Psytrance, Routledge, New York, 2010.
  9. Elliot, Lutter, Goa is a State of Mind (editado por Graham St John no livro anteriormente mencionado).
  10. De Ledesma, Charles, Psychedelic Trance music: Making in the UK (editado por Graham St John no livro anteriormente mencionado).
  11. Vitos, Botond, The Inverted Sublimity of the Dark Psytrance Dance Floor, Dancecult: Journal of Electronic Dance Music Culture, 2009.
  12. St John, Graham, Neotrance and the Psychedelic Festival, Dancecult: Journal of Electronic Dance Music Culture, 2009.