Zezé Macedo

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Zezé Macedo
Nome completo Maria José de Macedo
Nascimento 6 de maio de 1916
Silva Jardim,  Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileira
Morte 8 de outubro de 1999 (83 anos)
Rio de Janeiro
Ocupação Atriz, comediante e poetisa
Atividade 1950 - 1999
Cônjuge Alcides Manhães (1931 - 1933)
Victor Zambito (1961 - 1999)
IMDb: (inglês)

Maria José "Zezé" de Macedo (Silva Jardim, 6 de maio de 1916Rio de Janeiro, 8 de outubro de 1999) foi uma comediante e atriz brasileira de rádio, cinema e televisão. Foi a recordista feminina no Brasil em participações de cinema, tendo feito 108 filmes. Seu tipo físico, magra e baixa, sempre lhe garantiu papéis cômicos, apesar de ter sempre afirmado que também gostaria de representar papéis dramáticos em novelas. Oscarito dizia que ela era a maior comediante do cinema brasileiro. Grande Otelo chamava-a de Carlitos de saia; e Ivan Cardoso, de primeira-dama do cinema brasileiro. Na época das chanchadas, também ficou conhecida como a empregadinha do Brasil, numa referência aos inúmeros papéis de empregada doméstica que interpretou ao longo de sua carreira.

Também se destacou como poetisa, tendo publicado quatro livros de poemas seus.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Juventude e início de carreira[editar | editar código-fonte]

Nasceu no município fluminense de Capivari, hoje chamado Silva Jardim. Seu padrasto, Columbano Santos, tabelião e prefeito da cidade, era partidário dos atores.

Estreou no teatro aos quatro anos de idade, interpretando a protagonista na peça As Pastorinhas. Na época, como não sabia ler, decorava os textos ao ouvi-los lidos por seu padrasto, o qual lhe encorajava bastante. Também desde cedo manifestou inclinação pela poesia.

Aos quinze anos de idade, casou-se com o mecânico e eletricista Alcides Manhães, desistindo de ser atriz e mudando-se para Niterói. Com ele teve seu único filho, Hércules, morto com apenas um ano de idade ao cair do colo da avó paterna e fraturar o crânio. O casal separou-se pouco depois. Zezé passou a trabalhar como escriturária e funcionária pública, antes de voltar a ser atriz.

Através das amizades de seu padrasto, começou a ler poemas seus no Grande Jornal Fluminense, transmitido aos domingos pela Rádio Tamoio. O diretor artístico da emissora, Paulo de Grammont, gostou de suas declamações e contratou-a, sem salário, para o setor de radioteatro. No entanto, como não havia vagas, tornou-se secretária de Dias Gomes e Rodolfo Mayer, permanecendo três anos nesta função. Aos poucos, porém, foi começando a fazer pontas nos programas de rádio, substituindo atrizes, lendo poemas, e, por conta disso, publicou seu primeiro livro de poesias, Coração Profano, em 1954, um grande êxito de vendas. Publicou ainda mais três livros de poesia.

Por essa época, participou do programa Lar, Doce Lar substituindo a atriz que fazia a empregada doméstica, agradando bastante o público, e, logo no dia seguinte, foi convidada por Paulo Porto e Olavo de Barros a se transferir para a Rádio Tupi (tanto a Rádio Tamoio quanto a Tupi faziam parte da rede de Assis Chateaubriand), o que lhe possibilitou o ingresso para a televisão.

Cinema[editar | editar código-fonte]

Foi através da televisão que Watson Macedo a conheceu e convidou-a para estrelar em O Petróleo É Nosso (1954). A partir de então, Zezé tornou-se presença marcante no cinema, atuando primeiramente para diversas produtoras como a Watson Macedo Produções Cinematográficas, Cinelândia Filmes, Cinedistri, Brasil Vita Filmes, Flama Filmes, UCB, celebrizando-se como comediante. Dentre os vários filmes de que participou nessa época, merecem destaque De Vento em Popa (1957), de Carlos Manga, no qual interpreta uma cantora de ópera, fugindo da imagem estereotipada de empregada doméstica; O Homem do Sputnik (1959), considerado pelos cinéfilos como um das melhores chanchadas[1]; e Esse Milhão É Meu (1959). Nesses três filmes, atuou ao lado de Oscarito, o qual exigiu sua presença neles.

Com o declínio da chanchada no começo da década de 1960, Zezé passou a se dedicar mais ao teatro e à televisão, mas sem se afastar do cinema. A partir de 1965, tornou-se contratada da Rede Globo de Televisão, onde atuaria até o fim de sua vida. No cinema, estrelou, dentre outros, Lana - Königin der Amazonen (1964), filme alemão feito no Brasil em parceria com a Atlântida, e Macunaíma (1968).

Na década de 1970, sua carreira no cinema foi impulsionada com o surgimento da pornochanchada. Chegava a fazer três filmes por ano. Enquanto isso, na televisão, dava início à parceria com Chico Anysio, que lhe rendeu seus dois personagens mais emblemáticos: Biscoito e Dona Bela. A primeira era a esposa feia, porém rica, do bêbado Tavares e a segunda era uma aluna da Escolinha do Professor Raimundo que, acreditando ser pornografia tudo que o mestre lhe perguntava, jogava-se ao chão histérica e acusava-o: Só pensa naquilo!. Outra participação marcante dessa época na televisão foi no Sítio do Picapau Amarelo, no qual interpretou a Dona Carochinha.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Nos anos seguintes, passou a diminuir seu ritmo de trabalho, dedicando-se cada vez mais à televisão. Em 1983, estrelou como a protagonista em Eteia, a Extraterrestre em Sua Aventura no Rio, de Roberto Mauro, uma sátira ao E.T., de Steven Spielberg. Três anos depois, ganhou um prêmio especial do júri no Festival de Gramado por sua atuação em As Sete Vampiras, de Ivan Cardoso. Seu último filme longa-metragem foi O Escorpião Escarlate, de Ivan Cardoso, em 1990, mais uma vez interpretando uma secretária do lar. Todavia, voltou às telas de cinema quatro anos depois, no curta-metragem Jaguardarte, de André Klotzel, no qual aparece declamando versos de Lewis Carroll.

Dedicou seus últimos anos a programas humorísticos na televisão, tendo atuado até pouco antes de falecer.

Vida particular[editar | editar código-fonte]

Macedo voltou a se casar novamente, em 1961, com o ator e cantor Victor Zambito, dez anos mais novo, o qual conheceu enquanto atuava no Teatro Recreio. Válter Pinto e Virgínia Lane foram seus padrinhos. Os dois não tiveram filhos e permaneceram juntos por 38 anos, até o falecimento de Zezé.

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 26 de agosto de 1999, Zezé sofreu um derrame cerebral e foi internada na Clínica Bambina, no bairro carioca do Botafogo. De acordo com os médicos, ela tinha um aneurisma cerebral que havia se rompido. Ela iria ser operada, mas devido ao seu estado fragilizado, os médicos optaram lhe fazerem uma drenagem de coágulo. Depois de 46 dias de internação, a atriz veio a falecer às 2h55min de 9 de outubro, aos 83 anos. Seu corpo foi cremado no Cemitério do Caju.

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Festival de Gramado

Carreira[editar | editar código-fonte]

Cinema[editar | editar código-fonte]

Filmes
Ano Título Papel
1990 O Escorpião Escarlate Governanta
1988 Fogo e Paixão
Natal da Portela Maria Elisa
O Casamento dos Trapalhões D. Maria
O Diabo na Cama Prostituta
1986 As Sete Vampiras Rina
1984 O Rei do Rio
Os Bons Tempos Voltaram: Vamos… Avó
1983 Etéia Etéia
1979 A Virgem Camuflada Solteirona
1978 O Erótico Virgem Eulália
1977 Secas e Molhadas
As Eróticas Profissionais Tosca
Ele, Ela, Quem? Madame Grignac
1976 Sete Mulheres Para Um Homem Só Dudu[2]
Gordos e Magros Virgem Maria
Pedro Bó, o Caçador de Cangaceiros Maria Feiosa
1975 Com as Calças na Mão Moribunda
O Monstro de Santa Teresa Solteirona
O Padre Que Queria Pecar
As Loucuras de um Sedutor Margarida [3]
1974 Robin Hood, o Trapalhão da Floresta Pianista
Onanias o Poderoso Machão Cibele
Oh Que Delícia de Patrão Louca
As Mulheres Que Fazem Diferente Viúva
1973 Tati Dona Aurora
Os Mansos Velha
Como É Boa Nossa Empregada
Mais ou Menos Virgem Adélia[4]
1972 Salve-se Quem Puder - Rally da Juventude
1971 Os Monstros de Babaloo
1969 Macunaíma Magra
1966 As Cariocas Mulher Ciumenta
1964 Lana - Königin der Amazonen
O Santo Módico
1962 Três Colegas de Batina Funcionária da Caixa Econômica
1960 Minervina Vem Aí Melita
Cala a Boca, Etelvina Pancrácia
Virou Bagunça Biluca
1959 Dona Xepa Camila
Esse Milhão é Meu Augusta
O Homem do Sputnik Cleci
1958 O Camelô da Rua Larga Possidônia
Aguenta o Rojão
E o Espetáculo Continua Prudência
É de Chuá! Biluca
A Grande Vedete Fifina
1957 De Vento em Popa Madame Frou-Frou
Treze Cadeiras
Rio Fantasia Empregada da Pensão
Rico Ri à Toa
Maluco por Mulher
Garotas e Samba Inocência
Tem Boi na Linha
1956 Quem Sabe, Sabe!
Tira a Mão Daí!
1955 Trabalhou Bem, Genival
Carnaval em Marte Justina
Sinfonia Carioca Faustina
O Feijão É Nosso
1954 O Petróleo é Nosso
1950 Aviso aos navegantes [5]

Televisão[editar | editar código-fonte]

Televisão
Ano Título Papel Notas
1999 Zorra Total Dona Bela (quadro: Escolinha do Professor Raimundo)
1996 Chico Total Biscoito
1993 Os Trapalhões Olívia Palito
1991 Estados Anysios de Chico City Vários Personagens
1990 Escolinha do Professor Raimundo Dona Bela 1990-1993
1988 Fera Radical Hermínia
1986 Cambalacho Camareira Participação Especial
1983 Chico Anysio Show Biscoito 1983-1985
1977 Sítio do Pica Pau Amarelo Dona Carochinha 1977-1982
1973 Chico City Vários Personagens 1973-1976
1972 O Primeiro Amor Astúria
1968 Balança Mas Não Cai Vários Personagens 1968-1970
1965 Padre Tião Jacqueline
A Moreninha Zezé

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • Coração Profano (1954)
  • Uma Estrela Caiu (1981)
  • Meu Breviário (1981)
  • A Menina do Gato (1997)

Referências

  1. [1]
  2. «Sete Mulheres Para Um Homem Só». Cinemateca Brasileira. Consultado em 15 de março de 2017 
  3. «As Loucuras de um Sedutor». Cinemateca Brasileira. Consultado em 15 de março de 2017 
  4. «Mais ou Menos Virgem». Cinemateca Brasileira. Consultado em 15 de março de 2017 
  5. Cinemateca Brasileira, Aviso aos navegantes [em linha]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]