Ateles

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Como ler uma caixa taxonómicaMacaco-aranha1
A. fusciceps
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Infraordem: Simiiformes
Parvordem: Platyrrhini
Família: Atelidae
Subfamília: Atelinae
Género: Ateles
E. Geoffroy, 1806
Espécie-tipo
Simia paniscus
Linnaeus, 1758
Distribuição geográfica
Distribuição geográfica dos macacos-aranha
Distribuição geográfica dos macacos-aranha
Espécies

Ateles belzebuth
Ateles chamek
Ateles hybridus
Ateles marginatus
Ateles fusciceps
Ateles geoffroyi
Ateles paniscus

Macaco-aranha ou coatá é uma denominação comum à várias espécies de primatas do gênero Ateles e família Atelidae.2 São animais frugívoros em sua maioria, e habitam as florestas da Amazônia e América Central.

Possuem longos braços e pernas, com uma cauda preênsil, o que conferiu o nome popular, e são os maiores primatas da América.

Todas as espécies de macaco-aranha encontram-se em algum grau de extinção, devido ao desmatamento e à caça predatória, sendo que a IUCN lista duas espécies como "Criticamente em Perigo", quatro como "Em Perigo" e uma como "Vulnerável".

Índice

Etimologia [editar]

"Cuatá" é oriundo do tupi kua'tá2 . "Macaco-aranha" é uma referência a seus membros e a sua cauda preensil, que são muito longos e finos, semelhantes às patas das aranhas2

Taxonomia e Evolução [editar]

O gênero Ateles surgiu há cerca de 13 milhões de anos, no Mioceno, se separando de um ramo que deu origem ao muriqui e ao macaco-barrigudo.3 Tal relação filogenética é corroborada por dados moleculares, sendo divergente de filogenias morfológicas, que consideram o gênero Ateles como grupo-irmão de Lagothrix.4 5

O cladograma abaixo representa as relações filogenéticas dentro da família Atelidae, tal como sugerido por dados moleculares.3 6

Atelidae


Alouatta


Atelinae


Brachyteles



Lagothrix



Ateles


Ateles geoffroyi



Ateles fusciceps





Ateles chamek




Ateles marginatus



Ateles paniscus








Espécies [editar]

A diversificação do gênero ocorreu no fim do Plioceno, culminando nas sete espécies e sete subespécies conhecidas:7 1

Descrição [editar]

Os macacos-aranha são os maiores primatas do Novo Mundo: o adulto tem entre 42 cm e 66 cm de comprimento, com uma cauda de até 88 cm e pesando até 11 kg.8 Os membros são longos e esguios, assim como a cauda, que é preênsil, o que é característico do gênero e que lhe conferiu o nome popular de macaco-aranha.8 Tais características permite diferenciar facilmente o macaco-aranha de outros primatas de grande porte da América do Sul e Central, como o bugio e o macaco-barrigudo.8 O polegar é muito reduzido, praticamente ausente.9

Hábitat e Distribuição Geográfica [editar]

A área de ocorrência das espécies de macaco-aranha vai desde o sul do México até a Bolívia, habitando principalmente a floresta ombrófila de terra firme até 800m de altitude, sendo eventualmente encontrado na floresta estacional semidecidual na Costa Rica e Bolívia.8 Estão sempre nos estratos mais altos da floresta, e nunca descem até o chão.10

Ecologia [editar]

Dieta [editar]

São primatas predominantemente frugívoros com cerca de 90% da dieta constituindo de frutos, e eventualmente se alimentando de folhas jovens.8 9 A composição da dieta é diretamente proporcional à quantidade de frutos que ocorrem no ambiente, sendo que ao haver uma escassez desse item alimentar, os macacos passam a comer brotos de folhas jovens.11

Organização Social e Território [editar]

Formam grandes grupos, com até 30 indivíduos, mas com uma dinâmica de fusão-fissão, com a formação de subgrupos de forrageamento.9 Os grupos caracterizam-se por uma alta dispersão das fêmeas, que acaba culminando na formação de coalizões entre os machos, que se reflete em uma baixo índice de competição entre eles e por conseqüência, um baixo dimorfismo sexual.12 Não existe uma hierarquia linear muito clara entre os machos, que se evidencia pela ausência de um macho alfa.13 Um grupo habita um território entre 1 e 3,9 km², muitas vezes definido por fronteiras físicas.10 Aparentemente, apenas os machos respeitam tais limites e muitas vezes se envolvem em comportamentos agressivos (principalmente por meio de vocalizações) ao defender essas fronteiras.10

Predadores [editar]

Por serem animais de porte relativamente grande, poucos são os predadores naturais dos macacos-aranha. Os predadores são felinos de grande porte, como a onça-pintada e a onça-parda.14

Reprodução [editar]

Ateles fusciceps é uma espécie "Criticamente em Perigo", segundo a IUCN.

As fêmeas parem um filhote de cada vez, raramente gêmeos, depois de uma gestação de 226 a 232 dias e o intervalo entre uma gestação e outra é de até 50 meses em animais no estado selvagem.10 A unidade social mais coesa no macaco-aranha é a que se mantém entre mãe e filhote até o momento em que atinge a maturidade que pode demorar até 14 meses para ser atingida.8 Existem controvérsias quanto a existência de sazonalidade no acasalamento e nascimento de filhotes.10

Conservação [editar]

Por exigir grandes porções de floresta, o macaco-aranha é diretamente ameaçado pelo desmatamento e fragmentação do hábitat. A baixa taxa de reprodução também torna suas populações suscetíveis à caça.15 Por conta disso, todas as espécies do gênero Ateles encontram-se com algum grau de ameaça de extinção, segundo a IUCN, principalmente as espécies da América Central.16


Referências

  1. a b Groves, C.. In: Wilson, D. E., and Reeder, D. M. (eds). Mammal Species of the World. 3rd edition ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 16 de novembro de 2005. Capítulo: Order Primates, 150–151 p. ISBN 0-801-88221-4 (OCLC 62265494)
  2. a b c FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.505
  3. a b SCHNEIDER, H.. (2000). "The Current Status of the New World Monkey Phylogeny". Anais da ACademia Brasileira de Ciências 72 (2): 165-172.
  4. SCHNEIDER, H.; ROSENBERG, A.L.. [http://pages.nycep.org/rosenberger/pdfs/Molecules__Morphology_and_Platyrrine_Systematics_Rosenberger_Schneider_AdaptiveRadiations_of_Neotropical_Primates_1996.pdf MOLECULES, MORPHOLOGY, AND PLATYRRHINE SYSTEMATICS. Em M. A. Norconk, A. L. Rosenberger, and P. A. Garber, eds. Adaptive radiations of Neotropical primates.]. Nova Iorque: Plenum Press, 1996. 3-19 p.
  5. MARROIG, G.; CHEVERUD, J.M.. (2001). "A COMPARISON OF PHENOTYPIC VARIATION AND COVARIATION PATTERNS AND THE ROLE OF PHYLOGENY, ECOLOGY, AND ONTOGENY DURING CRANIAL EVOLUTION OF NEW WORLD MONKEYS". Evolution 55 (12): 2576-2600.
  6. Chaterjee, H.J.; Ho, S.Y.; Barnes, I.; Groves, C.. (2009). "Estimating the phylogeny and divergence times of primates using a supermatrix approach". BMC Evolutionary Biology 9: 1-19. DOI:10.1186/1471-2148-9-259.
  7. COLLINS,A.C.; DUBACH,J.M.. (2000). "Biogeographic and Ecological Forces Responsible for Speciation in Ateles". International Journal of Primatology 21 (3): 421-444. DOI:10.1023/A:1005487802312.
  8. a b c d e f EISENBERG, J. F.. Mammals of the Neotropics: The Northern Neotropics - Volume 1: Panama, Colombia, Venezuela, Guyana, Suriname, French Guiana. Chicago e Londres: The University of chicago Press, 1989. 449 p. ISBN 0-226-19540-6
  9. a b c AURICCHIO, P.. Primatas do Brasil. São Paulo: Terra Brasilis Comércio de Material Didático Editora Ltda, 1995. 168 p. ISBN 85-85712-01-5
  10. a b c d e Roosmalen, M.G.M.; Klein, L.L.. The spider monkeys, genus Ateles. Em: R. A. Mittermeier, A. B. Rylands, A. F. Coimbra-Filho an G. A. B. da Fonseca (orgs.), The Ecology and Behavior of Neotropical Primates, Vol. 2. Washington - DC: World Wildlife Fund, 1988. 455-537 p.
  11. NUNES, A.. (1998). "Diet and Feeding Ecology of Ateles belzebuth belzebuth at Maracá Ecological Station, Roraima, Brazil". Folia Primatologica 69 (2): 61-76. DOI:10.1159/000021573.
  12. FEDIGAN, L.M.; BAXTER,M.J.. (1984). "Sex differences and social organization in free-ranging spider monkeys (Ateles geoffroyi)". Primates 25 (3): 279-294. DOI:10.1007/BF02382267.
  13. GIBSON,K.N.. Mating tactics and socioecology of male white-bellied spider monkeys (Ateles belzebuth chamek). New Haven - Connecticut: Dissertação de Mestrado - Universidade de Yale, 2008. 203 p.
  14. MATSUDA, I.; IZAWA, K.. (2008). "Predation of wild spider monkeys at La Macarena, Colombia". Primates 49 (1): 65-68. DOI:0.1007/s10329-007-0042-5.
  15. CROCKETT, C.M.. (1998). "Conservation Biology of genus Alouatta". International Journal of Primatology 19 (3): 549-578. DOI:10.1023/A:1020316607284.
  16. IUCN 2012. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2012.1. <www.iucnredlist.org>.. Página visitada em 28 de setembro de 2012.

Ligações externas [editar]

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