Alouatta belzebul

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Como ler uma caixa taxonómicaGuariba-de-mãos-ruivas[1]
Guariba-de-mãos-ruivas em Tucuruí, Pará.

Guariba-de-mãos-ruivas em Tucuruí, Pará.
Estado de conservação
Status iucn3.1 VU pt.svg
Vulnerável (IUCN 3.1) [2]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Família: Atelidae
Subfamília: Alouattinae
Género: Alouatta
Espécie: A. belzebul
Nome binomial
Alouatta belzebul
( Linnaeus, 1766)
Distribuição geográfica
Distribuição geográfica do bugio-de-mãos-ruivas.
Distribuição geográfica do bugio-de-mãos-ruivas.

Alouatta belzebul é uma espécie de bugio ou guariba, um macaco do Novo Mundo da família Atelidae e gênero Alouatta, conhecido popularmente por guariba-de-mãos-ruivas, guariba-de-mãos-vermelhas, guariba-preta ou bugio-de-mãos-ruivas. É endêmico do Brasil, e possui distribuição geográfica disjunta, ocorrendo duas populações separadas: uma na Amazônia e outra na Mata Atlântica do litoral do Nordeste Brasileiro.

Distribuição Geográfica[editar | editar código-fonte]

A espécie é endêmica do Brasil, ocorrendo tanto na Floresta Amazônica quanto na Mata Atlântica nordestina.[3] Ocorre nos estados do Pará, Mato Grosso, Amapá e Maranhão (distribuição "amazônica") e no Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.[3] É uma espécie restrita às formações florestadas e seus limites de distribuição são definidos com o fim de florestas e início de formações abertas, como o cerrado.[3] Habita desde vegetação de transição com alta frequência de babaçu, até a floresta estacional semidecidual e floresta ombrófila.[4] [5] [6] [7]

Descrição[editar | editar código-fonte]

São primatas de grande porte, com até 1 metro comprimento cabeça-cauda, e peso entre 6,5-8,0 Kg nos machos e 4,8-6,2 Kg nas fêmeas. Sua pelagem é curta e áspera, com “barba” bem desenvolvida; possui pelagem preta ou marrom-escuro com mãos, pés e porção final da cauda avermelhados: outras variações de pelagem que definiam subespécies distintas agora são consideradas espécies diferentes (Alouatta belzebul discolor e A. belzebul ululata).[3] Sua cauda é preênsil, e apresentam locomoção lenta, quadrupedal, raramente saltando.

Dieta[editar | editar código-fonte]

Sua dieta é predominantemente folívolo-frugívora (flores, folhas e frutos verdes ou maduros), o que o torna animal pouco ativo, passando mais de 70% do seu tempo em descanso. Ingestão de outros compostos tem sido registrada, como insetos, sementes, casca de árvores, raízes, musgo e terra de cupinzeiro.

Reprodução e Socioecologia[editar | editar código-fonte]

Vivem em grupos sociais liderados por um macho adulto; o tamanho do grupo varia com a espécie de Alouatta e o ambiente onde vivem; no A. belzebul são encontrados grupos de 2 a 14 indivíduos. Os machos do gênero vocalizam para determinar a localização do grupo e defender seu território.

A gestação da espécie dura mais de 150 dias, onde nasce um único filhote. As crias são carregadas no ventre pela mãe nas primeiras 3 semanas de vida e após ficam aguarrados no dorso da mesma; as fêmeas cuidam dos filhotes até o desmame com 15 meses de vida. A espécie atinge a maturidade sexual com 36 a 40 meses de vida.

Conservação[editar | editar código-fonte]

Guariba-de-mãos-ruivas na Paraíba.

A espécie é considerada como "Vulnerável" pela IUCN pois suas populações diminuíram significativamente nos últimos 30 anos, sendo que as populações do Nordeste encontram-se em estado crítico (menos de 200 indíviduos).[2] Nesta última região, ainda é encontrado em algumas unidades de conservação: ocorre na Reserva Biológica Guaribas, na Paraíba; na Estação Ecológica Murici, em Alagoas; e em unidades de conservação particulares em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas.[4]

Referências

  1. Groves, C.. In: Wilson, D. E., and Reeder, D. M. (eds). Mammal Species of the World. 3rd edition ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 16 de novembro de 2005. Capítulo: Order Primates. , 148 p. ISBN 0-801-88221-4 OCLC 62265494
  2. a b Veiga, L.M., Kierulff, C. & de Oliveira, M.M. (2008). Alouatta belzebul. IUCN 2012. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2012.1. <www.iucnredlist.org>. Página visitada em 17 de setembro de 2012.
  3. a b c d GREGORIN, R.. (2006). "Taxonomia e variação geográfica das espécies do gênero Alouatta Lacépède (Primates, Atelidae) no Brasil". Revista Brasileira de Zoologia 23 (1): 64-144.
  4. a b Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas do Nordeste. Página visitada em 07/2012.
  5. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Guariba – Alouatta belzebul ululata. Página visitada em 07/2012.
  6. Silva Júnior, J. S., Silva, C. R., Kasecker, T. P (2008). Primatas do Amapá, Guia de Identificação de Bolso. Conservation International, Tropical Pocket Guide Series #7. Página visitada em 07/2012.
  7. Simone Porfírio de Souza, Anthony Brome Rylands (2005). Ecologia e Conservação de Alouatta belzebul belzebul (Primates, Atelidae) na Paraíba, Brasil. Tese de doutorado em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre, Instituto de Ciências Biológicas, UFMG. Página visitada em 07/2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]