Bugio

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Como ler uma caixa taxonómicaBugio
Howler monkey belzie wen.jpg
Estado de conservação
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Infraordem: Simiiformes
Parvordem: Platyrrhini
Família: Atelidae
Subfamília: Alouattinae
Género: Alouatta
Espécie: A. guariba
Nome binomial
Alouatta guariba
( Humboldt, 1812)

O bugio (também conhecido por guariba, barbado ou macaco-uivador) está entre os maiores primatas neotropicais, com comprimento de trinta a 75 centímetros. Sua pelagem varia de tons ruivos, ruivo-acastanhados, castanho e castanho-escuro. No caso da subespécie Alouatta guariba clamitans, os machos são vermelho-alaranjados e as fêmeas e jovens são castanho-escuros. É famoso por seu grito, que pode ser ouvido em toda a mata e pela presença de pelos mais compridos nos lados da face, formando uma espécie de barba.

O Alouatta guariba é a espécie de bugio que habita a Mata Atlântica desde o sul da Bahia (subespécie Alouatta guariba guariba) até o Rio Grande do Sul, chegando ao norte da Argentina, na região de Misiones (subespécie Alouatta guariba clamitans). As duas subespécies constam na lista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis como criticamente em perigo e vulnerável, respectivamente.

O desmatamento ameaça a sobrevivência dos bugios de diferentes maneiras. A mais evidente é a retirada da vegetação, o que restringe seus ambientes a pequenos fragmentos isolados.

Nasce em todas as estações do ano, depois um período de gestação de aproximadamente 140 dias. O filho fica agarrado às costas da mãe durante os primeiros meses de vida. A maturidade é atingida entre um ano e meio e dois anos de vida. Alimenta-se predominantemente de folhas, flores, brotos, frutos e caules de trepadeiras. Pouco ativo, se locomove vagarosamente com a auxílio de sua cauda preensil, que pode atingir oitenta centímetros de comprimento. Pode atingir até nove quilogramas de peso.

A Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza mantém laboratórios e alojamentos para pesquisadores na Estação Biológica de Caratinga, que é uma fazenda particular com um fragmento de Mata Atlântica com cerca de oitocentos hectares, onde ocorre a subespécie Alouatta guariba clamitans.

Índice

[editar] Etimologia

"Bugio" é um termo derivado do nome de uma cidade da Argélia, Bugia, famosa pela venda de macacos[1]. Já "guariba" origina-se do vocábulo tupi wa'riwa[2].

[editar] O Grito do Bugio

Quando amanhece em algum lugar de uma floresta tropical da América do Sul, ouvem-se rugidos crescentes. Primeiro um, em seguida outro e depois outro, cada qual mais forte e penetrante. São os bugios comunicando a sua localização uns para os outros.

O grito é a sua característica mais importante (um ronco forte). É interrompido e recomeçado várias vezes durante minutos e até horas. Costuma ser emitido também quando são observados outros grupos se aproximando ou com a invasão do território por outro indivíduo. Esses gritos são assutadores e, na região do norte de Tocantins deram origem a várias lendas de entes fantásticos que vivem na mata.

Quem ouve o ronco assustador do bugio nem imagina que por trás dequele estrondo e da barba espessa esconde-se um macaco tímido, que vive em pequenos grupos, de três a doze indivíduos, de ambos os sexos e várias idades, chefiados por um macho adulto. Quanto ao seu tempo de vida, pouco se sabe, pois trata-se de um animal que não se adapta bem ao cativeiro.

A amplificação da potência desses sons é obtida graças ao hióide, pequeno osso situado entre a laringe e a base da língua. Na presença de um predador, ou de outros grupos de bugios, o hióide funciona como uma caixa de ressonância.

[editar] Carne Nobre para os Índios

Os bugios (ou guaribas) foram muito caçados pelos índios, que apreciavam a sua carne acima de todas as outras. A lentidão para fugir das flechas também contribuiu para a sua preferência entre os índios. A caça ao primata é descrita por Darcy Ribeiro no livro Diários Índios (Cia. das Letras, 1996).

"Durante a caçada aos guaribas, os índios entusiasmaram-se a valer, gritavam imitando os urros dos macacos e os perseguiram por quilômetros, seguindo sua corrida nas árvores, saltando troncos, numa disparada infernal no meio da mata fechada."

"A caçada aos guaribas é extremamente difícil. Eles se escondem na fronde das árvores mais altas, entre as touceiras de cipós, e ficam lá por horas, sem se mostrarem. Quando atingidos por flechas, que devem romper toda aquela couraça de lianas, os guaribas gritam de modo assustador, arrancam as flechas do corpo e as quebram com gestos muito humanos."

[editar] Bugios em Embu das Artes

Recentemente, foi registada a presença destes animais na região de Embu das Artes. Foram gravadas imagens e o som característico dos animais.

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.291
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.875
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